
Volume 22 - Capítulo 2393
O Mago Supremo
Tradução Automática | Revisado por KW 37
Além das crianças e de Raaz, todos só tinham fechado os olhos por um segundo antes de o álcool e o cansaço os derrubarem.
“Deuses, minhas costas estão me matando.” Elina tinha passado a noite com o rosto apoiado na mesa enquanto se sentava numa das cadeiras de madeira e agora estava pagando o preço.
“Por que não foi dormir na cama, mãe?” Tista perguntou.
“Essa era a minha intenção. A última coisa que me lembro é que estava prestes a te acordar. Deve ter sido nesse momento que adormeci sem nem perceber.” Elina respondeu.
“Mais cinco minutinhos.” Solus resmungou, confundindo aquelas palavras com o chamado da manhã enquanto se encolhia e se escondia sob os cobertores para se proteger da luz do sol.
Tista verificou o quarto de Rena e descobriu que Senton tinha dormido ali sozinho, enquanto a esposa havia passado a noite no quarto de Tista. Ela suspirou, torcendo para que uma boa noite de sono e o café da manhã servissem para aliviar a briga da noite anterior.
Ver toda a família subindo na escala social enquanto ele permanecia como um simples ferreiro tinha mexido com o orgulho de Senton. Pelo que Tista se lembrava, tinha ouvido os dois discutindo através da porta até que ela mesma perdesse a consciência.
Senton não estava bravo com a esposa nem com a família dela. Ele estava era irritado com o tratamento recebido na Corte Real e temeroso de que a filha pudesse se distanciar conforme seus poderes mágicos se desenvolvessem.
‘Pobre Senton. Ontem deve ter sido um golpe enorme para o orgulho dele. Todos conhecem Rena, Leria e até os trigêmeos, mas ninguém se importa em lembrar o nome dele.’ Tista tirou o manto de Grande Maga e saiu para o ar ainda gelado da noite.
Era um hábito que tinha adquirido logo depois de Lith curá-la dos sintomas do Estrangulador de uma vez por todas. Naquela época, o frio mordia sua pele, mas agora seu corpo desperto mal registrava a diferença.
Ela respirou fundo, saboreando como seus pulmões se enchiam de ar sem esforço. A sensação de frescor e a ausência de tosse ainda lhe traziam euforia, não importava quantos anos tivessem se passado desde sua última crise.
‘Estou livre agora. Meu corpo já não é mais minha prisão.’ Tista abriu os braços, aguardando o sol nascer no horizonte.
Na tênue fronteira entre luz e trevas, onde todo Fênix existia, quando ainda não era dia nem noite, ela se transformou em sua forma de Demônio Vermelho. Seu corpo inteiro deixou de ser carne e sangue para se tornar uma massa de chamas vivas, vermelho-profundo.
A temperatura subiu junto com o sol, passando primeiro para o laranja e depois até alcançar um leve violeta intenso. No instante em que o índigo do céu se tingiu de vermelho, a luz venceu a escuridão e as chamas se extinguiram, deixando Tista em forma humana novamente.
‘Maldição! Falhei mais uma vez em manter sob controle seja lá qual for a habilidade da linhagem do Égide Etéreo.’ Ela praguejou por dentro.
Logo antes do nascer do sol e após o entardecer eram os únicos momentos em que Tista conseguia explorar o equilíbrio natural dos elementos para conjurar seus poderes com segurança. Era um exercício que tinha aprendido no Deserto, com os Fênix do ninho de Salaark.
Um truque que todos os Pluminhos usavam para sentir suas habilidades de linhagem sem pôr em risco a própria vida. Por sorte, funcionava com Tista também. Por azar, não durava muito e não servia para Lith, cujo sangue de Dragão era dominante.
Ela olhou ao redor para ter certeza de que ninguém tinha presenciado seu treino e voltou para dentro de casa. Logo os empregados da fazenda chegariam e Tista não queria assustá-los nem dar início a um culto em torno dela.
