
Capítulo 405
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
O resort precisa abrir suas portas.
Mesmo que alguém tenha morrido três horas atrás.
Mesmo que essa pessoa fosse uma colega próxima de trabalho.
Mesmo que seu sangue e entranhas tenham voltado para dentro dela e ela tenha ressuscitado como algo que já não era humano.
"Seja bem-vindo, caro hóspede! Que tipo de quarto deseja?"
Estamos lado a lado na recepção.
… Bem ao meu lado, o funcionário com a máscara amarela de mascote atende os hóspedes com cortesia.
Jang Heowoon.
Não, melhor dizendo…
Um suor frio escorria dentro da fantasia. Enquanto eu entregava mecanicamente a chave de um quarto para um hóspede, não parava de pensar…
O que diabos está acontecendo?
'Será que eu trouxe Jang Heowoon de volta à vida?'
Mas será que dá para chamar essa coisa de Jang Heowoon?
Meu instinto de mascote reconhece o funcionário ao meu lado como alguém que está sob contrato comigo.
No entanto, vê-lo trabalhar com aquele sorriso largo daquele jeito… Não é a reação de um humano que foi atravessado na coluna e voltou a viver.
É coisa de fantasma.
Mas como o resort precisa funcionar, e Jang Heowoon também precisa trabalhar para cumprir as condições como funcionário e conseguir o carimbo no seu bilhete de atrações, eu fico aqui.
Mas agora, até duvido se é possível escapar de verdade.
Se você já fez parte de uma história de fantasmas, será que dá para voltar para a realidade pelas regras humanas?
E será que é mesmo certo querer escapar...?
"Uau… muito obrigado!"
Ele não está mais tão tenso.
Realmente se comporta como um hotelier, até com os hóspedes mais estranhos que aparecem.
Não importa o quão bizarros sejam os pedidos, ele não suava, nem se atrapalhava.
Quem é esse cara?
Até na hora do almoço, em vez de ir para o refeitório dos funcionários que eu montei, ele continuou trabalhando entre os mascotes padrão.
Nem sequer olhou para Ladybug — aquela que o matou — que agora murmurava para si mesma, em estado de insanidade, limpando um canto.
Sem ressentimento, sem perdão, sem interesse.
Nem um pingo.
'Ele não é humano.'
Essa estranheza toda revirava meu estômago e me dava arrepios na espinha.
Felizmente, a fantasia escondia tudo.
Despedi um hóspede e, ao ver o próximo se aproximar com a boca entreaberta, lancei um olhar ao redor.
Mas…
"C-Com licença…"
Uma pessoa moderna, de moletom com capuz e jeans, com o rosto corado e olhando em volta nervosamente.
'Essa é humana.'
Será que ela foi pega no jogo de tabuleiro do parque temático? Se sim, só podia torcer para que ela simplesmente preenchesse seu bilhete de atrações e saísse rápido.
Mas…
"Esse é o resort daquela revista, né? Incrível…"
…Revista?
'Espera um pouco.'
Chequei os pulsos dela.
…Sem pulseira de bilhete de atrações.
"Hã? Tem um parque temático aqui também? Eu só, hum, vi a propaganda da avaliação… Hã? Mas como cheguei aqui? Lembro que queria vir, mas por que estou aqui?"
A face da pessoa ficou vazia.
E senti um calafrio na espinha.
…Uma humana apareceu, trazida aqui por um meio diferente do jogo de tabuleiro.
Só por este resort?
"Hum, mas não sei como cheguei aqui. Como faço para sair?"
"Por aqui, caro hóspede!"
Jang Heowoon apontou alegremente para a porta do saguão.
Mas a saída desse resort… Espera aí.
Não dá para deixá-la simplesmente sair por ali…!
Um hóspede legítimo do parque temático volta com segurança pelo mesmo lugar por onde entrou. Mas um visitante qualquer… Ele não teria uma enorme chance de acabar fora do parque?
E ninguém sabe o que há fora do parque…
Basta pensar na Rua da Morte ou na Mansão dos Cegos!
'Ela vai desaparecer.'
Eu parei a pessoa às pressas.
"E-Eu?"
Entreguei uma das chaves de quarto penduradas atrás da recepção, pegando uma aleatoriamente.
"Hã? Ah, não, eu es…"
Inclinei a cabeça.
E dei a última chance de se tornar minha hóspede para essa espectadora que entrou no resort sem sequer ser hóspede.
As pupilas do mascote encararam a pessoa.
"S-Sim..."
Ela, tremendo, estendeu a mão e pegou a chave do quarto.
Basicamente, foi uma venda forçada.
Mas não tinha outra saída.
'Só a deixe ficar por enquanto.'
Naquele momento.
"Como pretende pagar?"
…!
"P-Pagar? Cartão…"
Jang Heowoon, com a máscara amarela de mascote, sorriu enquanto devolvia o cartão.
"Esse não é um método de pagamento aceito no Parque Temático Alegre, caro hóspede! Por favor, pague em Moedas Alegres."
"Uh… hum, onde consigo essas?"
Não.
"É simples! No Parque Temático ■■ você pode ■■■■■ seu ■■■ ■■ e ■■■■■."
"Aaah! Ah, tem um jeito assim!"
"Sim! É bem simples."
"Vou trocar agora! É tão acessível! Imagine, até humanos podem ser usados como moeda!"
Ele está dizendo coisas que nunca deveriam ser ouvidas! Falando sobre coisas que nunca deveriam ser descobertas! Tem um motivo pelo qual intencionalmente coloquei um funcionário humano, e não um mascote, como assistente na recepção! E tem um motivo para eu não pensar nisso, mas claro que, como mascote, eu já sei. Não, eu não vou pensar nisso! Não…
O funcionário fechou a boca.
A hospede humana, babando, olhou para mim.