
Capítulo 224
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
"O que é isso? Você não se esqueceu de mim, né, Roe? Faz um tempão!"
A pessoa que estava no corredor meio escuro falou num tom animado, estendendo a mão.
Era alguém que eu não via há muito tempo: meu antigo superior do D-Squad, usando uma máscara de texugo.
"…Supervisor?"
Não tinha dúvida.
Supervisor Park Minseong.
Alguém que fora quase um mentor para mim, sua postura tão clara e distinta quanto quando trabalhávamos juntos.
Eu logo apertei sua mão e perguntei,
"Você já se recuperou?"
"Estou muito melhor. Já comecei algumas atividades de reabilitação, e a vida diária não tem sido tão difícil ultimamente. Né, sargento?"
"Sim, bom… mais ou menos…"
Ufa.
'Não esperava encontrá-lo assim.'
Vê-lo em condições razoáveis mexeu comigo—quase emocionou. Meu tom ficou naturalmente mais alegre.
"Então, Supervisor Park Min—"
"Me chama de Texugo!"
"……"
"É, hum… é só que… ouvir meu nome ainda me causa alguns… problemas."
"…Entendi."
Fechei a boca.
Ia perguntar se ele estava apto para voltar ao trabalho, mas agora não precisava mais.
Olhando mais de perto, embora sorrisse animadamente, o rosto do Supervisor Park Minseong parecia pálido e inquieto.
As partes do rosto não cobertas pela máscara, como as bochechas e a região dos olhos, estavam meio abatidas…
– Ah, nossa, o parceiro de hoje não parece estar no auge!
Certo.
'Parece que ele ainda está… se recuperando.'
Será que é mesmo adequado colocar alguém nesse estado para uma tarefa disciplinar junto comigo?
"Vamos, Roe. Termina logo isso para você poder descansar!"
"…Sim."
Mas, como alguém sendo disciplinado, eu não estava numa posição para sugerir trocar o parceiro de missão.
Agradeci ao sargento de segurança que nos guiava e segui o Supervisor Park Minseong, que já estava vestido com o uniforme de limpeza.
"Ah, espera um pouco."
"Sim?"
"Leve isto…"
O sargento parou me segurando, e depois de colocar cuidadosamente a caixa de donuts que segurava, tirou algo do bolso.
Dois walkie-talkies meio velhos.
"Se acontecer algo perigoso… me chame. Estou de plantão à noite hoje…"
"Esses se conectam diretamente com você, Jay-ssi?"
O sargento assentiu.
Eu senti duas emoções conflitantes ao mesmo tempo: 'Então isso pode realmente ser perigoso' e 'Ainda bem que tem isso.'
"Obrigada."
"De nada…"
Em voz baixa, quase um sussurro, o sargento acrescentou algo.
Olhando para o Supervisor Park Minseong, falando tão baixo que ele não ouviria.
"Se cuida."
"……"
Minhas mãos ficaram geladas.
Consegui acenar com a cabeça e entreguei um dos walkie-talkies ao Supervisor Park Minseong.
Então começamos a andar pelo corredor subterrâneo… rumo ao depósito da Equipe de Segurança.
Pé, pé.
Pé, pé.
Pé, pé…
"Roe."
"Sim!"
"Ah, desculpa. Te assustei?"
"Não, tá tudo bem."
"Ufa, que alívio…"
O Supervisor Park Minseong, andando ao meu lado, ficou em silêncio por um momento. Sua voz soava um pouco trêmula.
"Hum… faz tempo que não converso com alguém fora da Equipe de Segurança… Eu- Eu disse alguma coisa estranha? Foi estranho?"
"……"
Huu.
"Não, Supervisor. Você ainda é… você mesmo como sempre."
"Hein? Espera aí, isso não é uma ofensa, né?"
"Bom, vai saber?"
"……! De jeito nenhum, Roe, tá brincando comigo? O que é isso, a promoção te deu coragem?"
O tom descontraído da conversa aliviou um pouco a tensão.
"…Posso perguntar como você anda ultimamente?"
"Claro. Ah… tô aqui o tempo todo, só aqui mesmo."
Murmurou rápido, quase cuspindo as palavras.
"Eu não sabia que esse lugar tinha uma sala de tratamento, ou uma academia, ou, hum, outros lugares bem estranhos… mesmo estranhos. Na verdade, é parte da área restrita da Equipe de Segurança, então não devo falar muito…"
Putz.
"Nesse caso, nem precisa explicar. Podemos falar de outra coisa…"
"É sério, é estranho. Por que esse porão é tão fundo? Sabe, eu sempre me perguntava por que a empresa não construiu um estacionamento subterrâneo e em vez disso usa uma torre de estacionamento separada. Mas agora entendi. Esse porão é tão fundo e estranho que eu preciso voltar para onde trabalhava originalmente—"
"Supervisor Texugo!"
"……!!"
Ele parou no meio do caminho e exalou devagar.
"Desculpa… Vamos falar de outra coisa, tá?"
"Sim. Vamos."
Comecei a falar de qualquer coisa que me viesse à cabeça—programas em alta, assuntos aleatórios—qualquer coisa para quebrar o silêncio. Com o Braun me passando assunto, ficou muito mais fácil.
"Ah, eu também vi isso!"
"Foi divertido."
Por sorte, parecia que internet e serviços de streaming funcionavam, e a conversa estava fluindo bem, sem problemas.
Mas minhas costas estavam ensopadas de suor frio.
'Isso não é bom.'
Ficar nesse espaço gigantesco, fechado, subterrâneo e sem janelas por muito tempo poderia enlouquecer qualquer um, por mais equilibrado que fosse.
'Ainda mais sabendo que o Supervisor Park Minseong pode ter um familiar doente...'
– …Tenho um parente no hospital. Espero que alguém possa cuidar dela depois das filmagens. Se possível.
Não consegui falar direto, então tentei uma abordagem mais indireta.
"Você precisa ficar aqui embaixo o tempo todo?"
"Não. Disseram que assim que eu me recuperar o suficiente, posso ser reatribuído ou até pedir demissão e sair."
Ufa.
"Parece que até o pessoal da Equipe de Segurança pode sair ou circular livremente à noite."
Foi um alívio.
"Ah, chegamos."
Finalmente, o local do serviço de hoje apareceu diante de nós.
[Depósito da Equipe de Segurança]