Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 217

Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 217 - Manual de Instruções do Oh Kang-Woo (2)

Um vasto e belo campo de vegetação cercava um grande lago.

Pessoas estavam sentadas ao redor de uma esteira coberta com todos os tipos de comidas e bebidas luxuosas. Elas olhavam nervosamente para Balrog e Lilith. Não, para ser mais preciso, elas encaravam cautelosamente Balrog, um gigante de cinco metros de altura.

— Fufu, creio que esta é a primeira vez que saúdo oficialmente todos vocês juntos. É um prazer conhecê-los. Meu nome é Lilith. Apoiei o Mestre Kang-Woo por muito tempo no Inferno — disse Lilith com um sorriso no rosto e uma taça na mão.

Kim Si-Hun, Cha Yeon-Joo e Tian Wuchen olharam para ela confusos.

— Então… você é um demônio dentro do corpo de Kurosaki Yurie? — perguntou Yeon-Joo.

— Sim, isso está correto.

— Então o que aconteceu com a própria Kurosaki Yurie?

— Ela está… adormecida no momento. — Lilith colocou a mão no peito. — Ela ainda não voltou a si depois de ter se fundido com um demônio, mas, naturalmente, seremos capazes de compartilhar uma consciência com o tempo.

— Hmm…

— Um demônio e um humano compartilhando uma consciência… — Wuchen murmurou, parecendo preocupado.

Ele não pôde deixar de sentir pena de Kurosaki Yurie, cujo corpo havia sido tomado por um demônio, mas culpar Lilith não parecia certo.

Não só ela não havia tomado o corpo de Kurosaki Yurie porque queria, mas eles também não tinham nada a ver um com o outro em primeiro lugar. Kurosaki Yurie também não havia perdido sua consciência completamente, então, embora não parecesse certo, ele não podia dizer nada em protesto.

— Então, todos vocês, assim como Kang-Woo… — Gaia perguntou nervosamente enquanto se virava para Kang-Woo. Ela era a encarnação de Gaia, então, de sua perspectiva, não era fácil aceitar demônios.

Kang-Woo disse em uma voz séria: — Eles não se libertaram da energia demoníaca como eu, mas serão de ajuda para derrotar o Demônio da Profecia.

— Eu… entendo.

Gaia assentiu confusa. Kang-Woo, que havia abandonado o corpo de um demônio e aceitado a energia do Deus dos Heróis, à parte, ela se perguntava se realmente podia confiar em demônios puros como Balrog e Lilith.

— Talvez Kang-Woo também esteja sendo enganado?

Ela não pôde deixar de ter esse pensamento.

[Não há necessidade de se preocupar.]

Gaia ouviu a voz de Balrog.

[Eu ofereci minha alma ao meu rei. Estou disposto a fazer qualquer coisa por ele.]

Ele soava confiante.

Gaia podia sentir sua vontade inabalável. Ela apertou sua saia e abriu a boca para dizer: — Você ainda jura lealdade a Kang-Woo… mesmo que ele não seja mais o rei demônio?

[Hahaha!]

Balrog riu.

[Ele certamente perdeu seu assento como rei demônio depois de perder contra Satanás, mas, pelo menos para mim, ele sempre será meu rei.]

— …

Gaia permaneceu em silêncio.

O tom leal de Balrog não parecia ser uma mentira.

Gaia sorriu fracamente.

— Ok. Eu vou confiar em você, Balrog.

[Kekeke. Você parece bem calma, diferente de antes quando—]

— Kyaa! S-Shh! Por favor, fique quieto!

O rosto de Gaia ficou vermelho.

Kang-Woo riu enquanto ela ficava envergonhada. Ele disse a todos que estavam reunidos ao redor da esteira: — Eu reuni todos vocês aqui hoje para apresentar a todos meus dois subordinados que estiveram comigo no Inferno, bem como para aliviar toda a fadiga que se acumulou durante todos esses meses. Não temos conseguido ter uma reunião como esta desde o estabelecimento dos Guardiões, pensando bem. Por favor, pensem nisso como um passeio e divirtam-se.

— Obrigado por organizar uma reunião como esta, hyung-nim. — Si-Hun sorriu.

Ele parecia estar feliz por estar ali com Gaia e Kang-Woo.

Kang-Woo sorriu e pegou seus hashis.

— Seol-Ah deu o seu melhor para cozinhar tudo isso, então agradeçam a ela.

— Uau! Como esperado de você, cunhada! Como você preparou tanta comida?! Está de morrer…! — exclamou Kang Tae-Soo.

— Ah, e-eu só fiz porque queria!

O rosto de Seol-Ah ficou vermelho, e um sorriso floresceu em seu rosto.

Echidna pegou um kimbap com seus hashis enquanto estava sentada no colo de Kang-Woo, que praticamente havia se tornado seu assento exclusivo a essa altura.

— Kang-Woo, aah.

