Sobrevivendo no Jogo como um Bárbaro

Capítulo 641

Sobrevivendo no Jogo como um Bárbaro


Tradutor: MrRody 』 『 Revisor: Note 』


Quem diria que Albrenive Karlstein, de todas as pessoas, diria algo assim. Que ironia, vindo do chefe da família da Tribo do Gato Vermelho. Ele nem sequer tinha uma boa relação pai-filha com Missha e também passou um bom tempo me desprezando.

“Mas se este é o momento que ele escolheu para intervir… Bem, ele deve ter encontrado algum valor político em usar essa situação.”

Embora eu soubesse que havia uma boa chance de esse ser o caso, eu não conseguia encará-lo nos olhos. Na verdade, não era só ele. Era difícil manter a cabeça erguida na frente do Sr. Dragão e do representante dos elfos também.

— Vá em frente.

— Está falando a verdade?

— Está sugerindo que estou mentindo?

Parecia que eu havia sido pego no fogo cruzado de três anciões briguentos. O Sr. Dragão, pelo menos, era suportável, já que eu não tinha nenhuma ligação pessoal com as filhas dele, mas o mesmo não podia ser dito para o chefe da família Karlstein e o representante dos elfos.

Reprimi um suspiro. Por que eu sempre me sentia tão desconfortável lidando com esses dois? Eu sinceramente preferiria deitar em uma cama de espinhos. Tanto física quanto mentalmente.

“…Será que eu deveria ter vindo para a reunião?”

Assim que comecei a me arrepender de ter comparecido ao Encontro das Raças, uma salvação brilhou sobre mim de uma fonte totalmente inesperada.

— Que tal todos vocês se acalmarem um pouco? — disse o chefe dos anões, demonstrando sua insatisfação enquanto tentava acalmar os ânimos. — Eu entendo o coração de um pai por sua filha, mas vocês estão fazendo parecer que essa reunião é para arranjar casamentos.

Todos se calaram.

— E todos aqui sabem o quão desastroso isso é politicamente. Excluindo os humanos, nossas cinco raças têm evitado relacionamentos profundos entre si, e isso tem nos permitido manter equilíbrio e estabilidade. No entanto, se alguém começar a cruzar essa linha, essa linha perderá todo o seu significado.

O comentário do velho líder anão era justificado e logicamente sólido. No entanto, o Sr. Dragão parecia não concordar e se apressou em rebater.

— Hmm, mas acredito que essa linha de que o Dumoka fala perdeu seu significado há muito tempo. Nosso amigo aqui já é o líder de uma raça e reconhecido pela coroa como nobre. Algo assim já aconteceu antes?

— Isso… é um problema que foi resolvido quando o palácio nos disse para não fazermos alarde sobre isso.

Pelo que pude perceber, o líder dos anões havia ido reclamar ao palácio assim que me tornei chefe com um título nobre.

“Bem, como ele é um anão, seu coração deve ser tão pequeno quanto ele é alto, então eu entendo… Claro que eu gostaria de confiscar a cadeira inútil dele ainda mais depois dessa ofensa…”

— É por isso que não há mais sentido em manter essa linha — argumentou o Sr. Dragão, interrompendo meus pensamentos. — Com a intervenção do palácio, o equilíbrio já foi quebrado.

Contive-me e continuei a ouvir a conversa por enquanto. Eu podia perceber que este era um tópico bastante importante.

— O palácio não tem intenção de ver nossas cinco raças trabalhando juntas em harmonia… Muitos pensam assim. E você, Lorde Visconde, o que acha?

Os comentários do Sr. Dragão pareciam direcionados ao líder dos anões antes de ele mudar repentinamente de alvo para o representante humano, Visconde Maxiland.

— Haha, como eu poderia conhecer os pensamentos do palácio?

O Visconde Maxiland soltou uma risada seca e evitou a pergunta como uma enguia. Era honestamente impressionante como ele conseguia responder de maneira tão descarada quando era o representante dos humanos apenas de nome.

— Está dizendo que estou errado?

— Por favor, considerem-me como se eu não estivesse aqui para esta reunião. Isso pode ser melhor para todos os envolvidos. Será tão difícil assim?

Vendo o quão fortemente ele respondia em pontos como esse, percebi que esse Visconde Maxiland também não era um qualquer.

