
Capítulo 254
Depois de Dez Milênios no Inferno
Capítulo 254 - Halcyon (1)
— Aaaaaaaaaaaaaahh! — Oh Kang-Woo gritou em desespero.
Era injusto. Ele não conseguia lidar com as emoções que sentia no momento.
— Por quê…?
Por que Balrog, que relatava minuciosamente cada detalhe, não o informou dessa vez?
— Por que… por quê…?
Ele sentia uma mistura de ressentimento, raiva e confusão em relação a Balrog.
— Você acha essa aparência horripilante?
— É claro. Não existe besta demoníaca mais horripilante do que essa — Balrog respondeu sem hesitar.
Kang-Woo entrou em caos.
Ele ativou a Autoridade da Resistência e a Autoridade da Percepção simultaneamente, caso estivesse sob uma ilusão, mas, por mais que olhasse atentamente para Halcyon, ela era incrivelmente linda.
— Puta que pariu.
Ele se lembrou do que Lilith havia dito. Ela disse que não conseguia entender os padrões de beleza humanos, mas não os achava repugnantes.
— Mas…
Ele olhou para Halcyon. Ela tinha o equilíbrio perfeito entre humano e demônio. Era a aparência sedutora de uma súcubo que frequentemente aparecia em animes.
— Embora ela seja tão chapada quanto uma parede.
Isso não importava.
Até Echidna era tão plana quanto um terreno baldio estendido no horizonte.
— Você… achou os humanos repugnantes o tempo todo?
Se Balrog achava Halcyon repugnante, ele também acharia Kang-Woo e todos os outros humanos repugnantes.
— Não, de forma alguma. Não consigo diferenciar a beleza entre os humanos, mas não os acho repugnantes.
— Isso não faz sentido. — Kang-Woo ficou ainda mais confuso. — Então, por que você acha Halcyon tão…?
— Porque essa forma de vida horripilante é 'mista'.
— …
A lâmpada na mente de Kang-Woo finalmente se acendeu.
— Ah…
Ele finalmente entendeu.
— Se a forma como um demônio olha para os seres humanos é como nós olhamos para os peixes…
Do ponto de vista de um demônio, Halcyon era como se um demônio tivesse se fundido com um peixe.
Imagine se existisse uma criatura com a cabeça de um peixe e o corpo de um humano.
Era óbvio que, do ponto de vista de um humano, qualquer parte do corpo do humano que fosse substituída pela de um peixe não seria tão horripilante quanto um demônio. No entanto, os demônios não eram humanos; seus valores e noções eram diferentes em sua essência.
— Não.
Kang-Woo mais ou menos entendeu o porquê.
Ele podia entender que, do ponto de vista de um demônio, aquela forma de vida mista poderia ser mais horripilante do que tentáculos jorrando pus amarelo.
Mas… mesmo assim… mesmo que ele entendesse…
— Puta que pariu…
Sua frustração não desapareceu. Era como sair da prisão depois de cumprir uma sentença de trinta anos e, de repente, ser informado de que sempre foi inocente.
A única diferença era que, em vez de trinta anos, ele passou dez milênios na prisão.
— Tudo bem. Posso deixar para lá meus primeiros nove mil anos.
Se Balrog tivesse feito o relatório adequado, ele poderia ter passado pelo menos 900 anos com uma beleza estonteante como Halcyon.
— Urgh, sniff.
Ele não pôde evitar chorar de tristeza. Era injusto. Era miserável.
Ele se lembrou de todas as noites de pesadelo que teve com Lilith.
— Se ao menos eu soubesse que existiam bestas demoníacas tão belas quanto essa…
É claro que ele não teria se forçado a ficar com ela. As bestas demoníacas antigas eram fortes demais para ele se forçar a ficar com elas, e ele não faria algo tão vulgar quanto usar seus poderes para saciar sua luxúria.
Mas… mesmo assim…
— Eu poderia pelo menos ter tentado torná-la uma aliada.
Ele honestamente estaria perfeitamente bem com isso na época, mesmo que ela recusasse. Apenas vê-la de longe seria suficiente para fazê-lo derramar lágrimas de felicidade.
— Você também parece estar tendo dificuldades em suportar sua aparência horripilante, meu rei.
— Não…
— Eu vou…! Kuh! P-Pelo rei demônio…!
