
Capítulo 1039
My House of Horrors
O professor de matemática ficou surpreso. Ele olhou para Chen Ge por um tempo antes de bater a régua no pódio: “Sente-se e pare de olhar pela janela. Du Ming, venha resolver isto.”
O garoto rechonchudo caminhou até o quadro enquanto Chen Ge pegava a mochila: “Tudo aqui parece normal demais… tão normal que algo deve estar errado.”
Pareceu levar uma vida até a aula terminar. Chen Ge abordou o garoto gordo e o levou a um canto.
“O que está fazendo? Você está sendo óbvio demais se quiser meu caderno para copiar as respostas.”
“Quero perguntar algo. Você tem que ser honesto.” Chen Ge apontou para si: “Que tipo de pessoa eu sou aos seus olhos?”
“Um estudante solitário, sarcástico, nada popular, com atitude horrível na classe.” O garoto não se conteve ao responder.
“Você sempre teve esta opinião de mim?” Chen Ge olhou para aquele rosto redondo familiar. Mesmo que soubesse que o garoto estava contando a verdade, era difícil ficar feliz ao ouvir isso.
“Acho que sim.” O garoto não pareceu perceber a situação perigosa em que estava.
“Tudo bem, farei outra pergunta. Alguma coisa estranha aconteceu na escola ultimamente? Como barulhos vindos de uma classe supostamente vazia ou espécimes se movendo no laboratório.” A expressão curiosa de Chen Ge suavizou o coração do garoto. Ele pegou uma folha de resultados da mochila e entregou para Chen Ge.
“Por que está me mostrando isto?” Chen Ge aceitou a folha e viu que Du Ming era o segundo da classe.
“Sou um dos dez melhores estudantes e o segundo da classe, e você veio me perguntar sobre histórias de fantasmas na nossa escola?”
“O que suas notas têm a ver com histórias de fantasma? Um bom aluno não encontrará uma história de fantasma?”
“O motivo de minhas notas serem boas é que passei o tempo estudando, enquanto os outros não faziam o mesmo.”
“Isso é o bastante. Se você não fosse um cara legal, eu teria te introduzido a uma história de fantasma agora mesmo.” Chen Ge ficou um tanto sem palavras, mas, considerando a idade da pessoa com quem estava falando, poderia entender o motivo: “Não vou me rebaixar ao seu nível. Próxima pergunta: algo ruim aconteceu na nossa escola, como agressão escolar ou acidentes entre o corpo estudantil?”
“Qual é o seu problema?” O garoto balançou a cabeça e pegou de volta o papel com as notas: “Você esteve passando por muita pressão ultimamente? De novo, suas notas estão entre as piores e só vão cair mais. Será difícil responder à sua família. Minha sugestão é que foque nos estudos e esqueça estas bobeiras.”
Guardando as notas na mochila, o garoto foi embora.
“O garoto tem a mesma atitude que me lembro.” Chen Ge não era um grande amigo de Du Ming; eles ficaram próximos porque se isolaram do resto da classe por motivos diferentes. Eles eram como vítimas no mesmo barco. Não havia camaradagem.
Logo, a escola ficou deserta e o local quieto. Chen Ge não saiu. Ele decidiu ficar e explorar a escola. Com este local como centro, ele ampliaria a exploração para o resto da cidade: “Tenho que ter cuidado. O sol já vai se pôr.”
O céu escureceu e a atmosfera ficou mais sinistra.
“A noite não será tão calorosa quanto o dia. A cidade perderá seu disfarce e revelará suas presas, mordendo cada pessoa inocente.” Chen Ge voltou para o bloco educacional. Ele carregou a mochila e olhou em cada classe. Checou várias salas, mas não encontrou nada fora do comum. Ele percorreu até o terraço, onde ouviu passos: “Já passa do horário escolar. Quem estaria no terraço?”
