Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 431

Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 431 - Bael, Príncipe da Gula (1)

— Não acho que sejamos chegados o suficiente para dizer que faz tempo — disse Oh Kang-Woo.

Ele estreitou os olhos e encarou o garoto com um olhar vazio. Ele tinha olhos e cabelos negros e era um garoto bastante bonito. Ele não perderia em termos de aparência para Uriel… Não, ele poderia receber ainda mais amor do que Uriel, dependendo das preferências das pessoas.

'Por que ele tem bolas com um rosto como… Não, não é hora para isso.'

Kang-Woo balançou a cabeça e encarou o garoto.

— Hm? Ohhh! Pensando bem, você nunca me encontrou nesta forma! — O garoto riu enquanto batia palmas. Ele enxugou as lágrimas que se formaram de tanto rir e disse: — Sou eu, Bael.

— O quê? — A boca de Kang-Woo se abriu. — Você é Bael?

'Que diabos ele está falando?'

O Bael que Kang-Woo conhecia era um monstro coberto de músculos como Balrog. Não havia reviravolta maior do que essa.

'Bem, acho que a forma física não importa muito para um ser tão poderoso quanto Bael, mas essa mudança não é grande demais?'

— Hihi, eu te surpreendi? — Bael perguntou.

Kang-Woo permaneceu em silêncio.

Ele tinha certeza de que o garoto à sua frente era Bael por sua maneira infantil de falar e sua voz brilhante.

'Na verdade, essa forma combina mais com ele.'

No passado, Kang-Woo teve que suprimir seu desejo de vomitar enquanto tinha que assistir a um porco musculoso agindo como uma criança mimada.

— Hyung-nim, você já falou com a Constelação dos Pesadelos antes? E quem diabos é B…? —

— M-meu rei. Esse é… Bael? — Balrog interrompeu Kim Si-Hun e se aproximou de Kang-Woo em palidez.

Balrog, vestindo sua Armadura de Lorde Supremo, não pôde deixar de tremer ao ouvir o nome Bael. Era natural, já que esse era o poder que o próprio nome detinha.

— Mmm~ Espere, hein? Você é por acaso Balrog? Uau! Que armadura preta é essa? Hihihi! Que legal! — Bael caiu na gargalhada enquanto batia palmas depois de encontrar Balrog, que recuou cautelosamente. — Hehe. Nesse caso, Lilith deve estar por perto também, certo? É tão bom ver todo mundo, não acha?

— Sim, é tão bom que eu poderia pular de um penhasco — Kang-Woo respondeu enquanto franzia a testa agressivamente.

— Ah, lá vai você de novo com as palavras feias. Eu te disse para não fazer isso, pois vai piorar sua personalidade, não disse?

— Ah, nossa, me desculpe. Eu nasci assim, então não é fácil de consertar.

— Hehe, mas já que você era um dos meus subordinados, acho que posso deixar passar — Bael disse com um sorriso.

— Perdão?

— Subordinado…?

— H-hyung-nim. Do que essa criança está falando? —

Han Seol-Ah, Cha Yeon-Joo e Si-Hun encararam Kang-Woo surpresos. Eles não conseguiam nem imaginar Kang-Woo sendo subordinado de alguém.

Bael riu e bateu palmas enquanto observava a reação dos membros do grupo. — Hihihi! Isso mesmo! Kang-Woo era um dos meus preciosos subordinados! Vocês não têm ideia de quanto eu o valorizava!

— E então eu esmaguei sua cabeça — Kang-Woo respondeu.

— Aff. Pensando bem nisso agora, isso machucou muito meus sentimentos. Hm? Você não se lembra do que me disse? — Bael sorriu, os cantos de sua boca rasgando para alcançar seus lóbulos da orelha, e revelou seus dentes grotescos. Ele deu um passo à frente com o pé direito e continuou: — Você não se lembra? Você jurou lealdade a mim enquanto lambia meus pés.

— O quê?

— Do que você está…

A boca dos membros do grupo se abriu. Balrog exalava sede de sangue enquanto fazia uma careta. Ele estava furioso com a forma como Bael estava tentando provocar Kang-Woo ao trazer à tona o passado.

— Seu bastardo… — Balrog cerrou os punhos.

Embora fizesse parte do plano de Kang-Woo enganar Bael, o fato de seu rei ter lambido os pés do inimigo era além de humilhante.

'Meu rei…'

Balrog não conseguia imaginar o quanto mais humilhado Kang-Woo se sentia quando ele estava sentindo tanta humilhação. Ele olhou para Kang-Woo preocupado.

