Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 640

Meu Talento Se Chama Gerador

Depois que Knight levou Romothese, eu escapuli da torre dos Enviados. Procurei Horus.

Com um único pico de velocidade, o mundo se tornou um borrão, florestas e planícies passando num rastro sob mim, até que a cidade familiar de Horus surgiu à minha vista.

Steve e North aguardavam em um dos campos de treino perto da fortaleza interior. Estavam próximos, sussurrando sobre a batalha anterior. A espada de Steve descansava sobre o ombro, com relâmpagos ainda cintilando ao redor da lâmina, e North encostada a uma coluna de pedra, com o cabelo solto atrás da cabeça.

Ambos se endireitaram ao perceber minha presença ao lado deles.

Steve sorriu. "Você voltou."

North deu um olhar ligeiramente cansado, embora um leve sorriso estivesse em seus lábios. "Tudo resolvido?"

"Quase," respondi, chegando mais perto. "Mas, por ora, queria verificar como vocês estão."

Steve arqueou uma sobrancelha. "Verificar... a gente?"

"Vocês dois lutaram muito bem," continuei. "Principalmente contra as aberrações."

Steve inflou o peito dramaticamente. "Claro que sim."

Ri baixinho e me voltei para North. Ela abaixou um pouco a cabeça, evitando meu olhar, mas dei um passo à frente e delicadamente levantei seu queixo.

"Você lutou perfeitamente," sussurei suavemente.

Suas bochechas ficaram coradas na hora do beijo. Um beijo rápido e quente, mas suficiente para fazer seus olhos se arregalarem e seus lábios tremerem. Steve tossiu alto ao nosso lado, fingindo que não sorria.

North cobriu o rosto com os cabelos. "Não... não faz isso do nada."

"Não foi do nada," sorri.

"E quanto aos traidores? Alguma novidade?" perguntei.

Steve assentiu. "Sim. Checamos os anéis de armazenamento deles. Luo e Revie tinham tokens de comunicação dentro. Mas eram escondidos. Eles estavam entrando em contato com os Del Rey."

Então a cadeia de evidências já começava a se formar.

Acertei. "Ótimo. Cuidado, ambos. Lana falou em um Plano B. Não sei exatamente o que é."

North deu um passo mais perto. "E quanto ao Fantasma?"

"Resolvido," respondi de forma simples. "E agora, tenho outra coisa para resolver."

Apenas dei um pequeno aceno e desapareci de novo.

*********

Cheguei do lado de fora da câmara de Orobas, escondendo-me no espaço mais uma vez.

Dentro, Orobas e Primus conversavam em voz baixa. A aura do ancestral estava mais fraca agora, mais tênue, refletindo o cansaço após a luta anterior.

Olhei para Primus e enviei-lhe uma mensagem mental.

'Diga a Orobas para formar uma aliança com os Ronics. Incentive-o a visitar o seu ancestral diretamente.'

Primus não hesitou.

Ele deu um passo à frente. "Avô, tenho uma ideia. Os Del Rey não vão parar após hoje. Eles vão atacar novamente. Devemos formar uma aliança com os Ronics."

Orobas piscou, surpreso. "Os Ronics?"

"Sim," disse Primus. "Se os Del Reys conseguiram liberar um Fantasma e enviar aberrações à nossa cidade, é sinal de forças maiores por trás deles. Talvez não consigamos resistir ao próximo ataque sozinhos. Mas, se unirmos nossa força à dos Ronics, ficaremos muito mais fortes contra o que eles estiverem planejando."

Orobas massageou as têmporas. "Humm… talvez. Mas Paltius é teimoso."

Primus insistiu. "Se os Del Reys estão planejando algo grande, os Ronics também estarão na mira. Se cairmos, eles caem. Se eles caírem, nós também."

Orobas olhou firme para ele. "Tem certeza disso?"

Primus assentiu. "Absoluta."

Pus mais uma linha na mente dele. "Diga a ele que você o acompanhará. Deixe claro que é urgente."

Primus prosseguiu imediatamente. "Devemos ir juntos. Você, eu e o pai. Mostrar união. Mostrar força."

Orobas soltou um suspiro final. "Tudo bem. Vamos."

