O Mago Supremo

Volume 10 - Capítulo 1100

O Mago Supremo

Além disso, tal operação envolvia claramente mão de obra e poder de fogo suficiente para derrubar Lith junto com seus companheiros conhecidos no caso de algo dar errado.

‘Aposto que o plano era fazer Kamila morrer nos meus braços e então aproveitar da minha dor pra me atrair para uma armadilha mencionando que minha família seria a próxima. Dessa forma, eu deixaria os culpados fugirem e ficaria tão abalado que não pensaria direito.’

‘Nesse ponto, me matar teria sido como tirar doce da boca de criança. A emboscada em Assar teria funcionado perfeitamente igual a um mecanismo de relógio se não fosse pelo meu avanço recente e pelas lições de Faluel.’

‘Quem estiver por trás do ataque sabe tudo sobre mim até o momento em que deixei o exército. Isso quer dizer que eles ignoraram o que aconteceu nas minas e no conselho. Eu odeio fazer acordos com demônios desconhecidos, mas situações desesperadas exigem medidas desesperadas.’ Lith pensou enquanto tirava um pequeno cartão de seu bolso dimensional.

Ele o passou pelo amuleto de comunicação como se fosse um cartão de crédito por proximidade, permitindo que as runas fossem trocadas.

“Você me ligou em um péssimo momento, irmãozinho. Estou ocupadíssima e também chateada por você ter me ignorado por tan–” A voz de Xenagrosh soou clara apesar dos sons de morte e destruição vindos do fundo e também a de Lith quando ele a interrompeu.

Ele gastou momentos preciosos para deixá-la a par da situação e pedir sua ajuda, mas a julgar pelo rosto e seus olhos arregalados, valeu a pena. Lith nunca tinha visto um Dragão empalidecendo até aquele dia.

“Estarei lá na Velocidade Dragão.  Mova essa bunda, seu retardado.” Xenagrosh disse enquanto olhava para outro lugar como se nem estivesse falando com Lith.

‘Parece que os Dragões Valorizam suas famílias ainda mais do que as outras Bestas. Eu não esperava que ela concordasse em ajudar sem pedir nada em troca. Porra, por que deixei Jakra ir? Eu poderia ter usado um Dragão esmeralda gigantesco!’ Lith abriu uma Dobra Espacial após a outra, esperando chegar a tempo em Lutia.

Casa de Rena, ao mesmo tempo em que Lith é atacado.

Após a reforma da casa, Zekell Proudhammer pôde comprar um pequeno jardim interno para dar à sua neta Leria um lugar onde ela pudesse brincar com seus amigos ou com o balanço que seu tio Lith havia feito para ela.

Ele nunca esperaria que um Carniçal iria usá-lo como ponto de acesso para liderar uma pequena equipe de ataque dentro da casa sem que ninguém de fora notasse.

O chão ondulou igual à superfície de um lago perturbado pela queda de uma folha e uma linda mulher saiu dele com seu vestido branco ainda imaculado. Damas Brancas eram as melhores em lidar com crianças e proteções mágicas.

Nascidas do cadáver de uma mulher que matou os próprios filhos antes de cometer suicídio, Damas Brancas eram capazes de usar apenas dois elementos, água e escuridão. Elas precisavam se alimentar da força vital das crianças e a extraiam afogando-as.

Para fazer isso, as Damas Brancas poderiam atrair e encantar suas vítimas para que fossem elas que abrissem o caminho para elas. As crianças eram facilmente influenciadas pela natureza e a habilidade de uma Dama Branca de falar e se parecer com a mãe de qualquer criança tornava sua habilidade de mesmerizar imparável.

“Venha até mim, meu bebê. Mamãe está com muito frio esta noite e precisa de sua ajuda, Leria.” Mesmo que as duas mulheres nunca tivessem se conhecido, a voz de Jolia soava idêntica à de Rena.

O sussurro da Dama Branca foi infundido com força vital e força de vontade, tornando-o capaz de ser ouvido apenas por seu alvo pretendido, desde que estivesse no alcance da habilidade.

