Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 336

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Eu já havia vivido isso na pele várias vezes antes, como a maioria das histórias de fantasmas tratadas pelo Escritório de Gerenciamento de Desastres acabam em fatalidades.

Porque, para que algo seja registrado como um desastre sobrenatural, é preciso que haja vítimas humanas.

Nesse sentido, tarefas que permitem agir como agente do escritório, mas mantendo-se um passo afastado do perigo real... podem parecer muito atraentes.

Quer dizer, eu entendo. Mas ainda assim.

"Espera, quer dizer que... eu tenho que dirigir numa hora imprópria... com um fantasma no banco do passageiro?"

"Sim."

"……"

Você só pode estar brincando comigo.

"Não se preocupe. Nenhum motorista jamais morreu."

"……"

"No máximo, houve casos de ataques cardíacos leves ou perda breve de consciência. Você não vai precisar de preparação mental pesada."

Ah, eu vou, sim.

Quase virei para olhar para o Agente Bronze com uma cara de traição e descrença, mas consegui segurar.

'Espera um pouco.'

...Se eu disser abertamente que estou com medo agora, não vão me mandar largar tudo?

Eu já reclamei uma vez para sair da Unidade de Despacho & Resgate.

Se eu reclamar de novo, o Agente Bronze — que já parece meio sem jeito perto de mim — pode até soltar um suspiro de alívio e me incentivar a mudar de carreira de vez.

'De jeito nenhum!'

Seria a pior saída possível para uma espiã.

Então, mudei de tática.

"Hum, mas... eu não estou em condições para dirigir."

"……"

Baixando a cabeça e fazendo o papel da novata coitada, olhei para o meu braço direito vazio.

Sim.

'Eles não vão realmente fazer alguém dirigir com um braço só... vão?'

A menos que a pessoa tivesse se treinado assim desde o começo, como diabos alguém dirige com um fantasma, às 2 da manhã, depois de perder um braço do nada?!

Isso deveria me garantir uma transferência para outra função, mas...

"Isso não será um problema."

……

"Como é?"

O Agente Bronze me lançou um leve sorriso — o primeiro que eu tinha visto dele nos últimos dias.

"Está na hora de você começar o tratamento para o seu braço."

Ah.

* * *

Pensando nisso agora, fez todo sentido.

O escritório não era tão burro a ponto de simplesmente mandar alguém com um braço só para dirigir.

Antes de começar essa tarefa, era natural que eles fizessem algo sobre meu braço direito faltando.

'Devo rir ou chorar?'

Pra ser sincera, eu queria chorar.

Mas, graças a isso, finalmente pude entrar nas instalações principais do Escritório de Gerenciamento de Desastres Sobrenaturais com o Agente Bronze.

'Nem acredito que estou realmente fazendo isso.'

"Por aqui."

"Sim…!"

Segui o Agente Bronze, não para a movimentada prefeitura onde os funcionários civis trabalhavam duro, mas sim para o fundo, pela viela estreita entre a Prefeitura e a Biblioteca de Seul.

As sombras dos prédios tornavam o caminho escuro.

Enquanto passávamos pelo quiosque de devolução de livros da biblioteca, que estava sem atendimento, na parte de trás da Biblioteca de Seul...

'Aqui.'

Uma passarela de vidro ligando os dois prédios se estendia acima de nós.

Ao pisar sob aquela ponte...

Shiiing.

O broche de metal que eu usava brilhou, refletindo fracamente sobre o canteiro estreito de flores sob a janela da biblioteca.

E então, uma porta antes invisível se revelou.

"…!!"

O canteiro de flores se ampliou e aprofundou, criando um espaço escondido. Uma porta de vidro opaco e limpa, com uma placa.

[Escritório de Gerenciamento de Desastres Sobrenaturais]

"Por favor, entrem."

E assim, naquela estreita passagem entre a Prefeitura de Seul e a Biblioteca de Seul — onde inúmeros pedestres passavam sem notar — adentramos o quartel-general oculto do Escritório de Gerenciamento de Desastres Sobrenaturais por aquela porta secreta.

Para constar, era uma porta automática.

'Uau.'

E lá dentro... surpreendentemente, parecia um escritório governamental comum.

Um interior um pouco antigo, com pessoas de várias idades e trajes formais andando por ali para cumprir suas tarefas.

Só que as conversas por ali não eram nada comuns.

"Quantas pessoas morreram?"

"Quinze."

"O que está acontecendo no distrito de Dobong ultimamente? Aquela maldita cabine telefônica assombrada não para... "

Todos se moviam apressados.

E, às vezes, estranhas luzes ou sombras os seguiam, capturando perfeitamente a atmosfera sinistra de uma instituição pública nesse mundo de histórias de fantasmas.

"As instalações principais do escritório ficam no subsolo. Dizem que é muito mais difícil esconder coisas acima do chão."

"Entendi..."

Entrei no elevador com o Agente Bronze.

Parecia um elevador comum, ligeiramente antiquado, mas em vez de botões de andares, havia um teclado numérico.

'Provavelmente para as pessoas não descobrirem facilmente quantos andares subterrâneos existem...'

[07]

O Agente Bronze digitou rapidamente o código.

"A Unidade de Gestão de Equipamentos fica no subsolo 7."

Descemos no nível 7, que tinha a mesma planta do subsolo 1, e seguimos direto para a porta no final do corredor.

[Sala de Registro de Equipamentos Sobrenaturais]

Ao entrar, um funcionário público de meia-idade, sozinho naquele pequeno escritório, levantou o olhar e nos cumprimentou reconhecendo-nos.

"Ah, Agente Bronze! Bem na hora, o veterano do seu time estava perguntando... Ah, essa é a nova recruta?"

"…Sim. Isso mesmo."

"Olá...! Eu sou Agente Uvas……"

"Ahaha, entendi. Prazer em conhecê-la! Eu sou Oh Jeong-hye, funcionária administrativa da Divisão de Gestão de Equipamentos. Não sou agente de campo, então não tenho codinome."

A funcionária de meia-idade sorriu e nos conduziu ainda mais para dentro.

Ela abriu uma porta que parecia uma vitrine feita de madeira antiga, num tom profundo... revelando prateleiras que se estendiam lá longe, como num depósito.

"…!"

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