O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 566

O Retorno do Professor das Runas

Capítulo 558: O Plano

Noah não tinha certeza exatamente do que tinha acontecido nos últimos minutos. Quando ele saiu de sua tenda para encontrar Zath e dizer que tinha terminado sua preparação, Zath já estava pronto para ele.

Parecia que o enorme demônio havia terminado sua conversa com... seja lá o que fosse com quem ele estava falando há algum tempo. No exato instante em que Noah emergiu da tenda, Zath estalou os dedos e um portal começou a se traçar no ar, enviando faíscas de luz roxa em arco.

Zath então os conduziu diretamente para dentro, sem espaço para discussão. Por mais que Noah não quisesse que Moxie e Lee o acompanhassem para encontrar o Arquidemônio, Zath se recusou a aceitar quaisquer contra-argumentos.

Infelizmente, ir diretamente contra o Rank 7 era funcionalmente impossível. Toda a força de Noah dependia de Zath realmente colaborar e querer algo dele. Opor-se diretamente a ele ainda estava além do que ele era capaz de fazer se quisesse que todos os outros deixassem o acampamento inteiros.

Noah não tinha ideia de por que Zath de repente decidiu que Lee e Moxie também tinham que ir junto. O demônio se recusou a explicar. Ele apenas apontou para o portal totalmente formado e esperou, seu pé blindado tilintando enquanto ele batia no chão.

E foi assim que Noah, junto com Lee e Moxie, se viram entrando no domínio de Sievan.

Um frio percorreu os ombros de Noah assim que ele emergiu do portal — e ele congelou no lugar. Um mar infinito de escuridão se estendia ao seu redor. Uma escuridão familiar, quase reconfortante. Era a mesma sombra que compunha sua própria alma.

Mas esta não era uma alma.

Sob seus pés havia uma plataforma de obsidiana rachada, suas bordas adornadas com ouro simples. O domínio de Noah formigou ao roçar no que só poderia ser descrito como um mar de imbuimentos.

Tudo ao seu redor estava positivamente inundado de magia. Parecia tentar respirar através de um pulmão cheio de mel. Um silêncio espesso pairava no ar a tal ponto que Noah podia ouvir seu próprio batimento cardíaco. Seu passo ecoou pela sala como um tiro.

Moxie e Lee haviam entrado antes dele. Eles estavam parados, travados no mesmo choque que Noah sentia, mas algo estava errado.

Eles mal se moviam. Parecia que alguém os havia trancado no tempo e desacelerado sua velocidade em mil vezes.

*Que diabos é isso? O que está acontecendo?*

Foi então que Noah percebeu que eles estavam longe de estar sozinhos na sala. A imensidão da escuridão silenciosa havia desviado sua atenção do homem flutuando no ar, envolto em uma tempestade crepitante de energia vermelha e fragmentos de obsidiana.

Wizen.

Sua boca estava aberta em um grito de fúria, mãos estendidas para frente. Poder elétrico rastejava de seus dedos, movendo-se tão lentamente que poderia muito bem estar congelado no lugar. Uma pequena garota demônio sentava-se no chão atrás dele, seus olhos arregalados semicerrados em exaustão. Ela estava igualmente imóvel, presa no tempo e no espaço.

*Que porra? Wizen está aqui?*

Noah quase saltou para fora de sua própria pele de surpresa. Ele arrancou poder de suas runas e se preparou para uma luta.

"Olá, Aranha. Fico feliz em ver que você conseguiu vir. Estava ansioso para te conhecer." Uma voz gentil cortou o ar.

Noah girou em direção à sua fonte.

De pé diante dele estava um homem simples em um terno cinza comum, um topete de cabelo castanho em sua cabeça e mãos cruzadas atrás das costas. E seus olhos — seus olhos eram puramente brancos, tão planos e vazios quanto o vazio.

A respiração travou no peito de Noah ao encontrar o olhar do homem.

Havia algo ali, à espreita nas profundezas.

Algo que ele nunca tinha visto em nada além de um espelho.

Era mais do que familiaridade.

Era compreensão.

"Sievan", disse Noah, sabendo sem dúvida quem estava diante dele. "Você esteve na Linha."

"Eu ousaria dizer que *todos* nós estivemos na linha, Aranha." Um sorriso cruzou as feições de Sievan. "É que ninguém mais tem a infelicidade de se lembrar da experiência."

Noah engoliu em seco. Ele tentou encontrar palavras, mas seus pensamentos o falharam e nada veio à tona. Ele não conseguia fazer nada além de olhar. Diante dele estava mais do que um Lorde Demônio. Era alguém que realmente sabia o que vinha além da vida.

Alguém que havia *se lembrado* disso.

