
Capítulo 242
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
“Ah…!”
Os passageiros soltaram um suspiro de alívio, instintivamente.
“Desapareceu!”
O texto na tela a bordo piscou e depois ficou escuro.
–
O que restava era a vista de tirar o fôlego do trem avançando sobre o mar cintilante, deixando um rastro de espuma branca para trás.
“…Ah.”
A tensão diminuiu, e, um a um, as pessoas ergueram a cabeça, o alívio tomando conta dos seus rostos.
“Ainda é o oceano lá fora.”
“Parece que acabou, né? Agora está tudo bem, certo?”
“Isso me dá a impressão de algum tipo de evento ou algo do tipo. Espera—alguém se inscreveu pra alguma experiência de escape room?”
Toque, toque.
O Supervisor Golfinho sussurrou suavemente,
“Pode ser mais fácil do que esperávamos, hein? Talvez consigamos passar por isso sem sacrificar ninguém. É uma condição meio previsível.”
“Vamos observar um pouco mais. Esta é minha ordem como assistente de gerência.”
“Sim-sim.”
Mais dez minutos se passaram.
Um pouco mais relaxados, alguns passageiros começaram a se movimentar pelo vagão, procurando as crianças desaparecidas, acalmando a equipe do trem e tentando se comunicar com o maquinista.
Quando parecia que todos já tinham se adaptado à situação, recuperando a compostura e a racionalidade—
De repente, sem aviso.
Bang.
O trem inclinou-se abruptamente para frente.
“…!!”
“Q-Que? O que está acontecendo?”
Os passageiros foram arremessados para fora dos assentos, rolando pelo chão. Eu me agarrei firme ao corrimão e consegui me manter por mais um instante.
Engolindo o medo, forcei meus olhos a olhar para fora.
Mais precisamente, esforcei-me para ver a superfície logo abaixo de nós—onde quer que o trem encontrasse o oceano.
A espuma branca que subia enquanto o trem cortava as ondas brilhantes…
Sumiu.
THUD!
O trem rompeu a superfície da água e começou a afundar.
“Aaaahhh!”
“Nããão!!”
As janelas estouraram, e a água do mar invadiu o vagão. Os passageiros conscientes gritaram, desesperados para nadar para fora ou se agarrar uns aos outros.
Os inconscientes boiavam inertes sobre a água que subia. Era um caos—capaz de enlouquecer qualquer um.
– Esse não é o momento perfeito para pedir ajuda, Amigo?!
……
Ainda não…
– Hmm!
Submerso na escuridão gelada e sufocante do mar, segui os sinais manuais precisos do Assistente de Gerência Jin Nasol, que indicavam a rota de fuga pelas janelas.
Mas, à medida que me aproximava da saída, senti algo estranho—minha consciência estava se apagando muito mais rápido do que meus pulmões aguentavam.
Um tonto sufocante me dominou…
……
‘Huuuhp—’
Minha mente…
Ficou em branco.
* * *
“……”
“……”
“…Hã??”
Abri os olhos ao som da alegre musiquinha do trem.
Di-ri-ri-ring!
Estávamos de volta dentro do vagão rumo a Mokpo, as portas acabavam de se fechar na Estação de Seul.
Ao meu lado estava o Supervisor Golfinho, e do outro lado, o Assistente de Gerência Borboleta.
O painel eletrônico mostrava:
Destino: Mokpo
Ao redor, ouvi as vozes atônitas de outros passageiros.
“Ei, acabei de ter o sonho mais estranho…”
“Você também? Eu também. Algo sobre um trem indo para Tamra?”
“Hã? Espere. Eu também?”
“O quê?”
Destino: Mokpo
“…Ei! Ali, ali!”
“Hã? Hãããã?!”
Destino: Tamra
Partida
O trem ronronou e começou a se mover novamente.
Como da primeira vez.
Exatamente igual.
“Aaaaaahhhh!!”
Gritos, choro e vozes em pânico ecoaram pela cabine.
“Espera! ESPERA! O que tá acontecendo?! Que diabos? O que é isso…!!”
“Me deixa sair! Por favor, me deixa sair!”
“Mãe… o que está acontecendo?”
De fato, o que?
‘…É exatamente o que parece.’
Pressionei os lábios em silêncio.
※ AVISO URGENTE
Recorrência recente do fenômeno anômalo conhecido como ‘O Teste do Paraíso (Provisório)’ revelou anomalias fatais e imprevisíveis.
Foi confirmado que, ao colidir com a água, o trem transporta os passageiros de volta ao momento exato da partida inicial.
Sobreviventes afirmam ter ficado presos em uma sequência temporal infinita a bordo do trem rumo a Tamra.
Certo.
Tudo aqui se reinicia.
‘…E todo mundo lembra.’
Todos os passageiros mantiveram a memória do que vivenciaram, sem exceção.
Então.
Esse era o início do segundo ciclo.
– Um loop temporal! Um clichê clássico da ficção científica. Mas o que torna esse caso particular interessante é a profundidade da prisão em que os participantes se encontram.
– Com a memória coletiva se acumulando para todos os envolvidos, até os mais corajosos hesitariam em agir. O espectro eterno das consequências cria uma barreira notável para ação, não é mesmo?
Exato.
‘É por isso que preciso ser extremamente cuidadoso.’
Eu tinha que manter a calma.
Também não podia me deixar levar pelo pânico.
O que mais importava para mim agora era:
‘Posso convencer as pessoas com lógica.’
Todos haviam vivido algo inegavelmente sobrenatural. Não me descartariam mais como um louco falando bobagem—eles ouviriam.
Agora, era hora de agir com cautela e deliberadamente.
‘Isso não é… tão ruim assim.’
Eu iria sobreviver a isso.
Eu sobreviveria a isso.
Sim, eu tinha que acreditar nisso.
Me recompus e pensei no que precisava fazer primeiro.
‘Encontrar a pessoa com o Coração de Prata.’
Além de mim, havia outra figura chave responsável por este pesadelo se tornar um inferno perfeito. Essa pessoa estava em algum lugar neste trem.
Eu precisava identificá-la e controlá-la.
‘Vamos encontrá-la e neutralizar o problema.’
Lembrei que ela havia sido mencionada rapidamente na adaptação em conto deste evento.
Tentei lembrar o vagão e o número do assento onde ela estava sentada.
Definitivamente era o primeiro vagão, assento número…
……
‘Espera.’
Calma. Pense com cuidado.
O nome dela—qual era o nome exato?
……
“……”
“Uh, e aí? Supervisor?”
Não consegui lembrar.
‘Ah.’
Faziam semanas que a minha PopSocket Memorial quebrou.
As lacunas na minha memória finalmente começaram a aparecer.