
Capítulo 163
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
Dado que os alunos já haviam nos encarado, talvez fosse algo inevitável.
“Não importa o que aconteça, eles vão nos perseguir.”
Mesmo com uma lanterna, andar por essa escola assombrada enquanto éramos caçados por duas entidades era pura loucura para uma pessoa comum.
Era uma escolha que só um agente do Bureau de Gestão de Desastres, equipado com ferramentas e experiência, poderia fazer com alguma razão.
“Ainda assim, eu teria feito diferente.”
Mas o leite derramado não volta para a garrafa. Pensando com clareza, tive que admitir—
Ser descoberto pelo agente era muito mais arriscado do que morrer dentro desse pesadelo.
Não só a morte ali seria apenas uma nota de rodapé trágica, como provavelmente eu teria que encarar interrogatórios e investigações.
“Não tenho escolha a não ser confiar no julgamento do agente, por enquanto.”
Mesmo assim, eu precisava corresponder—ao menos fazer minha parte.
“Se vou agir, tem que ser agora.”
Enquanto o agente se movia, o segui até a sala de aula.
Estendi a mão em direção ao aluno perto da porta dos fundos e arranquei a etiqueta de identificação dele.
“Uuuugh!”
Foi tenso.
O aluno imóvel, congelado no lugar, parecia prestes a se virar e esmagar minha cabeça a qualquer momento.
Mas nada aconteceu, e eu consegui.
“Huu.”
Com a mão tremendo entre alívio e nojo, ouvi algo.
“M-me salve...”
Congelei.
“……”
A entidade estudantil parecia estar pisando em um pescoço decepado, mas havia mais.
Debaixo dela, alguém ainda estava vivo.
Lágrimas escorriam pelo rosto do sobrevivente, que sussurrava fraco, como se não tivesse forças para gritar ou xingar.
“P-por favor...”
“……”
Depois de um breve, mas intenso debate interno, tomei minha decisão.
……
“...! Hicc, soluço... t-tudo bem...”
Não pude ter certeza, pois meus olhos estavam fixos na entidade estudantil, mas parecia que a pessoa debaixo dela deu um leve aceno.
“……”
Devagar, recuei e me juntei ao agente. Juntos, saímos da sala e começamos a andar rápido pelo corredor.
“Continue olhando para frente. Eu vou ficar de olho na sala.”
“...Entendido.”
O agente ligou a lanterna, focando nas costas da entidade que nos observava perto da porta da frente.
Enquanto isso, mantive meus olhos no corredor, pronto para “congelar” qualquer nova entidade que aparecesse.
Encostados na parede, andávamos sem deixar pontos cegos para nenhum dos dois.
“……”
Nossos movimentos eram silenciosos, porém desesperados.
Finalmente, quando a sala desapareceu de vista e tive certeza de que uma das duas entidades já não era mais visível, o agente murmurou confuso,
“Por que não estão nos perseguindo? Não me diga...”
Uma onda de inquietação emanava das costas do agente, coladas às minhas.
“Havia alguém vivo na sala? Eles estão vigiando os alunos?”
“...Sim.”
O agente soltou um suspiro profundo.
“Devem estar muito feridos para se mover. ...Você fez bem. Durante um desastre, garantir a própria segurança vem primeiro. Ajudar os outros fica para depois.”
“……”
“Rumo à escada. Vamos parar rapidamente no hidrante de incêndio.”
“Entendido.”
Retomei a caminhada.
E então...
Flicker.
…As luzes apagaram de novo.
“Vou usar a lanterna.”
“Sim.”
Continuei andando e foi aí que percebi.
Durante o blecaute agora há pouco—
A pessoa para quem eu havia dado a etiqueta morreu.
“Eles estão vindo.”
As duas entidades sairiam da sala naquele momento.
Mas, como meu trabalho era vigiar a frente e congelar qualquer nova entidade que aparecesse, não pude olhar para trás para confirmar.
Só de pensar nisso, meu cabelo eriçou.
“Não entre em pânico. Você ainda tem uma chance.”
“……”
“Você conseguiu uma etiqueta de identificação antes, certo?”
“Sim.”
“Muito bem. Agora, só precisa cometer suicídio.”
Quase desmaiei.
“Vamos fazer isso assim que pararmos perto da luz de emergência. Você está tão pálido — o melhor seria acordar logo desse pesadelo. Com a etiqueta, não deve haver problema algum.”
“...Espere.”
Mas há algo.
Engoli em seco.
“Eu consegui a etiqueta, mas não a tenho mais comigo.”
“……!”
“Eu a dei para a pessoa que estava viva na sala.”
Exato.
Antes, eu tinha deixado a etiqueta cair de propósito no chão para que a pessoa debaixo da “entidade estudantil” pudesse pegá-la.
— Se você segurar isso, vai acordar desse sonho.
— ……! Hicc, soluço... t-tudo bem...
“Já que ela tem a etiqueta, vai acordar em segurança.”
E ainda ganhamos tempo com isso.
“……!”
O agente soltou um suspiro cortante, pesado de frustração e estresse. Depois, com um tom mais cansado e profissional, falou,
“...Você deve ter achado que eu tinha uma etiqueta extra.”
“Não. Você não precisa me dar uma. Isso é algo que você conseguiu por conta própria.”
“……”
“Você vai precisar de mais etiquetas, não vai? Provavelmente terá que distribuí-las para seus colegas.”
“...Sim, é isso...”
Claro.
Eu não estava falando isso porque era um tolo sem plano.
“Estou bem, mesmo.”
Por quê?
“Porque eu nunca tive a intenção de conseguir uma etiqueta e me suicidar, desde o começo!”
Registro de Exploração #13
O diário que usei como base para meu plano de fuga — a entrada na wiki que escrevi — era o registro de um explorador que nunca conseguiu uma etiqueta para começar.
Eu havia analisado essa história de fantasma profundamente, considerando suas variáveis, e cheguei a uma conclusão.
“Para sair disso sem morrer de verdade, você precisa executar uma ação específica sem possuir uma etiqueta…!”
Além disso, esse método permitia trazer como recompensa a solução de Essência de Sonho de mais alto nível.
“Então eu tenho que fazer isso.”
O D-squad — ou melhor, meu novo esquadrão — precisava de uma prova de que eu podia manter níveis semelhantes de desempenho, mesmo em circunstâncias desconhecidas.