Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 511

Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 511 - Avançar, Avançar (2)

Boom—!!

Um golpe imbuído de poder suficiente para dividir o mundo em dois perfurou a Essência Deífica de Bael e o cortou do ombro ao estômago. Um punho gigante esmagou as rachaduras da barreira da Essência Deífica.

Clang!

O som de aço sendo forjado ecoou, apesar de ter socado alguém. Bael foi empurrado para trás levemente.

'Que diabos?'

Bael olhou friamente para Kim Si-Hun e Balrog. Sua expressão estava tão rígida que era difícil acreditar que ele estava rindo como um louco antes.

Krrrk.

Um muco preto borbulhou e a enorme ferida em seu peito desapareceu em um instante.

'Não entrem no meu caminho.' Bael rangeu os dentes e gritou: 'NÃO SE ATREVAM A ENTRAR NO MEU CAMINHO!!!'

Rumble—!!

O chão em que Bael estava desabou. Os arredores tremeram como se um terremoto estivesse acontecendo.

'Kuh,' Si-Hun fez uma careta. Ele mal conseguia respirar devido à pressão esmagadora de energia demoníaca. 'Balrog.'

Ele apertou sua espada e se virou para Balrog, que jogou fora seu pingente e retornou à sua forma demoníaca.

'O quê?' perguntou Balrog enquanto se colocava entre Bael e o desmaiado Oh Kang-Woo.

'Corra.'

'O quê?'

Si-Hun baixou sua postura e respondeu: 'Leve hyung-nim e saia daqui.'

Balrog cerrou seus punhos com força e deu um passo à frente. 'Bobagem. Eu serei aquele que—'

'Você não pode parar Bael.'

As palavras frias de Si-Hun perfuraram o coração de Balrog. A expressão de Balrog endureceu. Bael possuía Essência Deífica; não havia como Balrog, alguém sem Essência Deífica, pará-lo.

'Por favor, pegue hyung e fuja, Balrog,' Si-Hun implorou enquanto se virava para Balrog.

Balrog mordeu o lábio, uma sensação de impotência pesando sobre ele novamente. Ele cuidadosamente levantou Kang-Woo e disse: 'Eu deixarei com você, humano.'

'Que merda... você acha que está fazendo?' Kang-Woo disse com uma careta. Ele ordenou ansiosamente: 'Me solte agora mesmo. Cof! Eu disse a vocês dois... para lidar com o exército de Bael.'

'Eu sinto muito, meu rei.' Balrog olhou para Kang-Woo em seus braços e disse: 'Eu terei que desobedecer sua ordem desta vez.'

Wham!!

Balrog saltou no ar e brotou suas asas, desaparecendo no coração da cidade em um instante.

'ONDE VOCÊ PENSA QUE ESTÁ INDO?!!' gritou Bael enquanto corria atrás deles.

Si-Hun o impediu em seu caminho. Ele apertou sua espada com força e declarou: 'Eu não vou deixar você passar.'

'EU DISSE PARA VOCÊ NÃO ENTRAR NO MEU CAMINHO!!'

Crash!

Bael agressivamente balançou seu punho, atirando um muco preto do tamanho de uma bala de canhão em Si-Hun.

'Kuh!'

Si-Hun rapidamente desviou do ataque e disparou uma onda de energia de espada em Bael.

Splash.

'O quê...?'

Parecia que ele estava atacando um líquido. O muco preto enrolado em Bael absorveu a energia.

'E-Eu... Eu... Eu não tenho tempo a perder com você,' murmurou Bael irritado enquanto olhava para Si-Hun parado em seu caminho.

Naquele momento, o som de um cajado atingindo o chão ecoou.

'Por favor, vá, Lorde Bael. Eu serei seu oponente.'

Amon, que parecia ferido com base em sua veste esfarrapada, ficou entre Si-Hun e Bael.

'Você é...' A expressão de Si-Hun congelou.

Ele não esperava que uma terceira pessoa se juntasse à briga.

'Merda...'

Não havia nada mais desesperador do que Amon se juntar à batalha quando Si-Hun precisava ganhar o máximo de tempo possível para Balrog fugir.

'Eu tenho que atrasar Bael, não importa o que aconteça.'

Si-Hun atacou Bael com sua espada em mãos.

'Não, você não vai!' gritou Amon enquanto apontava seu cajado para Si-Hun.

Um fio de energia demoníaca foi atirado em Si-Hun.

'Kurgh!' Si-Hun rapidamente balançou sua espada para cortar o fio.

'Lorde Bael. Por favor, apresse-se e persiga o Rei Demônio!' disse Amon, sua voz cheia de desejo intenso. 'Tome posse do Primordial... o verdadeiro Mar Demoníaco.'

Embora o Deus Demônio tenha se transferido para Bael, ele ainda precisava absorver o Mar Demoníaco do Rei Demônio para completar o seu próprio.

'H-Hihi,' Bael gargalhou. 'Eu deixarei as coisas aqui para você.'

Si-Hun era o único no grupo de Kang-Woo que podia sequer tentar impedir Bael. Se ele estivesse incapacitado, ninguém mais poderia atrapalhar Bael e o precioso tempo de Kang-Woo juntos.