— Eu disse não, seu filho da puta…
— Urpp, bleeeeegh!!
Balrog vomitou enquanto apertava o chão. Como ele não precisava de sustento, ele vomitou um fluido pegajoso em vez de ácido estomacal.
— Ah…
Kang-Woo agarrou seus cabelos.
— Que merda de vida.
Já era passado. Mesmo que ele achasse injusto, ele não podia voltar no tempo ou mudar o passado.
— Sniff… Sniff.
Ele se virou para olhar para Halcyon, que estava agachada e chorando.
Não era hora de pensar se Halcyon era bonita ou não.
— Por que ela está chorando?
Ele não conseguia entender.
Kang-Woo caminhou lentamente em direção a ela. Ele a ouviu murmurando algo.
— Sniff… Q-Quem…? — Ela olhou para Kang-Woo. — Q-Quem é você?
— …
Ela se encolheu de medo. Havia lágrimas em seus olhos e seu corpo tremia.
— Que merda?
Ela era completamente diferente de sua imagem de uma antiga besta demoníaca.
Kang-Woo estreitou os olhos. Ele não tinha certeza de como reagir.
— Ah, e-eu vejo. V-Você também está a-aqui para m-me assediar, n-não está? — Halcyon gaguejou. Ela se levantou lentamente, exalando energia demoníaca vermelho-escura.
— O que há de errado com ela?
Ele franziu a testa. Ele não conseguia entender por que Halcyon estava reagindo dessa forma.
— Sniff, sniff. P-Por que você está tentando m-me assediar? V-Você está me assustando.
— Você é quem está me assustando, porra.
— E-Eu não sei o-onde estou, e t-todo mundo está tentando m-me assediar. V-Vocês são todos tão maus.
— Ela realmente tem inteligência?
Ele ouviu dizer que as bestas demoníacas antigas tinham inteligência, mas era difícil dizer isso de Halcyon.
— Eu deveria pelo menos ver se consigo falar com ela.
Kang-Woo abriu a boca e disse em voz baixa: — Você é Halcyon?
— … Hein? V-Você me conhece?
— Eu ouvi muito sobre você.
Parecia que ele podia conversar com ela.
— V-Você está aqui para me assediar, a-assim como eles, não está? T-Todo mundo me odeia, e-eu tenho certeza disso. E-Eu tenho certeza de que você está aqui para me assediar.
— Eu não consigo falar com ela.
Kang-Woo fingiu uma risada e olhou para Halcyon.
Ela estava agindo como se fosse uma paciente mental com uma mentalidade de vítima. Sua reação o fez pensar que o fato de as bestas demoníacas antigas possuírem inteligência era uma mentira.
— Sniff. T-Todo mundo é tão mal comigo. E-Eu não fiz nada de errado — ela derramou lágrimas. Agachada, ela gaguejou: — E-Eu não q-queria p-parecer assim t-também.
A parte branca de seus olhos ficou vermelha, e suas íris ficaram brancas. Tendões horríveis brotaram das áreas ao redor de seus olhos.
Seu cabelo branco disparou desordenadamente no ar, e…
Slam!!
O chão foi distorcido apenas com uma única pisada de seu pé.
Halcyon disparou em direção a Kang-Woo em um piscar de olhos.
— Por que todo mundo…!!!
Ela levantou o braço. Unhas vermelho-escuras extremamente afiadas se estenderam e ela apontou para o pescoço de Kang-Woo.
— Tsk.
Bash!
Ele levantou a perna e chutou Halcyon no estômago.
Rumble!!
Ela rolou cem metros e então se levantou novamente. Ela balançou sua garra para cima, lançando uma onda de energia demoníaca vermelho-escura em Kang-Woo.
— Autoridade da Invulnerabilidade.
Ele ergueu uma parede de energia demoníaca para bloquear o ataque, mas sua energia demoníaca vermelho-escura derrubou a parede. Ele se agachou e desviou do ataque.
— … M-Me odeiam tanto?!!
Smash!!
Halcyon voou cem metros em menos de um segundo e chutou Kang-Woo.
Ele rolou no chão enquanto era jogado para longe. Ele se sentiu como se tivesse sido atingido por uma bola de demolição pesando dezenas de toneladas.
— …
Kang-Woo estreitou os olhos enquanto sangue negro jorrava de sua boca.