Assim como ele.

"Por que você me chamou aqui?", perguntou Noah, finalmente encontrando sua voz novamente. "Isso não é sobre uma Runa Mestre Quebrada."

"Não", Sievan concordou. "Não é."

O Lorde Demônio levantou as mãos. Fumaça se retorceu do chão e formou um par de cadeiras tênues. Uma mesa se formou entre elas, e todas as três peças de mobília se solidificaram em obsidiana um instante depois. Sievan contornou uma cadeira e se sentou nela sem dizer uma palavra.

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Por cima de seu ombro, a magia de Wizen rastejou pelo ar em uma marcha lenta para o nada.

Noah desviou o olhar de Wizen e se aproximou da mesa. Ele se sentou em frente a Sievan, a obsidiana fria mordendo desconfortavelmente em suas costas.

"Como você sabia?", perguntou Noah, sua mente ainda girando em descrença.

"Como muitas coisas na vida, partes iguais de coincidência e intenção. O Homem Tecido fez pouco esforço para esconder seu poder quando chegou ao meu domínio. Um poder cuja fonte me é muito familiar", respondeu Sievan, entrelaçando as mãos sobre a mesa diante dele. "Isso aumentou minha atenção — e quando você passou deste mundo, mas não conseguiu entrar no próximo, senti o mesmo poder em você também — a menos que eu esteja enganado?"

O estômago de Noah se contraiu. Wizen havia reconhecido Sunder de volta ao reino mortal, mas isso confirmou. Ele não era o único com um pedaço do poder de Decras. Wizen também tinha — e se Sievan reconhecesse essa força, então havia uma possibilidade de que Noah soubesse exatamente de onde vinha o poder do Senhor da Morte.

Ele olhou para Wizen. Se Sievan tinha o poder de desacelerar o tempo assim... o demônio não era apenas poderoso.

Para todos os efeitos, ele era um deus.

Noah ficou surpreso ao descobrir que essa informação não o assustava. Na verdade, o deixou à vontade. Pela primeira vez desde que chegou a Arbitrage, ele não teve que esconder quem era. Ele não teve que esconder seus poderes.

Simplesmente não fazia sentido.

"Você não está", disse Noah. "Eu empunho Sunder."

A expressão de Sievan era ilegível. Ele respirou fundo, então soltou lentamente enquanto virava seu olhar para a escuridão acima deles.

"E assim Decras me lembra do meu fracasso mais uma vez", Sievan respirou, deixando seu olhar cair de volta para Noah. "Você me contará como conseguiu colocar Sunder em sua posse? Eu não o forçarei se você não quiser falar, mas a história significaria muito para mim."

Havia desejo nos olhos vazios de Sievan, mas não desejo por poder. Ele não se importava com a runa. Ele se importava com o que ela representava.

Noah contou a ele.

A história era longa.

Relâmpagos congelados se enrolavam atrás de Sievan como um dragão rastejando pelo céu enquanto Noah falava. Suas palavras desapareceram na boca silenciosa da escuridão que os cercava enquanto ele contava a Sievan sobre a Linha. Ele contou ao antigo demônio sobre Renovação e Decras, e sobre sua chegada ao mundo mortal. Noah contou a Sievan sobre Arbitrage. Sobre Moxie e Lee. Ele contou sobre os alunos que ainda o esperavam, e sobre Wizen.

Noah disse quase tudo — mas não tudo. Ele não compartilhou os detalhes de sua pesquisa sobre Runas ou Formações. Não era pertinente à história, e esses eram segredos que Noah não sentia razão para revelar.

Sievan não disse uma única palavra até que Noah terminasse de contar sua história. O demônio mal se moveu de seu lugar na cadeira. Suas feições eram uma máscara ilegível, seus olhos tão planos e vazios quanto um oceano gelado em uma noite calma.

"Entendo", disse Sievan baixinho. "Não somos tão parecidos quanto eu acreditava."

Noah piscou. "O quê?"

"Você caminhou pela Linha por eras. Eu apenas testemunhei, e só isso foi difícil de lidar", disse Sievan. "Não consigo compreender lembrar cada passo naquele caminho infinito. Isso me quebraria."

"Mas você esteve lá", disse Noah. "E os deuses? Eles não..."

"Os deuses estão presos a regras. Eles não podem interferir enquanto nós não o fizermos", disse Sievan, seu olhar se afastando de Noah. "E Decras não interferiria comigo. Não de novo."

"Parece que você o conhece."

"Pode-se dizer que sim." Sievan soltou uma pequena risada. O sorriso desapareceu de suas feições quando ele se virou para olhar para a pequena garota demônio sentada no chão atrás de Wizen. "Diga-me, Noah. O que você vê quando olha para ela?"

