Dragões Sequestrados

Capítulo 193

Dragões Sequestrados

Capítulo 193: Os Acontecimentos de uma Certa Noite (1)

Conforme a escuridão envolvia a casa, o homem que não conseguia dormir mudou seu corpo para se assemelhar ao de uma pessoa adormecida.

Fechando os olhos, ele silenciou seus ouvidos. Diminuindo a pressão sanguínea, ele reduziu o ritmo do coração, baixou a temperatura e o metabolismo.

Conforme ficava mais forte, os aspectos ineficientes como humano eram reformados. Já que o sono era a ação mais ineficiente, ele agora era incapaz de adormecer.

Em meio à escuridão,

Ele abriu um pouco os ouvidos e escutou os sons da Unidade 301.

As crianças estavam todas dormindo profundamente.

Seus roncos e sons de respiração chegavam até ele através da parede. Todos estavam dormindo bem – exceto uma. Depois de ouvir os ruídos por um tempo, Yu Jitae fechou seus ouvidos mais uma vez.

Na próxima vez que abrisse os olhos, já seria manhã.

Toc toc.

Mas foi quando alguém bateu na porta.

"Sim."

Lentamente, a porta foi aberta. Yeorum entrou vestindo um pijama folgado, com uma expressão amarga.

"... Você estava dormindo?"

"O que foi."

"..."

Ela era a única que não estava dormindo. Se perguntando o que havia de errado com ela, ele aumentou um pouco sua audição. Parecia que havia algo com o qual ela estava descontente, a julgar pela expressão mal-humorada e seu coração acelerado.

"O que foi."

"Eu só quero ficar aqui um pouco."

"O que aconteceu."

"Sei lá, não pergunta. Tô muito irritada. Pela mãe do guarda..."

Com os lábios se contraindo, ela foi até sua cadeira e relaxou seu corpo ali. O encosto da cadeira se inclinou para trás enquanto ela se deitava confortavelmente.

Ele estava prestes a ignorá-la e fechar os olhos quando ela abriu a boca novamente.

"Sabe, você pode matar alguém pra mim?"

Agora, o que era isso.

"Por quê. Quem é."

"Uma vadia escrota."

"Nome."

"Sei lá."

"Por que você quer matar essa pessoa."

"'Porque eu tô me sentindo uma merda..."

Ela estava lhe dando um enigma ou algo assim? Yu Jitae abriu os olhos e levantou seu corpo.

"Qual o gênero."

"Acho que é uma mulher."

"E por que você não sabe o nome dela."

"Garota Cenoura..."

"O quê?"

"N, não. Nada."

"Por que você quer matar essa pessoa então."

"..."

Aparentemente descontente, ela arranhou seu próprio cabelo até que estivesse todo bagunçado. O luar que entrava pela janela iluminava seu cabelo vermelho.

"Olha. Escuta, tá?"

"Sim."

"Por exemplo, digamos que tem frango com manteiga."

"Que frango com manteiga."

"Ah, vamos só dizer que tem. Enfim, frango com manteiga significa frango derretido na manteiga, certo?"

"..."

"Eu tô certa ou errada."

"Você está certa."

"Se fosse manteiga feita de frango, seria manteiga de frango. Certo?"

"Okay."

"Então, romance paranormal deveria ser romance com coisas paranormais, não?"

"...?"

Yu Jitae ficou confuso depois de tentar escutar suas palavras seriamente. O que ela estava tentando dizer?

"Tipo, por que, tipo por quê. Eles estão quase se beijando, e, que se dane. Hã? Por que um fantasma aparece de repente? Por quê? Deveria se chamar romance paranormal então. Por que se chama romance paranormal?"

Ele finalmente entendeu um pouco do que ela estava dizendo.

Yeorum frequentemente lia algo à noite, sacrificando 2 horas de seu sono. Era porque ela não tinha tempo durante o dia devido aos treinos e aulas.

Ele pensou que ela estava apenas lendo algo erótico como sempre, mas parecia que ela estava lendo um romance de terror ultimamente.

"Então o quê, você quer que eu mate o autor?"

"Nn."

"Não quero."

"Eu sei. Eu sei que não faz sentido nenhum... Eu só falei porque eu tava irritada..."

Já que não havia como o Dragão Vermelho estar com medo de fantasmas, parecia que ela estava assustada com uma reviravolta inesperada dos eventos.

"Que livro é esse." Ele perguntou.

"Hã?"

"Qual o título."

"P, por quê?"

"Só curiosidade."

"Uh, o dono da casa... Não. Você não precisa saber."

Depois de dizer isso, ela fechou a boca. Então, ela observou Yu Jitae com olhares significativos – ela encarou o rosto dele e lentamente moveu seu olhar para baixo, para o corpo e os pés dele, antes de encarar o rosto dele novamente.

"Por quê."

"Você sabe. Você tá escondendo algo de mim?"

"... Não."

"Hmm, só fica parado por enquanto."

