
Capítulo 596
Depois de Dez Milênios no Inferno
História Paralela, Capítulo 76 – Não Há Luz Aqui (1)
— Tô indo pro trabalho. Chegarei depois da meia-noite de novo, então não me espere e vá dormir — disse Cha Yeon-Joo ao bater a porta da frente e sair.
Han Seol-Ah encarou a porta da frente preocupada e disse: — Ela vai trabalhar sem tomar café de novo... ela está tão ocupada assim na guilda ultimamente?
Yeon-Joo estava chegando em casa muito depois da meia-noite e indo trabalhar cedo nos últimos cinco dias. Ela não estava dormindo no quarto grande com Kang-Woo, mas tirando cochilos curtos em seu quarto particular. Vendo o quão tensa ela estava, ela também parecia consideravelmente estressada.
Oh Kang-Woo sorriu sem jeito e coçou a cabeça. — Mm. Quem sabe?
— Eu acho que é por causa do assunto complicado que ela está lidando na guilda.
Seol-Ah pensou que a mudança repentina de comportamento de Yeon-Joo era devido a problemas em sua guilda, mas Kang-Woo sabia exatamente qual era o problema.
'Será que eu peguei pesado demais?'
Kang-Woo se viu provocando Yeon-Joo inadvertidamente muito mais do que costumava fazer. Se sentindo magoada com isso, Yeon-Joo nem sequer estava olhando Kang-Woo nos olhos.
'Eu deveria reservar um tempo a sós com Yeon-Joo.'
Pensando bem, ele admitiu que tinha ido longe demais. Ele precisava se desculpar com ela por provocá-la tanto. Ele tinha a sensação de que não seria muito difícil; embora ela estivesse chateada, ela sempre voltava para casa todas as noites e Kang-Woo notou que ela hesitava em lançar olhares furtivos para ele ocasionalmente.
— Hehehe. Tão fofa.
Toda vez que ele notava Yeon-Joo se contorcendo de vergonha, ele queria correr até ela e dar um grande abraço.
'Mas eu preciso aguentar.'
Pedir desculpas vem primeiro.
— P-Perdão? P-Por que você está me chamando de fofa de repente?
— Huh?
Seol-Ah corou e jogou o cabelo para trás da orelha, entendendo mal que Kang-Woo estava falando sobre ela. Kang-Woo permaneceu confuso momentaneamente, mas puxou-a pela cintura e a beijou.
— Porque eu te amo demais, querida.
— Credo! Você não deveria dizer algo assim do nada!! — gritou Seol-Ah enquanto fechava os olhos de vergonha. Ela tremia como se estivesse desesperadamente segurando algo. Ela então sorriu e acariciou o cabelo de Kang-Woo. — Fufu. Eu também te amo, Kang-Woo.
'Ahhh. Estou sendo curado.'
Quase nada superava ser gentilmente abraçado por Seol-Ah.
— Eu... sinto muito, Kang-Woo — disse Seol-Ah tristemente enquanto acariciava o cabelo de Kang-Woo.
Kang-Woo olhou para cima confuso.
— Huh? Sinto muito pelo quê?
Até onde ele sabia, não havia nada pelo qual Seol-Ah precisasse se desculpar com ele. Não, mesmo que ela fizesse algo errado, ele poderia rir disso como se não fosse nada.
— Por mostrar um lado horrível de mim mesma depois de não conseguir suprimir meus impulsos.
— Oh.
Como Seol-Ah mencionou, ela parecia extremamente perigosa enquanto massacrava as Súcubos.
Seol-Ah continuou abatida: — Eu quero me controlar também, mas... minha mente fica em branco assim que o impulso assume o controle.
— Hehe. Você tem se preocupado com isso o tempo todo?
— Até eu pude perceber que parecia insana. E-Eu estou preocupada que você passe a me odiar...
— Isso nunca vai acontecer — disse Kang-Woo firmemente enquanto a abraçava com força. Ele nunca poderia odiar Seol-Ah. — Eu não me importo se você enlouquecer, deixar seus impulsos assumirem o controle ou mostrar um lado detestável de si mesma. Você só precisa ficar ao meu lado.
Ele não precisava de mais nada. Mesmo que ela o acorrentasse depois de não conseguir controlar seus impulsos, massacrasse brutalmente qualquer mulher por ciúme por tentar se aproximar dele, ou caísse na loucura devido à sua obsessão, ele não se importava. Outros podiam ver o amor obsessivo de Seol-Ah como distorcido e insano, mas ele não via.
