Release that Witch

Volume 5 - Capítulo 984

Release that Witch

Tradutor: FlorestNerd



“Ugh…” Van’er se levantou. Depois de confirmar que seu corpo e membros ainda estavam inteiros, ele deu um suspiro de alívio.

Mas seu coração logo afundou no momento seguinte. Muitas pessoas próximas aos Canhões Cancioneiros foram empaladas por lanças de osso. Era difícil dizer se ainda estavam vivas. Ele viu alguns soldados, que haviam sido mutilados pelas lanças ósseas, procurando seus membros decepados na lama. Van’er conseguiu conter as lágrimas.

O batalhão de artilharia foi um dos primeiros esquadrões criados e treinados por Sua Majestade. Desde o início, quando lutaram contra o Duque da Região Oeste, até o ataque a Hermes, raramente sofreram derrotas. Olhando para a quantidade de vítimas, Van’er ficou com o coração partido.

Mas ele sabia que não era hora de lamentar as perdas. A anjo do Primeiro Exército, Srta. Nana, estava atualmente no abrigo do batalhão. Enquanto o soldado enviado a ela ainda estivesse respirando, a Srta. Anjo seria capaz de curá-lo!

“Olá, alguém aí?” Van’er gritou enquanto se arrastava até um dos soldados feridos em estado crítico, que estava com o estômago perfurado. “Alguém pode me ajudar?”

“Senhor, estamos aqui!” Dois soldados saíram da fumaça, correndo até ele.

“Mandem-no para o hospital de campanha.” Van’er enfiou os intestinos que saíam da barriga do soldado de volta para dentro, junto com os pedaços de carne rasgados. “Certifiquem-se de não deixar nada para trás.”

“S-senhor…”, o soldado fez uma careta de dor. “Eu…”

“Pare de falar. Se você tem forças para falar, guarde-as para matar demônios.” Van’er lhe deu um tapinha na bochecha. “Espero que você melhore e volte em breve, estou contando com você para disparar. Entendeu?”

Depois que o soldado ferido foi levado, ele correu até outro médico de campanha e perguntou: “Você veio do acampamento?”

O homem olhou para o distintivo no ombro de Van’er e prestou continência. “Sim, senhor! Posso fazer alguma coisa por você?”

“Continue com o seu trabalho. Cuidar dos feridos é a prioridade.” Van’er acenou com a mão. “Como estão as coisas na linha de frente?”

Depois que a artilharia sofreu o ataque, as fortificações num raio de 500 metros foram envoltas por uma fumaça espessa. Exceto pelo canhão mais próximo, Van’er não sabia nada sobre os outros esquadrões. Ele só podia ouvir o som de passos correndo à distância e os rugidos ocasionais de canhões e armas. Ele ficou um pouco surpreso por não haver reforços até o momento, mesmo com os médicos de campanha já tendo sido chamados ao local.

“Os demônios estão vindo de cima!” O médico de campanha respondeu apressadamente enquanto enfaixava um soldado ferido. “Eu acabei de vir do acampamento central e vi aqueles monstros alados pousarem e atacarem a infantaria pesada.”

‘Os demônios pousaram depois de lançarem as lanças?’

Em outras palavras, o caos atual foi causado pela infiltração de inimigos na retaguarda. Foi por isso que as reservas, que geralmente ficavam posicionadas na zona central, não conseguiram se aproximar e reforçar os Canhões Cancioneiros no momento. Isso também explicava por que a linha de frente ainda continuava intacta.

Percebendo isso, Van’er imediatamente entendeu o que deveria fazer. Ele tinha que colocar os Canhões Cancioneiros de volta em operação.

O inimigo queria impedi-los de atirar nos demônios que se aproximavam, então ele precisava detê-los. Enquanto a linha de frente não fosse invadida, os inimigos mais cedo ou mais tarde seriam exterminados pela infantaria pesada.

Embora Van’er não soubesse onde Sua Majestade havia encontrado aqueles guerreiros com uma força tão monstruosa, que podiam carregar com facilidade armas comparáveis em peso à artilharia de campanha, uma coisa era certa: a capacidade de combate deles só se equiparava à dos demônios ferozes.

“Deixarei os feridos com você!” Van’er correu até a caixa de munição que havia caído no chão e usou toda a sua força para erguer um projétil. Ele então cambaleou até a boca do canhão e empurrou a granada para dentro do cano.

Em seguida, ele carregou o canhão.

Na verdade, era um trabalho para duas pessoas, mas Van’er terminou sozinho. Ele estava completamente sem fôlego quando o canhão foi carregado. Dando um suspiro profundo, começou a ajustar o ângulo de tiro com base na velocidade de marcha anterior dos inimigos.

Naquele momento, o médico de campanha correu em sua direção, gritando: “Senhor, atrás do senhor!”

Naquele milésimo de segundo, Van’er sentiu seu sangue congelar. Imediatamente, ele rolou pelo chão antes mesmo de se virar.