Ela se aproximou cuidadosamente da cama. Quando ele permaneceu parado, ela esticou a mão e tocou no rosto dele. Embora ele não tivesse ideia do porquê, ela parecia um pouco nervosa então ele decidiu seguir o pedido dela e ficar parado.

Mas quando ela tocou no nariz dele e apertou os lóbulos da orelha assim como as bochechas, ele ficou irritado.

Ele abriu a boca.

"Ei."

O corpo dele, que estava completamente parado, repentinamente começou a se mover. Isso pareceu ter surpreendido Yeorum e ela exclamou de susto.

"Ah, que se dane. Isso me assustou...!"

"...?"

"Eu te disse pra ficar parado...!"

Embora ela não tenha gritado porque era no meio da noite, ela ao invés disso beliscou ele desaprovação o mais forte que pôde na bochecha dele. No entanto, não doeu.

Ela só retornou para o próprio quarto quando sua frequência cardíaca diminuiu significantemente.

Ele não tinha absolutamente nenhuma ideia do que havia de errado com ela.

Enquanto isso, depois de retornar para o quarto dela, Yeorum cuidadosamente levantou o livro.

[O Segredo Perigoso do Dono da Casa]

[Autora: Garota Cenoura]

Já que era um segredo 'perigoso', ela estava esperando isso(?) e aquilo(?) mas...

Era um fantasma. Um extremamente assustador, por sinal...

Ela casualmente jogou o livro desagradável fora e se virou em direção ao quarto de Yu Jitae.

"Hmm..."

Felizmente, não era uma história sobre essa casa.

***


Depois, ele estava prestes a fechar os olhos novamente quando alguém bateu na porta novamente ao entardecer.

Toc toc.

Se perguntando quem era dessa vez, ele olhou para além da porta. Vestindo uma camiseta preta folgada e um par curto de shorts, o cabelo loiro dela refletia até mesmo a menor fonte de luz acima da camiseta preta.

"Entra."

A porta lentamente abriu e Kaeul espiou de trás da porta. Os olhos dourados dela que estavam encarando ele não estavam tão brilhantes como sempre. Quando Yu Jitae levantou seu corpo, ela o cumprimentou.

"Olá...?"

"Sim. Oi."

Mesmo assim, ela estava hesitante sobre entrar.

"O que foi. Tem alguma coisa que você quer dizer."

"Sim..."

"O que é."

"Piu-piu saiu de casa."

"O quê? O filhote de galinha saiu?"

"Sim, sim. Em segredo... pela janela."

"Hoje?"

"Sim. Por volta de 3 minutos atrás... Ah, ele começou a fazer isso semana passada..."

A cabeça dela ainda era a única coisa dentro do quarto então ele disse para a criança entrar. Depois de entrar cuidadosamente no quarto dele, ela fechou a porta.

Semana passada, hein...

Parecia que o espírito animal filhote de galinha tinha enganado Kaeul com sucesso por um longo tempo. Fazia quase meio ano que ele começou a sair da casa duas ou três vezes por semana à noite.

Kaeul sentou ao lado dele na cama.

"Na verdade, semana passada, eu repreendi ele um pouco..."

"Sim. Como?"

"Tipo, tipo, se você quer ir lá fora, você pode fazer isso quando a gente sair pra passear... você não deveria sair de casa no meio da noite em segredo..."

"Hmm..."

"E, esse carinha, ele saiu de novo..."

Vestindo uma expressão sombria no rosto, ela entrelaçou os dedos e mexeu o polegar. Para Kaeul, o filhote de galinha Piu-piu era um alvo de orientação e proteção.

Kaeul era a guardiã dele.

"O que eu deveria fazer? Por que ele tá saindo de casa? Eu, falei pra ele não sair... Ele tá sempre, sempre saindo de casa... Eu deveria repreender ele mais...?"

"Como você repreenderia ele."

"Hmm... Se você fizer isso, eu vou ficar brava? Eu vou dar um tapa, tapa em você!"

"Isso definitivamente vai assustar ele."

"Hmm, eu deveria tipo, ser séria...? Tipo..."

Apertando os lábios, ela fechou os olhos por um tempo, aparentemente refletindo e imaginando algo. Quando ela reabriu os olhos.

"Ei."

Um olhar decadente, impensável de ser da Kaeul da 7ª iteração, estava pendurado nos olhos dela.

"Você acha que eu tô fazendo piada aqui?"

Se ela fizesse isso, o filhote de galinha desmaiaria.

Ele balançou a cabeça.

"Não. Não isso."

"Hukk... Foi ruim?"

"Não faça isso."

"Aht. Okay..."

Um dia, Kaeul tinha que saber. Ela tinha que saber o que o filhote de galinha estava fazendo pelas costas dela e qual o objetivo dele.

O Regressor tinha constantemente dito isso para si mesmo, mas ele percebeu que hoje era o dia.

"Kaeul. Vem aqui e senta."

Ele hesitou um pouco.

