
Capítulo 865
Sobrevivendo no Jogo como um Bárbaro
Clang…! Clang…!
Um som límpido ressoava em intervalos regulares. Que som era aquele, afinal?
A resposta era simples.
Era o som produzido quando uma picareta de Lithinum atingia a parede. Exatamente assim.
Clang…! Clang…!
Ali estava eu, empunhando uma picareta, algo que jamais fizera parte do meu destino. Quando olhei para trás, o caminho por onde tinha passado já não permitia ver o fim; parecia um túnel de mina de verdade.
Clang…! Clang…!
Ah, e só para constar: eu não estava sozinho. Eu recebia o apoio do GM. Eu quebrava a rocha, e ele usava um pequeno golem mágico para transportar os fragmentos para fora. Além disso, erguia colunas com magia da terra para que o túnel não desabasse e mantinha esferas de luz flutuando, garantindo a visibilidade.
“Fazendo isso, parece mesmo uma mina de verdade.”
Sentia orgulho do resultado daquele esforço, mas, ao mesmo tempo, me perguntava que diabos eu estava fazendo. Ainda assim, não havia outra escolha.
Já fazia uma semana que eu comia e dormia ali, ativado no Modo Mineiro Bárbaro por um único motivo: a localização indicada pelo GM era exatamente essa.
Debaixo da cidade. Mais precisamente…
“No subsolo da Torre Mágica.”
Era o ponto que Arta havia me entregue. Então, no começo, cheguei a pensar que bastaria começar pelo primeiro andar da Torre e cavar para baixo. Porém…
— Isso jamais seria possível!
O GM recusou a ideia com todo o fervor. Dizia que ninguém na Torre ficaria parado assistindo a algo assim. E, bom, eu também não pretendia fazer um escândalo e prejudicar a segurança, então não era realmente o que eu planejava fazer. Ah, mas isso não significa que eu não estivesse disposto a forçar a barra.
— Então teremos de cavar um túnel. Você, me ajude.
— O quê? Eu? Por que diabos eu deveria…!
— Então o único jeito será cavar a partir do primeiro andar da Torre. Afinal, foi você que disse que havia um tesouro aqui.
— …
E assim, consegui um aliado confiável chamado GM. Depois disso, a força bruta de um bárbaro e a inteligência de um mago se somaram, e o plano do túnel tomou forma. A primeira etapa foi descer até o sistema de esgoto e cavar passo a passo, mas…
— O… subsolo da Torre não tem esgoto.
— O quê?
Descobri que, sob a Torre, só havia terra. Havia uma canaleta de drenagem, sim, mas tão rasa que podia ser escavada e reparada a qualquer momento se necessário. E era apenas um duto, não um espaço por onde uma pessoa pudesse passar.
— Por que a Torre Mágica faria algo assim?
— Ora, é evidente. Para construir uma estrutura tão grande, devem ter cavado o solo profundamente… e procuraram evitar ao máximo que existisse qualquer espaço vazio sob ela.
— Ah…
Ouvindo isso, fez sentido. Dizem que noventa por cento de uma construção é obra de terraplanagem. Basta olhar para qualquer obra do bairro: levam uma eternidade revirando o solo, mas, quando o prédio começa a subir, ele aparece num instante. De qualquer forma, por esse motivo, abrimos um buraco na parede do esgoto mais próximo e começamos a cavar um túnel em direção à Torre Mágica…
Clang…! Clang…!
Naquele dia, completávamos exatamente sete dias. Segundo o GM, já tínhamos alcançado cerca de setenta por cento até o destino.
“Então avançamos dez por cento por dia…”
Pela conta simples, faltariam só mais três dias de sofrimento. Mas, para ser sincero, eu estava um pouco cético. Como alguém trabalhando diretamente no local, sentia isso mais do que qualquer um.
Clang…! Clang…! Clank!
Quanto mais avançávamos, mais duro ficava o terreno. Mesmo usando a mesma força, cada golpe de picareta arrancava menos fragmentos.
“Será que eu devia ter convocado os guerreiros?”
A ausência dos guerreiros Bárbaros, gênios absolutos do trabalho braçal, pesava agora mais do que nunca. Se tivéssemos trazido todos, já teria acabado faz tempo. Era um pouco frustrante, mas inevitável. Os Bárbaros, por natureza, não conseguem manter segredos. Não é que sejam falsos, nem desleais ao clã, nem fofoqueiros… só cometem erros demais.
Clang…!
Com um último golpe carregado de irritação, fizemos uma pausa para a refeição dentro do túnel.
— A essa altura, já estamos no mesmo barco. Não poderia me contar o que exatamente existe nessas coordenadas?
