Advento das Três Calamidades

Capítulo 745

Advento das Três Calamidades

BANG—!

Um punho bateu com força contra uma mesa de madeira, destruindo tudo que estava por baixo.

—Uma dragão? Uma dragão…!?

Vários figuras se posicionaram de frente para ele, com a cabeça baixa. Nenhum deles demonstrava expressão, apenas esperavam com calma o homem à sua frente se acalmar. Mas isso não era tão simples, e uma voz irada veio em seguida.

—Marquês. Explique para mim como isso é possível.

Marquês Wilshire levantou a cabeça para encarar o par de olhos amarelos que o observava.

Ele mordeu os lábios antes de, finalmente, abrir a boca para falar.

—Eu não tinha conhecimento da situação. Verifiquei o gato anteriormente, e tudo parecia normal. Não era um dragão. O poder que ele emitia também não tinha o nível que geraria preocupação.

—Então, como explica a situação atual?

—Eu…

O marquês hesitou, seu rosto ficando sombrio enquanto levantava os óculos e, por fim, ficou em silêncio.

—Não há justificativa.

Independente do que fizeram ou tentaram, os resultados já estavam definidos. Mesmo se protestassem, as chances de mudarem o resultado eram praticamente nulas. Claramente, esse era o desfecho desejado pelo atual líder de Central, e ele faria de tudo para manter esse resultado.

Essa luta não era apenas política envolvendo a realeza.

Também envolvia os nobres de Central. Com as próximas eleições, esse combate definiria quem começaria na frente entre todas as partes envolvidas.

Orson Rosemberg agora liderava a corrida.

—Como vou explicar tudo para eles? Chegaram até a nos entregar o Livro de Melhoria. Ainda bem que não perdemos esse. Se tivéssemos perdido, nem mesmo conseguiria salvar a própria cabeça.

Roendo as próprias unhas, John sentou-se de volta à cadeira.

Quanto mais pensava na situação, mais rápido insistia em roer as unhas.

Esse resultado não era o ideal. Embora a luta não decidisse diretamente quem venceria o conflito, ela colocava sua irmã na frente dele.

Ele não podia deixar que isso acontecesse.

Ele tinha que conquistar o trono.

Sem perceber, John começou a morder a pele dos dedos. A sensação sutil de que a queimava foi o que o levou a parar. Levantou novamente a cabeça e olhou para as duas pessoas à sua frente.

Ele alternou o olhar entre os dois.

E então—

—Nem tudo está perdido.

O marquês voltou a falar.

—Nem tudo está perdido?

John inclinou a cabeça, com o olhar vagando enquanto fitava o marquês. UmPressentimento de pressão súbita se espalhou pelo ambiente.

—O que quer dizer com isso? Você tem alguma ideia?

Sensível ao olhar do príncipe, o marquês fez um biquinho antes de acenar com a cabeça. Pensou na luta, foi até visitar o Capitão Albas, e foi naquele breve diálogo que descobriu um fato interessante.

—…O Anel do Vazio.

Ele murmurou baixinho,

—Está nas mãos da Criança de Evenus. Se revelar essa informação a 'eles', tenho certeza de que poderão perdoar essa ofensa. Na verdade…

Ele fez uma pausa, olhando para o príncipe enquanto ajustava os óculos. —Pode até te favorecer ainda mais. Como você sabe, eles têm tentado reunir todos os sete artefatos há bastante tempo.

—…..

A sala ficou em silêncio logo após isso.

Olhando para o marquês por alguns segundos, o príncipe recostou-se na cadeira e passou a mão na boca, pensativo.

Por fim, os seus olhos amarelos brilharam.

—Você tem razão.

Um sorriso finalmente voltou aos seus lábios.

—Isso pode realmente ser uma oportunidade.


—Ukh.

Arrumei o colarinho enquanto observava o enorme edifício ao longe. Nada de mais. Não era maior do que a mansão onde eu morava.

Várias figuras circulavam pelos jardins, cada uma vestida com trajes elegantes que davam ao local uma aparência quase cerimonial. O clima estava tenso, como se cada passo em direção à entrada carregasse o futuro do Império.

…E talvez carregasse mesmo.

No centro do pátio, uma fonte magnífica se erguia, sua água corrente reluzindo sob a luz do entardecer. arbustos bem podados e plantas bem cuidadas decoravam o caminho.

Acima de tudo, o sol ia se pondo cada vez mais, tingindo o horizonte de um suave tom Alaranjado que se espalhava pelo céu.

—Não quero acreditar que seja aquilo.

Ajustei novamente o colarinho enquanto fixava o olhar no sítio distante.

Não foi como se eu não tivesse previsto. Era natural que isso acontecesse. A única questão era que eu não me sentia preparado para isso.

Pelo menos, não nessas condições.

—Pode ser que eu esteja pensando demais. No final das contas, não me disseram nada oficialmente.

Mas também é verdade que tenho estado meio apagado nos últimos dias.

Soltei um suspiro silencioso.

Felizmente, olhando para frente, percebi que ninguém me reconhecia ainda. Isso graças ao [Véu da Ilusão], que usei para esconder o rosto. Não queria chamar atenção demais.

Pelo menos, não no meu estado atual.

—Como você está?

Leon estava ao meu lado.