Seu instinto o salvou. Com um tilintar alto, um machado passou raspando por ele, bagunçando seu cabelo e atingindo o bloco da culatra, gerando uma chuva de faíscas. Van’er olhou para cima e viu um Demônio Louco encarando-o!

“GRAAAA—!” O Demônio Louco ergueu o machado e avançou na direção dele, rugindo.

‘Estou acabado’, pensou Van’er consigo mesmo em desespero. Embora tivesse uma espada na cintura, não conseguiria sacá-la estando caído no chão. Mesmo se a tivesse em mãos, seria impossível bloquear o golpe, já que os demônios eram muito mais fortes e rápidos do que os humanos.

Conforme o machado se aproximava, Van’er estendeu a mão, tentando em vão bloquear o ataque…

“Crack!”

Uma parede de gelo de repente se manifestou entre eles. O machado bateu na parede, fazendo cristais de gelo voarem de sua superfície.

‘Eu fui… salvo?’

Van’er se virou em choque e viu uma bruxa de cabelos azuis fazendo um movimento de garra com a mão enquanto observava o demônio com um olhar frio. Ela disse a Van’er: “Venha, fique atrás de mim.”

Van’er cerrou os dentes. Embora suas pernas estivessem trêmulas demais para suportar seu peso, ele de alguma forma conseguiu se levantar e caminhou até a bruxa.

“Gah, Vaaaakaaaa…” Van’er não entendia a língua dos demônios, mas dava para notar que ele parecia sanguinário e furioso.

O demônio contornou a parede de gelo e se agachou, e o braço direito com o qual segurava o machado começou a inflar rapidamente.

A bruxa, surpreendentemente, avançou na direção do demônio, enquanto o gelo lentamente se espalhava sob seus pés. Ela parecia a própria Deusa do Inverno.

Bem quando o demônio estava prestes a golpear, um estilhaço de gelo explodiu do chão e fez o machado voar para longe. Ao mesmo tempo, o braço do demônio foi dobrado em um ângulo bizarro. Uma parte de seu osso branco-acinzentado ficou exposta ao ar, quase sem carne para cobri-la. Era uma cena horrível de se ver.

Antes que o demônio pudesse soltar um único grito de dor, cristais de gelo se espalharam rapidamente a partir de seus tornozelos e o transformaram em uma estátua de gelo.

“O-obrigado.” Van’er deu um suspiro de alívio.

“Não acabou ainda. Haverá uma segunda rodada de lanças.” A bruxa olhou para o céu, que atualmente estava coberto de cinzas e fumaça, e gritou: “Senhorita Molly!”

Van’er de repente se lembrou de que havia de fato um intervalo de tempo entre cada ataque de lanças. Como o demônio tinha acabado de fortalecer seu braço, significava que o céu estava perigoso mais uma vez. Van’er se perguntou quem seria a Srta. Molly e ficou intrigado por ela não ter procurado um abrigo.

“Deixe comigo!”

Enquanto Van’er continuava perplexo, uma voz jovem e levemente infantil ecoou de longe.

Então, Van’er presenciou uma cena inacreditável! Acima dele, surgiu de repente uma bolha azul semitransparente que gradualmente cresceu de tamanho. Logo, ela cobriu toda a área em um raio de 10 metros. Dois tentáculos em cada extremidade da bolha arrastavam os soldados restantes com ferimentos leves para a área protegida enquanto balançavam de um lado para o outro.

Imediatamente após todos os soldados feridos terem sido transferidos, os inimigos lançaram seu segundo ataque.

Cinco ou seis lanças de osso despencaram a uma velocidade tremenda, como relâmpagos, e atingiram a bolha. Van’er conseguia ver claramente o ponto onde a ponta de cada lança colidia, criando ondulações como se a superfície da bolha fosse uma espessa massa de água. Conforme as ondulações se dividiam, se sobrepunham e avançavam, a bolha começou a tremer como se fosse estourar a qualquer momento. No entanto, as lanças de osso foram paradas a vários metros do chão.

“Bom trabalho.” A bruxa de cabelos azuis desfez seu gelo e olhou para Van’er. “É seguro aqui por enquanto. Você pode recuar com os seus homens.”

“Não, há algo que ainda preciso fazer.” Van’er rangeu os dentes, forçando-se a ficar de pé. “Eu tenho que fazer esses monstros malditos sofrerem antes de ir.”

Restava apenas um último passo. Van’er caminhou cambaleando até o Canhão  Cancioneiro, mancando. Ele segurou o cordão de disparo e puxou-o em sua direção com todas as suas forças!

O ar escaldante ao redor da boca do canhão logo limpou o céu. A fortificação, após 15 minutos de silêncio, foi mais uma vez preenchida por rugidos estrondosos!


N/T: Para quem fica confuso com tanta bruxa: Molly é a bruxa de Adormagia que pode criar um servo mágico que parece uma bolha com braços/tentáculos.

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