Na 4ª iteração,

Meio fora de si, Baby Yellow tinha estrangulado o papagaio mas o tratou com o máximo de cuidado depois devido a um senso de culpa. Mas em pouco tempo, o papagaio voou para fora da gaiola e não retornou.

Ele, que tinha sido um observador naquela época, assistiu cada pequena ação de Baby Yellow – o filhote de ouro que só sabia como ser cuidado e amado.

O único alvo que ela amou primeiro foi aquele papagaio e BY portanto desesperou grandemente quando o papagaio desapareceu. Foi ao ponto de que ela cancelou dois dias de compromissos e ficou no quarto dela chorando o dia todo.

Mas depois de uma semana, e um mês, algo extremamente bizarro aconteceu.

Baby Yellow se tornou mais madura em um curto período de tempo por causa da separação. Refletindo sobre aqueles dias, todos os tipos de memórias passaram rapidamente pelo cérebro dele.

No entanto, a separação naquela época foi muito repentina para Baby Yellow. Já que ela não conseguiu se preparar mentalmente de forma alguma, uma fissura maior foi criada nas emoções dela.

Coincidentemente, algo similar estava se aproximando dela novamente. Poderia ser natural já que isso era uma parte de viver uma vida diária, e aqueles que desejavam viver vidas normais não poderiam simplesmente viver em uma estufa.

Se Kaeul tinha que se tornar mais madura nessa iteração, ele desejava que ela estivesse com menos dor do que antes.

Chegando a uma conclusão, ele abriu a boca.

"Kaeul."

"Sim..."

"E se. É só um e se."

"Sim."

"Se o filhote de galinha quisesse nos deixar, como você se sentiria."

Kaeul arregalou os olhos.

"Desculpa? P, por que ele...?"

"Não fique muito assustada. Não é nada além de um e se."

"Eu não quero. Piu-piu é nossa família, certo? Por quê? Por que ele quereria nos deixar?"

"Se ele tem uma casa ou um lugar para retornar, ou uma razão pela qual ele deve ir?"

"E se eu não quiser mandar ele...?"

"Mas e se ele precisa ir?"

"E se, eu, não quiser mandar ele, tão tão muito...?"

"E se ele quer?"

"Uhh... Isso é..."

Ela não conseguia esconder a confusão dela.

"... A gente tem que mandar ele embora?"

"É só um e se."

"..."

Ela cobriu a boca dela com as duas mãos e o olhar desanimado dela logo se direcionou para o chão.

Essa criança, tão jovem, não estava preparada nem um pouco para uma despedida.

"......Se Piu-piu for embora, ele vai ficar feliz?"

"Provavelmente."

"Ele não fica feliz quando ele tá comigo...?"

"Não é isso. Ele ficaria feliz ficando com você também."

"Então por que ele iria embora...? Eu, eu só não, entendo..."

"É só um e se."

"Sim..."

A mente confusa dela foi evidentemente revelada pela voz dela. Encarando o chão com olhos dourados afundados, ela permaneceu em silêncio por um longo tempo. Quando ela reabriu a boca, ela estava deitada ao lado dele na cama.

"Eu pensei sobre isso, mas é muito difícil..."

"O que é."

"Eu amo Piu-piu... Se Piu-piu quer ir embora, e se isso é bom para Piu-piu, eu tenho que mandar ele embora, certo...?"

"Sim."

"Mas eu não quero..."

Depois de pensar sozinha, ela percebeu que não tinha escolha a não ser tomar uma decisão.

Se houvesse uma existência que tivesse que ser mandada embora,

Você deveria deixar ela ir porque você a ama?

E se você não quer porque você a ama?

Baby Yellow nem sequer teve a chance de escolher e teve que de repente mandar ele embora, mas porque ela ainda amava o papagaio, ela escreveu uma música torcendo pela liberdade do pássaro.

Era a história de fundo da música sem precedentes inovadora [Papagaio], que era ao mesmo tempo uma das músicas mais famosas de BY.

"Eu quero ver a mamãe..."

"..."

"Por favor, me dá um tapinha na cabeça..."

Ele colocou a mão dele na cabeça da criança. Lentamente, ele acariciou o cabelo dourado da maneira que a criança mais gostava.

Aparentemente em meio a pensamentos melancólicos, ela ficou ali por algumas horas e mais tarde adormeceu sem nem perceber. Ela respirou quieta e constantemente no sono dela.

Yu Jitae cuidadosamente pegou a criança e a levou de volta para o quarto dela.

*

Por alguma razão, essa noite pareceu mais longa do que o normal, mas ele deveria conseguir descansar um pouco agora...

No momento em que ele pensou isso, alguém bateu na porta.

Toc toc–

O som ecoou da parte inferior da porta.

"Sim."

Quando ele deu uma resposta, a porta lentamente abriu e um par de olhos azuis encarou ele. Gyeoul estava espiando de trás da porta.

"O que foi."

Agora, por que ela estava aqui.

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