Segurando o martelo, Chen Ge entrou no corredor. A porta do terraço não estava trancada, o possibilitando dar uma olhada. O terraço da escola era o local mais perto do céu. Se levantasse a cabeça, pareceria que as nuvens de chuva estivessem caindo nele.
“Ninguém?” O vento frio mordiscou sua pele e as gotas de chuva caíram em seu rosto. A chuva veio de repente. Parando de olhar, Chen Ge voltou para as escadas. Quando planejou sair do bloco educacional, a chuva começou.
“Deve ser uma chuva normal, certo?”
A chuva atrás da porta poderia conter uma maldição ou ressentimento. Chen Ge estendeu a palma. As gotas se reuniram e um frio invadiu sua pele.
“Este não é o primeiro dia chuvoso que encontro no mundo atrás da porta. Devo prestar atenção a quaisquer fantasmas que possuam um guarda-chuva. Deve ter vários deles. Afinal, guarda-chuva não foi sempre um bom local para espíritos se esconderem na cultura moderna?” Chen Ge estava pensativo quando uma sombra apareceu sobre ele: “Quem é?!”
Girando o corpo, Chen Ge viu uma surpresa: Zhang Ya.
“Por que ainda está aqui? Você se esqueceu de trazer um guarda-chuva?” Zhang Ya permaneceu atrás de Chen Ge segurando um guarda-chuva. A sombra era do guarda-chuva sobre sua cabeça. Eles eram as únicas pessoas no bloco educacional. Chen Ge olhou para Zhang Ya e seus lábios se abriram. Contudo, seu coração acelerou de repente e ele recuou um passo.
Vendo como Chen Ge estava cauteloso, um sorriso divertido apareceu no rosto de Zhang Ya: “Está com medo de mim?”
“Não.”
“Tudo bem, então. Vai saber quando a chuva parará. Levarei você até o ponto de ônibus.” Zhang Ya caminhou até ficar ao lado de Chen Ge com o guarda-chuva: “Vamos.”
Chen Ge, que sempre assumiu a liderança, de alguma forma se viu seguindo as instruções de Zhang Ya, e o pensamento de sua investigação foi abandonado. O cheiro de xampu entrou em suas narinas. Os olhos de Chen Ge continuaram voltando para Zhang Ya. Isto provavelmente era como a felicidade se parecia. A chuva continuava caindo. Os pedestres correram para encontrar uma cobertura. Os postes se apagaram em meio à cortina da chuva e o mundo foi engolido pelo som da chuva.
“Zhang Ya…”
“Hmm? Você disse algo?” Zhang Ya ouviu Chen Ge dizer algo, mas foi bloqueado pelo som da chuva.
“Não é nada. Você deveria caminhar do meu outro lado. Os carros podem passar por poças e sujar você. Não queremos isso.” Chen Ge carregou a mochila e correu para o outro lado. Eles então notaram os ombros molhados um do outro. Nenhum deles queria que o outro se molhasse, então ambos ficaram molhados da chuva. Percorrendo a rua, nenhum falou até chegarem na parada de ônibus perto da escola.
“Qual ônibus você vai pegar?”
“Rota cento e quatro.” Chen Ge deu uma resposta aleatória e ficou silenciosamente perto dela. ele não queria falar, só queria olhar sorrateiramente para ela. O mundo atrás da porta foi criado de sua memória. Mesmo que tivesse suas maluquices, a maioria era um reflexo da realidade. O motivo de Zhang Ya aparecer nesta forma tinha algo a ver com a própria memória de Chen Ge.
“Meu ônibus está chegando. É melhor ir para casa logo e parar de vadiar.” Zhang Ya pegou o celular: “Este é o meu número. Me manda uma mensagem quando chegar em casa para eu saber que está seguro.”
Após trocarem contato, Zhang Ya entrou no ônibus na Rota Quatro e acenou para Chen Ge pela janela.
O ônibus desapareceu na chuva, mas Chen Ge permaneceu no lugar.