
Capítulo 381
O Retorno do Professor das Runas
Capítulo 377: Na Hora Certa
Os ombros de Lee relaxaram em alívio e ela se jogou na grama, exausta demais para continuar de pé. Brayden não ia tentar matá-los. Pelo menos, ela tinha quase certeza que não. Ele tinha estado bem bravo da última vez que conversaram, mas também tinha dado algumas Runas Espaciais para ela.
— Você está atrasado — disse Moxie, soltando um suspiro explosivo e deixando as vinhas afundarem de volta no chão ao seu redor. — E eu não acho que meu coração vai aguentar outra surpresa hoje. Por que você está aqui? E eu juro, se você me disser que alguém importante morreu, eu vou perder a cabeça.
— Por que alguém importante estaria morto? — perguntou Brayden, confuso e ainda olhando em volta em busca do mago de sangue. — O operador do canhão de transporte me atropelou enquanto eu batia na porta do quarto de Vermil, gritando sobre algum mago de sangue atacando vocês.
Tim está vivo. Que bom. Ele cheira bem. Mas será que ele realmente correu até o quarto de Noah para encontrar Brayden? Isso é demais, não é? Tinha que ter alguém forte mais perto. Mas que bom que ele conseguiu Brayden. Ele também cheira bem.
Moxie estudou Brayden por alguns segundos, provavelmente tentando descobrir o quanto ela podia compartilhar com segurança com ele. Lee não tinha tanta certeza sobre a resposta para isso. Brayden gostava deles, e ele claramente tinha corrido para ajudar, mas contar tudo a ele poderia ser arriscado.
Ele já deve saber ou suspeitar fortemente que eu sou um demônio. Noah me chamou para a sala com o Pai quando nos conhecemos, então não é difícil deduzir que a Inquisição estaria atrás de mim.
— Foi a Inquisição — disse Lee finalmente. Não fazia sentido tentar esconder isso de Brayden, considerando que ele provavelmente juntaria tudo muito em breve.
— Foi? — perguntou Brayden, piscando. — Vocês conseguiram matar um Inquisidor com um domínio? Me disseram que eles provavelmente eram Rank 4 ou Rank 5 altos. Eu não sinto um domínio nem em você nem em Moxie.
— Nós o pegamos de surpresa — disse Lee. Ela não tinha um domínio porque era um demônio, não porque não era Rank 4. E falar sobre Azel... ela não conseguia se forçar a fazer isso.
Ainda não.
Não era como se a existência de Azel fosse mudar alguma coisa para Brayden. Tudo o que importava agora era que Rafael tinha vindo atrás deles e que eles tinham conseguido derrotá-lo. Todo o resto era apenas detalhe extra.
— Isso me dá uma sensação de familiaridade que eu realmente não quero estar sentindo — disse Brayden, tamborilando os dedos na coxa. — Onde está o Inquisidor?
— Enterrado a uns dezoito metros de profundidade — respondeu Moxie. — Junto com tudo o que estava ao redor dele. Eu não sei como eles conseguiram nos rastrear até aqui, mas eu não queria correr nenhum risco.
— Inteligente — disse Brayden, abaixando a espada e fincando-a no chão. Ele cruzou os braços sobre o punho e se apoiou nela, soltando um suspiro. — Eles provavelmente rastrearam vocês com magia de sangue. Pelo que eu ouvi, havia apenas um deles. Isso é um pouco estranho, já que Inquisidores geralmente viajam em pares.
— Você acha que outro desses caras vai aparecer? — perguntou Emily, seus olhos se arregalando de terror.
— Improvável. Eles já teriam aparecido até agora — respondeu Brayden, nem mesmo olhando para ela. Sua testa se enrugou em profunda reflexão, mas ele desistiu depois de alguns segundos e balançou a cabeça. — Deve ter sido um Inquisidor agindo por conta própria. Talvez um amigo dos que apareceram da última vez. De qualquer forma, se vocês realmente se livraram do sangue, é improvável que eles consigam rastrear vocês tão facilmente de novo. Eu não achei que eles estariam rastreando vocês. Pai disse que ele tinha resolvido isso.
— Evidentemente não — disse Moxie, sua voz ficando fria. — E nós quase morremos por causa disso.
— Eu me ofereceria para transmitir suas reclamações a ele, mas acho que nós dois sabemos como isso terminaria... especialmente vindo de uma Torrin.
— Você tem algum problema com a Moxie? — perguntou Emily, seus olhos se estreitando.
Brayden soltou uma risada curta. Ele se endireitou e puxou sua espada do chão. Uma ondulação roxa passou pela lâmina e ela desapareceu de sua mão. — Surpreendentemente, não. Meu irm... ah, Vermil gosta dela. Isso é o suficiente para abonar o caráter dela, mesmo que ela seja uma Torrin.
— Relaxa, Emily — disse Moxie, caminhando até a garota e colocando uma mão em seu ombro. — Brayden literalmente acabou de vir correndo para nos ajudar.
