
Capítulo 122
Depois de Dez Milênios no Inferno
Capítulo 122 - Máscara Vermelha (1)
— E onde está essa Gaia? — Oh Kang-Woo perguntou.
— E-Eu não sei — o assassino respondeu.
— Hmm.
Kang-Woo assentiu.
Seria estranho se um membro do Culto Demoníaco soubesse onde estava a líder dos Guardiões.
— Vou precisar verificar isso.
Ele tinha que entrar em contato com os Guardiões e descobrir mais sobre a identidade de Gaia.
— Há mais alguma coisa que você saiba sobre Gaia? — Kang-Woo perguntou.
— E-Eu só sei que é uma mulher e que ela tem a habilidade de encontrar outros Protetores.
— Entendo.
Kang-Woo assentiu.
— Então ela deve ter sido quem descobriu sobre o Si-Hun.
Isso tornava a situação mais fácil de lidar. Considerando que existiam poucos Protetores, Gaia provavelmente tentaria entrar em contato com Kim Si-Hun novamente, mesmo que Alec Osborne desaparecesse.
— Ela virá até mim, desde que eu continue esperando.
Não havia necessidade de Kang-Woo tentar encontrá-la. Enquanto Si-Hun estivesse por perto, um encontro com Gaia era inevitável.
— Essa foi uma boa informação — Kang-Woo disse, sorrindo satisfeito.
Ele teria preferido que o assassino tivesse recebido informações mais específicas, mas estava feliz com o que tinha conseguido no momento.
— Então me deixe i—
— Certo, última pergunta. Eu vou te deixar ir se você responder — Kang-Woo continuou com uma voz calma. — Me diga tudo o que você sabe sobre o Culto Demoníaco — suas forças, locais, tabus, objetivos e qualquer outra coisa.
— …
A expressão do assassino endureceu. Houve um silêncio pesado, e sua respiração ficou mais forte.
Kang-Woo sorriu. Era como ele esperava.
— Estou supondo que você morrerá se falar.
Nesse caso, não havia mais sentido em ouvir o assassino.
— Kurgh. E-Eu darei qualquer outra informação que você quiser! Então…
O assassino ficou ansioso. Ele estava desesperadamente tentando se agarrar à sua vida. Kang-Woo colocou sua mão nas costas do homem como se estivesse tentando acalmá-lo.
— Um acordo só é estabelecido quando ambos os lados têm o que o outro quer. Eu posso te dar sua vida. O que você pode me dar?
O assassino falou desesperadamente sobre a situação na Europa, o quão grande os Guardiões estavam ficando e todas as informações que ele conseguia pensar. No entanto, não havia nenhuma informação sobre o Culto Demoníaco que Kang-Woo queria ouvir.
— Obrigado pela informação — Kang-Woo disse.
— E-Espere!
Kang-Woo concentrou a Autoridade das Ondas em sua mão que estava nas costas do assassino. Ele transformou as entranhas do assassino em mingau.
O assassino tossiu sangue e desabou no chão.
— Agora então…
Kang-Woo estendeu a mão, tirou a máscara vermelha que estava cobrindo o rosto do assassino e colocou-a no seu. A máscara grudou em seu rosto, mesmo que não tivesse nenhum mecanismo de fixação.
— Vamos começar.
Os olhos espreitando através da máscara de demônio vermelha estavam sorrindo.
Kang-Woo saiu da fábrica abandonada usando a máscara. Era hora de colocar seu plano em ação.
* * *
— Urgh, estou exausto.
Alec, que havia retornado ao seu quarto de hotel, jogou-se na cama.
Ele tinha encontrado Si-Hun logo após um voo de 10 horas e, mais tarde, até lutou contra um membro do Culto Demoníaco, então ele havia acumulado muita fadiga.
— Eu vou ver Si-Hun novamente amanhã.
Protetores eram seres muito preciosos. Ele não tinha intenção de desistir só porque Si-Hun tinha recusado uma vez.
Alec se lembrou dos olhos de Si-Hun. Eles tinham olhado para ele intensamente, cheios de inveja e paixão.
— Eu posso convencê-lo.
Alec apertou as mãos com uma expressão extremamente confiante. Ele tinha certeza de que Si-Hun simpatizaria com sua convicção.
— Deixando isso de lado…
Ele pensou em Oh Kang-Woo, o homem que havia se revelado como irmão jurado de Si-Hun.
— Que sensação foi aquela?
A expressão de Alec havia endurecido inconscientemente quando ele tinha segurado a mão de Kang-Woo pela primeira vez. Uma estranha sensação de peso tinha caído sobre ele.
— Hmm.
Ele ficou pensando sobre isso por um momento, mas acabou balançando a cabeça.
— Tenho certeza de que não foi nada.
Aquela estranha sensação tinha sido apenas um leve desconforto. Era errado julgar alguém com base em algo tão trivial.
— Por que você não matou o assassino?
A pergunta que Kang-Woo havia feito a ele depois de sua batalha com o assassino surgiu em sua cabeça.
— Haha. Acho que seria difícil para ele entender — Alec comentou.
Seu ideal de salvar todas as vidas… Alguém que não fosse um Protetor não seria capaz de entender tais ideais que haviam despertado dentro dele desde que ele se tornou um.
— Mas tenho certeza de que Kang-Woo também entenderá no final.
Ele tinha certeza de que Kang-Woo acabaria entendendo o quão nobre era sua convicção e quantas vidas ela poderia salvar.
— A-Aaah!! C-Como, po-por quê…?! — a voz de Alec ressoou em sua mente como se viesse de uma memória.
— Urgh.
