
Capítulo 635
Meu Talento Se Chama Gerador
O olhar de Gyros finalmente se fixou em Romothese. Sua voz diminuiu, tornando-se mais fria e cortante.
"O que tem a dizer por si?"
Romothese engoliu em seco. Suas chamas azuis balançavam fracamente ao seu redor enquanto ele tentava levantar sua lâmina, não com intenção de atacar, mas por confusão.
"Eu... Eu não sei o que aconteceu," ele disse, a voz trêmula. "Num momento eu estava na propriedade Del Rey... no próximo, estava inconsciente. Acordei só para me encontrar dentro da câmara do ancestral Bloodreaver." Ele balançou a cabeça lentamente, olhando para todos nós. "Quando recuperei a consciência... as costas dele estavam bem na minha frente. E minha espada... minha espada já estava erguida. Juro que não planejei isso, alguém me colocou ali!"
Orobas rugiu imediatamente, o som desprendendo destroços da ruína ao redor.
"Você foi deixado na posição perfeita para me cravar pelas costas!" ele gritou. "Sua lâmina já estava tocando minha pele! Se eu não tivesse acordado naquele momento, estaria morto!"
Romothese estremeceu com a acusação. "Orobas, escute. Eu não ataquei você. Não tive intenção de tudo isso acontecer. Alguém está me colocando numa tremenda armação!"
"Colocando você numa armação?" um dos grande mestres Bloodreaver rosnou. "Então explique o Fantasma na nossa cidade!"
Outro gritou, "Explique por que eles vieram aqui! Explique por que as aberrações atacaram só a gente!"
A face de Romothese se fechou, tomado de pânico. "Não sei! Eu realmente—"
"Você espera que a gente acredit e nisso?" interrompeu Gyros. Correntes de sangue giravam ao redor dele em fias visíveis, elevando-se como névoa vermelha do chão. "Você sempre quis enfraquecer minha alcateia. E agora vem dizer que apareceu na minha câmara por acaso?"
"Embaixador," disse Romothese desesperado, voltando-se para Gyros, "você precisa ver. Eu fui manipulado! Alguém me trouxe lá pra criar exatamente essa situação!"
Gyros permaneceu em silêncio por alguns instantes, observando-o com cuidado. Sua aura tinha ficado mais suave, mas por pouco. Os demônios ao redor estavam inquietos, se mexendo, esperando o menor sinal de perigo.
Dorian deu um passo à frente. "Senhor Embaixador, olhe para o campo de batalha," ele disse. "Veja a destruição. O Fantasma chegou ao núcleo da nossa cidade. As aberrações atacaram só a gente. Só nossa alcateia foi emboscada. E então Romothese aparece na câmara do nosso ancestral, com a espada erguida? Isso não é coincidência."
Um coro de concordância se levantou ao redor de nós, dos Bloodreavers.
"Ele nos traiu!"
"Ele se aliou aos Eternals!"
"Prendam-no agora!"
Romothese parecia completamente encurralado. "Eu não traí ninguém!"
Gyros finalmente levantou a mão, silenciando a multidão.
"Entendo sua fúria. Esta situação está longe do comum." Ele olhou entre Orobas e Romothese, depois para a destruição lá embaixo. "Mas preciso evitar uma guerra desnecessária entre duas famílias antigas. Se agirmos errado agora, o mundo inteiro sofrerá. Suas famílias já estão em conflito, e isso só vai inflamá-lo ainda mais."
Ele apontou a espada para baixo.
"Vou investigar tudo a fundo. Permitam que eu o prenda."
Uma onda de protestos se ergueu instantaneamente.
"Não!"
"Ele não pode ser confiável!"
"Ele vai escapar novamente!"
"Vamos matá-lo!"
A voz de Gyros cortou entre eles. "Chega." Seu tom carregava uma ordem que ninguém podia ignorar. "Se vocês o matam agora e ele for inocente, as consequências vão reverberar por todas as cidades e demônios ligados aos Del Rey. Se ele for culpado, serei eu quem o executará pessoalmente."
Orobas lançou um olhar de fúria, o peito inflamado de fogo. "Você pede demais, Embaixador."
"Peço ordem," respondeu Gyros, fixando os olhos nele. "E paz. Sua alcateia acabou de sobreviver a um ataque de um Eterno Transcendente. Se começarem outra guerra hoje, vocês não se recuperarão."
O ar ficou completamente imóvel.
Até Orobas ficou em silêncio por alguns segundos, suas chamas girando ao redor, mas a sua espada permaneceu congelada no lugar. Ele parecia dividido entre a fúria e o senso de responsabilidade.
Gyros deu um passo à frente, abaixando sua aura o suficiente para parecer controlado.
"Deixe-me levar Romothese," ele disse. "Vou descobrir a verdade. Juro isso pelo nome de nosso demônio ancestral."
Os demônios ao redor trocaram olhares, suas faces contorcidas de raiva, desconfiança e frustração. Nenhum deles confiava no Embaixador, mas também não queriam acender uma guerra total na alcateia.
Fiquei quieto, sem me mover, apenas observando tudo acontecer exatamente como eu planejava. Gyros tinha caído na armadilha sem nem perceber.
Enviei uma mensagem calma para Primus.
Ele assentiu discretamente e deu um passo à frente, com chamas ainda suavemente brilhando pelos braços.
"Avô," disse Primus, com a voz firme, mas cansada, "deixemos esse assunto para o Senhor Embaixador. Agora precisamos nos concentrar em recuperar os feridos... e em entender como o Fantasma e seu exército conseguiram chegar até aqui. Temos que reforçar nossas defesas. Não sabemos se este foi o fim do ataque."
Orobas olhou para ele com firmeza, estreitando os olhos. "Primus?" perguntou, como se confirmando que ouviu certo.
Primus assentiu. "Precisamos nos preparar. Pode vir outra ameaça."
Orobas abriu a boca para argumentar, mas Gyros o interrompeu suavemente.
"Primus tem razão," disse o Embaixador. "E também preciso alertar as outras duas famílias e enviar um relatório para Dragos. Precisamos verificar todas as frentes. Como um Fantasma Transcendente conseguiu passar pela defesa? Como essa brecha aconteceu? Também vou precisar investigar isso."
Por um momento, as chamas de Orobas aumentaram. Eu consegui ver a luta dentro dele, sua fúria contra sua responsabilidade. Mas, com Primus e Gyros reforçando o raciocínio, ele finalmente baixou sua espada.
"Tudo bem," ele rosnou. "Façam como acharem melhor. Mas a alcateia Bloodreaver vai conduzir sua própria investigação. E se eu encontrar uma única prova contra os Del Rey... uma só... juro pelo nosso sangue, mesmo que seja a última coisa que faça, irei acabar com os Del Rey."
Gyros deu um único aceno rígido. "Tudo bem. Vou voltar para a capital e relatar tudo. Também vou colocar Armus em alerta."
Ele agarrou o Romothese enfraquecido com uma mão. Chamas azul-escuras piscavam fracamente dos braços do ancestral Del Rey enquanto ele tentava falar, mas Gyros não deu chance.
O Embaixador virou-se para o horizonte e partiu, atravessando o ar como uma lança de pressão e vento.