
Capítulo 219
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Pedra, papel, tesoura.
Joguei minha mão apressadamente.
Papel contra papel. Empate.
‘Huu…’
Mal tive tempo de recuperar o fôlego quando—
Pedra, papel, tesoura.
“……!”
Eu perdi.
Não consegui reagir a tempo.
‘Droga—’
Me preparei, cerrando os dentes, pronto para o que viesse a seguir…
……
Hã?
Nada aconteceu.
‘…Ah!’
Percebi: minha mão continuava erguida, mantendo a posição, então aquilo contou como resposta.
‘Certo. Eu ainda estava com papel…’
“……”
Espera.
Passei rapidamente em revista o resultado de cada partida de pedra, papel e tesoura que fiz até agora com o fantasma.
Será que…
Pedra, papel, tesoura.
Mantive a mão na mesma posição.
Deu empate.
Pedra, papel, tesoura.
Mais um empate.
E de novo…
Pela terceira vez, empate.
‘…Pode ser.’
Engoli em seco.
Descobri uma coisa importante.
– O fantasma no espelho não escolhe tesoura.
Por isso, toda vez que eu escolhia papel, dava empate.
Se eu jogasse papel, o fantasma teria que escolher tesoura para ganhar. Mas, como não podia, era obrigado a escolher papel também, garantindo o empate.
‘Mas por quê?’
Por que não podia escolher tesoura?
Deve haver alguma história por trás disso… Ou talvez eu estivesse apenas chutando. De qualquer forma, decidi focar no fenômeno em si.
Pelo menos agora eu tinha um jeito de me defender…
Pedra, papel, tesoura.
Estendi a mão novamente, escolhendo papel.
Se continuasse assim—sempre jogando papel—podia garantir um empate.
‘Mas não posso fazer isso pra sempre.’
O manual não previa esse cenário, o que só me deixava mais desanimado.
As condições continuavam as mesmas.
‘Eu preciso ganhar, nem que seja uma vez.’
A solução…
‘Se esse fantasma é “o meu reflexo” e já sabe o que vou escolher,’
…pode ser surpreendentemente simples.
‘Jogue de forma aleatória.’
Provavelmente foi assim que todo mundo conseguiu uma vitória clara.
———
Civis entravam em pânico e jogavam pedra, papel e tesoura sem pensar, nem percebendo o que jogavam.
Funcionários da Equipe de Exploração de Campo, com sangue frio, que conheciam o manual e jogavam automaticamente.
Mesmo que alguém se acalmasse e percebesse que seus movimentos eram lidos, provavelmente teria vencido ao menos uma rodada em cinco ou seis tentativas. Nem precisaria ficar decorando o que jogava ou não.
Mas eu escapei de ambos os casos.
O motivo foi…
‘…O anel de prata!’
Porque eu usava um item de defesa mental, não estava em pânico, mas o medo ainda me dominava a ponto de pensar demais em cada movimento, me levando a essa situação. Droga…!
O pior resultado que um covarde com estabilidade mental poderia cometer.
‘Será que devo tirar o anel agora?’
Não, já é tarde demais. Tenho só uma chance.
‘Como eu vou…?’
Enxuguei o suor que escorria pelas têmporas.
No processo, um botão da minha manga arranhou minha bochecha, deixando uma linha fina de sangue. Apaguei junto com o suor.
E naquele instante—
Uma linha vermelha fina apareceu na bochecha do fantasma no espelho.
“……!”
Minha manga, agora manchada por uma leve marca de sangue…
O sangue que eu tinha limpado, misturado ao suor, era refletido exatamente.
Esper…
‘Ele está… compartilhando meu estado?’
Claro. O espelho reflete a mim, afinal.
Mesmo que o fantasma no espelho agisse por conta própria, ainda era influenciado pelo “eu” do lado de fora…
……!
É isso.
‘…Se for verdade!’
Uma ideia me acertou como um estalo.
Cerrei os dentes e revirei o bolso.