— …
Eu não dei resposta nenhuma ao GM. Porque eu também não sabia! Talvez não houvesse absolutamente nada além daquele ponto. Nesse caso, eu seria um idiota enganado por um NPC encontrado no Labirinto, cavando um túnel até debaixo da cidade. Mas…
— Pelo visto, deve haver algo incrível escondido ali.
— …
— Na verdade, investigando algumas coisas por conta dessa empreitada, cheguei à conclusão de que, se realmente há algo escondido, não deve ser algo comum.
O GM, que antes era totalmente cético em relação ao plano do túnel, agora estava mais motivado do que eu. Era como se a vontade e a curiosidade tivessem enchido um peito antes esvaziado pela exploração sem salário.
— Pela estrutura, se quiseram esconder algo ali, deve ter sido antes mesmo da construção da Torre. Isso significa pelo menos alguns milhares de anos…
— …
— A posição do esgoto e o padrão de drenagem também. Ao analisar a planta, tive a sensação de que foi tudo feito para que nada existisse sob a Torre. O lugar perfeito para esconder qualquer coisa.
— Ah, é?
Reagi apático, não importando o quanto ele se empolgasse.
Meu parceiro ficando mais animado? Claro que é bom. Só queria que ele parasse de fincar bandeiras. Quanto mais ele falava, mais eu sentia que não haveria nada ali… ou que, se houvesse, seria algo ridiculamente decepcionante.
— Terminamos de comer, então vamos voltar ao trabalho.
— Sim.
E assim, um dia, dois dias, três, quatro…
Clang…!
Em um piscar de olhos, passaram-se seis dias.
Clang…!
Uma semana e seis dias. O trabalho de escavação, que se estendera por treze dias no total, finalmente chegara ao fim.
E então…
— Então realmente havia alguma coisa, afinal.
Havia realmente algo escondido exatamente nas coordenadas que Arta tinha indicado. Ainda não sabíamos ao certo o que era, mas estava lá.
Clang…!
Era uma parede que nem mesmo uma picareta conseguia arranhar. Segundo o GM, parecia haver algum tipo de interferência mágica ali, e embora não fosse um esquema tão complexo, depois de ficar preso naquilo por cerca de três horas, ele teve algum progresso.
— Consegui desfazer o feitiço, já que minha especialidade é magia antiga… mas tenha cuidado. Eu o desativei, mas não sei exatamente de que tipo de magia se tratava.
— Como assim? Você dissolveu e não sabe?
— Não parecia ser um encantamento simples de absorção de impacto… tente acertar. Se não houver outro feitiço oculto que nem eu consiga detectar, deve se quebrar.
— É?
Não tinha sentido ficar parado só porque não sabíamos o que havia ali. Assim que o GM deu o sinal, empunhei não a picareta, mas minha arma principal, o martelo, e o desci com força. E então…
Baaang…!
A parede, que antes não sofrera nem um arranhão, rachou com um estrondo e se despedaçou, revelando o espaço vazio além dela. Um cômodo cúbico, sem entrada nem saída, exceto pela superfície que eu acabara de destruir.
Shwaaah…
Segui as esferas de luz que o GM conjurou e entrei para investigar o interior, mas não havia nada escondido. Apenas paredes de pedra, absolutamente vazias. Exceto por uma única caixa posicionada no centro.
— Colocada exposta assim, é um pouco suspeito…
Uma caixa de madeira desconhecida, que não parecia nem um pouco feita para ser escondida. Porém, ao vê-la, o GM empalideceu.
— …minha Deusa.
— Hm?
— Aquilo é uma caixa feita com madeira da Árvore do Mundo.
— O quê?
A Árvore do Mundo, em couro, equivaleria a pele de dragão; em metal, equivaleria a arc. E usaram esse material para fabricar… uma simples caixa?
— O que, diabos, estaria guardado lá dentro…
— A caixa está intacta? Não tem feitiço de armadilha nem nada do tipo?
— Sim, nada. Pelo que verifiquei, não há nada assim.
Era o bastante. Sem hesitar, abri a caixa com um movimento rápido. E então…
Whooong…!
No instante em que a abri, uma onda desconhecida correu pelo ar, como se algo selado tivesse sido liberado no mundo. Mas, em vez de pensar demais nisso, o primeiro passo era ver o conteúdo.
— Isto é…
Dentro, havia uma joia em forma de diamante. Para que servia aquele objeto? Enquanto eu o examinava com desconfiança, o GM reagiu primeiro, novamente.
— S-Santa Deusa…
— Opa, não me diga que você também sabe o que é?
