Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 120

Depois de Dez Milênios no Inferno

Capítulo 120 - Espada da Justiça (3)

Oh Kang-Woo não podia mais deixar Kim Si-Hun e Alec Osborne se encontrarem. Essa foi a conclusão que Kang-Woo chegou depois de ouvir a conversa deles.

Alex era excessivamente honesto e correto.

'Como uma pessoa pode ser assim?'

Ele tinha ficado honestamente chocado com o monólogo de Alec.

Alec tinha falado absurdos como algum protagonista de um mangá shonen.

'Até mangás shonen não são tão vergonhosos hoje em dia.'

Kang-Woo riu incrédulo. Não era que ele achasse que salvar pessoas e proteger os fracos fosse engraçado — ele achava que era digno de elogio.

Mesmo que Kang-Woo não fosse esse tipo de pessoa, ele não zombaria de alguém que fosse.

'Mas salvar todo mundo é demais.'

O problema era que Alec queria salvar todo mundo. No momento em que essa palavra foi mencionada, seu discurso se transformou em nada mais do que as palavras de um louco embriagado de ideais vazios.

Não era uma questão de convicção; era fisicamente impossível.

Kang-Woo não pôde evitar se encolher depois de ouvir alguém dizer algo assim em um tom tão sério… especialmente a parte sobre suprimir pessoas que se transformaram em bestas demoníacas e esperar que uma cura fosse inventada. Essa parte soava como as palavras de um verdadeiro louco.

Não era diferente de alguém dizer que capturaria e trancaria zumbis indefinidamente até que pudessem encontrar uma cura.

'Altruísmo extremo alimenta a insanidade.'

Ele ainda não tinha certeza de que tipo de pessoa Alec era, mas definitivamente se sentia desconfortável com ele.

'Em tais casos, é melhor verificar por si mesmo.'

Não haveria nada que ele pudesse fazer se não tivesse como saber, mas esse não era o caso. Ele não podia ser despreocupado o suficiente para negligenciar o desconhecido.

Kang-Woo usou a Autoridade de Furtividade e seguiu Alec.

'Haaa.' Alec suspirou. 'Eu não pensei que ele recusaria…'

Kang-Woo podia ouvi-lo murmurar. Parecia que Alec estava bastante chocado que seu convite para se juntar aos Guardiões foi rejeitado.

'Mas eu vou convencê-lo, não importa o que aconteça!'

Ele cerrou os dois punhos e gritou.

Kang-Woo franziu a testa.

'Como ele é persistente.'

Ele não gostava de Alec. Si-Hun era seu Familiar, então era fácil fazer Si-Hun recusar a oferta, mas ele não podia impedi-lo de ser influenciado por Alec.

A influência que Alec tinha sobre Si-Hun não era nada útil. Não, havia uma grande chance de que pudesse prejudicar Si-Hun.

'Eu vou ter que fazê-lo desistir de Si-Hun.'

Os olhos de Kang-Woo brilharam intensamente.

Se Alec não queria desistir, não havia outro jeito a não ser a força.

'Quem está aí?!'

Enquanto Kang-Woo estava pensando, Alec gritou de repente.

'Ele me sentiu?'

Kang-Woo levantou a cabeça.

Alec não estava olhando para ele, mas para um beco isolado.

'Estou surpreso que você me notou.'

'Você é…'

Um homem saiu do beco isolado. Ele estava vestindo um manto escuro e uma máscara de demônio vermelha. Energia demoníaca estava emanando ferozmente dele.

A expressão de Alec endureceu.

'Você me seguiu até aqui?'

'Você tem que pagar o preço por se intrometer em nosso plano.'

Alec desembainhou sua espada.

O homem mascarado estendeu as mãos, e garras afiadas semelhantes às de bestas cresceram de seus dez dedos.

'Esse é o assassino que Alec mencionou antes?'

Kang-Woo subiu ao terraço e olhou para o confronto deles.

