
Capítulo 168
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Fwoosh.
A ponta da caneta disparou silenciosamente da sola do sapato dele e voou direto na direção da cabeça de Kim Soleum...
...mas não o acertou.
Kim Soleum inclinou a cabeça com naturalidade, desviando da ponta da caneta.
“……?!”
Kim Soleum lançou um olhar para Baek Saheon.
‘Quantas vezes você acha que eu li sobre o uso do seu equipamento na wiki?’
Ele já sabia como aquilo funcionava.
‘Você clica duas vezes no calcanhar esquerdo.’
Tendo se preparado para isso desde quando viraram colegas de quarto, o reflexo de Kim Soleum, visto em retrospecto, era inevitável.
Não que ele esperasse muito, então nem ficou irritado...
‘Mas eu não posso deixar barato.’
Naquele momento, Kim Soleum sorriu para Baek Saheon.
‘Eu sei que foi você quem disparou.’
E isso significava uma coisa só:
Você está totalmente ferrado.
“……”
Baek Saheon sentiu um calafrio descendo pela espinha.
O medo aprendido subiu quase ao nível do pânico.
Mas seu objetivo de criar confusão havia sido alcançado, afinal.
“Ahhh—”
“……!”
A ponta da caneta atingiu o armário atrás de Kim Soleum e explodiu, enchendo o ambiente de luz, barulho e fumaça.
“...Quem foi que fez isso?!”
Com esse nível de confusão, não importava o quão baixo alguém falasse.
Aquela comoção seria suficiente para atrair os ‘alunos’, mesmo que isso significasse que eles suportariam algum dano ao patrimônio da escola.
E eles estavam chegando rápido.
“……!!”
“Lanternas.”
Todos se agacharam e se encostaram às paredes. A fumaça que dificultava a visão criava as piores condições possíveis naquela escola de pesadelo.
‘Quem foi que fez isso?’
Por enquanto, o instinto de sobrevivência falou mais alto do que a necessidade de descobrir o culpado.
‘Nesse caso...!’
Baek Saheon aproveitou a oportunidade para se lançar sobre a mesa.
Caneta-tinteiro do estudante do 2º ano ■■■
Ele pegou o objeto e enfiou no bolso.
Se misturando perfeitamente de volta à multidão de funcionários, Baek Saheon entrou na corrida para sair do setor de professores.
Dentro dali, os agentes da Agência, que mantinham uma formação quase perfeita para monitorar todos os ângulos, só perceberam o que estava acontecendo quando a fumaça começou a dissipar.
A caneta-tinteiro e os funcionários da Daydream haviam desaparecido.
“Esses malditos da Daydream...!”
Kim Soleum agora estava envolvido e acusado por associação.
‘Maravilha.’
Kim Soleum, que estava de olho em Baek Saheon o tempo todo, percebeu a troca de olhares.
Mas a situação era urgente demais para se preocupar com isso.
[Houve um óbito no corredor do 3º andar.]
[A vítima é a estudante do 2º ano Kim Sora.]
Os funcionários da Daydream Inc. que fugiam pelo corredor haviam matado um dos alunos.
“...Hah.”
A energia caiu.
* * *
Cinco segundos de escuridão.
Clarões de lanternas.
Gritos.
Corpos.
‘Isso é loucura.’
Com pessoas e seres monstruosos à solta, aquilo parecia cena de filme de terror de quinta categoria.
Um tipo sufocante de terror, diferente da quietude anterior.
Aaaagh!
Lá, na janela!
Sangue! Sangue!
Socorro— thud!
No meio da carnificina se espalhando em todas as direções, consegui de algum jeito identificar os alunos tentando entrar no setor de professores através da névoa e os imobilizar no lugar.
Senti que estava jogando um jogo de defesa de torre num pesadelo. Ou talvez um jogo de terror onde eu estava preso e completamente acuado.
“Saiam!”
