
Capítulo 594
Advento das Três Calamidades
O salão congelou, o ambiente caiu em um silêncio absoluto. No entanto, aquele silêncio não durou muito.
Wam!
— O quê!?
— Um segundo herdeiro?
— Como assim?! Isso é enorme!
Como se a presença da Santa não fosse suficiente, outra bomba foi jogada de repente, fazendo o recinto explodir em agitação.
O caos era difícil de conter, enquanto todos falavam ao mesmo tempo, tentando obter mais informações do Imperador. No entanto, o Imperador permanecia calmo, com uma expressão neutra.
Seu olhar percorreu calmamente os arredores, e foi então que meus olhos caíram nos outros delegados do Império Verdejante.
'Estão inquietos.'
Podia ver uma figura familiar na seção do Império Verdejante, com seus cabelos vermelhos-claros balançando suavemente enquanto suas sobrancelhas estavam franzidas, seus olhos azuis carregando um brilho diferenciado.
Era ninguém menos que Elysia J. Verdant, a princesa herdeira do Império Verdejante. Minha lembrança dela não era das mais vívidas, mas recordava que ela era bastante talentosa, atingindo o Tier 7 aos 28 anos.
Embora isso possa não parecer tão impressionante para mim, especialmente se comparado a Delilah e outras figuras notáveis com quem me deparei, a diferença entre os níveis 6 e 7 é enorme, e para um estranho, suas realizações eram consideradas quase monstruosas.
Isso ficava especialmente evidente quando se leva em conta que algumas pessoas passaram décadas tentando romper a barreira entre o sexto e o sétimo níveis.
Apenas alguns conseguiam quebrar essa barreira, enquanto muitos falhavam.
Eu tinha acabado de passar do Tier 6 e sabia muito bem o quão difícil seria avançar para o Tier 7.
Mas, mesmo assim, eu também sabia que conseguiria chegar lá bem antes dela.
'Não posso ficar preso no nível 6 pelos próximos cinco anos.'
Não ia permitir que isso acontecesse comigo.
Daquilo eu tinha certeza.
'...Percebo que ela não está satisfeita. E não é só ela, mas também os vassalos ao seu lado, que parecem estar cochichando algo para ela.'
Pela forma como agiam e pelo pânico em seus rostos, pareciam um tanto agitados.
Parece que o Imperador os surpreendeu com essa notícia repentina.
'...Entendo o motivo, aliás. Ela é a Princesa Herdeira.'
Dentro dos impérios, o título de 'Príncipe Herdeiro' ou 'Princesa Herdeira' indicava simplesmente que eram os principais na linha de sucessão—normalmente porque eram os primeiros a nascer.
Se eles acabariam se tornando o Imperador ou a Imperatriz dependia de suas futuras conquistas.
Ter sangue real não garantia automaticamente o trono.
Quando a voz do Imperador ecoou mais uma vez, o salão, antes agitado, silenciou-se novamente, todos os olhos focados nele.
Só após o silêncio atingir certo ponto, o Imperador engoliu em seco e continuou.
— Sei que muitos de vocês estão confusos, e com razão. Esta é uma notícia que mantive escondida por bastante tempo. Pelo menos, queria ter certeza de que havia encontrado meu filho antes de anunciar.
Outra onda de murmúrios percorreu o salão enquanto o Imperador levantava a mão, fazendo a confusão cessar mais uma vez.
— Poucos de vocês sabem, já que escondi a notícia do mundo, mas há décadas, um incêndio devastou nossa Mansão Real. No fogo, a mansão foi reduzida a cinzas... e eu perdi um dos meus filhos naquela tragédia.
O Imperador virou a cabeça na direção da Imperatriz, que estava na primeira fila, seu semblante ficando mais suave.
—... Vareth.
Ele murmurou.
— Esse é o nome verdadeiro do filho que perdi, achando que tinha desaparecido para sempre. Mas, como se Deus tivesse outros planos, finalmente o encontrei.
O Imperador ergueu a cabeça, seu olhar se dirigiu rapidamente a Leon, que franzia a testa. Sua expressão era difícil de decifrar, mas podia detectar sinais de choque e confusão—misturados, de forma estranha, com compreensão.
'Parece que ele não está totalmente chocado com a notícia.'
Embora Leon tivesse uma cara idiota, ele não era exatamente ingênuo. Parecia estar mais ou menos consciente de suas possíveis ligações com o Império Verdejante, mas, por algum motivo, não demonstrava interesse ou preocupação com seu passado.
'Espera, as palavras que ele me disse antes poderiam ser uma pista de que ele tinha alguma noção de tudo?'
Senti meu lábio tremer.
'Droga...'
Puxei-me para trás na cadeira e me escondi atrás do de trás de quem estava na minha frente.
— Hã? O que você está fazendo?
Até a repórter ao meu lado ficou confusa com minha atitude.
Eu apenas acenei para ela e murmurei: "Deixa pra lá. É para minha própria sobrevivência."
— Como assim?
Enquanto o olhar do Imperador se direcionava a Leon, todos ao redor imediatamente repararam nele também.
— Alguém reconhece ele?
— Não é...?
Alguns conseguiram reconhecer Leon, e ao olharem em seus olhos, as pessoas começaram a juntar as peças.
Justo quando o caos parecia prestes a atingir o auge, uma voz clara ecoou por todo o recinto.
— Espera.
Não precisei olhar para saber a quem pertencia.
'Provavelmente, a Princesa Herdeira.'
— Como você tem tanta certeza de que ele é o filho que você perdeu? Pelo que sei, ele é um cavaleiro do Império Nurs Ancifa.
Considerando sua presença na Cúpula, ela parecia bem ciente da identidade de Leon. E muitos outros também.
