O Mago Supremo

Volume 26 - Capítulo 2864

O Mago Supremo

Tradução Automática | Revisado por KW 37


“Há tantos monstros que não importa quantos nós matemos em uma batalha direta. Eles comem os nossos mortos e os deles para produzir uma prole que alcança a maturidade em questão de dias.

“É por isso que sempre damos um fim aos cadáveres após cada batalha. A boa notícia é que, sem os líderes, a maré de monstros vai se fragmentar em várias hordas que realmente podem ser exterminadas.”

“Você ou o Vladion não podem fazer isso?” Kamila perguntou.

“Ah, claro.” Ilthin zombou. “Os monstros são imunes aos meus encantos e, mesmo que não fossem, os líderes deles são pedras espertas. Eles não ficam por aí usando coroas ou roupas chamativas.

“Eles se mantêm no meio da maré, cercados por tantos subordinados que eu morreria antes de chegar até lá. Mesmo que, de alguma forma, eu conseguisse ter sucesso, como eu distinguiria o líder verdadeiro de seus guarda-costas?

“Não é como se eu pudesse dar um passeio entre eles e pedir informações. Eu seria cercada por milhões de monstros avançando de todos os lados. Nem se eu fosse uma Besta Divina eu sobreviveria a isso.”

“Entendido.” Lith assentiu. “Alguma novidade dos elfos?”

“Apenas que eles se trancaram dentro de uma Franja.” Ela respondeu com um resmungo. “Eles também usam táticas de guerrilha, mas com a vantagem de que os monstros não podem entrar na Franja.

“Os elfos preparam seus feitiços, saem, os lançam, entram de novo, repetem.”

“Por que tanta raiva? Parece uma boa estratégia.”

“É, mas como eu te disse, a menos que você se livre dos cadáveres, isso só compra um pouco de tempo. Além disso, os elfos se recusaram a sair da Franja nem que fosse por algumas horas e rejeitaram toda e qualquer oferta de colaboração.” Ilthin respondeu.

“Idiotas.” Lith tirou seu amuleto de comunicação e ligou para Aalejah. “Eu não posso fazer nada quanto aos elfos de Jiera, mas os de Garlen deveriam nos ajudar. Caso contrário, eles podem dar adeus às futuras cidades deles e aos livros sobre magia moderna!” A antiga aprendiz da Árvore do Mundo agora era membro do Conselho dos Despertos de Garlen e a ligação designada entre elfos e humanos durante a expedição de colonização.

“Oi, Lith. Faz tempo. Como você está?” Os olhos azuis dela cintilaram de alegria ao ouvir uma voz familiar.

“Vivo.” A voz dele escorria sarcasmo. “Eu preciso que você entre em contato com os elfos de Setraliie. Eles não estão cumprindo a parte deles no acordo.”

“Isso não é verdade! Nós estamos fazendo o melhor que podemos.” A elfa ficou irritada tanto com a acusação quanto com o fato de os boatos de que Lith só ligava para alguém quando precisava de alguma coisa terem se mostrado verdadeiros.

“Balela! Eu estou aqui com a Ilthin e ela…Espera, nós? Você também está em Jiera?”

“Também?” Aalejah ecoou, surpresa. “Quando você chegou e por que não me contou nada?”

—

Área central de Jiera, região de Cascan, cidade humana Desperta de Naerma.

Orpal Narchat terminou de engolir o caldo que restava na tigela e arrotou com satisfação. Fazia semanas desde a última vez que ele tinha feito uma refeição de verdade, e a sensação quente se espalhando do estômago para o resto do corpo o fazia se sentir renascido.

O plano de Noite de usar as marés de monstros de Jiera e suas cidades perdidas para que Orpal ganhasse a experiência de batalha que lhe faltava tinha sido um sucesso… até deixar de ser.

Lutar contra os enxames de monstros era a forma perfeita de aumentar sua consciência de combate e forçar suas habilidades de linhagem a se manifestarem. Durante o treinamento, ela só o deixava usar Espinho, selando a armadura Rosa Negra e a montaria deles, Luz da Lua.