Ele vestia um terno elegante, com o brasão de Evenus, e seu cabelo estava bem arrumado. A roupa ajustava-se perfeitamente ao corpo, destacando a elegância do corte. Enquanto caminhava, olhares discretos se voltavam para ele, atraídos tanto pela aparência quanto pelo jeito de se portar.

…Ele está exagerando um pouco, né?

Suspiro e olhei à frente.

Podia ver Kiera e Evelyn caminhando na minha frente. As duas também chamavam atenção das pessoas ao redor, com roupas bastante chamativas, combinando com a cor dos olhos e do cabelo delas.

Pisei de lado e entrei no prédio.

AO contrário de encontros e banquetes comuns, ao entrar na propriedade, o clima estava bastante tenso, com as pessoas divididas em grupos distintos. O silêncio predomava, e a comida disposta nos banquinhos nem sequer tinha sido tocada.

Até que—

—Mhm. Acho que vou pegar uma.

—…Espera!

Kiera e Evelyn caminharam até lá.

As duas imediatamente chamaram a atenção de alguns nobres, mas nenhuma delas parecia se importar enquanto discutiam ao redor da comida. Eu as segui em silêncio, observando toda a variedade de pratos dispostos.

—Estou com muita fome. Não comi há três dias…

Assim que acordei, tive que me arrumar para participar desse evento. Meu estômago já roncava de tanta fome.

—Vou pegar algo rápido e acabar logo com isso. Por enquanto, fico com este aqui.

Me concentrei em uma comida fria, parecia uma espécie de carne colocada sobre um pedaço de pão pequeno. Peguei um pedaço e dei uma mordida.

Mas—

—…

Isto…

Está sem gosto.

Olhei ao redor.

—Sei que eles provavelmente estão sem dinheiro por causa de quanto gastaram nesse evento, mas ao menos contratem um cozinheiro decente.

Ficando com os lábios comprimidos, estreitei os olhos ao observar ao redor. Justo quando ia me afastar do lugar, senti alguém cutucar meu ombro.

—Hm?

Me virei e vi Evelyn.

—Querisso?

—Ah!

Meus olhos brilharam ao ver ela segurando uma pequena garrafinha, com grãos brancos finos dentro.

Sal!

—Exatamente o que procurava.

Assenti várias vezes. Como esperava de Evelyn, ela também percebeu o problema com a comida.

—Aqui. Deixa comigo.

—…Aqui.

Entreguei meu prato para Evelyn, que abriu a garrafinha e despejou o conteúdo inteiro na minha comida.

—…

Olhei para Evelyn.

Ela me olhou de volta.

Antes que pudesse falar algo, ela cutucou minha comida com o dedo.

—Já está bom assim?

—…Acha?

Olhei para a comida coberta de sal. Nem consegui enxergar mais o que tinha ali.

—O que foi que ela fez? Por que ela jogou tanta quantidade de sal assim?

Quem ela pensa que eu sou?

Agora a comida ficou completamente imprópria para comer.

—Olha, sei que quer se divertir comigo, mas—

—Não, não é isso.

Evelyn guardou a garrafinha.

—Só experimenta.

Ela não estava brincando, certo? Mas, vendo a expressão insistente dela, acabei cedendo, retirei um pouco do sal e dei uma mordida. O pior que poderia acontecer era eu cuspir a comida.

Porém…

—Oh!

A comida estava surpreendentemente bem temperada.

Não pude deixar de olhar para Evelyn com surpresa. Ela realmente entende do assunto.

—…..

Parei após alguns bocados. Notando a expressão de Evelyn, e da Kiera, que estava logo atrás dela, franzi os lábios e olhei para a comida na minha mão.

—Quer?

As duas só ficaram me olhando. Seus olhos pareciam mortos, por algum motivo.

Estava quase perguntando o porquê, mas antes que pudesse, uma voz ecoou ao redor.

—Parece que todo mundo já chegou para o encerramento do Ritual.

À medida que a multidão se virou na direção da voz, surgiu um homem com terno branco impecável, cada passo ecoando suavemente pelo local.

A presença dele parecia se propagar, dominando o espaço sem esforço.

Ele tinha um sorriso fino enquanto olhava ao redor.

Ao seu lado, Delilah, vestida com seu traje formal habitual, seu olhar morto varreu o espaço e por um instante nossos olhos se cruzaram — até ela desviar o olhar rapidamente.

Embora não tivesse aparência marcante, Delilah não precisava de adornos para chamar atenção.

Sua presença exalava força, uma pressão invisível que fazia qualquer um que ousasse encarálá-la por muito tempo se sentir cercado.

Juntos, os dois avançaram lentamente em direção ao centro do salão.

Parando, Orson olhou ao redor.

O lugar ficou silencioso. Todos os olhos se voltaram para ele.

Nesse momento. Nesse silêncio.

Eu quase conseguia ouvir a voz interior de todo mundo.

Qual seria o grande anúncio? O que ele queria dizer…?

Essa curiosidade não durou muito.

—Posso praticamente adivinhar o que todos estão pensando. Então, não vou prolongar o anúncio.

Rumores começaram a se espalhar.

A expectativa estava elevada.

E então—

Orson voltou sua atenção para Delilah.

—Venho oficialmente anunciar que minha filha está noiva.

O ambiente ficou completamente em silêncio.

Todos os olhos se fixaram nela.

Mas logo…

BUM!

O local entrou em caos.

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