'Oh... Kang-Woo.'

Os olhos de Bael brilharam intensamente quando ele se virou. A pele de suas costas se abriu e asas feitas de muco preto brotaram dela. Ele ferozmente bateu suas asas e voou na direção onde Balrog voou.

'N-Não!' gritou Si-Hun enquanto esticava sua espada.

No entanto, o demônio corcunda em seu caminho não se moveu.

'Kekeke.'

Amon levantou seu cajado, sua expressão cheia de ganância. Ele gastou uma quantidade considerável de energia demoníaca bloqueando a barragem de raios de luz, mas ele ainda tinha mais do que o suficiente para enfrentar um mero humano.

'A-Aaaahh.' Amon olhou para Bael voando para mais longe. 'O Conhecimento Primordial...'

Logo, ele seria capaz de colocar suas mãos no Conhecimento Primordial que ele desejava por todo esse tempo.

'Humano tolo.' Amon levantou seu cajado e apontou-o para Si-Hun. Ele esmagou o cajado para baixo e continuou: 'O Apocalipse está próximo.'

***

'Huff, huff,' Balrog ofegava pesadamente enquanto voava por Seul a uma velocidade muito além de seu limite.

'Bal...rog...'

Ele podia ouvir Kang-Woo fracamente chamando seu nome.

Ele olhou para Kang-Woo e disse: 'Por favor, espere só mais um pouco, meu rei. Eu o levarei para algum lugar seguro.'

'Me solte, droga... Neste ritmo, Si-Hun...'

Balrog continuou a bater suas asas, desafiando o comando de seu rei. 'Eu sinto muito, meu r—'

'H-HIHIHIHI!!'

A risada enlouquecida de um garoto ecoou antes que Balrog pudesse terminar sua frase.

'O quê...?!'

Os olhos de Balrog se arregalaram. Mesmo que Bael fosse muito mais poderoso que Si-Hun, isso era muito cedo.

Bash!

Bael alcançou Balrog em um instante e esmagou sua perna nele.

'Argh!'

Tear!

Uma das asas de Balrog foi arrancada, enviando seu gigantesco corpo vermelho caindo no chão.

Slam—!

'Kurgh!' Balrog aterrissou no chão enquanto mantinha Kang-Woo seguro, apesar de uma de suas asas estar faltando.

'Cof! Cof!' Kang-Woo vomitou sangue preto.

Balrog cuidadosamente colocou Kang-Woo no chão e olhou para Bael. 'Como você nos alcançou tão rápido?'

'H-Hihi. O Rei Demônio não é o único com subordinados.'

'...'

Balrog franziu a testa. Ele não esperava que nenhum demônio permanecesse que pudesse enfrentar Si-Hun, que possuía Essência Deífica.

'Haaa, haaa. Mova-se, Balrog.' Kang-Woo ficou de pé trêmulo com uma mão no chão. Ele agarrou o ombro de Balrog e o puxou para trás. 'Eu tenho que... enfrentá-lo.'

Seu corpo estava se desfazendo devido ao ataque do Mar Demoníaco... ele estava mal mantendo sua sanidade, que poderia ser devorada a qualquer minuto, mas ele era o único que era páreo para Bael.

'Vá... embora.'

'...'

'SAIA DAQUI, PORRA!!!' Kang-Woo gritou.

Balrog estremeceu.

'Eu disse a você. Você não pode... me proteger. Eu... protejo você.'

Balrog era fraco; teria sido diferente se fosse Si-Hun, mas Balrog não tinha como proteger Kang-Woo.

'Se você ficar aqui...' Kang-Woo empurrou Balrog para longe com uma mão trêmula. Ele continuou, sua voz soando como se fosse se extinguir a qualquer segundo: 'Você vai morrer... seu porco musculoso de merda.'

'Hihi. Você está dizendo algo certo pela primeira vez.' Bael gargalhou enquanto olhava para Kang-Woo. Ele então olhou para Balrog e disse firmemente: 'O Rei Demônio está certo. Não há nada que você possa fazer aqui.'

Balrog era muito mais insignificante do que o humano com uma espada que havia entrado em seu caminho.

'Mova-se.' Bael olhou ferozmente para Balrog. 'Você não é digno de estar aqui.'

Ele e o Rei Demônio eram os escolhidos. Não havia lugar para uma minhoca patética como aquela em seu palco.

Balrog cerrou seus punhos em silêncio. Ele podia sentir a mão de seu rei em seu ombro. Parecia que ele estava implorando para Balrog ir embora e que ele morreria se não o fizesse.

'Meu rei.'

'Pare de... falar merda e apenas... vaze daqui, droga.' Os olhos de Kang-Woo tremeram. 'Por favor... Por favor, vá embora. V-Você não é de... nenhuma ajuda.'

Kang-Woo, que estava tentando puxar Balrog para trás com toda a sua força, caiu no chão.

'Cof! Kurgh!' Kang-Woo agarrou seu peito e vomitou sangue preto.