“Quer dizer, foi provavelmente por isso que ele foi enviado aqui.”

Diante disso, o Sr. Dragão não disse muito e permaneceu quieto. O visconde deu um sorriso apologético após tê-lo dispensado de maneira tão categórica. — Haha, sinto-me envergonhado. É minha primeira vez atuando nesta posição. Vim com a esperança de aprender, então qualquer atenção excessiva pesa demais sobre mim.

— Espera aprender… Isso já basta. Você nos mostrou o que o palácio pensa de nós.

O visconde permaneceu em silêncio, sinalizando que seríamos deixados para tirar nossas próprias conclusões, e a conversa finalmente terminou.

Voltamos então ao tema principal.

O líder dos anões lançou um olhar ao visconde, rindo baixinho de onde estava sentado no canto.

Ahem. Minha opinião ainda não mudou. Não é certo que o chefe se case com uma mulher de outra raça. O equilíbrio deve ser mantido. Essa é a única forma de nós, não-humanos, mostrarmos nossa lealdade ao palácio.

Ele parecia querer apelar ao palácio mesmo nessa situação. Como se quisesse deixar claro que os anões não eram uma ameaça para o palácio.

“Por que esse velhote é tão medroso? Será porque ele nunca foi um aventureiro?”

O comportamento do representante dos anões era diferente dos outros anões que eu conhecia, mas ainda assim, eu entendia de onde ele vinha. Eu conhecia as pressões que vinham com uma posição de responsabilidade.

Claro, isso não significava que eu iria apenas rir disso.

— Então, de acordo com você, eu preciso me casar com outra bárbara?

— Esse seria o melhor desfecho, mas não estou pressionando para isso. Mesmo que você se case com uma terian ou uma elfa, não importa no sentido político, contanto que sejam mulheres comuns.

Em resumo, não poderia ser Erwen ou Missha.

— Um problema político… — Eu estava ouvindo a princípio porque achava divertido, mas não podia mais ficar quieto. — Dumoka, de repente me veio uma pergunta. Posso fazer?

— Vá em frente.

Olhei para o líder dos anões agindo como meu sempre tão magnânimo sênior e perguntei diretamente — Quem é você para me dizer o que fazer ou não fazer? Você se acha melhor do que eu?

Levantei a cabeça e olhei ao redor. Naturalmente, o ângulo fez com que o anão ficasse abaixo da minha visão.

— Peço desculpas se ofendi. Eu só estava tentando lhe dar um conselho…

— Ah, então também vou te dar um conselho. — Encarei o anão, que parecia sem entender o que estava acontecendo. — Eu sou o chefe dos bárbaros e um nobre do Reino de Rafdonia. Além disso, sou o mestre do meu Clã Anabada…

Para ser honesto, ele provavelmente sabia de tudo isso.

— Mas, mais importante, eu sou um guerreiro.

Mas eu tinha a sensação de que ele não entendia o quadro completo.

Olhei para baixo, para o líder dos anões, que parecia sobrecarregado pela presença que eu exercia, e continuei — Então você. Nunca mais me dê ordens.

Ah, certo. Não seria realmente um conselho se eu terminasse por aí.

Com esse pensamento em mente, acrescentei mais uma coisa para encerrar a conversa. — A menos que você queira lutar comigo.

Sim, esse foi um bom conselho.

O anão, que nunca havia sequer entrado no labirinto uma vez, não tinha nada a dizer. Nem o chefe da família Karlstein, que me já me fez congelar com uma explosão de sua intenção assassina; nem o Sr. Dragão, que era o líder dos draconatos, a raça mais forte; nem o elfo, da raça que se dizia receber o amor de todos os espíritos.

Eu tinha a sensação.

— Entendeu?

Eu não perderia para nenhum deles.


Honestamente, pensando bem…

Não, eu nem precisava pensar sobre isso.

Continuei encarando o líder dos anões, que parecia chocado com o que eu disse.

— E não é risível falar em manter o equilíbrio neste ponto?

Os bárbaros foram a raça mais fraca até agora. Suas expectativas de vida eram abissalmente baixas e, por causa disso, sempre faltava mão de obra e nunca tinham os fundos para fazer nada. O fato de não possuírem um instinto para política e indústria só piorava seu status.