Primus virou-se para partir. Orobas o seguiu, com chamas surgindo levemente ao redor dos braços novamente, indicando que se preparava para a jornada.

'Pois assim fica mais divertido,' pensei e sorri.

*******

Primus rapidamente reuniu Dorian e explicou a situação. Dorian hesitou a princípio, mas Primus o convenceu em poucos minutos, falando sobre a traição dos Del Rey, o risco de espiões escondidos e a ameaça crescente a ambos os clãs.

Finalmentе, Dorian assentiu, embora com alguma dúvida no rosto.

"Tudo bem. Vamos. Se o que você diz for verdade, pelo menos podemos conversar com eles."

Ele fez uma pausa, franzindo a testa. "Mas como você sabe que os Ronics não estão envolvidos nisso tudo?"

Primus hesitou por um momento; a pergunta claramente o pegou de surpresa. Depois, deu uma pequena encolhida de ombros.

"É exatamente por isso que precisamos falar com eles," respondeu. "Se recusarem mesmo após tudo que aconteceu hoje, só vai provar que eles têm ligação com os Del Rey. A reação deles vai falar mais do que qualquer outro sinal."

Dorian respirou fundo lentamente e perguntou: "Você quer que os três - eu, você e o pai - vamos? Quem vai cuidar da cidade? Ainda está se estabilizando."

Primus respondeu sem preocupação. "Fica tranquilo. Steve e North ficarão por aqui. Ambos são capazes de manter a cidade segura até voltarmos."

Dorian pareceu relutante por um instante, mas depois exalou e assentiu. "Tudo bem, vamos fazer do seu jeito."

Primus sorriu levemente.

Os três — Orobas, Dorian e Primus — decolaram juntos, rumo ao céu.

Assim que desapareceram na linha do horizonte, chamei Silver. Um círculo brilhante se abriu ao meu lado, e ele saiu, esticando suas asas largas. As penas reluziam suavemente como prata polida.

A primeira coisa que fez foi soltar um suspiro dramático.

"Puta que pariu, tava ficando entediado," murmurou, mexendo as asas. "Por que você sempre me prende no núcleo?"

Ri baixinho. "Pode ficar fora. Mas, por enquanto, aqui não acontece nada interessante. Se quiser ação de verdade, espera até chegarmos na sede dos demônios. Aí sim, pode fazer o que quiser."

Silver inclinou a cabeça. "Fazer o que eu quiser, é?"

"Sim," respondi. "Mas lembre-se, eles podem te capturar e te prender como uma ave rara."

Ele congelou.

Depois bufou alto. "Como se alguém conseguisse me pegar."'

Sorrir. "Ótimo. Quero que fique escondido, cuidando da cidade enquanto eu estiver fora. Ninguém deveria perceber sua presença. Mas, se algo acontecer, intervene."

Silver se endireitou com orgulho. "Com certeza. Vou ficar de guarda. Não vai passar nada por mim."

"Sei," disse. "Por isso, deixo tudo nas suas mãos."

Ele inflou o peito. "De boas." Aproveitei a deixa e acenei com a cabeça, sumindo de novo.

Momentos depois, segui Orobas, Dorian e Primus em direção à capital Ronica.

A viagem até lá durou poucos minutos na nossa velocidade. Uma tênue cintilância violeta apareceu no horizonte, representando a barreira da cidade. Diferente da aura de fogo dos Bloodreavers, o escudo dos Ronics brilhava como luz de estrelas, suave e profunda.

Orobas desacelerou. Dorian e Primus também pararam, pairando acima da névoa violeta, logo fora das muralhas da fortaleza.

A cidade virou um mar de atividade instantaneamente. Dezena de Ronics avançaram ao ar, com armas reluzindo em tons de roxo.

Um demônio mais velho emergiu da torre central. Sua expressão dura, mas curiosa, ao se aproximar dos três visitantes.

"Ancestral Orobas," disse ele. "Dorian. O que trouxe vocês aqui repentinamente?"

Era Paltius, o chefe da família Ronica.

Orobas deu um passo à frente. "Precisamos conversar sobre algo importante. Envolvendo os Del Rey."

Paltius fechou os olhos, de repente mais sério. Acenou com a mão. "Sigam-me."

Os Ronics baixaram as armas, e o trio entrou na fortaleza.

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