Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 149

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

— Na verdade, eu tenho algo para você.

Com a desenvoltura de quem usava só uma mão há anos, Eun Haje mexeu na gaveta ao lado da cama...

E tirou uma caixa luxuosa em dourado, com um desenho que parecia uma pintura a óleo.

— …?!

[Poção do Devaneio]

'E-Espere.'

Essa é exatamente a caixa que a Daydream Inc. usa para suas poções premium!

Ela parecia ainda mais sofisticada do que a caixa da minha poção de regeneração classe C.

— Assistente, o que exatamente você...

— Vê isso? Só tem uma sobrando.

Ela abriu a caixa com um gesto exuberante.

Por dentro, o forro de seda moldado tinha espaço para dois frascos redondos de vidro — mas um já estava vazio.

Eun Haje pegou o frasco restante e o jogou casualmente para mim.

— Pegue.

— ...!

Meu Deus.

Avancei, pegando o frasco antes que caísse.

Dentro, um líquido brilhava como seda em movimento, misturando tons de roxo profundo e prata.

: Poção do Devaneio :

Veneno

Serpente Cascavel-ocidental (Excepcional)

Veneno?!

— Assistente, você comprou isso com pontos—

— Isso mesmo.

Eun Haje sorriu, mostrando os dentes.

— Manuseie com cuidado. Isso é uma nota de morte de 170.000 pontos.

— ...!!

— Você pode matar alguém à distância, sem deixar rastro algum.

E-Espere um pouco.

Com as mãos tremendo, li a descrição no frasco.

Veneno da Cascavel-ocidental auxilia em vinganças silenciosas e cruéis.

Através de um ritual simples, respire o nome do alvo dentro do frasco...

Naquela mesma noite, uma morte horrível o atingirá.

— Ou seja, é perfeito para eliminar alguém que você quer morto sem chamar atenção.

— ...

— Antes de morrer, a vítima sentirá uma dor excruciante, queimando o corpo e atormentando a mente ao ponto de amaldiçoar o mundo, antes de entrar em coma. Nas próximas quatro horas, sofrerá o equivalente a quatro anos de agonia.

Você está me dando uma arma de assassinato...?

A Assistente Eun Haje ainda resmungou sobre como o veneno sempre vem em pares por causa do "maldito conceito", então ela teve que ralar dobrado para conseguir um.

Mas, no fim, sorriu maliciosamente para mim.

— Use se aparecer alguém que você quiser eliminar.

— ...!

— Porque eu tinha alguém assim.

Olhei para o espaço vazio na caixa, sentindo um nó na garganta.

... Ela já usou o primeiro?!

— Curioso? Sobre quem eu usei?

Minha mente imediatamente lembrou da revelação do <Carrasco Faminto>.

— A palavra que melhor representa a Professora Eun Haje é “Traidora”!

— Se for algo pessoal e você não quiser contar, não precisa me dizer...

— Incômodo? Por favor. Eu morro de vontade de falar sobre isso.

Se é assim, que seja então.

A Assistente Eun Haje se encostou na cama, cruzando os braços.

— Para ir direto ao ponto... Sim, me encrenquei como jornalista e acabei mudando de carreira.

— ...

— Tinha um político de segunda geração que se metia em tudo, de drogas a tráfico humano. Eu estava atrás de uma matéria exclusiva, mas me destrui no processo.

Seu tom era casual, como sempre, mas o conteúdo pesava.

Era uma história que parecia polida por anos de reflexão e arrependimento.

O artigo foi enterrado na redação, e no dia seguinte, uma pressão enorme caiu sobre toda a equipe. Ela foi perseguida, a família recebeu ameaças por telefone...

— A equipe decidiu abandonar tudo e fazer de conta que nada aconteceu. Mas eu não consegui largar, tentei vazar a história por um veículo estrangeiro. Pode ser visto como traição. Mas...

Um suspiro baixo escapou pelos lábios dela.

— No dia em que eu ia sair do país, recebi um telefonema. Quatro informantes tinham morrido, como se fosse uma piada cruel.

— ...

— Oficialmente, foi suicídio por desespero... mas obviamente não era verdade. Eles foram mortos ou levados à beira da morte.

— ...

— Fui ingênua de achar que só publicar a matéria resolveria tudo.

— Não foi ingenuidade.

— Foi burrice, do jeito que você olhar. Enfim...

Eun Haje largou o jornalismo.

Disse que simplesmente não aguentava mais.