Noah se virou para seguir o olhar de Sievan. "Uma garota, eu suponho."

"Eu vejo fracasso."

"Isso parece um pouco duro. Ela mal é uma criança. O que ela fez?"

"Não dela", disse Sievan. "Da nossa raça. Da minha. Demônios são um povo falho, quebrado. Somos controlados pelas runas dentro de nós. Nós *somos* as runas dentro de nós. Elas estão quebradas e, portanto, nós também. Quanto mais nos esforçamos para alcançar a perfeição, mais nos despedaçamos por dentro até que nada além da runa permaneça."

A boca de Noah quase caiu. Em uma única frase, Sievan havia lhe dito exatamente o que estava errado com Lee.

*Puta merda. Isso faz tanto sentido. É por isso que os demônios são consumidos pelo sentimento que suas runas representam. Seu corpo e alma estão tão intimamente ligados que eles literalmente são suas próprias runas. A runa assume o controle do corpo, tornando-o mais parecido com a runa, até que eles se percam.*

"E a garota? Por que ela é um fracasso?", perguntou Noah, desesperado por mais informações. Se Sievan tivesse mais informações, talvez houvesse uma maneira de salvar —

"Ela está quebrada", disse Sievan. "Um exemplo vivo do que está quebrado em minha raça. Ela não possui runas. Um demônio sem runas não é nada. Fica mais difícil mantê-la viva a cada dia que passa. Seu corpo consome a magia que entra em contato com ele, mas nenhuma runa pode se fixar em sua alma. Ela tentou atrasar o fim injetando energia mágica em seu próprio coração, mas isso não faz nada além de diminuir o estresse em seu corpo. Sua alma ainda desmorona."

Noah olhou de volta para a garota.

"Você não está no controle da morte? Apenas traga-a de volta."

"Eu não tenho nada para ligar a ela. Runas são o elo entre a alma e o corpo, e ela não tem nada que eu possa invocar." Sievan balançou a cabeça. "Eu não mencionei a situação dela para pedir conselhos, Noah. Você me contou sua história. Eu te conto a minha."

"Não sei se estou entendendo."

"Minha raça é amaldiçoada. Você procura uma solução que não pode ser encontrada, porque demônios são quebrados. Eu, com todos os poderes de 7 Runas de Rank 8 aperfeiçoadas, não pude salvar uma mera garota. E você acredita que tem uma chance de salvar Lee?"

"Sim." Os olhos de Noah se estreitaram. Sievan não estava lhe dando uma solução. O demônio estava tentando fazê-lo desistir — e isso nunca aconteceria. "Só porque alguém mais forte do que eu não conseguiu realizar algo não significa que você pensou em todas as opções."

"Bem dito", disse Sievan. Seu sorriso retornou ao seu rosto enquanto ele se levantava. A cadeira de obsidiana embaixo dele se desintegrou em fumaça. Noah se apressou em ficar de pé diante da mesa e sua própria cadeira seguiu o exemplo. Sievan olhou para Wizen, então soltou um suspiro. "Não posso desacelerar o tempo por muito mais tempo. Em breve nos juntaremos aos outros. Estou satisfeito que você tenha sido mais amigável do que o Homem Tecido."

Noah olhou para Wizen, que ainda estava envolto em um manto de magia estrondosa. "Isso realmente não foi tão difícil de realizar."

"Não", Sievan concordou com um pequeno sorriso. "Não foi. Gostei da nossa conversa, Noah. Fico feliz que pudemos ter isso antes do fim."

"O fim? Não tenho certeza se gosto do som disso."

"Poucos gostam", disse Sievan. Ele se virou para Wizen. "Mas cheguei à conclusão de que não posso ascender como estou agora. Eu, como todos os outros demônios, sou falho. Não consigo alcançar o próximo rank e, por mais poderoso que eu seja, minha vida não é eterna. A garota morrendo no chão não é diferente de mim."

"Você está morrendo?", perguntou Noah, piscando surpreso. O Senhor da Morte morrendo quase parecia irônico.

"Estou caindo aos pedaços. Temo nunca ter realmente vivido", respondeu Sievan com um sorriso. "Mas me ocorreu que não tentei de tudo. Há uma última coisa que posso fazer para tentar obter o verdadeiro controle sobre minhas runas e me tornar mais do que minhas algemas."

"E o que é isso?", perguntou Noah, mas pela maneira como Sievan estava olhando para Wizen, ele suspeitava que já sabia a resposta.

"Eu vou morrer. Eu agradeceria sua ajuda no assunto."

Sievan varreu as mãos para baixo e o tempo voltou a entrar em movimento.

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