Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 688

Meu Talento Se Chama Gerador

"Vocês têm uma organização?" perguntou Dravon, com um tom de cautela na voz. "Como ela se chama?"

Ao perguntar de Dravon, meus pensamentos viajaram de volta ao momento em que Aurora finalmente perdeu a paciência com todos nós.

Estávamos dentro da nave, na sala de jantar perto do bar. Os motores estavam silenciosos, a nave navegando no piloto automático, e, pela primeira vez, não havia urgência alguma nos pressionando. Todos nós nos reuniamos ali por motivos diferentes ou, pelo menos, achávamos isso.

Ragnar e Primus já estavam sentados no bar, com os copos na mão. Ragnar recostou-se na cadeira, rindo alto de algo que só ele achava graça, enquanto Primus ouvia com um sorriso discreto, a bebida quase sem sorver, mas sempre reabastecida. Steve e eu estávamos encostados no balcão, ao lado dos dois homens que estavam bebendo.

Knight sentou-se no canto, com um copo na mão, imóvel, como se a cadeira tivesse crescido ao seu redor. Parecia uma estátua que alguém havia esquecido de remover.

North estava perto da mesa longa, postada ereta, calma como sempre. Silver tinha se sentado ao lado dela, ajustando as mangas a cada poucos minutos e olhando seu reflexo na superfície polida da mesa. Lyrate sentava-se do outro lado, de braços cruzados, olhos semi-baços, claramente avaliando todos ao redor.

Eu estava quase falando quando Steve coçou os olhos ao ver Silver.

"...Por que você tem barba?"

O silêncio tomou conta por meia segundo.

Silver tocou o queixo lentamente, como se só agora estivesse se lembrando que ele existia. "Estou tentando um novo visual."

Ragnar explodiu em uma risada quase derrubando a bebida. "Barba? Essa é sua prioridade agora? Tente aprender uma habilidade nova, quem sabe uma que não perca pelos."

"Está bem cuidado," retrucou Silver. "E combina comigo."

North olhou para ele, com expressão neutra. "Realça... sua idade."

Silver clareou o sorriso de imediato. "Viu?"

Lyrate fez um som de reprovação com a língua. "Parece que quer se diferenciar de uma garota. Uma barba é uma boa escolha."

Silver ficou pra baixo.

Steve sorriu. "Ela tem um ponto."

Antes que os comentários pudessem continuar, a porta deslizou e se abriu.

Aurora entrou.

Ela bateu as mãos uma vez, alto.

"Sentem-se. Agora."

Só o tom já fez Ragnar descer da cadeira e pegar outra. Primus colocou seu copo na mesa e se ajeitou. Steve suspirou, mas obedeceu. Até Knight se moveu um pouco, o que já dizia muita coisa.

Aurora se posicionou no centro da sala, com as mãos na cintura.

"Isto," ela disse, "é uma sessão formal."

Steve levantou uma sobrancelha. "Desde quando você faz coisa formal?"

"Desde que todos vocês são incapazes de concordar numa coisa simples," ela retrucou. "Precisamos de um nome. Um nome. Para nossa organização. E hoje vamos decidir qual será."

Lyrate recostou-se. "Qualquer coisa que você sugerir, eu discordo."

Aurora apontou para ela. "Anotado. Irrelevante."

Lyrate sorriu de lado. "Idiota."

Aurora deu uma batida na mão, e a Essência se inflou no ar acima da mesa. Linhas de luz formaram palavras, uma após a outra, pairando como projeções.

Steve assobiou. "Você fez uma lista?"

"Uma bem comprida," Aurora disse orgulhosa. "Porque toda vez que sugiro alguma coisa, alguém chora."

"Eu não choro," Steve afirmou. "Só rejeito ideias ruins de forma veemente."

A primeira sugestão apareceu.

Panteão das Lendas.

Steve geme ao vê-la. "Não."

"É inspirador," Aurora argumentou imediatamente.