O único ponto positivo era que os agentes estavam absorvendo a maior parte da agressão, me deixando fora dos holofotes.
Mas mesmo isso tinha seus limites.
Flicker.
No instante em que uma gota de sangue respingou no meu olho, não tive escolha a não ser piscar.
A mão de um aluno, em forma de garra, parou pouco acima da minha cabeça.
“……!!”
Afastei-me rapidamente.
...Quase tive o crânio esmagado.
Meu cabelo ficou em pé.
‘Hah...’
Meu coração parecia que iria parar.
‘Isso é ruim.’
É uma armadilha mortal.
‘O alcance de uma lanterna já não é mais suficiente.’
Pelo que sabia, a quantidade de alunos por andar variava a cada rodada de exploração, mas havia pelo menos vinte estudantes em qualquer andar.
E se alguém matasse um aluno e disparasse o aviso?
[Houve um óbito no setor de professores do 2º ano.]
Mais viriam.
Acompanhados de outro apagão de cinco segundos para um momento de silêncio.
‘Isso não termina nunca.’
A probabilidade de todo mundo morrer ali e a exploração acabar era assustadoramente alta.
Então...
‘Preciso fugir enquanto ainda posso.’
Cerrei os dentes.
Precisava encontrar os outros em outro andar e juntar forças com eles.
A névoa começava a se dissipar, e o apagão acabava de terminar...
Flicker.
‘...Agora!’
Deslizei pelo setor de professores, cortando a carnificina de sangue, tripas e violência, e saí pela porta que estava aberta desde o começo.
Naquele instante—
“Sr. Grapes!”
“……!”
Quando a névoa se dissipou, avistei o Agente Bronze.
Ele estava lutando com um funcionário usando uma máscara de animal— e o dono daquela máscara era...
“Hiiek—”
“Silêncio.”
Jang Heo-un, da equipe Y-squad Round-Off.
‘Então você não conseguiu fugir com os outros, hein?’
“Use isso para imobilizá-lo...!”
O agente me jogou algo parecido com um par de algemas.
Ele claramente achava que eu tinha vindo para ajudá-lo.
Mas eu já havia decidido cortar relações com todo mundo ali...
“C-Corra, Roe Deer!”
“......!”
Droga.
Jang Heo-un, assustado com a própria exclamação, tampou a boca com a mão.
Ele me chamou pelo nome da máscara.
“...Roe Deer?”
“Não, isso é...”
A expressão do agente dizia tudo.
‘Ele sabe.’
Droga. Se for assim...!
Peguei rapidamente o objeto parecido com algemas que ele havia me dado.
E então o prendi nele.
“......?!”
As algemas se expandiram, imobilizando os braços e a boca do agente, com uma corrente prateada se estendendo delas até minha mão.
“Vamos, Bison.”
“S-Sim...?!”
Arrastando Jang Heo-un e o agente amarrado, eu saí correndo do setor de professores.
Aaaagh!
[O momento de silêncio acabou. Que o falecido descanse em paz.]
Deixando para trás o caos do setor de professores, corremos pelas escadas como desesperados.
Alguns alunos tentaram nos seguir, mas foram puxados para trás pela confusão dentro do escritório.
“Fiquem de olho no que está acima de nós.”
“Entendido!”
Jang Heo-un respondeu rápido, vigiando diligentemente a escadaria superior.
‘Huu.’
Parei no meio da escada, observando os alunos que nos seguiam desaparecerem, e virei a cabeça, querendo só limpar o suor do meu rosto.
Foi quando cruzei o olhar com a pessoa amarrada na outra ponta da corrente que segurava.
O Agente Bronze, da Agência de Gestão de Desastres, me encarava como se quisesse me matar.
“……”
Nesse ponto, não tinha alternativa.
‘Hora de blefar...!’
Com uma velocidade que nunca tinha alcançado antes na vida, comecei a articular um apelo elaborado e emotivo.