Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 228

Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 228 - Operações Interrompidas

‘Haaa, haaa, haaa.’

A respiração pesada de um homem podia ser ouvida, e suas roupas estavam encharcadas de suor frio.

Uma silhueta disparou da escuridão a uma velocidade incrível.

Slam!

Ele abriu agressivamente a porta de um prédio com um teto anormalmente alto.

[Meu rei?]

Balrog, que estava treinando sozinho no grande espaço, inclinou a cabeça.

‘Me esconda por um tempo.’

[O que houve?]

‘Algo… algo está errado.’

Kang-Woo continuou falando com uma expressão tensa no rosto.

Depois que voltou para casa de um encontro com Han Seol-Ah, ele examinou os documentos que havia recebido de Kim Si-Hun mais uma vez. Então, bem quando estava se preparando para dormir…

Ele ouviu o som de um líquido viscoso escorrendo. Ele tinha saltado da cama no momento em que ouviu o som de algo se contorcendo pela parede.

‘Eu conheço esse som.’

Ele sentiu um mal-estar familiar. Uma sensação premonitória estava lhe dizendo para escapar. Kang-Woo tinha saído de sua casa sem hesitação e corrido a toda velocidade para a casa de Balrog.

[Hahaha! Você costumava fazer isso algumas vezes no Inferno. Oh, meu rei…]

Balrog caminhou em direção a ele, sorrindo.

‘Não sorria, você parece assustador,’ Kang-Woo pensou.

Balrog colocou sua mão gigante nas costas de Kang-Woo.

[Se você queria me ver, poderia ter dito… Contanto que me invoque, irei até você de qualquer lugar.]

‘Do que diabos você está falando?’

A boca de Kang-Woo se abriu em descrença.

Balrog enxugou o suor com uma toalha do tamanho de um cobertor, como se estivesse satisfeito apenas pelo fato de Kang-Woo ter vindo vê-lo.

‘Haaa.’

Kang-Woo queria dizer algo, mas apenas suspirou como se estivesse cansado demais para dizer qualquer coisa. Ele olhou ao redor.

‘Parece que estou em As Viagens de Gulliver.’

Todos os móveis dentro foram construídos especificamente para Balrog, que tinha cinco metros de altura. Já que todos os móveis na sala eram feitos para o tamanho de Balrog, ele se sentia como um anão em um país de gigantes.

Ele saltou levemente e pousou em cima de um sofá gigante.

‘Há algo que você ache desconfortável?’ ele perguntou a Balrog casualmente.

Balrog sorriu.

[Nada.]

‘… Mas tenho certeza que é desconfortável viver sozinho.’

Balrog tinha incontáveis subordinados abaixo dele no Inferno, mas esta era a Terra—ele não tinha subordinados ou um camarada para conversar.

Demônios não eram desprovidos de emoção, então eles também se sentiam solitários.

[Hup.]

Balrog sentou-se no sofá.

Kang-Woo balançou no ar enquanto o sofá tremia.

Balrog abriu a boca e disse: [Eu estou bem. Afinal, você está aqui, meu rei.]

‘…’

[Eu estava mais sozinho no Inferno depois que você partiu.]

‘… Por quê?’

Kang-Woo não conseguia entender. Se Kang-Woo tivesse desaparecido, Balrog teria sido o encarregado do exército do rei demônio, já que ele era o segundo no comando.

‘Balrog provavelmente assumiu o papel de rei demônio.’

Já que todos os sete príncipes do Inferno tinham morrido, ninguém além de Balrog seria adequado para o papel se as antigas bestas demoníacas fossem excluídas.

Balrog tinha adquirido a autoridade para governar os Nove Infernos, então Kang-Woo não conseguia entender por que ele se sentia sozinho no Inferno.

[Porque você não estava lá, meu rei.]

‘Você está me dando arrepios, cara.’

Ele sentiu calafrios com a resposta calma de Balrog.

Kang-Woo se afastou um pouco enquanto se sentia inquieto.

Balrog bateu palmas como se tivesse se lembrado de algo.

[Oh, certo. Gostaria de experimentar isto, meu rei?]

Ele caminhou em direção à geladeira gigante e tirou um recipiente de prata gigante.

‘…Chopp?’

Era um recipiente gigante de chopp que eles costumavam ter em restaurantes e bares.

Balrog assentiu e trouxe dois dos recipientes gigantes.

[Você se lembra de quando fizemos uma festa de sangue com os humanos onde assamos e devoramos o cadáver de um animal?]

