Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 448

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

— Confio que você já sabe o quão excessivamente rude e inadequado foram seus atos há pouco.

Minhas pálpebras tremiam.

— Desde o começo… ninguém mais foi pego, então não vejo como pode alegar que isso não foi totalmente culpa sua.

Uma onda fria de pavor percorreu minha espinha.

— Desculpas são fáceis, mas atacar seu superior só porque sua opinião não foi aceita foi demais… Acho que sei por que você chegou a esse ponto.

— ……

— Você se apegou?

Um suor gelado escorreu pelo meu queixo.

— Ficou com medo de perder um colega de equipe? Parece que você é do tipo que cria vínculos preciosos mesmo em lugares estranhos.

Respondi o mais calmamente que consegui.

— Para um ser humano, é natural ter medo da morte de outra pessoa.

— ……

— Se você se ofendeu com minha resposta, peço desculpas.

— Ah, de jeito nenhum! Não me ofendi. Você está absolutamente certo.

O diretor Ho sorriu novamente.

— Mas regras são regras.

— ……

— Estenderia a mão? Vai precisar aceitar sua punição.

……

Devagar, estendi ambas as mãos, mal controlando o tremor, com as palmas para cima.

— Homem.

Ondulações se espalharam.

Mas diferente da sutileza do vínculo secreto anterior, aquilo não era suave.

Uma enorme e profunda marca trouxe uma dor estranha e uma sensação torta nas costas da minha mão.

— …!

Rangei os dentes, suando frio. Não mexa. Se mexer…

— Você morrerá em um mês.

…!

— Entretanto, se cumprir sua promessa com a ■■■, essa obrigação será revogada.

— Qualquer tentativa de fugir disso resultará em punição.

Engoli um grito.

À medida que as ondulações desapareceram das costas da minha mão, a sensação estranha e a dor foram sumindo lentamente…

— Eu estava preocupado que você mentisse para ganhar tempo. Então, dessa vez, como você disse, tratei de não ser ingênuo!

O diretor Ho sorriu radiante.

— Obrigado por me avisar.

— ……

Levei minhas mãos para trás.

Por um momento, cruzei o olhar trêmulo do agente Choi.

— Ah. Acho que já vou.

— ……

— Só queria terminar logo, mas não esperava uma conversa tão longa com você, Soleum-nim.

— Nem parecia uma conversa, na verdade……

……!!

— Você disse… que vai matá-lo em um mês…

Sargento!

‘Por favor, não diga nada!’

Pela primeira vez, o diretor Ho pareceu reconhecer a presença do sargento e o olhou.

Então… sorriu e falou.

— Mande lembranças ao diretor Cheong.

……!

Foi como se o diretor Ho nem tivesse ouvido o que o sargento disse. Apenas virou o rosto para mim, sorrindo.

— Bem, então, tenha uma boa noite, Soleum-nim!

E com isso,

o diretor Ho desapareceu do assento do motorista.

— ……

— ……

— O diretor Cheong… vai ser impossível de encontrar… Ah, ele se foi.

Estou viva.

Quase desabei no chão do táxi.

Mas, percebendo que já estava sentada, forcé meu corpo trêmulo a se mover.

O sangramento no rosto do agente Choi estava mais grave agora.

Abri o kit médico que havia confiscado dele e comecei a fazer os primeiros socorros.

— ……

O sangramento no rosto dele cessou e, depois de algum trabalho, ele começou a estabilizar.

O agente Choi não resistiu.

Mas também não falou nada.

— Agente.

Ele apenas desviou os olhos para me encarar.

— Não pense nisso.

— Pensar em quê?

— Em qualquer forma de quebrar a ligação que o diretor te impôs. Nem tente bolar algo.

— ……

O primeiro vínculo que o diretor Ho recitou já fora aplicado ao agente Choi.

Agora ele não poderia enviar nenhuma informação sobre eu ser uma espiã, nem sobre o que aconteceu hoje.

Terá que viver amanhã como se nada tivesse mudado desde ontem.

Se não.

— Você será punido.

— Punido.

— Sim.

Olhei para ele e falei claramente.

— O que for mais precioso para você acabará nas mãos do diretor.

— ……

O agente Choi pegou silenciosamente seu próprio kit médico das minhas mãos e continuou os primeiros socorros por conta própria.

Movia-se com a habilidade de quem está acostumado a esse tipo de trabalho há muito tempo.

E então…

— … Ele é um diretor, você disse.

Não respondi.

— Que tipo de vínculo o diretor colocou em você?

— ……

— Agora parece que ele disse que vai te matar em um mês se você não conseguir cumprir bem essa missão de espionagem. O que ele te fez antes?

Abri a porta do carro.

E acenei com a cabeça para o lado.

— Vá para casa.

— Como pretende conseguir a informação?

— Isso não é da sua conta.

O agente Choi me olhou com uma expressão indecifrável.

— Se me contar que tipo de informação é, talvez eu possa ajudar.

— Não é necessário. Não vou pedir para você roubar nada.

— Então qual é o desejo que você quer realizar?

Não consegui me segurar.

— Eu só quero voltar para casa.

— ……!

— … Vou deixar seus equipamentos no porta-malas.

Saí do carro com o sargento.

Então peguei toda a aparelhagem do agente Choi e a coloquei no porta-malas, deixando uma poção de regeneração de baixo nível da Daydream Inc.

Eu não fazia ideia do tipo de conversa que ele teria que aguentar aparecendo para trabalhar amanhã com o rosto daquele jeito.

Enquanto eu fazia isso, o agente Choi não saiu do carro.

Click.

Fechei o porta-malas com brusquidão e fui embora com o sargento.

… Em algum lugar.

— ……

— Hum… Você está bem…?

— … Sim.

O pior foi evitado.

Com certeza consegui passar por essa situação.

Um mês.

Isso era suficiente. Eu conseguiria. Tenho um plano…

Eu conseguiria.

— Mm……

O sargento falou com sua voz lenta.

— Hum, se realmente ficar impossível… venha me procurar…

— … Obrigada.

Só as palavras já foram um conforto.

Finalmente me recompus.

— Ah, desculpe. Você sempre me ajuda e eu deveria te pagar algo.

Não havia uma padaria por perto? Mesmo se não fossem donuts, queria comprar algo para ele, mas o sargento balançou a cabeça devagar.

— Mm. Da próxima vez… em um bom restaurante…

— … Sim. Da próxima vez. Com certeza.

Um riso leve escapou de mim.

… Me senti um pouco mais leve.

— Hum… e a informação que descobri…?

— Também vou ouvir isso na próxima vez.

Estou no meu limite.

Consegui esboçar um sorriso leve ao me despedir do sargento.

Ele olhou para trás várias vezes, mas no fim precisou voltar para a Daydream Inc. antes do anoitecer…

— ……

— Huu, que suspense sufocante!

Inclinei a cabeça.

Olhei para o bichinho de pelúcia no meu peito.

— Agora que sua jornada entrou em uma nova fase, mal posso esperar para ver até onde vai. Não acha, amigo?

……

— Pense o que quiser.

E tirei o bichinho da jaqueta.

Por um instante, tive vontade de jogá-lo na rua principal, mas só o enfiei de volta no bolso da jaqueta.

Pelo menos não precisaria ouvir a voz dele. Pelo menos hoje não.

— ……

Voltei para o velho motel que alugava há tempos.

E cinco horas depois, me apresentei para o trabalho na Agência de Gestão de Desastres.

Como se nada tivesse mudado.

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