— Ele estava atrasado.
O pensamento estava ali.
— Você disse que Vermil era seu irmão? — perguntou Alexandra, olhando para Brayden com os olhos semicerrados. Lee não via qual era a confusão. Noah e Brayden cheiravam bem parecido à primeira vista. Era fácil distingui-los, é claro, mas o sangue correspondente estava lá.
— Sim — disse Brayden depois de um momento de hesitação. — Nós compartilhamos o mesmo pai.
— "P" maiúsculo ou minúsculo? — perguntou Alexandra.
Brayden riu. — Ambos. E quem estaria perguntando? Eu não acredito que a reconheço propriamente.
— Eu sou Alexandra. Uma das estudantes de Vermil.
— Uma nova? — perguntou Brayden.
Alexandra assentiu. — Sim. A partir deste ano.
— Entendo — disse Brayden. Ele olhou para a terra arada, depois de volta para Alexandra. — E você não está perturbada pelo Inquisidor?
Alexandra não respondeu imediatamente. Ela ficou em silêncio por alguns segundos, suas feições ilegíveis. Então ela inclinou a cabeça. — Eu acho que não. Eu tive uma reação bem ruim no começo, mas eu acho que ele mereceu, mesmo que suas intenções originais pudessem ter sido boas. Para ser honesta, eu só quero ficar mais forte. Eu não me importo com o que eu tenho que fazer para alcançar isso.
— Interessante — disse Brayden. — Eu posso ver por que você escolheu Vermil como seu professor.
— O que isso significa? — perguntou Alexandra, mas Brayden já tinha se virado para longe dela. Ele caminhou até Moxie, puxando uma poção de cura de uma bolsa em sua cintura e entregando para ela.
— Aqui. Beba.
— Eu não estou tão ferida assim — disse Moxie.
— Vermil vai perder a cabeça se ele vir você machucada — disse Brayden, se virando antes que Moxie pudesse responder. — Beba a poção.
Moxie franziu o nariz, então fez o que Brayden pediu. Quando ela tinha esvaziado, Brayden tinha entregado uma poção correspondente para Lee. Ela jogou na boca sem uma palavra de reclamação — poções de cura tinham gosto de cerejas, e o vidro adicionava uma textura agradável e picante.
— O que você está... — Brayden levantou uma mão, então a abaixou e balançou a cabeça. — Por que eu sequer me incomodo?
— Com o quê? — perguntou Lee, engolindo a boca cheia de vidro e poção. — Ah. Você queria comer o frasco? Desculpa. Eu não percebi. Eu provavelmente poderia vomitar um pouco para você. Pode estar um pouco digerido agora, mas...
— Eu estou muito bem, obrigado — disse Brayden apressadamente. — Eu estou aqui por doze horas, porque eu não tinha ideia de quanto tempo levaria para encontrar vocês e lutar contra o Inquisidor. Evidentemente, vocês já resolveram isso. Quanto tempo falta até vocês serem puxados de volta?
— Provavelmente algumas horas — respondeu Moxie.
Brayden assentiu. — Então sentem e relaxem. Eu vou vigiar vocês, e nós podemos conversar quando voltarmos para Arbitrage e pudermos entrar em contato com Vermil. Eu duvido que eu sequer tenha que dizer isso, mas se vocês querem permanecer vivos, eu recomendo fortemente que ninguém compartilhe um único respiro do que aconteceu aqui. Se os Inquisidores descobrirem que vocês foram lá e mataram um deles... de novo... vocês nunca mais viverão em paz.
— Isso — disse Renewal, inclinando-se para frente em sua cadeira para encarar a imagem cintilante no ar diante dela — não era nem um pouco o que eu estava esperando.
— Me pegou de surpresa também — admitiu Decras da cadeira ao lado dela. Ele estendeu a mão para a caixa de chocolates na mesa entre eles, e Renewal bateu em sua mão para longe. Ela pegou um deles para si, jogando em sua boca sem deixar seus olhos saírem da cena se desenrolando diante dela. — Você já viu um demônio se matar por outra pessoa?
— Não, eu não acredito que já vi. Eu não achei que eles tivessem a capacidade de sentir isso — admitiu Renewal. — Não com o dano que suas Runas causam em sua psique. Honestamente, eu me sinto mal pelas pobres criaturas. Experimentos falhos.
— Nada grandioso pode vir sem falha — disse Decras. Ele pegou um chocolate antes que Renewal pudesse impedi-lo e jogou em sua boca para impedi-la de reavê-lo. — A garota é interessante. Eu não achei que haveria duas pessoas no mesmo grupo que chamariam minha atenção.
— Mãos fora — avisou Renewal. — Eu me recuso a deixar seus acólitos estúpidos destruírem minha única fonte boa de entretenimento em anos.
— Eu achei que você estava apenas mantendo o ladrão por perto para estudar suas Runas assim que o pegasse — disse Decras com um sorriso irônico.