‘Você está… falando do churrasco que fizemos no piquenique?’

[Ohhh, então você chama esse ato implacável de churrasco. Assar a carne da presa enquanto ri… Humanos não são para serem subestimados.]

‘Não, quero dizer… se você coloca dessa forma, você está certo, mas…’

[De qualquer forma, eu tive essa coisa conhecida como cerveja enquanto estava lá. A sensação borbulhante que ela dá… Eu nunca provei nada parecido no Inferno.]

‘Você tem paladar?’ Kang-Woo perguntou de volta surpreso.

As papilas gustativas de um demônio eram quase inexistentes porque, afinal, eles não precisavam comer ou beber, então não havia razão para que tivessem paladar.

Para eles, comer o cadáver de outro demônio era como uma cerimônia de vitória.

[Kekeke. Eu me acostumei cada vez mais com o gosto depois que continuei bebendo, mas ainda não consigo entender o sabor do ensopado de kimchi que você tanto gosta.]

‘Você ousa insultar o ensopado de kimchi?’

[Hahaha! Minhas desculpas.]

Balrog sorriu brilhantemente.

Kang-Woo sorriu ao se lembrar de memórias do passado, quando ainda estavam no Nono Inferno. Ele se lembrou que as conversas que teve com Balrog entre as guerras contra os príncipes do Inferno tinham sido bastante divertidas.

Crack! Pshh!!!

‘Oh, foda-se.’

Balrog arrancou a tampa do recipiente de chopp, e a cerveja transbordou dele. Ele pegou o outro recipiente de chopp enorme e deu para Kang-Woo.

[Pelo que eu vi, os humanos fazem assim. Ahem, saúde—]

‘Deixando os brindes de lado, o que você vai fazer com o chão?’

[Oh, isso não é problema. Vaal Zahak limpa sozinho se eu apenas deixar.]

‘Não, como você pode tratar nosso Vaal Zahak assim—’

[Hehe. Eu estou acima dele na hierarquia, não estou? Além disso, não tenho certeza de quem ele aprendeu, mas ele parece bem acostumado a fazer trabalhos domésticos.]

‘É provavelmente talento inato.’

Balrog caiu na gargalhada e trouxe o recipiente de cerveja em direção a Kang-Woo mais uma vez.

Kang-Woo suspirou e estalou o dedo.

Ele ativou a Autoridade do Congelamento e criou um copo de gelo no qual derramou um pouco do álcool. Ele então levantou o copo.

Clink.

Foi um brinde inesperado.

Embora não tivesse nada a ver com as próximas batalhas, ele não sentia que estava fazendo algo inútil.

Kang-Woo se lembrou de quando conheceu Balrog. Já fazia um tempo que a memória tinha sido despertada.

‘Kaaaah! Isso é revigorante. Você tem algum petisco para acompanhar?’

[Se você quiser, eu invadirei uma filial do Culto Demoníaco agora mesmo e coletarei as cabeças de demônios—]

‘Deixa pra lá. Caramba, não dá pra te entender.’

Kang-Woo balançou a cabeça e tomou um gole de cerveja, e a efervescência viajou pela sua garganta.

Houve uma sensação refrescante, e seu mal-estar foi varrido.

[Isto me lembra do passado.]

‘Do passado?’

[Sim, a memória de quando eu te conheci, meu rei.]

‘…’

Kang-Woo permaneceu em silêncio depois de ouvir o que Balrog disse. Eles estavam pensando na mesma coisa.

‘Meu nome é Balrog.’

Kang-Woo se lembrou de sua primeira conversa.

‘Vejo que os rumores de que um humano tinha sido capaz de subir até o Nono Inferno eram verdadeiros.’

Ele levantou a cabeça e viu Balrog engolindo o recipiente de cerveja.

‘Eu vim pedir um favor.’

Seu corpo estava coberto de feridas, e seus olhos estavam escuros, como os olhos de um peixe morto, em vez dos olhos de um demônio.

‘Por favor… me mate.’

‘…’

A memória foi interrompida.

Kang-Woo engoliu a cerveja em silêncio, e um gosto amargo se espalhou pela sua boca.

[Eu ainda me lembro do que você me disse naquela época, meu rei.]

‘Sério? Faz tanto tempo que não consigo me lembrar.’

[Você disse, ‘Pare de ser uma rainha do drama do caralho e vaza daqui,’ eu acredito que foi.]

‘Ah, não. Não tem como eu ter sido tão duro com você.’