Balrog olhou para seu rei. Ele não tinha ideia de como seu rei acabou assim. 'Bael.'

No entanto, ele ficou entre seu rei e Bael.

'Seu oponente sou eu,' declarou o demônio sem Essência Deífica, para o demônio com o Deus Demônio dentro dele.

'H-Hihi.' Bael sorriu. 'HIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHI!!!' Ele caiu na gargalhada enquanto rolava no chão. 'Meu oponente é você? Hm? Você está bem da cabeça? Ohhh. Pensando bem, você costumava ser subordinado de Belzebu, certo?'

Bael estremeceu extaticamente como se não pudesse estar mais entretido. 'Hihihihi! Parece que você vai perder seu rei de novo!'

'Fuuu,' Balrog exalou.

Ele olhou para seu rei no chão e depois de volta para Bael.

'Eu certamente não sou páreo para ele.'

Mesmo Si-Hun, que possuía Essência Deífica, só podia esperar ganhar tempo contra Bael. Não havia como Balrog ser páreo para aquele demônio poderoso.

'Se...'

Balrog se perguntou se as coisas teriam sido diferentes se ele tivesse se tornado a encarnação de Kang-Woo.

'... Não.'

Ele balançou a cabeça. Ele ainda não teria sido capaz de parar Bael, já que não teria despertado a Essência Deífica por conta própria como Si-Hun.

'Cof! Balrog, seu fodido... Saia daqui... por favor.'

Balrog podia ouvir a voz fraca de seu rei.

Ele fechou seus olhos. Ele sabia que não era páreo para Bael. Ele sabia que precisava seguir a ordem de seu rei e fugir.

- O rei é quem protege seus subordinados.

Balrog de repente se lembrou de sua conversa com seu rei.

'Hehe,' ele riu.

'Não há demônio menos demoníaco do que você, meu rei. Você provavelmente é o único demônio que diria tal coisa.'

Balrog caiu na gargalhada, seus ombros se movendo para cima e para baixo.

'Que porra... você está rindo... sobre? Apresse-se e—'

'Você disse que o rei é quem protege seus subordinados, não o contrário, não foi?' disse Balrog sem se virar para Kang-Woo. 'Mas você, meu rei. Você já me protegeu inúmeras vezes. É hora de eu... proteger você.'

'Hihihi. Agora, seja um bom subordinado e siga a ordem de seu rei, remanescente.' Bael se aproximou de Balrog. 'Eu não tenho tempo a perder conversando com você.'

Seu poder era tão ilimitado quanto o abismo.

'Hehehe.'

Balrog riu enquanto enfrentava o mar negro e tirava de seu bolso um saco cheio até a borda.

'Você... isso é...'

Balrog ouviu a voz ansiosa de seu rei.

'Huup.'

Balrog esvaziou o conteúdo do saco em sua boca antes que seu rei pudesse terminar sua frase.

Whoooom!!

'Kurgh!!'

A energia demoníaca dentro dele ficou selvagem assim que ele ingeriu o pó de chifre que temporariamente concedia o poder de Deicídio.

'Gurghhh.'

Era cerca de dez vezes mais em comparação com o que os subordinados de Arakyle estavam tomando na época. Imensa energia demoníaca jorrou de Balrog.

'Não é... o suficiente.'

Balrog duvidava que pudesse ser páreo para Bael apenas ganhando o poder de Deicídio.

'Mesmo que seja só um pouco, está bom.'

Ele nem pensou na possibilidade de derrotar Bael.

'Contanto que eu possa ganhar tempo suficiente para o rei se recuperar...'

Contanto que ele pudesse se tornar o escudo de seu rei e ser devorado em seu lugar...

'Isso é tudo que eu preciso.'

'Armadura do Senhor Supremo.'

Balrog convocou sua armadura preta.

Ele olhou para trás para seu rei, que estava estendendo a mão para ele com suas mãos trêmulas, em silêncio.

'A característica da Armadura do Senhor Supremo é...'

Quanto mais ele sangrava, mais poder a armadura concedia a ele ao absorver aquele sangue.

'Nesse caso.'

Havia apenas uma coisa que ele podia fazer. Balrog lentamente estendeu a mão para seu peito.

'O qu—'

Balrog podia ouvir seu rei chamando-o, possivelmente porque ele tinha um mau pressentimento.

'Que porra... você está... tentando fazer, filho da puta?'

Balrog não respondeu.

Perfurar.

Seu dedo cavou na pele de seu peito.

'Kehehe,' Balrog riu.

- Guarde o show de pena para a TV, cuzão. Pare de ser um incômodo e vá se foder.

Balrog voltou ao seu primeiro encontro com seu rei. Ele se lembrou de sua maneira brusca de falar e de seus olhos. Seu rei havia dado um novo significado à sua vida. Ele recebeu um novo desejo e um novo rei para servir.

'Vitória...'

Balrog fechou seus olhos e enfiou sua mão mais fundo em seu peito.

Ba-dump, ba-dump.

Ele enrolou seus dedos em torno de seu coração pulsante.

'... Para meu rei.'

Esmagar.

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