Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 428

Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 428 - Você Não Consegue Lidar com Aquele Monstro

“Bael…” O abatido Lúcifer olhou para o garoto com olhos trêmulos.

O garoto conhecido como Bael cantarolou enquanto sorria abertamente. “Estou surpreso que ainda esteja aqui. Pensei que teria fugido há muito tempo.”

Lúcifer permaneceu em silêncio.

Ele havia pensado em fugir, mas…

“Eu…”

“Sim, sim. Eu sei. Você tem que recuperar seu filho, certo? É por isso que não está se movendo de onde o coração está.” O garoto assentiu como se entendesse completamente. “Hihi, você deveria ter educado melhor seu filho. Você está passando por um momento difícil por causa de um filho idiota como esse.”

“Cale… a boca.”

Lúcifer encarou Bael enquanto mordia o lábio e segurava o que restava de seu braço que Bael arrancou com sua boca. Sangue negro jorrava do braço.

“Bael… O que você está tentando fazer?”

“Hm?” Bael inclinou a cabeça inocentemente. “O que você quer dizer?”

“Tenho certeza de que sabe o que é este lugar!”

“Hihi, claro que sei. Por que não saberia quando me esforcei para corromper a Árvore do Mundo para encontrar este lugar?”

“Então…!”

“Veja…” Bael cantarolou e continuou, “Eu só estou tentando pegar de volta o que é meu.”

“O quê?” Os olhos de Lúcifer se arregalaram. “Pegar de volta… o que é seu?”

“Sim. Isto é…” Bael lentamente apontou para a floresta sendo consumida pela areia vermelha. “Tudo meu.”

O silêncio caiu.

Lúcifer olhou para Bael como se não pudesse entender.

‘Do que… ele está falando?’

Se o que Bael estava falando era o que Lúcifer estava pensando, então…

‘Não, isso é impossível.’

Lúcifer balançou a cabeça, tentando afastar seu pensamento horripilante.

“Nossa~ Já faz um tempo, não é mesmo?”

Bael sorriu enquanto se espreguiçava. Qualquer outra pessoa ficaria estupefata se visse o sorriso puro e inocente de Bael, mas Bael estava simplesmente sorrindo da perspectiva de um demônio.

“A guerra… Sim, mal te vi desde en—”

“Bael,” Lúcifer interrompeu. “Vou perguntar novamente. Por que… você veio me ver? O que você está tentando fazer?”

“Hm? Eu acabei de te dizer, não foi?”

“Essa bobagem absurda não conta como resposta!” Lúcifer gritou ferozmente.

“Hmm.” Bael estalou a língua em decepção e lentamente levantou a mão. Uma quantidade sufocante e colossal de energia demoníaca fluiu dele. “Que pena. Eu queria conversar um pouco mais.”

“Você…”

A expressão de Lúcifer endureceu; ele podia facilmente dizer o que Bael estava prestes a fazer.

“Kuh!”

Lúcifer rapidamente se levantou e estendeu sua mão restante para Bael, atirando raios negros nele.

“Heh.” Bael sorriu e engoliu sua saliva.

Crepitar—!!

Bael acenou levemente com a mão. Faíscas negras voaram ao redor dele e facilmente desviaram o ataque de Lúcifer.

“Você mudou bastante desde antes,” Bael comentou enquanto sorria abertamente.

Ele avançou levemente, desaparecendo como se tivesse se assimilado com a natureza.

Aperto!

Arf.

Bael apareceu na frente de Lúcifer e agarrou sua cabeça antes mesmo que Lúcifer percebesse.

“Eu me pergunto se é por causa da sua Essência Deífica? Você parece mais… sim, muito mais…” A boca de Bael se alargou como uma cobra se preparando para engolir sua presa. Ele continuou, “Delicioso.”

Crunch!

“Kurgh!”

Lúcifer rapidamente pulou para trás, a boca de Bael apenas roçando seu ombro. A proteção feita de sua Essência Deífica de nível superior se tornou obsoleta, e um grande pedaço de carne foi arrancado.

“Baaaaaaaaael!” Lúcifer gritou enquanto batia os pés.

Ele abriu suas asas negras que pareciam as de um anjo caído; ao contrário de antes, ele agora possuía doze asas, raios negros crepitando entre elas.