[Você realmente disse mais palavrões que eu não conseguia entender. Eu não sabia coreano naquela época, então só conseguia entender a linguagem demoníaca misturada no meio.]

‘…’

Houve silêncio.

Kang-Woo tossiu e evitou seu olhar.

‘Que estranho. Não tem como eu ter dito algo assim.’

Memórias passadas eram facilmente fabricadas, ou assim diziam.

Kang-Woo balançou a cabeça e serviu outro copo de cerveja.

Clink.

Ele mais uma vez brindou com Balrog.

‘Isso não é ruim.’

Beber enquanto conversa sobre o passado…

Ele nunca imaginou que faria isso com Balrog, mas não parecia ruim.

‘Um dia, quando tudo acabar…’

Ele engoliu o copo enquanto se perguntava se dias como este continuariam no futuro.


[Meeeu reeeeeeiiii~~]

‘Urgh.’

[Sniff. Você tem alguma ideia de como eu estive sozinho sem você, meu rei?]

‘Como diabos um demônio fica bêbado?’

[Bêbado? Kahahaha! Não tem como eu, Balrog, ficar bêbado com mero álcool!]

‘Você está bêbado agora, droga!!’

[Bobagem. Ok, dê uma olhada nisso. Veja? Eu consigo andar perfeitamente reto!]

Crack!

Balrog pisou em uma mesa e a esmagou em pedacinhos. Então, ele abraçou Kang-Woo com seus braços musculosos. Talvez fosse porque ele estava treinando antes de Kang-Woo chegar, mas um imenso fedor de suor atacou o olfato de Kang-Woo.

‘Urghh.’

Kang-Woo não conseguia respirar.

Click.

A porta se abriu.

‘Balrog, você viu o Kang-Woo hyung-nim? Eu perguntei para a Seol-Ah, mas ela disse que ele saiu de repente—’

Si-Hun entrou. Sua expressão endureceu quando viu Balrog abraçando Kang-Woo.

‘Si-Hun, me aju—’

Kang-Woo estendeu as mãos, e Si-Hun tremeu.

‘Balrog… você…’

Uma sede de sangue arrepiante surgiu.

‘Me ajude, Si-Hun.’

Kang-Woo olhou para Si-Hun com olhos esperançosos enquanto estava sendo contido por Balrog.

‘Como você pôde fazer algo tão inve—quero dizer, desrespeitoso?’

‘Si-Hun?’

‘Se arme, Balrog.’

‘Do que diabos você está falando?’

‘Eu te desafio para um duelo.’

‘Com licença?’

[Kahahaha! Parece bom pra mim!]

‘O que é bom?’

BOOM.

Balrog se levantou.

[Vamos ver quem é mais apto para ser o subordinado do rei, humano.]

‘Eu não teria de outra forma.’

‘Parem, seus filhos da puta malucos.’

Kang-Woo agarrou sua cabeça com o desenvolvimento inesperado dos eventos.

Então…

Squelch.

Ele ouviu o som de muco pingando.

O rosto de Kang-Woo ficou pálido.

‘Hohohoho. Eu estava me perguntando onde você estava. Eu finalmente te encontrei.’

‘Ah…’

‘Eu recebi um conselho muito bom da Seol-Ah hoje. Sim… Eu tenho sido passiva demais até agora.’

‘O quê? Passiva? Você?’

‘Sim. Eu percebi que devo ser mais assertiva ao comunicar meus sentimentos por você, meu rei.’

‘Não, esse não é o problema.’

‘Agora, venha aqui, meu amor.’

Lilith abraçou Kang-Woo.

Balrog e Si-Hun estavam lutando com armas nas mãos.

Houve uma vibração enorme, e o prédio tremeu.

‘Dias como este continuarão quando tudo acabar?’

Ele sentiu que estava no meio de um pesadelo inescapável. Ele se libertou dos tentáculos envolvendo seu corpo e fugiu. Ele colocou a mão no scanner de mão para o laboratório secreto de Vaal Zahak na casa de Balrog.

- Whirr. Escaneando impressões digitais.

- Erro. Erro.

- Operações interrompidas.

- Operações interrompidas.

‘O-o quê? Por que não está abrindo?’

A porta não estava abrindo devido ao muco desconhecido no dispositivo de escaneamento de impressões digitais.

‘Eu não consigo abrir a porta!’

Squelch.

‘N-não!’

Um tentáculo envolveu seu corpo como se para impedi-lo de escapar.

‘Isto é loucura. Eu tenho que sair daqui. Por que eu não consigo sair?’

AAAAAAAAAHHH!

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