— Minha vida com você é o que eu tenho desejado por dez milênios.
Portanto, sua própria existência era perfeita e pura.
— Kang-Woo... — Seol-Ah olhou para Kang-Woo com olhos trêmulos. Seu sorriso se alargou como ondas se formando depois de jogar uma pedra em um lago. — Eu também... Estou tão feliz por ter te conhecido, Kang-Woo.
— Hehehe. Então não pense em coisas inúteis como essa de novo. Entendeu?
— Ok.
Seol-Ah sorriu enquanto ela e Kang-Woo se beijavam.
— Oh, mas você terá que mudar uma coisa — Kang-Woo mencionou.
— Perdão? M-Mudar o quê?
— Arranjar tempo para si mesma.
Não era exagero dizer que a vida de Seol-Ah girava excessivamente em torno de Kang-Woo. Ele estava feliz que sua amada se sentisse tão fortemente sobre ele, mas isso não o impedia de ficar preocupado.
— Por exemplo, vá fazer compras com Yeon-Joo e Lilith... ou algum lugar para brincar com Echidna... ou encontre um hobby que você possa gostar sozinha.
Kang-Woo não era de ter muitos hobbies, mas ele não era tão ruim quanto Seol-Ah; ela havia se separado de todas as formas de entretenimento como uma monja e estava gastando seu tempo apenas para Kang-Woo.
'Alegrias na vida não são necessariamente sentidas apenas com seu amado.'
Kang-Woo queria deixar Seol-Ah desfrutar de outras alegrias na vida além dele mesmo.
— Mas tudo que eu preciso na minha vida é v—
— Não me venha com essa. Você sabe que eu não estou dizendo que eu não gosto de estar com você.
— Mmm. — Seol-Ah caiu em pensamento e então bateu as palmas como se tivesse pensado em uma boa ideia. — Nesse caso, eu poderia fazer algumas aulas?
— Aulas? De quê?
— Fufu. Aulas de culinária. Eu quero aprender uma variedade maior de pratos.
— Mm. Tudo que você faz para mim é delicioso, no entanto.
— Hohoho. Muito obrigada, mas eu quero adquirir algum conhecimento profissional. Afinal, me traz tanta alegria sempre que você acha minha comida deliciosa.
— Sério?
Kang-Woo não tinha motivos para recusar.
— Hehe. Ok então, eu deveria tirar um tempo hoje para procurar uma boa escola de culinária~
Seol-Ah entrou em seu quarto com um sorriso.
Enquanto Kang-Woo encarava as costas de Seol-Ah em silêncio, Lilith riu com uma mão sobre a boca depois de retornar do Salão de Proteção.
— Fufufu. Você está sorrindo tão grande que seus lábios estão prestes a rasgar, meu rei.
— Oh, bem-vinda de volta.
— Meu, meu, eu sempre me pergunto se nossa pequena e fofa Seol-Ah realmente é um anjo caído sempre que eu olho para ela~
— Ela é a mesma para mim, independentemente de ser ou não um anjo caído.
— Oh? Eu acho que estou ficando um pouco ciumenta.
— Eu te amo tanto quanto, Lilith.
— Fufu, então—
— Oh, mas eu odeio seus tentáculos.
— Hmph — Lilith resmungou fofamente com o dedo indicador em seus lábios. — Oh, pensando bem, eu tenho algo para te reportar, meu rei.
— O que é?
— Eu ouvi de Layla hoje que uma igreja suspeita tem expandido rapidamente sua influência ultimamente.
— Uma igreja suspeita?
— Sim. É chamada de Igreja da Radiância.
— ...
Só pelo nome, era semelhante à sua Igreja do Esplendor.
'Embora a Igreja do Esplendor praticamente tenha desaparecido na Terra.'
A Igreja do Esplendor, que havia se espalhado para a Terra a partir de Aernor, quase desapareceu na Terra. Isso foi devido a várias razões, como uma diferença na cultura ou quão não sistemática ela era, mas a principal razão foi porque a igreja não foi gerenciada durante os três anos de ausência de Kang-Woo preso no Abismo do Mar Demoníaco. Uma igreja não poderia durar muito sem doações, uma escritura para aprender ou mesmo um lugar para realizar um culto.
'Eu ouvi dizer que ainda está em alta em Aernor.'
Seja como for, Kang-Woo não se importava mais. Agora que ele havia adquirido Essência Deífica de nível Transcendental, a quantidade de Divindade que ele ganhava da fé era apenas uma gota no oceano.