— Mas eu precisava de emprego. Tinha uma família pra sustentar.

Felizmente, encontrou uma empresa que se encaixava.

Um lugar onde a faixa etária dos recém-contratados era ampla, onde experiência em áreas diversas era valorizada para cargos de vendas e — como era outra indústria — ela não estava em nenhuma lista negra.

— Uma farmacêutica chamada Daydream Inc..

E nessa empresa, ela encontrou algo extraordinário —

Um bilhete de desejo.

— No começo, pensei em trazer os mortos de volta, mas isso parecia um insulto a eles.

Eun Haje ajeitou os braços, cruzando-os com mais conforto.

— Tentar trazê-los de volta só por culpa seria egoísmo. Respeitar os mortos como são... é o certo a fazer. Muita gente aqui não concordaria, mas essa é a minha posição. Enfim...

Ela encerrou a história com um sorriso leve.

— Então, na noite passada, fiz minha vingança. E acabou.

— ...

— Se você ouvir no noticiário sobre um político de segunda geração morrendo uma morte horrível, saiba que fui eu quem causou.

Eun Haje esticou os braços e suspirou aliviada.

— Ah... Porra, finalmente terminei essa maldita exploração das Trevas!!

— Vai desistir?

— Nunca se sabe na vida.

Apesar da declaração ousada, o rosto dela estava um pouco tenso.

Mesmo mencionando casualmente para não me sobrecarregar, dava para perceber que ela se sentia dividida por deixar o Supervisor Park Minseong para trás.

— De qualquer forma, vou dar um tempo... mas acho que isso quer dizer que não vou mais trabalhar no esquadrão D.

— ...

Ela deu um sorriso um pouco amargo.

— Fiz tanto escândalo para você ficar no nosso esquadrão, e acabou acontecendo mesmo.

— ...Sim.

Percebi automaticamente.

A partir de agora... eu não veria mais a Assistente Eun Haje sentada na cadeira ao lado da minha.

— ...

— Roe.

— ...

— Está difícil para você?

— ...!

— Sim. Se não fosse, você teria que ser algum tipo de psicopata. Você foi tão competente que só está sentindo o impacto agora, mas todo mundo passa por isso em algum momento.

Eun Haje sorriu e deu um leve tapinha no peito.

— Não poder ver o colega de esquadrão que sentava ao seu lado no dia seguinte.

— ...

— Mas você tem que se dar crédito por isso. É o melhor cenário — você não está mais nos vendo por algo bom, graças às suas próprias habilidades.

— ...Supervisor Park Minseong, ele...

— Isso fica no meu débito.

Eun Haje me interrompeu firmemente.

— Você também o salvou. Se orgulhe disso. Ele é forte à sua maneira. Vai se recuperar... Agora foque em você.

Ela olhou para mim e sorriu.

— Até o líder do esquadrão está preocupado com você.

— ...?

A lagartixa... preocupada?

— Roe, o líder do esquadrão não tem passado muito pelo escritório ultimamente?

Não tinha.

— Normalmente, quando metade do esquadrão é dizimada, o esperado não é tirar uma folga — é ajudar outro esquadrão.

Ah.

— Mas ele se certificou de te manter fora disso.

— ...!

— Seja puxando os cordões ou entrando ele mesmo.

Puxa vida.

— Confiável, né? Ele é assim desde que entrei. Não é muito flexível, mas é alguém em quem dá para confiar.

Eun Haje colocou a mão intacta no meu ombro.

— Não é fácil achar pessoas confiáveis nessa empresa. Isso faz parte da sua sorte. Trabalhe bem com o líder do esquadrão daqui pra frente.

Então ela sorriu e estendeu a mão.

— Quem quer que tome meu lugar, com o Líder Lee Jaheon e Kim Soleum, o esquadrão D vai se sair bem.

Ela apertou minha mão firme com a direita não machucada.

— Ganhe muitos pontos com segurança, Roe.

E complementou sorrindo,

— Espero que seu desejo se realize.

— ...Sim.

Esse foi meu último aperto de mão com a Assistente Eun Haje do esquadrão D.

* * *

Quando voltei ao trabalho após a curta folga, vi que todos os pertences da Assistente Eun Haje tinham sido retirados da mesa no escritório do esquadrão D.

A mesa do Supervisor Park Minseong permanecia intacta, mas quem sabia por quanto tempo.

— ...

Fui silenciosamente até minha mesa e me sentei.

Assim, do nada.

Eu era o último membro restante do esquadrão D ali.

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