— Hm?

Em vez de raiva, Kang-Woo estava sorrindo amplamente. — Ah, certo. Eu me lembro.

— H-hyung-nim?

Kang-Woo encolheu os ombros e continuou calmamente: — Eu me lembro de ser salgado, cara. Você deveria lavar seus pés.

A boca de Bael estava aberta, perplexa com a resposta inesperada. — Heh… Você não está envergonhado?

— Nem um pouco — Kang-Woo sorriu.

Não importava nem que ele estivesse envergonhado pelo fato de ter rastejado no chão pateticamente ou lambido os pés de seu inimigo.

— Sim, e… — Ele lambeu os lábios e continuou zombeteiramente: — Quem venceu no final?

— Q-que ousadia para alguém que me emboscou injustamente—

— Injustamente? Caramba, eu nunca pensei que ouviria isso de um demônio. Injusto? E daí, seu filho da puta? Eu te disse naquela época, não disse? Que você não deveria ter sido enganado em primeiro lugar se você tem um problema com isso. É sua culpa por confiar em seu inimigo só porque ele lambeu seus pés.

— Ngh!

Bael franziu a testa agressivamente. Ele estava irritado que Kang-Woo tivesse usado a tática de Bael para humilhar Kang-Woo contra ele. Bael bateu os pés em irritação enquanto cerrava os punhos.

— Ts, tsk. Você ainda é tão infantil como sempre — Kang-Woo estalou a língua e sorriu.

— Kang-Woo l-lambeu seus pés? — Seol-Ah murmurou, sua voz tremendo sutilmente em êxtase. — U-um ato tão invej… Quer dizer, humilhante…!

Seol-Ah emitiu sede de sangue como se estivesse prestes a cortar Bael em pedaços com uma serra.

'Querida, isso é um pouco…' Kang-Woo fingiu rir e balançou a cabeça. 'Bem, de qualquer forma…'

Ele estreitou os olhos. Não havia como Bael estar aqui por coincidência.

'Ele deve estar mirando no coração do Deus Demônio.'

Kang-Woo cruzou os braços e começou a pensar. Ele então se lembrou de Ian, que havia exposto a identidade de Kang-Woo depois de se infiltrar na Igreja do Esplendor.

— Hmm — Kang-Woo pensou profundamente enquanto batia no queixo. Ele perguntou como um teste: — Você se juntou a Amon?

— Hein? O quê? Como você sabe? — Bael perguntou.

— Eu não sabia. Eu só adivinhei.

'Ele mordeu a isca instantaneamente. Que pontuação.'

Bael permaneceu em silêncio.

— Então, acho que foi você quem corrompeu a Árvore do Mundo.

— Como você sabia disso?

— Eu te disse. Eu só adivinhei.

'Ele caiu de novo. Ele age como uma criança, seu cérebro também é de uma criança?'

— Hi… hihi — Bael riu e encolheu os ombros. Ele endireitou as costas e disse com uma expressão relaxada: — Bem… não importa muito que você tenha descoberto de qualquer forma.

— Pare de agir com calma depois de ter seu plano exposto porque você agiu como um idiota. Isso só faz você parecer mais patético.

Kang-Woo balançou a cabeça, sentindo pena de Amon por se juntar a alguém como este.

Bael permaneceu em silêncio por um momento. Ele então sorriu e disse: — Sim, você era… sempre assim.

Ele se lembrou de suas memórias da guerra de mil anos. Não havia ninguém que conseguisse irritá-lo tanto quanto o Rei Demônio durante aquela guerra de pesadelo pelo direito de governar os Nove Infernos.

'Isso é divertido.'

Bael tremeu em êxtase. O único que poderia deixá-lo tão furioso e fazer sua sede de sangue e loucura correrem soltas…

'Sempre foi você.'

Todos, exceto o Rei Demônio, simplesmente foram atingidos pelo medo ou fugiram apenas olhando para Bael. Não havia ninguém além do Rei Demônio que fosse capaz de se manter firme contra ele. E… E… E…

— Hi… hihi — Bael sorriu. — Eu não consigo entender… — Ele olhou para Kang-Woo com olhos cheios de sede de sangue e brilhando com loucura. — Por que foi você? Por que tinha que ser você e não eu?

— O quê? — Kang-Woo franziu a testa, não conseguindo entender o que Bael estava dizendo.

— Hihihi… Hihihihi! — Bael simplesmente riu enquanto seus ombros tremiam.