“Hihi.” Bael riu enquanto encarava a tempestade de raios. Ele cantarolou e abriu os braços. “Como eu tinha pensado, você se tornou mais delicioso.”

O corpo de Bael se dividiu da cabeça à virilha e incontáveis dentes brotaram de entre eles. O raio negro desapareceu antes mesmo de poder alcançar Bael.

‘Não.’ Lúcifer balançou a cabeça pálido. Não havia desaparecido. ‘Foi… comido.’

A mente de Lúcifer caiu no caos. A pergunta de como ecoou dentro de sua cabeça repetidamente.

‘Onde ele conseguiu tanto poder?’

Lúcifer encarou Bael em espanto. Bael sempre foi poderoso. Não, essa não era a palavra certa para descrevê-lo.

‘Ele era especial.’

Bael era um ser completamente diferente dos demônios normais. Demônios nasciam com poder; alguns demônios estavam destinados a ser príncipes do Inferno, outros estavam destinados a ser arquidemônios e assim por diante. Havia algumas diferenças mínimas à medida que cresciam, mas nenhum deles conseguia escapar do destino que lhes era dado.

‘Mas…’

Bael era diferente. Para ser mais exato, aqueles dois eram diferentes. Tanto Bael quanto o Rei Demônio começaram do Primeiro Inferno e conseguiram chegar ao Nono Inferno, um feito que nenhum demônio havia conseguido realizar.

‘Embora não possa mais ser chamado de milagre.’

O pensamento de que demônios não podiam crescer além do poder com o qual nasceram agora estava desatualizado; até mesmo Lúcifer havia superado em muito seu antigo eu. Foi graças à Essência Deífica, que permitiu aos demônios superar seus limites inatos.

‘Mas mesmo assim…’

Lúcifer mordeu o lábio. Mesmo que Bael tivesse adquirido Essência Deífica como ele, essa diferença em sua força era irreal.

“Como você… se tornou tão poderoso?” Lúcifer perguntou.

“Hm?” Bael sorriu e se gabou como uma criança dando a resposta para um enigma, “Porque eu consegui colocar minhas mãos em um dos três, obviamente.”

“O quê?”

Lúcifer permaneceu em silêncio. Ele foi facilmente capaz de descobrir a que Bael estava se referindo.

“Você…” Lúcifer encarou Bael incompreensivelmente. “… Comeu uma Origem Demoníaca.”

A Origem Demoníaca era uma porção do cadáver do Deus Demônio, que havia sido dividida em três depois que ele havia caído nas mãos dos deuses.

“Hihihi! Eles me pertenciam desde o começo!”

Bael caiu na gargalhada enquanto segurava seu estômago. Vendo isso, Lúcifer finalmente percebeu por que Bael tinha vindo vê-lo e o que ele estava tentando fazer.

“Hah,” Lúcifer fingiu rir. “Você está talvez… tentando devorar o Rei Demônio?”

“Huh? Como você sabia?” Bael encarou Lúcifer com os olhos arregalados como se estivesse genuinamente surpreso.

“Pfft!” Lúcifer abaixou a cabeça e caiu na gargalhada. “Bwahahahahaha!! Você vai devorar o Rei Demônio? Aquele monstro?” Ele olhou para Bael como se estivesse zombando dele e comentou firmemente: “Você se esqueceu, Bael? Sobre quem ele é e o que aconteceu conosco na guerra contra ele? Sobre o quão desafiador da lógica aquele monstro nascido do Mar Demoníaco é? Você diz que vai devorar o Rei Demônio? Não me faça rir, Bael. Aquele monstro… não é alguém que você pode lidar. Não, nenhum de nós pode. Ele é… um apocalipse vivo.”

A expressão do Bael que estava rindo de repente endureceu. “Eu… não consigo lidar com ele, você diz?”

O rosto puro e inocente do garoto se enrugou. Bael agarrou Lúcifer pela gola.

“Eu…?! Eu?! EU?!!” Bael gritou loucamente enquanto apertava seu aperto na gola de Lúcifer. “Eu… não… consigo… lidar com ele, você diz?!”

“Kurgh! Urgh…” Lúcifer grunhiu enquanto um imenso poder pesava sobre ele.