— Eu acho que mesmo que ela se pareça com isso…
Ela ainda era uma antiga besta demoníaca, e mesmo as capacidades físicas de um príncipe do Inferno não podiam se comparar à sua proeza física.
— Bom.
Os cantos de sua boca se levantaram. Teria sido uma chatice se Halcyon fosse uma garota frágil como sua aparência implicava.
— Ela finalmente parece um monstro.
Kang-Woo baixou seu corpo.
Halcyon avançou em direção a ele e balançou suas garras para baixo.
— Quebra-Céus.
Kang-Woo puxou seu braço direito para trás, deu um passo à frente com sua perna esquerda e balançou seu punho.
Enormes quantidades de energia demoníaca se chocaram.
Uma enorme cratera de 30 metros se formou enquanto terra e pedra voavam.
Era como se os Titãs da mitologia estivessem lutando; apenas o choque de seus poderes foi suficiente para nivelar os arredores.
Wham!
A densa floresta não estava mais à vista. Tudo o que restava era uma terra desolada e distorcida, como se um terremoto tivesse ocorrido.
— Haaa, haaa, haaa!
Halcyon voou para cima enquanto ofegava pesadamente.
Kang-Woo a perseguiu e estendeu a mão para agarrar sua perna enquanto ela tentava voar para longe. Ele a esmagou no chão.
— Kurgh! — Halcyon exclamou quando o enorme baque ecoou.
Passo, passo.
Kang-Woo caminhou em direção a ela.
— C-Como?
O rosto de Halcyon estava tingido de medo.
Kang-Woo caminhou em direção a ela sem expressão.
As capacidades físicas de uma antiga besta demoníaca eram claramente superiores às de um príncipe do Inferno, mas… era uma história completamente diferente se ela fosse comparada a Kang-Woo.
Ela provavelmente estava acima dele em termos de força física bruta, mas ele tinha um número incrível de Autoridades e esmagadoramente mais energia demoníaca do que ela.
— Bem, você não foi tão ruim assim.
Kang-Woo olhou para o ferimento que havia recebido de Halcyon. Este ferimento de suas garras não estava se regenerando.
— É veneno?
Não havia como saber.
Kang-Woo estalou a língua enquanto olhava para o ferimento sangrando sangue negro.
— Que dor.
Rasgar.
Ele arrancou a porção de carne ferida pelas garras de Halcyon. Sangue negro jorrou como uma fonte, mas apenas por um momento. Como se rebobinasse um vídeo, seu ferimento se regenerou.
— Q-Quem é v-você? — Halcyon perguntou com uma voz amedrontada. Lágrimas escorriam por suas bochechas.
— Quem sabe?
Ele não tinha motivos para contar a ela. Kang-Woo levantou lentamente a mão.
— Autoridade da Labareda.
Fogo cármico, queimando como se fosse devorar o mundo inteiro, envolveu sua mão.
— Eek! S-Sniff. M-Me desculpe. E-Eu sinto muito. P-Por favor, não me machuque. Eu sinto muito. Eu sinto muito…
— …
Ele não tinha intenção de matá-la — havia muitas coisas que ele queria perguntar a ela.
— Vendo seu estado atual…
Ele não tinha certeza se valeria a pena perguntar algo a ela.
— Tsk, embora você tenha um rosto bonito…
Kang-Woo nunca esperou que Halcyon fosse tão insana.
— Mas pelo menos é melhor assim.
Ele foi capaz de se consolar, pelo menos um pouco, por ter se livrado de uma bala por não ter conhecido Halcyon no passado.
— … Perdão? — Halcyon levantou a cabeça. — V-Você acabou de dizer que eu sou b-bonita?
Lágrimas jorraram de seus olhos.
— A-A-Aaaahh.
Halcyon tremeu enquanto tocava seu rosto.
— E-Ele disse que eu sou bonita.
Ela olhou para Kang-Woo com olhos cheios de loucura.
— Eu finalmente ouvi que eu sou boniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita!!!
Seu cabelo branco disparou no ar.
— Kyahahahahahaha!!!
Os cantos de sua boca subiram ao seu limite absoluto, e uma explosão de risadas loucas saiu de sua boca.
— Que porra?
Kang-Woo olhou para ela em absurdo.
— O que há de errado com essa vadia?
Um sentimento perturbador percorreu sua espinha.