O Mago Supremo

Volume 19 - Capítulo 2140

O Mago Supremo

Tradução Automática | Revisado por KW 37


Mais pessoas se jogaram no chão, levantando e abaixando os braços em direção a Kamila enquanto entoavam algum tipo de prece.

“Ó, Deuses! Isso é ainda pior que o Deserto.” — a cabeça de Kamila girava, e agora ela tinha uma dor de cabeça insuportável.

“Zekell, o que significa isso?” — perguntou Lith, sua confusão rapidamente se transformando em irritação.

Aqueles que viviam perto do templo nem sequer ousavam encarar seus olhos, apenas rezavam para ele em busca de algum milagre. Ele já estava acostumado a ser temido ou respeitado, mas ser venerado o deixava além de desconfortável.

“Negócios.” — sussurrou o ferreiro em resposta. — “Além disso, é uma boa forma de manter Lutia pacífica e amigável. Agora, siga meu exemplo.”

“Como foi profetizado, o Pai de Todos retornou entre nós. Ele está satisfeito conosco e precisa se reunir com seu sumo clérigo.”

“Meu/o quê agora?” — disse toda a família em uníssono.

Zekell gesticulou para que ficassem quietos e o seguissem, mantendo uma expressão séria enquanto ordenava aos fiéis que abrissem caminho até o templo.

O interior do santuário consistia em um único e enorme salão, com cerca de 30 metros de comprimento e 20 metros de largura. Um corredor central separava duas fileiras de bancos de madeira, onde as pessoas podiam se sentar, rezar ou meditar.

No extremo norte, havia um pequeno altar de pedra branca. Atrás dele, duas estátuas: uma retratava Tiamat montando na forma de Fera Imperial do Protetor, e a outra, Friya.

No lado leste, havia um espaço com velas de sete cores diferentes, que os fiéis podiam acender de acordo com suas preces.

Já no lado oeste, havia a coisa mais próxima de uma loja de lembranças que Lith já tinha visto desde seus tempos na Terra. Um dos empregados de Zekell vendia acessórios temáticos de Tiamat, brinquedos, estátuas e quinquilharias de gosto duvidoso.

“Fora!” — disse Zekell, mas ninguém o obedeceu.

Ver o objeto de sua veneração andar entre eles tornava irrelevante a presença de um clérigo. Cercaram Lith, suplicando por suas bênçãos.

“Imploro, traga minha filha de volta como uma de seus Demônios.” — disse uma mulher de idade próxima à dele, jogando-se a seus pés. — “Tudo o que quero é abraçá-la mais uma vez e dizer que sinto muito.

Prometi a ela que moveria céus e terra para que melhorasse, mas falhei.”

A mulher segurava uma vela preta e um toscamente entalhado boneco de madeira em forma de jovem.

“Meu filho perdeu um braço em um acidente de caça e agora sua vida está arruinada. Ele trabalhou por anos para herdar o negócio da família, mas um alfaiate sem seu braço dominante só consegue mostrar metade de sua habilidade em dobro do tempo.” — disse um homem, agarrando-se à perna de Lith.

“Minha irmãzinha está morrendo do Estrangulador, mas minha família não tem condições de viajar até Distar, muito menos pagar o tratamento. Por favor, farei qualquer coisa se salvar a vida dela.” — disse um garoto chorando, atingindo mais de um ponto fraco.

Tista e Lith trocaram um rápido olhar antes de dispensá-los. Só depois de finalmente ficarem a sós Zekell pôde largar os adereços e a encenação de sumo clérigo.

“Ok, o que está acontecendo e como você conseguiu pagar este prédio?” — perguntou Lith. — “Ora, com o dinheiro necessário para erguer essa monstruosidade, você provavelmente poderia ter curado muita gente.”

“Você realmente acha que eu gastaria meu dinheiro ou tempo nisso? Eu não construí isso, apenas explorei.” — respondeu Zekell, rindo assim que teve certeza de que estavam sozinhos. — “Eu disse a você, as coisas ficaram difíceis depois que partiu para o Deserto.

As pessoas tentaram me expulsar de Lutia junto da minha família, alegando que eu era seu cúmplice. Vizinho atacou vizinho, pensando que poderiam ser uma besta ou mais um dos servos de Meln disfarçado.

A cidade quase foi incendiada nos tumultos que se seguiram ao ataque à taverna Lobo Celestial, mas isso foi apenas o começo. As coisas pioraram muito quando os lutianos perceberam o que tinham feito.

Tinham atacado seus amigos, ferido suas próprias famílias e expulsado a única pessoa que poderia ajudá-los a consertar a bagunça.”

“O que você quer dizer?” — perguntou Rena.

“Já esqueceu que, após a morte da Nana, o vilarejo perdeu sua protetora e única maga de verdade? O curandeiro que assumiu o trabalho dela era muito menos experiente e as pessoas passaram a depender de Tista e Ryman para as coisas importantes.

Com sua família longe, como poderia um simples magico lidar com tantos feridos graves? Ele fez o melhor que pôde, priorizando aqueles com maiores chances de sobrevivência e deixando os outros morrerem.

O que, claro, não agradou nada seus parentes, que tentaram linchá-lo, culpando o curandeiro pela perda de seus entes queridos. Ele salvou a própria pele fugindo voando, nunca mais retornando, deixando Lutia sem curandeiro algum.

Também nos deixou com uma péssima reputação, então não importava quanto dinheiro oferecêssemos, ninguém queria viver em um lugar onde os curandeiros eram tratados tão mal. Daquele momento em diante, cada osso quebrado podia significar virar um aleijado.

Cada doença, até mesmo a gripe, espalhava-se como fogo, e a única coisa que aqueles que não podiam pagar uma viagem até o carandeiro mais próximo podiam fazer era cruzar os dedos e torcer para sobreviver.

Para piorar, sem você ou o Corpo da Rainha, a cidade era tão rica quanto indefesa. Por anos dependemos da Nana primeiro, e depois de você, para proteção, nunca investindo um único cobre na milícia local.

Nem preciso dizer que os lutianos pagaram um preço alto por sua tolice.” — disse Zekell.

“Ó, deuses, pai! Por que não me contou que estava passando por tantas dificuldades?” — Senton agarrou o pai, certificando-se de que ele estava bem.

“Eu? Garoto bobo! Eu nunca estive em perigo. Passei o tempo todo rindo e dizendo a todos: ‘Eu avisei’.” — Zekell deu um tapinha no ombro de Senton, comovido por ver o quanto o filho se preocupava com ele.

“Como, exatamente?” — perguntou Lith.

“Porque você tem bons amigos, garoto. As bestas mágicas que deixou aqui impediram que me incomodassem, assim como afastaram os bandidos que tentaram saquear minhas lojas. Os reis da floresta curaram minha família sempre que precisávamos.

“Quando achavam que não davam conta, chamavam Faluel. Foi assim que conheci sua amiga Hidra.” — disse Zekell. — “Depois, algumas semanas após sua partida, um bando de esquisitos chegou do norte.

“Eles diziam ser seguidores do Pai de Todos e que tinham vindo em peregrinação ao lugar que o havia dado à luz. No começo, muitos zombaram deles e os consideraram loucos.

“Mas muita gente já havia deixado Lutia e a cidade estava lentamente morrendo, então ninguém podia se dar ao luxo de recusar clientes pagantes. Especialmente clientes dotados de magia de primeiro e segundo nível.”

“Espere um segundo.” — disse Solus. — “A Igreja dos Seis proibiu o uso de magia, alegando que isso roubava o poder que Lith… digo, o Pai de Todos precisava para renascer.”

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