Matar alguém ligado a um Cavaleiro era quase impossível, mas eles ainda sentiam dor. Sem a armadura, cada erro se transformava em ferimentos sangrentos e órgãos rompidos, dando ao hospedeiro de Noite a sensação de uma batalha real.

Ela até se recusava a curar seus ferimentos até que o corpo dele fosse reduzido a farrapos, fazendo Orpal experimentar a morte repetidas vezes. Ele era um Desperto de núcleo azul armado com uma arma de Davross, mas uma maré era composta por milhões de monstros.

No momento em que ele vacilava, o sangue turvava sua visão ou a fadiga nublava seu julgamento, ele era despedaçado membro por membro, sentindo cada mordida e cada garra rasgando sua carne.

As cidades perdidas, por sua vez, eram os oponentes perfeitos para colocar as habilidades de Meln à prova e verificar quanto do verdadeiro poder de seu equipamento ele conseguia acessar sozinho. Noite lhe dava a armadura e a montaria, mas não oferecia ajuda alguma.

Orpal aprendeu da pior maneira o que significava lutar contra outro oponente imortal, e ainda mais forte. Nem mesmo feitiços de Lâmina do nível Torre causavam dano permanente a uma cidade amaldiçoada.

Eles só a deixavam bolada da vida e faziam a entidade ir com tudo, geralmente transformando Orpal em uma mancha sob seus pés em questão de segundos.

‘Quão forte era aquele monte de lixo?’ Ele perguntava após cada derrota.

‘Mais ou menos tão forte quanto o seu irmão.’ Noite sempre respondia com uma gargalhada zombeteira.

Claro que não era verdade. Um objeto amaldiçoado daquele tamanho precisava de um Guardião só para ser contido. Sem um feitiço apropriado para destruir seu núcleo de poder, a morte de uma cidade amaldiçoada teria desencadeado uma devastação de proporções incalculáveis.

Ainda assim, a mentira alimentava as chamas da raiva e da inveja de Orpal, mantendo sua motivação elevada.

O que Noite não levou em conta foi a sanidade mental dele. Ou melhor, o estado que era considerado normal para sua mente distorcida. A morte era uma experiência traumatizante, e a sequência de derrotas de Orpal em Jiera foi mais longa do que o Guia de Navegação. Ambas cobraram seu preço em seu estado mental, e depois de escapar do Grifo Dourado, comer se tornou o único prazer que lhe restava.

Para curar os ferimentos de Orpal e torná-lo mais forte por meio do refinamento corporal, Noite precisava de nutrientes. A dimensão de bolso da Cavaleira estava cheia de iguarias, mas após meses sem reabastecer, não restava um único bocado de comida.

Para piorar as coisas, Orpal nunca tinha aprendido a cozinhar nem a preparar uma presa em campo.

Cozinhar era trabalho de mulher, e seus pais o haviam deserdado quando ele ainda era considerado jovem demais para manusear uma faca. Quanto à Noite, ela nunca precisou fazer nenhuma dessas coisas.

Seus hospedeiros anteriores eram mortos-vivos, cujas refeições não exigiam preparo algum. Ela só conhecia a emoção da caça e o êxtase da alimentação. Para completar, monstros tinham um gosto horrível, mesmo que alguém soubesse como açougueá-los.

Orpal tentou imitar os protagonistas das histórias que ouvira quando criança, arrancando uma perna ou um braço de um cadáver e colocando-o no fogo do jeito que estava. O resultado tinha um gosto tão ruim que ele precisava engolir a carne tapando o nariz, sem mastigar.

Mesmo assim, na maioria das vezes ele acabava vomitando tudo poucas horas depois.

Noite não se importava, já que nesse intervalo ela ainda conseguia extrair daquela carne miserável tudo o que precisava. Ela considerava a dor e a fome dele a punição adequada pela incompetência de Orpal e acreditava que isso o tornaria forte mais rápido.

Isso, até o momento em que a mente dele começou a escorregar.

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