— Hm?

O kimbap se aproximou de sua boca.

Kang-Woo sorriu e abriu a boca. O gosto queijo do kimbap de queijo agradou muito o seu paladar.

— Está bom? — perguntou Echidna.

— Sim.

— Hm! Hm! — Echidna bufou como se estivesse esperando por algo.

Kang-Woo pegou um kimbap e a alimentou assim como ela havia feito com ele.

— Munch, munch. Está tão bom. Você é a melhor, Seol-Ah.

— Fufufu. Você ajudou esta manhã também, Echidna.

— Os que eu fiz explodiram — disse Echidna fazendo beicinho.

Seol-Ah não aguentou o quão fofa ela parecia e a tirou de Kang-Woo e a abraçou.

— KYAA! Como você pode ser tão fofa?!

— Seol-Ah, eu não consigo respirar.

Echidna se debateu como se estivesse sendo sufocada por algo grande.

Elas eram como irmãs, ou talvez uma mãe e uma filha.

— Fufufu, o clima está melhor do que eu esperava.

Lilith se aproximou de Kang-Woo com um sorriso.

Kang-Woo estremeceu um pouco. Ele se lembrou do trauma do dia anterior. Suor frio escorreu, e seu rosto empalideceu.

— Aqui está, Mestre Kang-Woo. Diga aah~

— A-Aah.

Ele não tinha certeza se estava gemendo de medo ou aceitando a comida, mas um kimbap entrou em sua boca. Ele mastigou como um robô.

— Kuh…

Si-Hun engoliu em seco enquanto o olhava com inveja.

— Huh, por quê?

Ele tinha sentimentos por Lilith?

— H-Hyung-nim

— O quê?

— Ahem. E-Eu só estou fazendo isso para entrar na onda.

— Que onda?

— Diga aah.

— Que porra você disse?

Si-Hun se aproximou dele corando. Ele virou a cabeça como se estivesse envergonhado e pegou um kimbap com seus hashis.

— Não fique vermelho perto de mim, cara.

A expressão de Kang-Woo empalideceu ainda mais.

— Uhh, eu estou ficando cansado de kimb—

[Huhu. Você parece não ter ideia das preferências do rei, humano.]

— Pare de complicar as coisas e vá se foder.

Ele sentiu como se estivesse prestes a ter refluxo gástrico quando Si-Hun e Balrog se juntaram depois de Lilith. Ele estendeu a mão para Seol-Ah, que estava abraçando Echidna, mas parecia que ela não conseguia mais vê-lo.

— Querido…

A distância entre o Céu e o Inferno era de apenas um metro, mas Si-Hun e Balrog estavam segurando suas mãos para que ele não pudesse escapar.

— …O que você quer dizer? — perguntou Si-Hun.

[Eu quero dizer exatamente o que eu disse. Eu ouvi dizer que você também jurou lealdade ao meu rei, mas… você ainda está em falta.]

— Bobagem.

— Por que vocês estão agindo assim, caras? Viemos aqui para nos dar bem, não foi?

[Bem, eu acho que é um dado, considerando a diferença de tempo que cada um de nós serviu ao rei. Hahaha! Você não teve tempo para descobrir tudo o que há para saber sobre o rei.]

— Hah, você fala como se soubesse tudo sobre Kang-Woo hyung.

— Com licença? Você pode me ouvir?

A atmosfera se intensificou.

Si-Hun e Balrog estavam se encarando.

Rumble.

Suas energias conflitantes sacudiram o chão, emitindo poder suficiente para facilmente massacrar um arquidemônio médio do Nono Inferno.

[Eu vou te dar uma lição sobre que tipo de comida o rei gosta!]

— Mas você não sabe.

Balrog usou suas mãos gigantes para espetar algo com um hashi—era o conjunto de sashimi que Yeon-Joo havia trazido. Mais especificamente, ele espetou a cabeça de um peixe que veio com o conjunto usado para cozinhar ensopado de peixe picante.

[O rei gosta das cabeças de seres como este!]

— Eu realmente não gosto.

[Vê? Olha como ele parece feliz!]

— Eu realmente não estou.

[Hehehe. Por favor, experimente, meu rei.]

— Não é assim que essa coisa deveria ser comida, droga.

Ele empurrou a cabeça de peixe para longe.

Um cheiro de peixe se espalhou ao redor deles.

— H-Hyung-nim! Por favor, experimente isso em vez disso!

[Meu rei!]

— Ah…

Ele desejava que os dois simplesmente fossem se foder. Kang-Woo cobriu seu rosto com as mãos e enterrou sua cabeça entre os joelhos.


— K-Kang-Woo…

Seol-Ah expressou decepção ao ver Kang-Woo fugindo de Balrog e Si-Hun.

— Eu queria fazer isso também…

Ela girou o kimbap com seus hashis.

Lilith se aproximou dela e perguntou: — Hoho. Como foram as coisas ontem?