— Eu sou o primeiro bárbaro na longa história de Rafdonia a me tornar nobre.

Certamente não era como se tivéssemos sido barrados de tais coisas só porque éramos bárbaros.

Era algo que eu sempre pensei, algo que eu reclamava em tom de brincadeira, mas essas reclamações não eram palavras vazias. Eu me lembrava da época em que eu não tinha nada, quando eu, Bjorn, filho de Yandel, vivia a vida de um fraco.

— Eu suportei incontáveis insultos, o preconceito e a discriminação que a cidade tem contra os bárbaros. E dentro da cidade, nossos guerreiros achavam impossível encontrar trabalho regular, e fomos forçados a lutar contra os saqueadores do labirinto que visavam nossas vidas. Na época, nem conseguíamos sapatos adequados para nossos jovens guerreiros. Tudo o que podíamos fazer era dar-lhes uma arma e pão de pedra o suficiente para durar sete dias.

E o mais importante aqui…

— E o que você fez então? Achou que precisava manter o equilíbrio mesmo naquela época?

— Isso é…

— Duvido. — Cortei as palavras do líder dos anões antes que ele pudesse dizer qualquer coisa. Eu não precisava ouvir ele falar. — Se achasse, não teria ignorado o pedido do antigo chefe nas Cúpulas das Raças anteriores.

Eu tinha uma ideia errada sobre ele no passado, mas o antigo chefe não fez nada como deixar as tribos bárbaras irem e apenas ficar de braços cruzados enquanto elas caiam em ruína. Embora lhe faltasse habilidade, ele ainda fez o seu melhor. O fato de ele ter pedido ajuda às pessoas aqui, ter vindo para fazer com que a torre mágica parasse de experimentar com os corações dos guerreiros era prova disso.

Somente então a expressão do líder dos anões deu lugar ao entendimento. — …Então foi por isso? O resultado daquele dia é o motivo pelo qual você tem tanta hostilidade contra nós. — Sua voz soou como a de um adulto confortando uma criança. — No entanto, não houve escolha na época. Precisávamos evitar qualquer conflito entre a torre mágica e os bárbaros. Pelo bem do seu povo…

O que esse cara estava falando? Não era isso que eu estava tentando dizer.

— Acho que você está entendendo algo errado. Claro que eu sei disso, tão bem quanto você.

Porque eu não era um bárbaro de mente simples. Após me tornar chefe, olhei os registros e estudei minuciosamente nossa história. Consegui entender as razões subjacentes por trás dos acontecimentos.

— Também sei que, durante a Guerra das Relíquias Sagradas, você apoiou os elfos nos bastidores. E que, logo antes da Cúpula das Raças daquela época, você se encontrou secretamente com os magos da torre mágica. E que o boato que impedia os bárbaros de conseguirem empregos regulares na cidade foi espalhado pelos outros não-humanos há muito tempo.

Eu já sabia de tudo.

— Mesmo assim, não guardo nenhuma hostilidade contra vocês.

Eu não estava apenas dizendo isso. Eu estava falando sério. Não os odiava nem me sentia irritado pelo fato de terem nos traído quando precisávamos de ajuda.

— Eu só odeio isso. Odeio como você está sendo hipócrita falando sobre manter o equilíbrio depois de todo esse tempo.

Sim, então…

— Espero que você não diga isso na minha frente de novo. Essa besteira sobre cooperação e equilíbrio.

Depois de declarar meu pedido, a sala ficou completamente silenciosa.

O silêncio não me incomodava nem um pouco. Talvez fosse porque eu finalmente consegui desabafar todos os meus pensamentos na frente dos representantes de cada uma das raças. Se algo, o silêncio era revigorante.

— Hmm…

Infelizmente, não durou muito.

— Bjorn, filho de Yandel, entendo sua intenção — disse o representante dos elfos, assentindo.

O Sr. Dragão também parecia concordar. — Também não tenho intenção de pressioná-lo a se casar com alguém que escolhemos, e apoiarei você, não importa a escolha que faça.

— Então… — o chefe da família Karlstein começou, como se para encerrar tudo. — Com quem você vai se casar?

Ah, vou vomitar.

Comentários