
Capítulo 686
Advento das Três Calamidades
Poucos momentos antes.
— Onde você acha que está o Chanceler? Estou cansada de ficar nesse lugar.
— Quanto tempo vamos precisar ficar aqui?
— Estou cansada. Está quente.
Após a batalha contra a criatura colossal e o caos que se seguiu, os cadetes ficaram presos na Tríplice Sul.
Além do porto, a cidade não sofreu muitos danos.
Quase todos os edifícios permaneceram intactos e, exceto pelos sussurros ocasionais sobre o que tinha acontecido, a rotina continuava normalmente. A cidade tinha retornado ao ritmo agitado de antes dos acontecimentos.
Leon, junto de maioria dos cadetes, tinha saído de seu próprio lugar para explorar o entorno.
Todos estavam agora esperando que o Chanceler voltasse. Ela era a única capaz de tirar todos dali. Sem ela, seria impossível encontrar o caminho de volta.
Andando à frente, Evelyn se virou e disse: “Não adianta reclamar. Provavelmente, a Chanceler levou alguns ferimentos na luta. Ela deve estar se recuperando um pouco agora.”
— Ferimentos…?
Aoife ergueu uma sobrancelha.
— Você realmente acha que a Chanceler se machucou? Para mim, ela parecia bem.
— Quero dizer… Você sentiu o impacto da luta. A Chanceler pode ser muito forte, mas não há como ela sair ilesa daquele confronto. Pode ser que não tenha sido nada grave, mas ainda pode levar algum tempo.
— Hmm.
Aoife abaixou a cabeça e refletiu sobre as palavras de Evelyn. Em certa medida, fazia sentido.
Olhou para cima e fixou o olhar na ‘entediada’ Kiera, preparando-se para falar quando ela levantou a mão para impedi-la.
— É provável que Evelyn esteja certa.
— …?
Um ponto de interrogação apareceu acima da cabeça de Aoife. Por que ela tentou impedir que ela falasse?
Aoife conseguiu sua resposta pouco tempo depois.
— Sua voz não é agradável aos ouvidos. Melhor você ficar calada.
— …??
Espere, Kiera não era gentil?
Por quê…
— Existe um limite para a minha simpatia.
— …??
Que diabos?
— De qualquer forma, talvez devêssemos aproveitar essa oportunidade para explorar a cidade. Como podemos precisar voltar ao Império logo, que tal dar uma passeada e comprar alguns itens que só encontramos aqui?
— Como quais?
Enquanto Aoife fazia a pergunta, Kiera apontou para o horizonte, onde mercadores alinhavam suas barracas.
— Venham buscar seus ossos!
— Nós oferecemos os melhores ossos! Incluindo ossos de Classe Terrorista!
— Ossos.
Observar os olhos de Aoife se arregalando ao ver o movimento ao redor foi como perceber que, de fato, ossos eram difíceis de encontrar no Império.
Embora ela nunca tivesse dificuldade por causa de sua família fornecer qualquer osso que desejasse, o mesmo não valia para os demais.
Este lugar…
Sem dúvida, era uma mina de ouro para os cadetes presentes aqui.
— Você tem um ponto válido.
Aoife concordou silenciosamente, voltando sua atenção para a direita, onde viu uma figura pensativa. Ele estava com a cabeça baixa, imerso em pensamentos.
Algo não estava certo?
Aoife ergueu uma sobrancelha e se aproximou de Leon, segurando seu cabelo vermelho atrás da orelha.
— Está tudo bem?
— Hã?
Ao ouvir a voz de Aoife, Leon virou a cabeça. Ao vê-la, abriu a boca para falar algo, mas desistiu e apenas assentiu, murmurando: “Estou bem.”
— Está mesmo?
O rosto de Leon dizia o contrário. Parecia estar longe de estar bem. Porém, Aoife não insistiu. Sabia que isso só o irritaria.
No final, ela apontou para uma barraca ao longe.
— Que tal considerar comprar alguns ossos? Pelo que sei, você ainda tem espaço para preencher.
— Hm.
Virando a cabeça para olhar as barracas ao longe, Leon coçou o queixo, com os olhos estreitos. Observando a variedade de ossos expostos e sentindo a presença de alguns, sentiu-se tentado.
De fato, ele precisava de ossos.