Alec estava com dor de cabeça. Em sua mente, ele se via chorando em desespero sobre o cadáver de uma mulher em um beco.
— Isso não de novo.
Alec suspirou e se deitou na cama.
Tinha começado há um ano. Ele às vezes sofria de uma dor de cabeça intensa e via imagens que pareciam vir de pesadelos.
— Erina… — Alec chamou o nome de uma certa mulher com uma voz cheia de tristeza.
Era o nome da mulher com quem ele havia prometido passar a eternidade. Ela apoiava totalmente suas crenças que outras pessoas tinham dificuldade em entender.
— Sinto sua falta.
Alec fechou os olhos.
Ele pensou na adorável Erina. Já fazia um ano desde que ela tinha desaparecido de repente. Ele tinha tentado desesperadamente encontrá-la, mas ela não estava em lugar nenhum.
— Eu vou te encontrar, não importa o que aconteça.
Alec acreditava que ela estava viva em algum lugar. Encontrá-la era um de seus maiores objetivos.
— Para fazer isso, terei que arrastar Si-Hun para os Guardiões o mais rápido possível.
Alec tinha acabado de começar a investigar o Culto Demoníaco há um ano. Ele acreditava que o desaparecimento dela tinha uma chance muito alta de estar relacionado a eles. No entanto, para investigá-los completamente, os Guardiões precisavam expandir suas forças.
— Mas vou descansar por hoje.
A dor de cabeça não estava passando, e o olhar de nojo de Kang-Woo estava gravado nas memórias de Alec. Alec acabou decidindo que seria melhor dormir primeiro e pensar depois.
— Kyaaaa!
No entanto, ele de repente ouviu uma mulher gritar. Não era apenas um grito de surpresa, mas o grito de uma mulher que temia por sua vida.
Alec levantou-se rapidamente. Ele pegou sua espada e correu para onde o grito tinha vindo.
— Em cima.
Era o telhado do hotel. O telhado era bem longe, mas Alec tinha sido capaz de dizer exatamente de onde o grito tinha vindo com sua audição sobre-humana.
— Espero que nada tenha acontecido!
Alec correu para o telhado freneticamente. Ele não tinha certeza do que tinha acontecido, mas ele não podia hesitar se ele queria salvar uma vida. Sua convicção estava brilhando tão intensamente como sempre.
* * *
— Você…
A expressão de Alec endureceu depois de chegar ao telhado.
Um homem com uma máscara de demônio vermelha estava sentado em um parapeito do telhado.
— Você finalmente chegou — o homem mascarado disse e acenou com a mão.
Alec suspirou: — Haaa. Você não se cansa disso, não é?
Ele reconheceu as roupas que o homem com a máscara vermelha estava usando. Era o assassino que o tinha atacado esta manhã.
— Onde está a garota? — Alec perguntou com os olhos semicerrados.
O homem mascarado sorriu enquanto respondia: — Aqui.
Ele estalou o dedo, e o grito de uma mulher soou do nada.
Alec franziu a testa.
— Você me enganou.
— Dizem que quem é enganado é o verdadeiro tolo.
— …
Alec olhou para ele com cautela. Diferente de antes, o homem mascarado parecia muito relaxado. Não havia como ele estar tão relaxado depois de sofrer uma derrota dessas se ele não tivesse um plano.
— Eu não acho que há nenhum outro membro do Culto Demoníaco na área — Alec pensou.
Ele expandiu seus sentidos para procurar ao redor, mas não conseguiu sentir nada.
— Você não aprendeu a lição depois de sofrer uma derrota dessas esta manhã? Você não é páreo para mim — Alec disse.
— Eu não sei sobre isso. Teremos que ver.
O homem com a máscara vermelha pulou do parapeito. Seus olhos espreitaram através da máscara e olharam para Alec.
— Huh? — Alec pensou confuso.
Seus olhos se arregalaram, e ele ficou arrepiado. Olhar nos olhos do homem mascarado fez Alec se sentir como se estivesse em um transe, como se estivesse olhando para um abismo.
— Kurgh — Alec grunhiu e balançou a cabeça.
Sua respiração ficou pesada.
— O que é isso?
Este homem mascarado estava vestindo as mesmas roupas que o homem que o tinha perseguido mais cedo naquele dia. Alec podia até ver a seção de roupas que ele tinha cortado com sua espada. A energia demoníaca que o homem estava emitindo também era aproximadamente a mesma quantidade.
Apesar disso… algo estava errado.
— É diferente.
Alec apertou sua espada, respirou fundo e entrou em uma postura de luta.
O homem mascarado disse: — Há algo que eu quero te perguntar.
— …O que é?
— Eu matei uma mulher enquanto estava fugindo. O grito que você acabou de ouvir era daquela mulher.
— O-O quê?!
A mente de Alec ficou em branco. Ele sentiu como se sua cabeça tivesse sido atingida com uma marreta por trás.
— Você ainda não vai me matar apesar disso?
— …
A mente de Alec agora estava uma bagunça. Ele mordeu os lábios e levantou sua espada. Uma luz branca pura semelhante às suas convicções puras envolveu sua espada.
Os olhos de Alec não mostravam dúvidas enquanto ele respondia: — Sim. Em troca, eu farei você pagar pela vida que você tirou pelo resto de seus dias.
O homem mascarado riu: — Hahaha. Não matar ninguém é realmente tão importante assim?
— Salvar todos é minha convicção.
— Convicção, a minha bunda.
O homem mascarado levantou sua mão, e uma lança vermelho-escura que Alec não tinha visto antes apareceu na mão do homem.
O homem disse: — Pare de falar besteira e venha com tudo.