Assim, a súbita declaração do Imperador levantou muitas dúvidas.
— Se ele for realmente seu filho, como é que ele acabou lá? Não faz sentido, considerando a distância do nosso Império para o Império Nurs Ancifa. A única ligação possível é pelos olhos cinzentos dele, mas esses não são exatamente impossíveis de encontrar dentro do nosso Império. A Família Real não tem se isolado nos últimos anos.
Suas palavras geraram uma nova onda de murmúrios.
— Isso é verdade!
—...A Família Real já se casou várias vezes com pessoas de fora da nobreza. Não seria estranho que essa linhagem se espalhasse por gerações. Pode nem ser parente de fato.
— O que te leva a crer que ele é seu filho perdido há muito tempo?
Percebi que a maioria das pessoas falando eram apoiadoras da Princesa Herdeira. A verdade é que, apesar de algumas dúvidas, a maior parte estava mais interessada na confusão que se desenrolava do que na própria questão.
Como se antecipando essa oposição, o Imperador permaneceu firme, com uma expressão serena.
— Entendo todas as dúvidas de vocês, mas sem dúvida ele é meu filho.
Superando as suspeitas, o Imperador estendeu a mão, e Amell rapidamente avançou, entregando-lhe um pergaminho.
— O que é isso?
Com um sorriso, o Imperador desenrolou o papel na mão, revelando um selo e uma passagem longa.
Sem se importar com as expressões de surpresa de alguns, ele exibiu o documento para todos verem.
— Isso aqui é a prova da legitimidade dele.
'Como isso confirma alguma coisa?'
Franzi os olhos para olhar o papel, ficando confuso ao ver um texto longo que mal conseguia ler.
E mesmo assim...
— Não acredito... É verdade?
— Aquele selo...
Olhei ao redor para as pessoas ao meu lado, cujos rostos estavam claramente marcados pelo choque. Inclinei a cabeça, fazendo uma expressão de confusão.
— Então é verdade.
Percebendo que a repórter ao meu lado também reconheceu o documento, senti-me compelido a perguntar: "Por que todo mundo está agindo assim por causa desse papel?"
— Hã?
Ela virou a cabeça na minha direção, curiosa.
— Você não sabe?
— Se soubesse, não perguntaria.
— Haha, verdade.
Ela levou a caneta aos lábios e a mastigou discretamente, apontando na direção do papel.
— Aquilo ali é uma certidão de nascimento. É emitida no nascimento de cada herdeiro, e ao olhar o selo, dá para ver que não foi adulterado. Um conjunto específico de runas, organizado por especialistas, garante a sua autenticidade.
— É mesmo?
Mas isso não esclarecia totalmente minha dúvida.
— No momento do nascimento, cada heredite precisa colocar uma gota de sangue no selo, que é registrada. Se alguém adicionar sangue posteriormente, o selo reage de acordo com o grau de compatibilidade.
— Então, quer dizer que se Leon colocar sangue lá e combinar, ele é praticamente confirmado como filho?
— Exatamente.
— Ah...
Me reclinei ainda mais na cadeira. Fazia muito sentido.
Provavelmente, eu era o único que não sabia como funcionava o certificado, pois todos os olhos agora estavam fixos em Leon, que permanecia impassível.
Contudo, aceitando a situação, Leon lentamente se levantou e caminhou em direção ao Imperador.
Um passo. Dois passos. Três passos.
Todos os olhos fixos nele enquanto cada passo ecoava pelo salão.
Por fim, sob o olhar de todos, ele parou na frente do Imperador, que segurava o papel diante de Leon, com um olhar caloroso.
— Por que você não coloca um pouco do seu sangue aqui para comprovar?
—....."
Leon não disse nada, apenas ficou encarando o papel à sua frente.
Por fim, comprimindo os lábios, levantou a mão e a manteve suspensa em cima do papel. Justo quando ia furar o dedo, uma voz repentinamente ecoou.
— Espere.
A pessoa que o interrompeu não foi a Princesa Herdeira, nem alguém do Império Verdejante.
Por fim, todos os olhos se voltaram a uma figura familiar, seu cabelo com corte de tigela se destacando, e os óculos pendendo baixo sobre seu nariz comprido.
Era ninguém menos que o repórter do primeiro dia.
'Espera, espera...'
Meu estômago virou, meu corpo se tensionou ao olhar para Leon. Uma ideia passou por mim, e meu corpo ficou suando frio.
— Quem é você? Por que está impedindo isso?
— Não me leve a mal, Imperador. Embora minha atitude seja de fato rude, estou falando isso porque acho que esse teste é injusto.
— Injusto?
Outro tumulto surgiu diante das palavras do repórter.
A situação ainda não havia escalado, mas já dava para perceber onde aquilo ia parar. Olhei ao redor buscando alguém que tivesse percebido algo errado—mas ninguém reagiu.
Meu estômago deu uma reviravolta.
— Realmente, é injusto. Embora eu acredite que o documento é verdadeiro, não deveríamos ter os delegados de outros impérios aqui presentes para garantir que não há fraude? Você precisa entender que algo tão importante como isso deve ser testemunhado por todos. Não é uma coisa pequena, afinal.
'Droga.'
Meus olhos se moveram freneticamente, procurando alguém que começasse a agir.
Uma sensação de medo crescente tomou conta de mim naquele momento, e justo quando o repórter falou novamente, eu me levantei.
— Isso pode mudar tudo—
— Sente-se.
Swoosh, swoosh—
Os olhos de todos no salão se voltaram para mim enquanto eu encarava o repórter diretamente.
Então, sob o olhar atento de todos, eu dei um estalo com os dedos.
Estalo!
— Aaaaaah!
Um grito cortou o silêncio logo depois, quando eu ativou a trava de antes.
— Como eu disse... sente-se.