A menos, é claro, que alguém fosse paranóico o suficiente para colocar um escudo de ar ao redor da casa. Impedia que as pessoas voassem pela casa e bloqueava o ruído externo junto com qualquer tipo de magia do ar.

Lith tinha armado porque ninguém na casa de Rena era um mago e ele sempre ligava antes de Dobrar para dentro. Além disso, quanto maior Lutia se tornava, mais barulhenta a vila ficava.

Sua irmã havia lhe pedido para isolar o som da casa para que os trigêmeos pudessem dormir e ele tinha ido um quilômetro além adicionando o sistema de vedação de ar que permitia que apenas o amuleto de contato dela funcionasse.

Dessa forma, ela ainda poderia responder e desativar a matriz quando Lith precisasse Dobrar. Ele não poderia adicionar mais matrizes porque exigiam manutenção e cristais de mana.

Sua irmã não podia pagar nada em sua ausência e ela era muito orgulhosa para pedir a Lith ainda mais ajuda do que ela já havia pedido.

Jolia tentou mais algumas vezes antes de deixar Brago, o Carniçal, abrir a fechadura.

“Nós não temos muito tempo. Os outros nos compraram essa oportunidade atacando a casa dos Verhen e atraindo a unidade corpo da Rainha que normalmente protege a casa.”

“Não há como saber se eles pediram reforços e com que rapidez chegarão aqui. Matem todos e saiam antes que alguém perceba. Estamos aqui para enviar uma mensagem, não para nos tornarmos mártires.” Quaro, a vampira, disse.

Ela odiava esse plano, mas ordens eram ordens. Após a derrota dos Cavaleiros pelas mãos das Abominações, as Cortes dos Mortos-Vivos decidiram cortar os híbridos pela raiz. A natureza de Lith era conhecida, tornando sua família um alvo.

A visão noturna dos mortos-vivos revelou a eles que a casa estava vazia. Todas as luzes estavam apagadas e o único barulho que podiam ouvir era o ronco vindo do quarto de Zekell e os trigêmeos pedindo comida.

Quaro mandou Jolia para o quarto de Leria enquanto eles cuidavam dos pais. Eles tinham que agir rapidamente e sem fazer barulho. Lutia era conhecida como “o Cemitério” por um motivo.

Entre o corpo da Rainha e as feras mágicas, um único erro poderia significar a morte.

A morte-vida concedeu a eles tal graça que nem mesmo a madeira velha rangeu em sua passagem. O quarto de Leria ficava ao lado do de Rena, permitindo que seus pais ficassem de olho nela e aos mortos-vivos que coordenassem seu ataque.

“Você vai primeiro. Vamos esperar que eles voltem para a cama.” Brago tocou a porta enquanto cheirava o ar que saía do buraco da fechadura.

Ele podia sentir cinco forças vitais e nenhuma assinatura mágica. A área estava livre de dispositivos mágicos de todos os tipos.

Jolia abriu a porta de Leria estendendo uma unha e abrindo a fechadura sem nem mesmo girar a maçaneta. O quarto estava uma bagunça, com pilhas de brinquedos nos quatro cantos e roupas sujas ainda no chão.

Ver os desenhos infantis que cobriam a pintura amarela brilhante das paredes fez o coração da morta-viva doer com a memória de seus filhos perdidos. Jolia olhou por um segundo para a pequena biblioteca perto da cama. Era a única coisa arrumada na sala, cheia de livros infantis e diários cor-de-rosa.

“Não se preocupe, meu bebê. Mamãe está aqui. Isso é apenas um sonho ruim e vai acabar em breve.” Jolia sussurrou, prendendo os olhos de Leria nos seus.

Exceto pelo lindo vestido de noiva, ela era idêntica a Rena, fazendo com que a criança não questionasse por que sua mãe usava um vestido tão estranho ou por que a água estava inundando o quartinho.

As Damas Brancas carregavam dentro de seus corpos a água do lugar em que se afogaram e precisavam dela como meio para se alimentar da essência vital de suas presas.

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