— N-Não… quer dizer… é que…
Ele começou a gaguejar, claramente nervoso. Era óbvio que sabia de algo. Parecia mais que não fazia ideia de como explicar do que estar ignorando. Era o tipo de comportamento que alguém tem quando tenta esconder alguma coisa. Se não houvesse nada a temer, já teria explicado de forma simples e direta.
— Eu… eu poderia examiná-la um pouco mais de perto?
Nem pensar. Em circunstâncias normais talvez, mas não quando aquele desgraçado olhava para a joia praticamente babando. Instintivamente senti perigo e, para mantê-la segura, tentei guardá-la em meu espaço dimensional…
Jiiiing…!
Hm? O quê? Por que não está entrando?
— Hiiik…!
E por que diabos ele está se encolhendo ao ver isso? Tudo era um grande ponto de interrogação, mas não havia tempo para refletir com calma.
Piiiiii! Piiiiiiii!
De repente, um alarme urgente encheu todo o recinto. Não vinha da sala em si…
Piiiiiiii!
Ouvindo com atenção, a fonte do som era nada menos que dentro das roupas do GM. Ele apressadamente puxou algo que parecia um pager de dentro do bolso interno do peito.
— O… por que isso está…?
— O que é agora?
— É um dispositivo de comunicação dado apenas aos Mestres de Escola de Magia. Por segurança, não usa linguagem falada, apenas sinais criptografados.
Tipo código Morse?
— E qual é o significado desse sinal?
— Bem…
— Depressa.
Diante da minha pressão, ele finalmente deu a resposta.
— É um alerta de emergência da Torre Mágica… mandando parar tudo e se reunir imediatamente.
— Ah…
— Pelo timing, parece bem provável que seja por nossa causa… acho melhor sairmos daqui logo. O que acha?
Boa ideia. Coincidentemente, eu também achava.
Um tesouro escondido sob a Torre Mágica. Um alarme soando no instante em que o pegamos.
Não tinha como isso ser coincidência.
— Vamos.
Vamos apenas correr por enquanto e descobrir isso depois.
Corríamos pelo túnel que havíamos escavado com tanto esforço por mais de dez dias. Corríamos como nunca antes. Ah, e não era apenas por causa do alarme disparado pelo GM.
Booom, Tum, tum, tum…!
Bem no instante em que eu ia jogar o GM sobre os ombros e sair correndo, o chão começou a desmoronar. Era razoável suspeitar que fosse por causa de eu ter pegado a joia… mas mesmo que não fosse, não seria estranho que aquilo cedesse. Por mais que tivéssemos sustentado o teto com colunas, quão resistente poderia ser um túnel escavado no improviso por apenas duas pessoas?
Tap, tap, tap…!
Para não sermos soterrados, corremos com todas as forças. E, depois de uma fuga apertada, uma verdadeira corrida contra o colapso, saímos do túnel por um triz e conseguimos alcançar o esgoto.
“Bom, mesmo que ficássemos presos, eu não morreria.”
Talvez demorasse mais para escapar ou, pior, seria necessário aguardar alguém vir resgatar, enterrados sob os escombros. O (novo) Bárbaro de Escudo não morre. Claro, isso não se aplica a ele.
— Uffa…!
O GM suava em bicas, como alguém que acabara de escapar da morte. Mas não havia tempo para descanso. Se fôssemos mesmo a causa do estado de emergência, precisávamos sair da cidade o mais rápido possível e arrumar um álibi.
Tap, tap, tap…!
Portanto, voltamos a correr com tudo. O teto baixo do esgoto não permitia ativar Gigantificação. Tive de correr como um personagem de agilidade, leve e rápido. E logo chegamos à saída. Ali nos separamos.
— Vá para a Terra Sagrada primeiro! Assim que a situação for esclarecida, irei encontrá-lo!
O GM seguiu para a Torre Mágica para entender o que estava acontecendo, e eu me dirigi discretamente à Terra Sagrada para dormir. E então…
— Você finalmente chegou.
Assim que amanheceu no dia seguinte, o GM apareceu no Santuário, e eu finalmente pude satisfazer a curiosidade que não me deixara dormir.
— Então o que é essa joia, afinal?
Parecia que ele já tinha organizado seus pensamentos durante a noite; desta vez explicou sem hesitação alguma. Ah, claro, ainda assim, como um verdadeiro mago, despejou um monte de termos difíceis e inúteis.
Porém…
— Tá bom. Resume em uma frase.
Resumindo o essencial: essa joia tinha um propósito muito específico. Em outras palavras, de forma simples…
— Aquela joia permite criar e administrar o mundo espiritual conhecido como a reunião dos espíritos malignos.
Era como se eu pudesse virar o deus dos Caça-Fantasmas.