— U-Umm, eu não…

— Hmm. Falta-lhe coragem. Eu honestamente desejei que você tivesse sucesso.

— …

Han Seol-Ah permaneceu em silêncio e cuidadosamente abriu a boca.

— Uhm… Você está bem com isso, Sra. Lilith?

— Desculpe? Com o quê?

— Se… umm… as coisas d-derem certo entre mim e Kang-Woo, você estaria…

Ela não conseguia se expressar facilmente.

Lilith riu.

— Eu não me importo.

— Perdão?

— Um rei deve ter múltiplos amantes.

— …

Era uma forma de pensar que ela não conseguia aceitar facilmente como alguém nascido e criado na Coreia.

— Fufu, eu estava apenas brincando.

— Oh… S-Certo?

— Sim. Serei honesta com você. — Lilith sorriu amargamente enquanto olhava para o céu azul. — Acho que seria ótimo se alguém pudesse confortar o rei.

— …

— Você ouviu alguma coisa sobre o que o Mestre Kang-Woo experimentou no Inferno, Seol-Ah?

— N-Não.

Ela balançou a cabeça.

Com olhos profundos e afundados, Lilith disse: — Ele age como se não o incomodasse mais, mas… ele foi machucado além de suas mais loucas crenças.

— …

— Fufu. Apesar de sua maneira fria de falar, ele é uma pessoa muito afetuosa. Você sabe por que o rei declarou guerra aos príncipes do Inferno?

— Não…

— Foi por causa daquela bola de músculos enorme ali.

— Sr. Balrog?

Lilith assentiu enquanto fazia um sorriso agridoce. — Ele fez de cada príncipe do Inferno seu inimigo—tudo para salvar aquela bola de músculos. É assim que ele é bondoso. Então… ele provavelmente se machucou muito.

A última frase de Lilith carregava uma quantidade inexplicável de emoção.

Seol-Ah permaneceu em silêncio. Ela sentiu inveja e ficou frustrada pelo fato de que Lilith conhecia um Kang-Woo que ela não conhecia.

— Fufu. Nesse caso, espero que você consiga ter sucesso pelo menos hoje. — Lilith se levantou e acenou.

Seol-Ah se levantou enquanto a observava ir embora.

— Eu não… quero mais hesitar.

Ela percebeu que havia começado a corrida muito depois de Lilith.

Seol-Ah respirou fundo antes de se virar.

— Eu provavelmente vou falhar.

Depois de conversar com Lilith, ela percebeu como seria difícil capturar o coração de Kang-Woo.

— Ela é tão bonita e pensa tanto em Kang-Woo, e ainda assim…

Se Lilith não conseguiu capturar o coração de Kang-Woo, Seol-Ah não achava que ela sequer tinha uma chance.

Mas…

— Eu pelo menos… quero que ele saiba dos meus sentimentos.

Seol-Ah caminhou em direção a onde Kang-Woo havia escapado, seus olhos brilhando. Ao entrar na floresta, ela viu Kang-Woo fazendo uma pausa e se encostando em uma árvore.

— Kang-Woo.

— Sim? O que foi?

— T-Tem algo que eu quero te dizer.

Seol-Ah fechou os olhos e sentiu sua cabeça girar.

— C-Como devo dizer a ele?

Ela havia recebido confissões de amor inúmeras vezes, mas era a primeira vez que fazia uma.

— Primeiro…

Ela estendeu a mão e gentilmente pegou a mão de Kang-Woo.

— Hm?

— Eu… E-E-E-E-E-Eu…

Seus olhos estavam girando, e sua cabeça estava confusa.

— Como devo usar o que Kang-Woo gosta…?

Ela apenas deixou seus lábios se moverem sozinhos.

— E-Eu quero fazer ensopado de kimchi para você pelo resto da minha vida.

— Sua idiooota!!!

Ela havia pedido ele em casamento do nada.

Não, não era nem mesmo um pedido—era mais próximo de uma piada.

Seol-Ah queria gritar de vergonha.

— Ele vai pensar que eu sou uma mulher estranha, certo? Ele vai se perguntar sobre o que diabos eu estou falando, não vai?

Todos os tipos de pensamentos negativos rodopiavam em sua mente. Justamente quando ela estava prestes a se virar e fugir a toda velocidade de vergonha…

— Sniff.

— Hm?

— Waaaaahh. Eu estou… tão feliz por ter nascido. Waaaaah! — Kang-Woo estava comovido até as lágrimas e desabou no chão. — Eu farei você feliz pelo resto da minha vida, querida.

— …

Segurando sua mão, ele olhou para ela com olhos brilhantes.

O que Lilith havia dito a ela no dia anterior passou pela mente de Seol-Ah.

— Conquistar o coração do rei demônio não será fácil. Eu tentei por muito tempo, mas… eu falhei.

— Huh?

Tinha sido moleza.

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