— Hyung-nim. Quem é… essa pessoa Bael? — Si-Hun expressou ansiedade enquanto apertava sua espada.

— Um espinho do passado.

— Seu passado…

Si-Hun estremeceu. O corpo de Kang-Woo era o de um demônio antes de ele retornar a ser um humano com o poder da luz.

'Nesse caso…'

Isso significava que a criança era um demônio em pele humana. Si-Hun mordeu o lábio e retirou sua energia demoníaca.

— Hehe. Um espinho? Você está ferindo meus sentimentos. Não éramos mais próximos do que isso?

Bael caminhou em direção ao grupo enquanto ria. Cada um dos membros do grupo puxou suas armas em vigilância de Bael.

— Todos vocês, recuem — disse Kang-Woo.

— Perdão?

— M-mas…

Os membros do grupo olharam para Kang-Woo em confusão.

Kang-Woo disse firmemente: — Eu tenho que ser o único a enfrentá-lo.

Para ser mais preciso, ele era o único que podia. Era assim que Bael era poderoso.

— Hurgh~! Cara, eu senti falta dessa sensação — Bael se esticou e olhou para Kang-Woo calmamente. Ele perguntou com um sorriso: — Ah, certo, pensando bem, você já ouviu falar de algo chamado… a profecia da Árvore do Mundo?

O silêncio caiu devido à pergunta repentina de Bael. Os membros do grupo estremeceram. Por que Bael estava mencionando a profecia que eles só tinham ouvido de Elune antes de virem para cá?

— Eu simplesmente não entendo essa profecia, não importa quantas vezes eu a repita na minha cabeça, você não concorda? — Bael encarou Kang-Woo com olhos profundamente afundados. — Já que… você não é o Demônio da Profecia.

— O quê?

— É verdade, não é? — Bael inclinou a cabeça. — O Demônio da Profecia… O pináculo de todos os demônios que trará a destruição para este mundo…!! — Ele abriu os braços e bateu os pés. — Não é você! Sou eu!!

Ele continuou como se estivesse cantando, sua voz cheia de loucura: — Hein? Você não acha também? Não acha? Você acha que sou eu e não você, certo?

Crack, crack.

A cabeça inclinada de Bael foi além de sua amplitude normal de movimento. A coroa de sua cabeça alcançou seu peito como se seu pescoço tivesse sido quebrado.

— Hihi, você está com raiva? — Bael perguntou com um sorriso. — Você está com raiva por não ser o Demônio da Profecia, por não ser o pináculo de todos os demônios? Hm? Hihi, tenho certeza que sim, certo? Você não consegue conter sua raiva, consegue?

Bael caiu em uma gargalhada enlouquecida e gritou: — Você é…! Nada!! Você… Você… Você… VOCÊÊÊÊÊÊÊ!!! VOCÊ NÃO É NADA!!!!

Asas gigantes de morcego brotaram das costas de Bael. Seis caudas negras cresceram de seu cóccix e racharam o chão como um chicote.

— Não é você, mas eu! Eu sou mais incrível do que você! Eu sou maior do que você! Ok? Você entende? — Bael olhou para Kang-Woo com profundo e flamejante ressentimento. Ele gritou como se estivesse desesperado: — Por que você não diz alguma coisa? Hein? DIGA ALGUMA COISA!!

— Sim, ok — Kang-Woo assentiu. — Sim, você é o Demônio da Profecia. Você é o maior. Você é o demônio que trará este mundo ao seu fim, o pináculo de todos os demônios e o demônio mais forte de todos os tempos.

— Hein? — Bael inclinou a cabeça em confusão, não esperando esse tipo de resposta.

'Pfft! Bwehehehehehe!!'

Kang-Woo suprimiu sua risada com toda a sua força. Esta era a pontuação de todas as pontuações.

'Porra, haha! Você ouviu isso, certo? Hein? O filho da puta disse que ele é o Demônio da Profecia! Não eu, mas ele! Eu sabia. Eu deveria ter sabido desde o momento em que fui incriminado como o Demônio da Profecia. Eu nunca faria algo como acabar com o mundo.'


Riiiing.

[A Árvore do Mundo declara que o Demônio da Profecia é o Jogador Oh Ka—]

'Hahaha! Sim! Não fui eu!'

[Jogador Oh Kang-W—]

'Nunca fui eu!!!'

[Eu estou dizendo que é vo—]

— Sim, eu vejo — Kang-Woo olhou para Bael com sede de sangue. Ele então se virou para Layla e disse: — Por favor, avise Lady Gaia. O Demônio da Profecia era… Bael.

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