O fantasma, espelhando meus movimentos, revistou seu próprio bolso e tirou algo idêntico.
Mas o que peguei não era nenhum item grandioso.
Era só uma caneta e um elástico.
‘Rápido.’
Enrolei o elástico na caneta e comecei a prendê-la nos meus dedos…
Pedra, papel, tesoura.
“……!”
Consegui contra-atacar.
Respondendo rápido ao movimento do fantasma no espelho, continuei fixando uma caneta no meu polegar e outra no indicador, alinhando-os para cima.
Fiz o mesmo na mão esquerda.
‘Rápido. Mais rápido.’
Pedra, papel, tesoura.
Pedra, papel, tesoura.
Pedra, papel, tesoura.
Pedra, papel, tesoura.
O fantasma no espelho repetia o gesto de esticar a mão como se quisesse me atrapalhar. Eu tentava acompanhar enquanto prendia minha “armadura”.
A caneta escorregou várias vezes, arranhando meus braços e mãos, mas enfim…
Pedra, papel, tesoura.
‘…Pronto!’
Estiquei a mão.
Dessa vez, não era papel.
Era tesoura.
Com as canetas e elásticos, meus dedos estavam presos naquela forma.
……!
Mas o fantasma no espelho manteve a mão completamente aberta, ainda mostrando papel.
Pra ser exato—
‘Ele não tem outra escolha!’
Amarrando seus dedos com as ferramentas improvisadas que eu espelhei, o fantasma não podia dobrar os dedos para formar punho.
‘Isso significa que ele não pode jogar pedra.’
Nem podia jogar tesoura. A única jogada que restava era papel.
Tesoura contra papel.
“……!!”
Eu venci.
“Funcionou…!”
Bang!
O fantasma no espelho bateu a cabeça contra o vidro.
Bang! Bang! BANG!
Fiquei paralisado no lugar.
BANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANGBANG!!
O espelho rachou, ondas se espalhando por ele, pedaços se soltando.
Mas…
A coisa dentro do espelho—não conseguiu escapar.
……
As vibrações cessaram.
O fantasma, que havia batido a cabeça no vidro, ergueu o olhar.
O sorriso que se alargava há instantes desapareceu, substituído por uma expressão vazia e assustadora.
Olhou para as mãos presas, depois para o rosto distorcido que se retorcia em frustração.
Distorcia ainda mais.
Em uma expressão que nenhum humano conseguiria imitar.
Aquela face bizarra e desfigurada me encarou direto antes de, de repente,
HAHAHAHA!!
O fantasma gargalhou loucamente enquanto disparava pelas portas abertas do elevador dentro do espelho.
“……”
[Descendo.]
“Huuuuu….”
Caí no banco, exausto.
O elevador voltou a se mover.
Os símbolos estranhos do indicador de andar sumiram, substituídos por números normais….
[12º andar]
Bim.
[Você chegou no 12º andar. As portas estão se abrindo.]
—
Eu sobrevivi.
Tonto, saí para o corredor escuro e desolado.
Embora fosse dia quando entrei, agora parecia que o sol já havia se posto há muito tempo. O corredor sombrio estava cheio de janelas quebradas, muitas com fita, outras pichadas.
Se eu tivesse entrado sozinho antes, teria gritado e fugido daquele prédio abandonado.
Mas agora, até a sensação de estranheza trazia alívio.
Fui até a janela mais próxima, do lado oposto.
Embora estivesse suja e embaçada de poeira, não hesitei em apoiar o dedo nela.
Você pode escrever qualquer pergunta na janela, e a entidade dentro do espelho responderá.
A resposta que ela der será sempre a verdade.
A pergunta mais urgente.
O desejo que eu queria realizar.
—O elixir Wish Ticket da Daydream Inc. me permitirá voltar para o mundo de onde eu realmente vim?
Levantei o dedo do vidro.
Então, no canto inferior da janela, outras letras começaram a aparecer lentamente….
“……!”
A resposta para a minha pergunta.