Alec tinha mencionado que assassinos do Culto Demoníaco estavam vindo atrás dele por causa do incidente anterior em que ele havia se envolvido. A julgar por isso e pelo fato de ele ter perguntado ao assassino se ele o havia seguido até aqui, realmente parecia ser um assassino.

'Que ótimo momento.'

Kang-Woo riu. Era uma ótima oportunidade para obter informações sobre Alec. Também não seria ruim se Alec morresse lutando contra o Cultista Demoníaco. Afinal, o objetivo de Kang-Woo era garantir que Si-Hun não se envolvesse com Alec.

'Isso deve ser interessante.'

Kang-Woo olhou para os dois com grande interesse enquanto ouvia a conversa deles.

'Você realmente deveria descansar agora,' Alec comentou.

'Eu juro que vou te colocar no seu lugar desta vez!' o assassino exclamou com raiva.

Kang-Woo franziu a testa.

'Desta vez?'

Por que um assassino diria algo assim?

Não havia próxima vez para um assassinato; era matar ou morrer.

Mas pela conversa deles, parecia que eles tinham lutado inúmeras vezes.

'O que está acontecendo?'

Kang-Woo decidiu assistir ao confronto deles.

Os dois logo começaram a lutar.

Clang! Clang!

As garras afiadas do assassino miravam em Alec.

Alec levantou sua espada e bloqueou o ataque. Uma luz branca saiu de sua espada e exalou pressão em seus arredores.

A batalha continuou por um tempo.

O assassino era extremamente habilidoso. Ele estava exalando energia demoníaca suficiente para fazer sentido que ele tivesse vindo sozinho para assassinar um Ranker Mundial.

Sua mente não estava sendo corroída pela energia demoníaca. Seus movimentos eram limpos, e seus ataques eram poderosos. Seu controle sobre a energia demoníaca era melhor do que Baek Kang-Hyun e Akiyama, o Cultista Demoníaco com quem Kang-Woo havia lutado no Japão.

'Mas…'

A espada de Alec emitia luz. Ele restringiu os movimentos do assassino enquanto golpeava com sua espada.

Sua esgrima era muito disciplinada. Era tão perfeita que Kang-Woo se perguntou se era assim que seria a esgrima de um artista marcial que dominou a espada ao seu limite máximo.

'Talvez seja porque ele é um Protetor'[1].

Assim como Si-Hun, o talento de Alec também era impressionante.

'Alec venceu essa.'

Não era que a luta tivesse terminado, mas as cartas estavam esmagadoramente a seu favor.

Kang-Woo pareceu desapontado porque ele estava esperando que Alec perdesse.

'Kurgh!'

O assassino do Culto Demoníaco caiu no chão.

Alec se aproximou dele enquanto segurava sua espada.

O assassino percebeu que já tinha perdido, então ele disse em voz baixa, 'Me mate.'

'Acabou.'

A única coisa que restava era Alec decapitar o assassino com sua espada.

Kang-Woo estalou a língua. A batalha tinha terminado mais facilmente do que ele esperava.

'Eu não posso fazer isso.'

'O quê?'

Naquele momento, palavras inesperadas saíram da boca de Alec.

Os olhos de Kang-Woo se arregalaram; ele não podia acreditar no que estava ouvindo.

'Toda vida é preciosa, e a sua não é diferente.'

'Que diabos esse cara está falando?'

'Deixe o Culto Demoníaco. Arrependa-se de seus pecados e viva uma nova vida.'

'…'

A boca de Kang-Woo se abriu. Ele estava sem palavras e não podia acreditar no que Alec estava dizendo.

'Ele é insano?'

Dizer para a pessoa que tentou matá-lo se arrepender de seus pecados e viver uma nova vida?

Isso não era algo que uma pessoa sã poderia dizer.

Ele era a encarnação de Jesus? Como ele podia dizer algo assim tão naturalmente?

'Não essa merda de novo,' o assassino respondeu.

