
Capítulo 126
Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar
— Você já recebeu a recompensa pela troca da fita cassete... Supervisora Kim Soleum, senhor. Não é suficiente?
— Oh.
Eu dei um sorriso de canto.
— Que engraçado. Você tem coragem de falar desse jeito com alguém que largou o final de semana e até faltou ao trabalho para salvar sua pele?
— ……
O rosto de Baek Saheon ficou pálido antes de ele responder, meio a contragosto.
— …O que você quer?
— Nada.
— ……?!
— Sinceramente, até que foi divertido.
— ……!!
Comecei a andar apressadamente pela trilha na montanha.
De trás, ouvi Baek Saheon correndo para me acompanhar, oferecendo uma resposta tardia.
— …De qualquer forma, admito que arruinei seu final de semana e fiz você perder o trabalho.
— ……
— Só isso.
Ah?
— Vou transferir três dias de salário para você, então é só esperar.
— Certo.
Mas pouco depois, quando entramos numa área com sinal de celular e nossos dados começaram a funcionar, Baek Saheon soltou um grito.
— A data é exatamente a mesma!
Claro que é.
Você não sabe que é regra que o tempo corre diferente em histórias de terror?
— Mesmo assim, passei três dias inteiros aqui.
— ……!
No fim, eu recebi meu salário, enquanto Baek Saheon, com uma expressão que misturava indignação, alívio e frustração, evitava meu olhar e se afastava depressa.
— Haha, independente dessa situação, ele parece ser do tipo que vai levar uma vida difícil!
Nem me fale.
Na verdade, tinha algo que eu devia ter dito antes.
‘Não esperava que ele passasse o tempo todo sem nem agradecer.’
Que personagem incrível em tantos sentidos.
Embora, comparado a como ele era nos Registros da Exploração das Trevas, parecesse um pouco menos cruel e um pouco mais humano... se é que isso quer dizer alguma coisa.
Mais cedo, quando o funcionário público encontrou esse cara no porão, ele me deu um conselho bem gelado após uma breve e fria olhada nele.
— Alguns herdam o Coração Prateado, enquanto outros, uma fita cassete... assim.
— ……
— Seria bom combiná-los direito.
— Ah. Sim. Obrigada, senhor.
Pois bem.
O governo tinha garantido que as fitas cassete acabassem nas mãos de criminosos, pessoas cuja culpa era indubitável.
Ou seja... esse cara era oficialmente reconhecido como criminoso pelo governo.
Mesmo que eu tentasse enxergar o melhor nele, pelo menos uma pessoa no “roteiro de herança” de Baek Saheon tinha que ser um criminoso.
— Era só uma coisa que ficou em casa. Herdei de um parente.
…Um parente.
‘Suponho que haja alguma história por trás disso.’
Mas parei de pensar mais a fundo.
Não tinha tempo de sobra para mergulhar nos bastidores dos personagens no wiki.
‘Preciso sobreviver a essa empresa de histórias de terror primeiro.’
E, em pouco tempo, essa empresa amaldiçoada voltou a fazer o que sabe de melhor — trazer eventos bizarros e imprevisíveis para minha vida, como se fosse o normal.
* * *
Alguns dias depois—
— Supervisora Kim!
No caminho de volta da cafeteria, alguém conhecido me chamou no corredor.
Era Lee Byeongjin, o chefe de seção responsável pelas revisões de manuais que tinha desaparecido.
— Ah~ Parabéns! Eu sabia que nossa supervisora Kim ia longe!
Conhecemos há menos de dois meses, senhor...
— Primeira da turma, selecionada para o time A, salvou minha pele e ainda arranjou contato com a equipe de segurança. Agora, uma promoção rápida? Eita, que incrível.
— Obrigada.
Não me senti bem com isso, mas respondi educadamente mesmo assim.
Porém, em vez de encerrar a conversa e sair, o chefe de seção Lee Byeongjin baixou a voz e murmurou,
— O diretor Ho está de olho em você.
— ……
— O diretor é o melhor superior que você pode ter nessa empresa. Não perca a oportunidade.
Oportunidade...?
— Dizem até que o diretor lidera um time secreto de projeto externo. Você pode ser transferida para lá.
Haha. Você não sabe o que está falando, senhor.
No mundo das histórias de terror, qualquer coisa rotulada como “confidencial” corta suas chances de sobrevivência pela metade.
Em vez de dizer isso, balancei a cabeça educadamente.
— Estou aqui há menos de seis meses. Não busco algo assim. Vou me dedicar ao cargo que me deram.
— Ah, modesta também! Já sabia que eu tinha bom olho para gente. Haha!
Fiquei só agradecendo que ele tenha convenientemente esquecido a atitude arrogante que teve quando eu finja pertencer à equipe de segurança. As pessoas são mesmo produtos do ambiente.
O chefe Lee bateu algumas vezes no meu ombro, todo orgulhoso, e foi embora deixando essas palavras finais.
— De qualquer forma, estou curioso para saber onde você vai acabar, hein!
— ……?
Soou estranho, meio carregado.
‘Por que parece que ele dá como certo que vou ser transferida?’
Essa pergunta não ficou sem resposta por muito tempo.
Mais tarde naquela tarde—
— Ei, Roe. Mesmo que você seja transferida, vamos nos encontrar de vez em quando. Ainda te devo uma ou duas refeições.
Como?
Olhei para a colega um pouco desanimada.
Transferida?
Espera... será que eu acabei de ser mandada para um lugar esquisito?
Será que o “interesse” do diretor era só um jeito de me deixar desprevenida para me pegar de surpresa?
Por que alguém ia querer fazer uma coisa tão baixa e diabólica com uma funcionária comum…?!
— Quero dizer, eu preferiria que você ficasse no nosso time, mas vendo como as coisas andam...
Felizmente, antes que eu começasse a surtar, a assistente Eun explicou gentilmente.
Ela disse que os times da Equipe de Exploração de Campo geralmente têm uma cota de três pessoas. Às vezes, colocam um ou dois extras só para treinar os novatos.
Os novos membros costumam ficar como excesso de pessoal até serem promovidos.
— Mas você agora é supervisora.
Ah.
Eu era... a exceção à regra.
— Provavelmente vão te mandar para outro lugar, mas... não se preocupe tanto.
Sentindo uma réstia de esperança, perguntei,
— Tem chance de eu ser exceção?
— Não muito... É que o time provavelmente vai manter a cota de três pessoas logo. Isso fica entre a gente, tá?
— Hein?
A assistente Eun sorriu de lado.
— Eu vou sair daqui em breve.
— ……!!
Uma colega acabou de anunciar que vai despencar fora!