
Volume 10 - Capítulo 1158
O Mago Supremo
“Os Teriantropos odeiam os humanos por terem usado Magia Proibida neles e os transformado em híbridos. Vocês ficam aqui enquanto eu vou dar uma olhada.” disse Morok.
Ele não queria mudar de volta para sua forma de Tirano porque, assim como um Balor, seus olhos naturalmente absorviam parte da respectiva energia elementar com a qual estavam sintonizados. Morok temia que as vozes pudessem retornar ou que ele pudesse Despertar.
‘De acordo com o Mestre Ajatar, meu núcleo de mana é azul. Despertar sem ajuda externa pode me fazer explodir como aconteceria com Quylla se Mogar não me der uma mãozinha’ Ele pensou.
Felizmente para ele, sem a técnica ocular que seu pai lhe ensinou, Morok não sentiu nenhum desconforto. Ele vagarosamente caminhou em direção à aldeia com a coisa mais próxima de um sorriso que sua boca cheia de dentes afiados poderia fazer.
“E aí pessoal, sou novo aqui. Estou procurando meu amigo. Ele é um homem chato que pode ser dessa altura a menos que pareça um Rezar, se for, então ele é dessa altura. Você o viu por aí?” Morok usou sua mão branca leitosa para gesticular ambas as alturas de Nalrond.
“Quem sabe.” O homem na frente dele se transformou em um gigante de pele cinza e emitiu um som baixo e gutural que chamou a atenção de toda a vila.
O homem tinha agora quase 2,5m de altura, com pequenos olhos negros quase imperceptíveis atrás dos três chifres em seu focinho e as duas presas inclinadas para cima saindo de sua boca. Suas mãos e pés tinham apenas quatro dedos e ele era tão volumoso que, de longe, as meninas acreditavam que ele havia se transformado em uma pedra.
Sua Projeção de Alma era como um homem Lembrando um Dewan com raiva, mas depois de sua mudança de forma, ele parecia um homem com ainda mais raiva.
“Eu nunca vi você ou ouvi sobre você, estranho. Além disso, as Bestas Imperador geralmente não usam roupas extravagantes como as suas. Como posso ter certeza de que você não é apenas um humano metamorfo procurando por seu prisioneiro fugitivo?”
“Não, duh, óbvio que você nunca me viu antes. Eu disse que sou novo aqui.” Os quatro olhos de Morok olharam para o Dewan com desprezo mal disfarçado.
“Quanto a eu ser humano, e quanto a isso? Ou isso?” Primeiro, o Tirano conjurou uma bola de fogo flamejante do tamanho de um balão de ar quente e então disparou raios elementares de seus olhos que abriram quatro pequenas crateras no solo.
“Despertos podem usar magia verdadeira, mas o truque com os olhos é o verdadeiro negócio. Eu podia sentir a energia elemental vindo deles ao invés de simplesmente ser manipulada por um feitiço.” Um homem em seus setenta anos disse.
Se não fosse o branco de seu cabelo e as rugas profundas em seu rosto, Morok teria dificuldade em adivinhar sua idade. O homem tinha olhos azuis claros e pele bronzeada devido à constante exposição ao sol.
Apesar de suas costas ligeiramente curvadas, o ancião ainda tinha ombros largos e braços mais grossos do que o galho de uma árvore velha.
Os híbridos não tinham vidas tão curtas quanto os humanos nem tão longas quanto as Bestas Imperador. Sua expectativa de vida média era de 150 anos, mas envelheciam bem e devido à sua metade animal, os Teriantropos reteriam a maior parte de sua massa muscular.
O ancião da aldeia tinha uma percepção de mana tão aguçada que conseguiu avaliar a destreza de Morok simplesmente olhando para seu feitiço. Entre os muitos aldeões, ele era o único sem uma projeção de alma.
“Ainda assim, não há como saber se nosso irmão Rezar o trouxe para dentro da Margen por vontade própria ou se você o forçou. Até as Bestas cobiçam nossos segredos, então não podemos confiar em um estranho. Você será nosso prisioneiro até que nosso irmão se recupere.” O mais velho disse.