“Diga isso de novo, Lúcifer. Tente dizer isso de novo. Huh?” Bael perguntou enquanto trazia sua boca dilacerada para mais perto de Lúcifer.

Lúcifer ajustou a posição do pescoço para respirar e disse firmemente sem hesitação: “Sim. Você… não consegue lidar com o Rei Demônio.”

A expressão de Bael endureceu ainda mais quando Lúcifer ainda estava sendo firme mesmo nesta situação. Ele então inclinou a cabeça como se não pudesse entender.

“Por quê? Eu me tornei muito mais forte do que antes.”

“E daí?”

“Nossa, eu fui enganado por ele na época. Como eu não poderia ter sido quando ele me implorou para aceitá-lo como meu subordinado enquanto ele rastejava e até lambia meus pés?”

“E daí?”

“Ele me pegou de surpresa daquela vez, mas é diferente agora. É minha vez desta vez, ok? Você entende?”

“E daí?” Lúcifer riu sem sentido e perguntou em genuína incompreensão, “O que importa alguma dessas coisas?”

“…”

“Você sabe tão bem quanto eu, não sabe, Bael? Você não o viu com seus próprios olhos em sua batalha final contra ele? Você não pode matar aquele monstro. Não há como você conseguir. Contanto que ele possua o Mar Demoníaco… Ele não morrerá, não importa o que você faça com ele.”

“Nesse caso—”

“Nesse caso, o quê? Aquele monstro sobreviveu mesmo depois de ser despedaçado pela parede dimensional. Ele voltou vivo depois de ser levado à morte milhares de vezes!” Lúcifer tremeu como se nem quisesse imaginar e mordeu o lábio. “Você… não consegue lidar com aquele monstro.”

A emoção desapareceu do rosto de Bael. “Heh.”

Bael sorriu mais uma vez e seus olhos cheios de loucura retornaram ao seu estado vazio.

“Veremos… se eu realmente não consigo lidar com ele.”

Bael riu como se algo tivesse quebrado dentro dele. Ouvir aquela risada enviou arrepios pela espinha de Lúcifer.

‘Isso é ruim.’

Bael não estava normal no momento. Não era difícil dizer o que aconteceria com Lúcifer se ele permanecesse capturado por Bael.

‘Eu tenho que fugir.’

Os olhos de Lúcifer brilharam enquanto ele mordia o lábio. Ele não podia se dar ao luxo de morrer aqui.

‘Lucis…’

Lúcifer fechou os olhos e abriu suas doze asas de uma vez.

Crepitar—!!

Uma imensa tempestade de raios rugiu.

‘Contanto que eu consiga escapar das garras desse bastardo maluco…’

Não havia outro ser que fosse uma ameaça para ele. Ele tinha certeza de que seria capaz de encontrar seu filho, que havia caído nas tentações de Lilith, um dia.

“Huh?” Bael expressou confusão ao voltar a si depois de pensar profundamente sobre algo. “Onde você está indo?”

Ele franziu a testa e agarrou uma das asas de Lúcifer.

‘Agora!’

Lúcifer fechou os olhos e torceu o corpo. A asa que Bael havia agarrado foi arrancada inteiramente.

“Gaaaaaaaahhh!”

Uma imensa dor invadiu ele, mas ele não podia se dar ao luxo de desperdiçar a oportunidade que mal havia conseguido adquirir.

Estrondo!

Lúcifer rapidamente saltou para frente e bateu suas asas para voar para frente sem nem mesmo ter a chance de se controlar. Então…

Batida!

“Que droga?”

“K-Kang-Woo! Você está bem?!”

Lúcifer esbarrou em alguém enquanto voava direto para frente.

“Kurgh!” Lúcifer foi jogado para trás.

‘O que foi isso?’

Sejam árvores, pedras ou monstros, não havia como nada ser capaz de parar sua investida de força total.

‘Quem diabos…’

Lúcifer olhou para cima enquanto fazia uma careta.

“U-Aaaahh.” Desespero sem fim entrou em seus olhos. “N-Não…” Ele recuou enquanto tremia e gritava desesperadamente, “NÃOOOOOOO!!!”

“Lúcifer?”

O Rei Demônio estava bem na frente dele.

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