“Querida, me dá uma ajeitada.” Elina tinha acabado de sair do banheiro, onde removera a maquiagem e as joias depois de transformar o vestido de gala em roupas de trabalho. “Não consigo parar de bocejar e alguém precisa preparar o café da manhã.”
Todos tinham dormido pouco, e Elina era apenas humana.
Ela doía em lugares que nem sabia que podiam doer por causa da posição desconfortável em que dormira, e mal conseguia manter os olhos abertos.
“Quer que eu chame o Lith?” Tista perguntou enquanto usava Invigoração para eliminar a dor e encher Elina de energia.
“Deixa ele dormir. Ele precisa de um pouco de paz.” Elina olhou para o monte de cobertores debaixo do qual Solus estava escondida e suspirou. “Hoje é o último dia deles juntos depois de dezesseis anos grudadas uma na outra. Vai ser difícil para os dois.”
“Não fala assim, mãe. Não é como se a Solus fosse desaparecer. Vamos ter que voltar pelo menos uma vez por dia se a cidade onde ficarmos não tiver gêiser. Na pior das hipóteses, elas vão passar alguns dias sem se ver.” Tista respondeu.
“Ainda assim, vai ser doloroso e você sabe disso.” Elina disse.
O sono tranquilo de Solus durou apenas até Aran e Leria serem despertados pelo delicioso cheiro do café da manhã.
“Tia Solus, ainda é cedo demais para hibernar. Você também é uma Hidra?” Aran a desenterrou para checar sua condição.
“Deixa ela dormir, camponês. Mais biscoitos para nós.” Leria saiu do quarto ainda vestindo todo o traje de gala e agindo como uma princesa.
“Tira isso ou vai acabar sujando.” Elina disse.
“Não seja boba, vovó. Ele se limpa sozinho.” Leria riu.
“Biscoitos!” Aran e Solus disseram em uníssono quando o cheiro doce dos assados recém-saídos do forno chegou a seus narizes.
“Maldição, você a acordou!” Leria repreendeu Aran. “Muito bem, pestinha.”
“Não é cedo demais para a briga diária de vocês?” Solus bocejou enquanto se sentava à mesa. “E você não se sente ridícula vestida assim dentro de casa?”
“Olha o sujo falando do mal lavado” Leria apontou para o vestido de gala e as joias de Solus.
“Obrigada! Era por isso que eu estava me sentindo estranha.” Com um aceno da mão, o conjunto desapareceu na dimensão de bolso.
A magia das trevas removeu todas as substâncias estranhas do rosto dela, e o vestido se transformou em roupas comuns. Leria fez bico e manteve o traje sofisticado.
Pelo menos até que todos se sentaram para o café da manhã vestidos normalmente.
“Sua majestade, poderia me passar a manteiga?” Lith fez-lhe uma pequena reverência que arrancou gargalhadas de todos.
“Tio Lith!” Leria lançou-lhe um olhar furioso, fazendo biquinho enquanto lhe entregava a manteiga.
Entre as brincadeiras e o contraste gritante com o resto da família, ela passou rapidamente de se sentir como uma princesa para se achar apenas ridícula. Leria também trocou de roupa quando até Abominus lhe fez uma reverência.
“Quando vocês duas vão partir?” Lith perguntou, tentando soar o mais casual possível.
“Amanhã bem cedo.” Solus respondeu. “Hoje quero passar com todo mundo enquanto ficamos na casa da vovó. Quero estar no meu melhor e ter certeza de que não estamos esquecendo nada.”
Dormir fora da torre não restaurava muito de suas forças, e Solus já sentia sua energia se esgotando apesar de estar perto de Lith e de usar o Cajado do Sábio no pescoço.
‘Não importa o quão desconfortável seja ficar longe de Lith, eu preciso me acostumar. Caso contrário, vou acabar passando mais tempo em casa do que viajando.’