“O que você quer dizer com ‘até que ele se recupere’? Nalrond estava bem até alguns minutos atrás. O que vocês fizeram com ele?” Morok levou as mãos até às empunhaduras de suas armas, tecendo seus melhores feitiços enquanto os Dewan lentamente o cercavam e preparavam os seus próprios.
“Ele chegou aqui voando e depois desmaiou sem motivo. Tentamos curá-lo, mas a febre que está assolando sua mente resiste à habilidade de nossos melhores curandeiros. Você está dizendo que a condição do Rezar não é culpa sua? Que você não fez dele seu escravo?”
O ancião olhou Morok nos olhos, permitindo que o Tirano percebesse a mana brilhando atrás de suas pupilas.
‘O arrombado está preparando algo grande. Nalrond escolheu o pior momento possível para tirar um cochilo. Sem chance de eu deixar eles me prenderem.’ pensou Morok.
“Não é minha culpa, mas sim sua.” Ele apontou para as ruínas chamuscadas ainda visíveis das casas que os Dewan não conseguiram reconstruir.
“Viemos aqui para ver a aldeia de Nalrond depois que a Cavaleira do Amanhecer a incendiou. Meu amigo deve ter confundido vocês com os parentes dele e provavelmente está tendo um ataque com a ideia de que toda a sua busca por vingança foi em vão.”
Suas palavras fizeram os Dewan arregalarem os olhos de surpresa enquanto finalmente entendiam o que havia acontecido e por que o Rezar havia desmaiado assim que alcançou os arredores da vila.
“Ancião Bahn, é realmente possível que tenhamos ocupado a aldeia do lendário povo Rezar? Os Guardiões da Luz?” O Dewan que havia “recebido” Morok perguntou.
“É possível.” O ancião assentiu.
“Isso explicaria por que nossa Margem se expandiu de repente e por que havia apenas ruínas, mas não cadáveres. As cinzas de nossos irmãos fertilizam nossos campos, enchendo nossa colheita de morte. Parece que fundamos nossa aldeia em terrenos amaldiçoados.”
“Fora que eu não preciso da ajuda de ninguém para entrar em uma Margem. Eu posso fazer isso sozinho.” Ninguém acreditou na afirmação de Morok.
Pelo menos até Bahn lhe fazer várias perguntas sobre como ele entrou em contato com a força de vontade de Mogar. O Tirano respondeu com tantos detalhes que todos falharam em terminar seus feitiços quando suas mandíbulas atingiram o chão com espanto.
“Parece que o julgamos mal, irmão Tirano. Alguém que nem sequer emite uma Projeção de Alma deve ser tão poderoso quanto sábio. Você será nosso convidado de honra até que nosso irmão Rezar acorde.”
“Diga-me, quantos Tiranos Teriantropos existem em sua aldeia?” O mais velho perguntou.
Morok entendeu que os Dewan haviam relaxado não porque confiavam nele, mas porque o confundiram com um deles.
“Valeu pela oferta, mas não posso confiar em suas mudanças de humor. Diga a Nalrond para me ligar assim que acordar.” O Tirano de repente abriu uma Dobra Dimensional e desapareceu antes que qualquer Dewan pudesse mover um único músculo.
Morok explicou a situação para as garotas que não gostaram nem um pouco.
“Droga, a gente tá na merda.” disse Quylla. “Essa tribo de Teriantropos parece odiar as Bestas Imperador tanto quanto odeia os humanos. Tem muitos deles e só três de nós.”
“Nossa melhor linha de ação é esperar que Nalrond acorde e ateste por nós. Se eles trataram até mesmo uma Besta Imperador com tanto desprezo, não há como dizer o que eles podem fazer com os humanos.”
Cidade de Reghia, continente de Jiera.
Entre o início tardio devido ao sonho de Solus sobre seu passado e passeios pela cidade enquanto iam para o distrito humano, o grupo de Lith não tinha muito tempo antes do jantar.