— Ah, cale a boca — murmurou Renewal. — Eu faço o que eu quero. Eu sou uma deusa.
— Uma bem humilde — disse Decras com uma bufada de riso. — Você acha que o pequeno demônio vai realmente conseguir reparar sua Runa Demoníaca defeituosa? Eu não sei se o corpo dela seria sequer capaz de aguentar tal mudança.
Renewal deu de ombros. — Noah tem ambas as nossas Runas. Ele tem o poder de fazer isso, se o demônio conseguir viver por tempo suficiente para sobreviver à mudança. Por que você pergunta? Se sentindo ameaçado?
Decras soltou uma risada baixa. — Eles têm um longo caminho a percorrer antes que possam sequer chegar perto de me ameaçar. E eu não acredito que você se incomodou em realmente lembrar algum dos nomes deles. Eles são um bando de mortais, Renewal.
— Nós estamos observando eles há algum tempo — disse Renewal na defensiva. — E aquele mortal roubou mais da sua Runa do que roubou da minha. Eu acharia que você seria inteligente o suficiente para lembrar o nome dele antes que ele roube ainda mais do seu poder bem debaixo do seu nariz.
Decras estreitou os olhos. — Veremos sobre isso. Minha pequena surpresa ainda deve estar a caminho. O Inquisidor era interessante, mas eu quero ver o que o ladrão pode fazer, não apenas a garota demônio.
— Sua surpresa não vai chegar até que eles estejam todos com duzentos anos nesse ritmo — disse Renewal, comendo outro chocolate. — Você não pode se mover mais rápido?
— Você ficou impaciente — disse Decras. — É melhor trabalhar nisso se você não quiser enlouquecer.
— Bah. Não é impaciência. Você viu o quão rápido eles estão crescendo? Quando você realmente se decidir a fazer alguma coisa, eles serão dez vezes mais fortes do que você imaginou que seriam e a ameaça não vai sequer incomodá-los.
— Você realmente acha que eu não levei isso em consideração? — Decras revirou os olhos. — Eles já estão com as mãos cheias. Se minha surpresa aparecesse a qualquer momento em breve, seria demais para eles aguentarem. Eu já levei em consideração o crescimento deles e o tempo que levará para eles lidarem com aquele Acumulador de Runas.
— Você tem certeza que eles vão vencê-lo? — Renewal ergueu uma sobrancelha. — Para o Rank dele, ele é uma baita ameaça. Ele pode vencer, e então nós vamos perder tudo. Eu não vou assistir ele por diversão. Ele é apenas um rato correndo por aí arrastando algo que ele roubou.
— Nosso próprio alvo é realmente diferente?
— Sim — Renewal desviou o olhar da tela para encarar Decras. — Ele realmente compreendeu o que ele pegou e aprimorou. Wizen é apenas um homem sedento por poder com uma Runa perigosa demais para ele manipular corretamente.
— E agora você está lembrando os nomes das barreiras sem importância. — Decras cruzou os braços. — Você bateu a cabeça, Renewal? Quanta atenção você está gastando nesses mortais?
— Ah, supere. Você está fazendo a mesma coisa, apenas inventando seus próprios nomes para todo mundo. Se você me perguntar, isso é ainda mais esforço apenas para fingir ser mais misterioso do que eu sou.
Decras limpou a garganta, dizendo imediatamente a Renewal que ela estava certa na mosca. — De qualquer forma, eu suspeito que teremos um baita show. E, se não, eu tenho certeza que teremos nosso entretenimento em breve o suficiente. As peças já estão se movendo, Renewal. Talvez você devesse focar em trazer sua Igreja mais perto da cena. Agora, eles não poderiam estar mais longe de realmente encontrar o ladrão.
— E de quem é a culpa disso? — perguntou Renewal. — Sua pequena tentadora ficou no caminho de Ferdinand.
— Eu argumentaria o oposto. Garina já teria capturado o pequeno merda até agora se o careca estúpido não tivesse entrado no caminho dela e começado a acenar aqueles malditos sanduíches por aí. Eu juro, quando eu falar com ela de novo...
— Interfira e eu vou arrancar sua garganta — rosnou Renewal. — Eu quero ver isso se desenrolar.
— Você vai tentar — disse Decras com um sorriso irônico. — Relaxe, quer? Garina pode não me ouvir agora, mesmo que eu pedisse para ela fazer alguma coisa. Ela sempre foi rebelde. Nós apenas vamos deixar as coisas se desenrolarem e ver o que acontece. De qualquer forma, eu acho que teremos entretenimento mais do que suficiente por um bom tempo.
Renewal não pôde deixar de concordar.
Ela esperava que Noah encontrasse uma maneira de sair da situação se fechando ao redor dele de uma forma que manteria seus companheiros vivos. Ela nunca admitiria para Decras, mas ela estava realmente começando a ficar um tanto investida.
Seria uma pena se Wizen matasse todos eles.