"Parece história infantil," retrucou Steve. "Ainda não somos lendas. Nem ninguém sabe quem somos. Chamar assim agora só vai nos transformar em uma piada pelo universo."

Aurora cruzou os braços, claramente ofendida. "Esse é o objetivo. É para nos inspirar a virarmos lendas. É com uma visão de futuro."

Ela falou devagar, como se estivesse explicando algo óbvio para uma criança teimosa.

Steve virou a cabeça de lado. "Ainda não gosto."

Ragnar inclinou a cabeça, pensando seriamente. "Eu até que gosto."

Lyrate bufou alto.

Aurora respirou fundo. "Certo. Resolvemos. Como Ragnar gosta, Lyrate e Steve odeiam, é claro que nós não gostamos."

Ela balançou a mão, e a palavra desapareceu. "Próximo."

Eixo dos Desafiadores.

Aurora endireitou-se um pouco, visivelmente mais envolvida agora. "Escolhi esse por um motivo," ela disse antes que alguém pudesse interromper.

"Um eixo é algo ao redor do qual tudo gira. E desafiadores porque é exatamente assim que somos. Não nos curvamos só porque alguém mais forte existe. Não seguimos o fluxo só porque o universo manda. Ficamos no centro e forçamos tudo ao redor a se ajustar."

Ela olhou ao redor da mesa, certificando-se de que todos estavam ouvindo.

"Não é barulhento. Não é arrogante. Apenas afirma um fato. Nós desafiamos o que não gostamos."

Primus estudou o nome em silêncio por alguns segundos, depois assentiu. "Na verdade, combina."

Depois de um momento, Steve também concordou, tentando não parecer concordar facilmente. "Sim. Nada mal."

"Gostei," eu disse simplesmente.

Aurora estreitou os olhos para nós três. "Vocês estão concordando rápido demais. Isso é estranho."

Lyrate se inclinou, apoiando o queixo na mão. "Lógica falha."

Todos olharam para ela.

"Desafio é reativo," ela continuou calmamente. "Nos define pelo que enfrentamos, não pelo que implementamos. Se o inimigo mudar, o nome perde o significado. Um nome deve permanecer mesmo quando não houver mais ninguém ou nada para desafiar."

Knight finalmente falou do canto, com voz baixa, mas firme. "Gosto."

Aurora levantou as mãos. "Ótimo. Estamos divididos de novo."

Ela suspirou, Жla a projeção e murmurou: "Por que nomear é mais difícil do que matar?"

Outro movimento de dedos dela.

Os Primeiros Executores.

Knight finalmente falou. Uma palavra. "Pesado."

Aurora ficou satisfeita. "Boa aprovação do Knight."

"Ele não aprovou," disse Lyrate. "Ele afirmou peso."

Silver tossiu. "Que tal algo mais elegante?"

Aurora olhou fixamente para ele. "Isso aqui não é marca de moda."

Silver se aproximou de North. "Ela está bem hostil hoje."

North respondeu com calma. "Você mesmo deixou crescer uma barba."

Aurora continuou passando nomes. Alguns foram rejeitados imediatamente. Outros provocaram breves debates. Alguns morriam assim que Lyrate abria a boca.

Durante tudo isso, fiquei quieto, observando a discussão, as risadas, as interrupções, e, de algum modo, ouvindo tudo. Estava gostando do calor na sala.

Então Aurora parou.

As projeções desapareceram.

Ela cruzou os braços e me olhou diretamente.

"Você ficou quieto."

"Estou ouvindo," eu disse.

Ela concordou. "Ótimo. Então escute isto. Este é o último nome que tenho. Se vocês não concordarem com ele, eu me demito."

A sala ficou em silêncio. Primus se inclinou um pouco para frente. Ragnar deixou de sorrir. Até Steve demorou a falar.

Ninguém queria fazer o que Aurora vinha fazendo com tanta paciência.

Ela levantou a mão novamente, e a Essência formou uma última frase.

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