Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

Capítulo 128

Fui parar dentro de uma história de fantasma... e ainda tenho que trabalhar

No dia seguinte, depois do almoço—

Viajamos até o local no carro do Assistente de Gerência Eun, rumo ao lugar onde a Escuridão estava contida.

“Está com tudo que queria levar?”

“Sim.”

Aquela “coisa cara” que comprei durante o almoço estava bem guardada na minha pasta.

Do banco do motorista, o assistente de gerência conferiu:

“Roe, essa é sua primeira vez entrando numa lenda urbana que acontece em um lugar real, e não sendo levada contra a vontade por tocar num objeto amaldiçoado, certo?”

Hum, não. Na verdade, eu apenas fingi ser um serial killer numa pousada cheia de corpos esquartejados, quase vomitando no processo.

...Mas melhor nem falar disso.

“Sim. Parece minha primeira missão de campo de verdade.”

“Haha. Você ainda está na casa dos vinte, né, Roe? Deve ser seu primeiro emprego, então.”

O clima estava descontraído enquanto viajávamos, trocando algumas conversas leves.

“Sabia que nosso chefe de equipe quebrou o volante três vezes durante o expediente? Agora dizem que ele não senta no banco do motorista a não ser que tenha um apocalipse zumbi de verdade…”

“……”

Será que não devia perguntar sobre isso direto?

Enfim, depois de uns quarenta minutos, o carro chegou ao destino tranquilamente.

“Chegamos.”

Era um beco cheio de prédios comerciais apertados, nos subúrbios de Seul.

Antes movimentado com o boom imobiliário, agora estava assustadoramente silencioso e deserto, por causa do desenvolvimento urbano novo que puxava as pessoas para longe — uma “cidade nova” já velha, por assim dizer.

Diversas janelas vazias exibiam placas de imóveis para venda ou aluguel.

“Um desses prédios é a lenda urbana. Se entrar na hora dourada de um dia ensolarado, algo estranho acontece.”

“Entendi.”

Acompanhada pelos meus superiores, que resumiam os detalhes do manual de forma útil, me aproximei do prédio comercial indicado.

“Civis não podem entrar aqui. Parece que estão usando algum tipo de equipamento da Equipe de Segurança. Mas ele reconhece nossos crachás e nos deixa passar.”

Hmm.

“Tenha cuidado quando estivermos lá dentro.”

O supervisor Park abaixou a voz e sussurrou sério.

“Tem vários registros perturbadores, então permaneça alerta.”

“……”

Ele está se referindo a algo assim?

Relatório de Exploração #12

Um dos funcionários destacados (Jung Sejong) encontrou uma loja em funcionamento na sala 404, próximo à saída de emergência do quarto andar. A placa dizia ■■■ Café.

Porém, ao se aproximar do local, começaram a surgir sons estranhos que não vinham do café.

Latidos, gritos e uivos de feras se misturavam num caos crescente, como se tudo estivesse correndo em sua direção.

Quando o funcionário parou diante da porta, o som disparou para bem perto, como se algo estivesse prestes a sair correndo.

Em pânico, o funcionário fugiu para as escadas de emergência pouco antes da porta se abrir, mas desmaiou após uma queda barulhenta.

Mais tarde, foi encontrado inconsciente perto do prédio, com fraturas expostas em ambas as pernas e ferimentos graves nas costas, incapaz de trabalhar. Depois relatou ter transtorno de estresse pós-traumático contínuo.

À primeira vista, tudo soa assustador e horrível.

Mas reparou?

“Isso é só… um café aceitando cachorros.”

Os latidos assustaram o funcionário, que fugiu e rolou escada abaixo, se machucando feio.

A “história de fantasma” na verdade o expulsou do lugar com gentileza.

Essa Escuridão é só um espaço onde as antigas lojas continuam funcionando normalmente. Isso é o máximo que tem de estranho.

É o tipo de história onde exploradores afoitos, interpretando tudo como sinistro, complicam a situação para si mesmos, arrancando um sorriso de canto dos observadores.

E eu aqui, cercada por gente que me aconselha como se fosse tudo coisa séria.

“Vamos ter cuidado. Existem registros de danos aos que entram.”

Não existem.

“Principalmente, não desmaie. Isso geralmente causa ferimentos graves.”

Mesmo que alguém desmaie ou se machuque feio, o espaço educadamente o expulsa depois de um tempo...

Isso é literalmente um complexo comercial que garante que as pessoas saiam quando o expediente acaba.

Mesmo assim, preferi não explicar. Não queria que alguém pensasse, “Ah, essa lenda causa contaminação psicológica!” e criasse uma confusão ainda maior.

Em vez disso, concordei quando sugeriram nos dividir para cobrir mais área de forma eficiente, mantendo contato.

“Tem certeza que vai ficar bem, Roe?”

“Sim.”

Normalmente, eu me agarraria na manga de alguém por nervosismo, mas hoje é o dia perfeito para uma “aventura de covarde”!

“Ligue na hora se acontecer algo.”

“Entendido.”

Equipado com um walkie-talkie fornecido pela Equipe de Segurança (que, estranhamente, me lembrava um brinquedo que vi numa Loja Alienígena), segui em frente.

– Hum, tem alguma loja específica que você quer visitar? Parece que algumas ainda estão abertas.

Esse é o problema.

“Sim, mas são meio difíceis de alcançar...”

O espaço aqui era distorcido, com pisos e direções embaralhados, mas de vez em quando dava para perceber alguma ordem e regras.

Uma dessas regras envolvia o elevador.

Quando se pegava ele a partir do sétimo andar, um botão para o subsolo podia aparecer do nada.

Depois de várias tentativas, finalmente vi o botão marcado ‘B1’.

– Ah, um lugar escondido? Me lembra aquela exposição chique que fomos recentemente.

Era mesmo preciso falar nisso?

Ainda tenho pesadelos de andar sem parar pelo porão daquela exposição, trombando com aranhas mecânicas e perdendo órgãos vitais...

“Este é um lugar gentil e amável... um lugar gentil e amável...”

Sacudindo essas lembranças, apertei o botão.

Ding.

As portas se abriram para revelar uma garagem.

“Alguém desmaiou aqui uma vez depois de ouvir a buzina de um carro, acho.”

Esse não é o ponto.

Segui cuidadosamente as instruções que lembrava.

“Três vezes para a esquerda.”

Depois de contornar a garagem três vezes, um novo número de seção, antes invisível, apareceu.

“A19.”

Isso significava que eu havia chegado.

Com o coração acelerado, caminhei na direção.

Ao lado dessa seção do estacionamento havia uma porta que levava ao complexo comercial. Em vez de pegar o elevador, virei para o lado, onde uma lojinha me esperava.

E lá estava ela.

Moonlight Tattoo Shop

Um lugar mágico.

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