Não é que ele não tivesse dinheiro, mas os preços no Império eram realmente absurdos. Comprar um único osso exigia reflexão cuidadosa.
Ele não podia comprar muitos assim, de uma só vez.
No entanto, ao olhar os preços ali, percebeu que a maioria dos ossos custava quase 4 a 5 vezes menos do que no Império.
Era praticamente uma pechincha. Depois de pensar por alguns momentos, decidiu se dirigir a uma das barracas.
Enquanto seus pensamentos estavam voltados para Julien e como encontrá-lo, ele sabia que ele estava seguro pelo menos.
Poderia aproveitar aquele momento para comprar alguns ossos.
— Ossos! Oferecemos os menores preços!
— Venham buscar seus ossos!
As barracas se estendiam dos dois lados da rua de paralelepípedos, com pessoas circulando de uma para a outra. Algumas carregavam multidões constantes e tinham uma alta demanda por seus produtos, enquanto outras aguardavam aguardando clientes que poucos pareciam atrair.
Uma olhada rápida em Leon foi suficiente para entender o porquê.
[Carpa do Inferno – Osso de Classe Terrorista: 900.000 Solas.]
[Carpa do Inferno – Osso de Classe Terrorista: 770.000 Solas.]
Algumas lojas simplesmente vendiam pelo preço mais barato dos outros.
— Nossa, a diferença é enorme.
Os cadetes não puderam deixar de admirar a cena, seduzidos pela possibilidade de comprar os ossos imediatamente.
Se pudessem trazer alguns de volta…
— É bom, mas será que podemos pagar por eles?
Com a pergunta repentina de Aoife, alguns rostos mudaram. Evelyn mexeu nos bolsos, tirou um saco e olhou na mistura, seu rosto mudando um pouco ao verificar os demais.
— Eu… acho que vou precisar vender algumas coisas antes de poder comprar isso.
— Igual aqui.
— Eu também.
Todos rapidamente perceberam o problema que enfrentavam. Embora os ossos fossem mais baratos aqui do que no Império, a moeda local era diferente. Nenhum deles tinha o valor suficiente para pagar aos mercadores pelos ossos.
— Vocês acham que dá pra trocar?
— Talvez?
Olhando para eles, os olhos de Leon se estreitaram um pouco. Ele era diferente. Na verdade, ele tinha dinheiro suficiente para comprar pelo menos um osso.
Um de Classe Terrorista.
Porém, será que era realmente isso que desejava…?
'Já que ainda não preenchi todos os meus ossos, um de Classe Terrorista poderia ser uma boa. Mas… E um de Classe Destruidor?'
Leon achava que absorver um osso de Classe Terrorista era um desperdício quando poderia consumir um de Classe Destruidor. Mas, ao mesmo tempo, sabia que a classificação não era o fator mais importante na escolha do osso.
O mais importante era a habilidade que vinha junto ao osso.
Um osso de Classe Infantil poderia fornecer uma habilidade muito mais útil do que um de Classe Destruidor.
…Mas, em termos de potência bruta, o de Classe Destruidor era, sem dúvida, muito melhor.
Era uma decisão difícil. Uma que deixou Leon pensativo.
'De qualquer forma, encontrar um osso de Classe Destruidor não vai ser fácil. Provavelmente vai custar caro. Não adianta ser ganancioso demais.'
Leon balançou a cabeça, quase desistindo da busca, quando de repente uma voz ecoou no ar.
— Venham buscar seus ossos! Oferecemos os menores preços! Nós da Câmara Cinza fornecemos ossos de Classe Destruidor! Corra antes que acabem!
Cabeça de Leon virou na direção da voz, embora ela fosse rapidamente engolida pelo burburinho dos mercadores ao redor.
Um osso de Classe Destruidor?
Ele não era o único que ouviu a mensagem. Aoife, Kiera, Kaelion, Caius, Amell e Evelyn também escutaram. Instintivamente, todos arregalaram os olhos e se olharam antes de se moverem em direção à barraca ao longe, onde um jovem relativamente magro apareceu.
Ele parecia fraco, com força equivalente ao quarto ou quinto nível. Não era exatamente forte, mas ao focar na mulher ao lado dele, todos ficaram extremamente atentos.
Ela era forte.