'Eu vou me certificar de persuadi-lo desta vez. Agora, pegue minha mão. Eu vou ajudá-lo a começar sua vida de novo.'

Alec estendeu sua mão, mas o assassino do Culto Demoníaco obviamente não a pegou.

Kang-Woo olhou para as ações inúteis de Alec em choque.

'O que há de errado com esse cara?'

Não era mais uma questão de justiça.

Como uma pessoa em seu juízo perfeito podia agir dessa forma?

Era porque Alec era muito gentil?

'Bobagem.'

Deixar um Cultista Demoníaco que tinha tentado matá-lo viver porque 'toda vida era preciosa' não era gentileza.

'Isso é só ser idiota.'

Alec não podia estar fazendo isso a menos que ele fosse impensado, ou ele fosse descerebrado. Não era diferente de deixar um serial killer hediondo sair com apenas um leve aviso depois de dizer a eles para se arrependerem de seus pecados e começarem sua vida de novo.

A cabeça de Kang-Woo ficou confusa.

'Hup!'

Boom!

'Guh?!'

O assassino, que estava no chão, jogou algo de seu bolso. Uma explosão alta soou, fumaça cobrindo todo o beco.

O assassino se levantou e fugiu. Alec o perseguiu.

'Pare aí mesmo!'

'Eu vou te pagar por essa humilhação da próxima vez!'

O assassino correu para fora do beco.

Naquele momento, uma mulher entrando no beco colidiu com ele.

Crack!

Ela nem conseguiu gritar. Ela tinha colidido com um Jogador de nível Ranker correndo em velocidade máxima. O impacto, que foi maior do que ser atingido por um caminhão, a lançou para longe.

'A-Aaah…'

Alec, que estava perseguindo o assassino, parou. Sua boca se abriu.

A mulher que tinha colidido com o assassino foi jogada na parede, morrendo instantaneamente.

'N-Nãoooo!!' Alec gritou em desespero enquanto segurava o cadáver da mulher. 'Sniff! C-Como, p-por quê…?!'

Alec chorou por um tempo, segurando o cadáver da mulher.

Kang-Woo olhou para ele em descrença.

'Você está seriamente perguntando por que isso aconteceu?'

Ele realmente não sabia por quê?

'Eu não aguento mais.'

Ele pensou que morreria de câncer nesse ritmo.

Enquanto se continha para não xingar, Kang-Woo pulou do prédio.

Alec, que estava chorando enquanto segurava o cadáver da mulher, se levantou e saiu do beco.

'O que diabos você pensa que está fazendo?'

'… Kang-Woo?'

Alec ficou surpreso com a aparição repentina de Kang-Woo.

'Por que você não matou o assassino?'

'Você estava assistindo?'

'Apenas responda à pergunta.'

Colocando sua mão no punho de sua espada, Alec respondeu, 'Todas as vidas são preciosas, e o mesmo vale para os Cultistas Demoníacos. Eu não posso tirar a vida de alguém tão facilmente.'

'Hah.' Kang-Woo riu em descrença. 'Mesmo quando uma pessoa inocente morreu por causa disso?'

'…'

Kang-Woo cuspiu tudo para fora, 'Se você tivesse matado aquela pessoa, aquela mulher não teria morrido. Isso é sua culpa. Você é a razão pela qual ela morreu.'

'…'

Houve um silêncio pesado, e Alec lentamente abriu sua boca.

'O que… você quer dizer? Uma pessoa inocente morreu?'

'O quê?'

'Eu deixei o assassino escapar por entre meus dedos, mas não houve vítimas.'

'Que diabos você está falando? A vítima está bem ali.'

Kang-Woo apontou para o cadáver da mulher no beco.

Os olhos de Alec se voltaram para o cadáver.

'Onde?'

'… O quê?'

Alec inclinou sua cabeça em confusão. 'Não tem nada lá.'


[1] - Indivíduos com uma habilidade inata de proteger e curar.

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