'Eu acho que é melhor do que nada.'
No entanto, ele não se incomodaria mesmo se não a tivesse; uma gota no oceano ainda era algo, mas não mudava o fato de que não era nada além de uma gota. O tempo seria melhor gasto lutando contra seres de outro mundo em Portais do que se incomodando com a Igreja do Esplendor.
— Que tipo de igreja é essa? — Kang-Woo perguntou.
— Eu não tenho certeza. Eles ainda não se revelaram completamente, mas eles têm dito coisas suspeitas como como eles precisavam evacuar para o paraíso, já que a Terra em breve encontraria seu fim.
— Então é uma seita. — Kang-Woo nunca tinha visto uma religião normal que profetizasse o fim do mundo. — Se você está reportando isso para mim, então a religião deve ter se espalhado bastante, certo?
— Sim, e o assunto que Si-Hun tem investigado está relacionado à Igreja da Radiância.
— Oh.
'Não é à toa que eu não consegui entrar em contato com ele. Ele estava investigando este assunto.'
Se Kim Si-Hun foi encarregado de investigar, isso significava que a situação era bastante terrível.
— Ele ainda está investigando? — Kang-Woo perguntou.
— Não, ele completou sua investigação e retornou.
— Sério?
Kang-Woo assentiu e se virou.
'Eu deveria ouvir diretamente dele.'
Não havia nada melhor do que ouvir sobre a situação do investigador.
'E eu vou poder vê-lo depois de um tempo.'
Kang-Woo queria ver seu irmãozinho, já que fazia um tempo.
— Certo então, eu vou sair para encontrar Si-Hun.
— Devo ir com você? — Lilith perguntou.
— Está tudo bem. Eu só vou vê-lo e pegar um resumo rápido.
Kang-Woo foi para o Salão de Proteção através de um Portal e entrou em um corredor branco familiar.
— Faz um tempo, Kang-Woo — Layla cumprimentou.
— Claro que faz~ Como você tem estado, cunhada? — Kang-Woo respondeu casualmente enquanto acenava.
Eles costumavam falar formalmente, mas têm conversado mais casualmente um com o outro ultimamente, já que se tornaram bastante próximos.
— Tem sido corrido, mas... Eu tenho estado bem. O que te traz aqui?
— Eu estou aqui para ver Si-Hun.
— Oh, ele está em seu quarto.
— Hehe. Como vocês dois têm se dado ultimamente?
— Nós estamos nos dando muito bem. Mas...
— Mas o quê?
— Eu acho que ele tem me evitado desde recentemente.
— Eh? — Kang-Woo não podia acreditar que Si-Hun faria tal coisa. — Você forçou as orelhas de cachorro nele ou algo assim?
— Não, nada assim... Quer dizer, eu as comprei, mas eu ainda não as mencionei.
— Então você as comprou mesmo.
'Pobre Si-Hun.'
— Hehe. Não se preocupe, cunhada. Eu vou chegar ao fundo disso.
— Por favor, não mencione nada sobre eu ter te contado sobre isso.
— Pode deixar.
Kang-Woo assentiu e bateu na porta de Si-Hun.
— Hyung-nim...?
Si-Hun saiu de seu quarto imediatamente depois que Kang-Woo bateu em sua porta, provavelmente por sentir a presença de Kang-Woo. Kang-Woo não via Si-Hun há um tempo, mas ele estava tão deslumbrantemente bonito como sempre. No entanto, a expressão de Kang-Woo endureceu enquanto ele o encarava.
— F-Faz um tempo, hyung-nim — Si-Hun gaguejou, consideravelmente nervoso por Kang-Woo. — Eu sinto muito por não ter ligado. A investigação demorou mais do que eu esperava. Oh, por que você não entra primeiro? Você gostaria de beber algo—
— Ei — Kang-Woo interrompeu.
— Hyung-nim...?
Si-Hun olhou para ele confuso. Kang-Woo colocou a mão no ombro de Si-Hun e rasgou violentamente sua camisa.
— O-O que você está fazendo, hyung-nim?!
Si-Hun deu um passo para trás em choque. Kang-Woo o alcançou em um instante e rasgou o resto da camisa meio rasgada, expondo o corpo extraordinariamente tonificado de Si-Hun.
— Essa é a minha maldita fala — Kang-Woo respondeu enquanto olhava para o tronco nu de Si-Hun com uma careta. — Quem porra fez isso com você?
Havia uma ferida enorme se estendendo de seu peito esquerdo até sua pélvis.