Embora um sentimento de apreensão tivesse passado por eles, foi amenizado por um alívio. Se fosse ela, eles achavam menos provável serem enganados. Claramente, ela tinha força suficiente para conseguir ossos de Classe Destruidor.
Leon e os demais se prepararam para se aproximar da barraca.
No entanto, exatamente nesse momento, ficaram surpresos ao ver que ela franzia a testa junto com o vendedor magro, ambos olhando na direção de um homem que cobria o rosto com as mãos, tremendo de jeito inquieto.
O que está acontecendo…?
Parecia estar chorando. Será que estava tudo bem?
Não, mas, mais importante ainda…
'Por que ele parece familiar?'
Leon apertou os lábios. Por alguma razão, ao olhar para o mercador ao longe, sentiu uma sensação de familiaridade vindo dele, e sem perceber, começou a se mover sozinho, chegando até a barraca ao perguntar:
— Vi que vocês vendem ossos. Se não for um bom momento, então…
Assim que falou, o mercador pareceu congelar-se, enquanto os outros dois viraram a cabeça na direção dele, ambos sorriendo.
— Ah, temos um cliente.
— Está procurando um osso?
Por alguma razão, eles pareciam bastante entusiasmados ao olhá-lo. Quando Leon virou a atenção para o outro mercador, sua sobrancelha se levantou ao ver que ele virou as costas, ajoelhando-se diante de uma caixa cheia de ossos, pegando um lentamente e soprando nele.
An’as e Anne olharam para o mercador, quase sem conseguir esconder a surpresa.
— O que ele está fazendo…?
Não, agora não era hora para isso. Ele rapidamente forçou um sorriso.
— Vendemos todos os tipos de ossos. De Infantil a Destruidor. Você pode nos dizer qual é o requisito, que nós buscamos o osso que melhor atenda às suas necessidades.
Enquanto An’as falava, ele fixou o olhar naquele homem. Cabelo negro curto, face marcada por olhos cinzentos expressivos. Ele não era bonito, nem feio. Era apenas na média.
Porém, um único olhar já mostrava uma força inegável sob aquela aparência comum.
Anne também percebeu isso, e foi por isso que ambos ficaram bastante atentos.
Se ele fosse forte, significava que tinha dinheiro.
Precisavam de dinheiro.
Além disso, ao olhar atrás dele, viram várias outras pessoas, todas observando ao redor com admiração. Pareciam não ficar atrás do homem à sua frente e os olhos brilhavam.
Porém, o que eles não sabiam era que Leon continuava fixando o olhar no estranho.
— Não importa como eu olhe, ele parece familiar.
Porém, ao olhar para a cintura dele, onde via uma espada, Leon franziu a testa. Lentamente, começou a se lembrar de algumas informações que tinha ouvido antes, e seus olhos se estreitaram ainda mais.
Não pode ser, né?
— Cliente?
Embora seus instintos atualmente não funcionassem bem, Leon sentiu a semelhança se intensificar com o tempo.
Não podia ser ele, né?
Seu corpo tremeu por um instante.
— Cliente?
Mas se fosse ele, por que não se virou? Certamente o reconheceria…
Salvo…
'Ele está me ignorando?'
Mas por quê faria isso? Não, levando em conta que ele saiu sem dizer uma palavra, Leon tinha certeza de que tinha seus próprios motivos. Nesse caso, será que chamá-lo atenção agora não seria algo que ele desejaria?
Leon entrou em um profundo estado de reflexão.
— Cliente!
— Huh!?
Mas essa reflexão durou apenas alguns segundos antes dele ser abruptamente interrompido por uma voz alta, fazendo sua cabeça se virar na direção dos mercadores, que olhavam para ele com expressões preocupadas.
— Está tudo bem?
— …Você encontrou o osso que deseja?
Ambos olharam para ele com expectativa, esperando que entregasse suas exigências.
E logo, a boca de Leon se abriu.
Mas…
— Como se chama uma mosca sem asas?
— Hã?
— Huh?
Both An'as and Anne froze, their minds going blank.
E pouco antes de conseguirem entender a situação, Leon continuou.
— Uma caminhada.
— ….
— ….
— ….
Rostos de todos presentes ficaram petrificados, incluindo o de Leon, cuja expressão parecia tão imperturbável quanto uma rocha.