Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 632

Meu Talento Se Chama Gerador

A câmara ancestral estava silenciosa, exceto pelas ondas lentas e constantes na poça de sangue. O ancestral Bloodreaver flutuava acima do tablado de madeira, em meditação profunda, sua respiração tão suave que parecia estar quase dormindo. Se alguém entrasse naquele momento, acharia que ele era inofensivo.

O Cavaleiro apareceu atrás dele, saindo silenciosamente das sombras. Carregava o ancestral Del Rey ainda inconsciente, parado na mesma postura exata em que estivera ao tentar apunhalar o ancestral Bloodreaver anteriormente.

Com a lâmina levantada, braço estendido, corpo inclinado para frente.

Silenciosamente, o Cavaleiro colocou-o na mesma plataforma atrás do ancestral em meditação. Romothese parecia uma estátua pronta para atacar.

Então, o Cavaleiro levantou dois dedos.

Uma suave onda de essência pulsou ao redor, silenciosa mas afiada, e atingiu o ancestral Bloodreaver na testa, desfazendo as sombras que prendiam o ancestral Del Rey.

Seus olhos se abriram de repente.

Seu corpo se ergueu com um movimento brusco, recuando rapidamente, invocando sangue e fogo ao redor dos braços por puro instinto. Sua expressão mudou de confusão para alerta. Ele girou, esperando ver uma emboscada.

E a primeira coisa que viu foi outro demônio atrás dele, com a lâmina erguida, a uma respiração de clavá-lo.

"O quê—!" A voz do ancestral Bloodreaver quebrou de choque.

Romothese piscou e acordou ao mesmo tempo, ofegando enquanto seu corpo retomava os movimentos. Seus olhos se arregalaram ao ver o ancestral Bloodreaver encarando-o com intenção de matar.

Ele parecia perdido… mas não teve tempo de falar.

Antes que qualquer ancestral pudesse reagir mais, o Cavaleiro desapareceu, mergulhando de novo no espaço. Um instante depois, apareceu fora da câmara e acertou um soco.

BOUM!!

As paredes estreitas da câmara tremeram violentamente com a força do impacto vindo de fora. A reverberação ecoou por toda a estrutura.

Fissuras se espalharam pelo teto. Poeira caiu em pedaços.

Outro impacto.

E, finalmente, o teto cedeu.

A câmara desabou sobre si mesma, enviando destroços e pedras encharcadas de sangue sobre ambos os ancestrais. Ambos recuaram de surpresa, pulando em direções opostas enquanto o tablado de madeira se desfez sob os escombros caindo.

O ancestral Bloodreaver não esperou. Seus ouvidos captaram os sons distantes — explosões, gritos, fogo e o rugido inconfundível do nevoeiro mortal se espalhando pela cidade. Sua expressão se afinou, a fúria inundando seus olhos.

Ele lançou-se para cima, asas de sangue e fogo explodindo atrás dele enquanto se preparava para escapar do caos na câmara em ruínas.

Mas Romothese, ainda confuso e tentando entender como acordara dentro de uma câmara destruída de frente para um ancestral inimigo, reagiu em pânico.

"Você…!" — ele rugiu, avançando com a lâmina flamejante de azul.

Ele atacou sem pensar, guiado apenas pelo caos de ter despertado numa emboscada.

O ancestral Bloodreaver rugiu e bloqueou o golpe com uma parede de sangue giratório, o líquido se solidificando em um escudo carmesim.

Eles colidiram uma vez, apenas uma, mas foi suficiente para enviá-los voando pela fenda onde o teto tinha desaparecido.

No instante em que emergiram no céu aberto, todos os demônios da cidade olharam para cima.

E ficaram paralisados.

O ancestral Bloodreaver pairava no ar, seu corpo envolto em chamas vermelhas e sangue girando ao seu redor. Do lado oposto, flutuava o ancestral Del Rey, coberto por fogo azul que crepitava selvagemente.

Ambos os ancestrais. Juntos.

Mas não como aliados.

Como inimigos.

A atmosfera mudou instantaneamente.

O Fantasma parou no meio da luta contra Primus, virando a cabeça com interesse. Até Steve e North frearam por um momento, observando para cima.

A expressão de Dorian se contorceu. Vários grandes mestres abaixo pareciam surpresos.

Finalmente, o ancestral Bloodreaver viu a cidade, o nevoeiro mortal se espalhando pelos telhados, edifícios em chamas, o Fantasma de pé como um titã no céu, demônios lutando em toda parte. Seus maxilares se cerraram.

Um rugido profundo rasgou seu peito.

Aura de sangue dele aumentou, formando uma onda massiva.

Já tinha visto o suficiente.

Antes de comandar seu fogo, Primus gritou de cima, com a voz ecoando por toda a cidade:

"Vocês, malditos Del Rey, juntaram-se aos Phantoms! Traidores!"

Toda a horda de demônios se agitava.

Gaspes. Surpresa. Raiva.

Dezenas de faces se voltaram contra o ancestral Del Rey com ódio repentino.

Até a expressão do ancestral Bloodreaver se contorceu ao ouvir as palavras de Primus. Ele olhava para ele como se estivesse olhando para a forma mais baixa de sujeira.

"Romothese," — ele rugiu — "como você ousa colaborar com os Eternos e atacar minha família! Eu vou te matar e beber seu sangue!"

Romothese parecia impotente. Confuso. Ainda半-Atordoado.

"Eu— o que você está dizendo? Eu não… isso é… algo errado—"

Ele tentou recuar, corpo inflamando com fogo azul enquanto se preparava para fugir e pensar melhor.

Mas eu não podia permitir isso.

Eu intensifiquei meu controle sobre o espaço e o congelei ao redor dele. O espaço se fixou como correntes invisíveis, aprisionando-o no meio do movimento. Ele não conseguiu se mexer um centímetro.

Seus olhos se arregalaram de puro horror.

"O quê, por que não consigo —!"

Contorci o pulso e o lancei na direção do ancestral Bloodreaver como uma arma arremessada.

Romothese caiu à frente, incapaz de parar-se.

O ancestral Bloodreaver viu aquilo como um ataque.

Ele rugiu de novo, invocando sua espada, uma lâmina pesada de sangue carmesim envolta por chamas giratórias. Atacou Romothese com intenção letal.

"Morra, traidor!"

Romothese mal conseguiu levantar sua espada de fogo azul para defender-se. As duas lâminas se encontraram com um choque estridente, enquanto sangue em chamas e fogo azul colidiam violentamente.

O céu estalou com o som.

Uma onda de choque se expandiu para fora. Romothese, forçado a lutar, gritou: “Isto é um equívoco! Orobas, escuta—”

Mas o ancestral apertou mais, cortando suas palavras.

"Não há equívoco algum," — ele growl — "Você tentou me atacar pelas costas. Você acha que sou cego?"

O rosto de Romothese se contorceu em compreensão, mas já era tarde demais.

A luta se intensificou. O ancestral Bloodreaver moldou sangue em chicotes giratórios, escudos e lanças afiadas, usando força líquida para bloquear e amarrar. Sua espada queimava de vermelho enquanto sangue vivo circulava ao seu redor em espirais violentas.

Romothese lutava desesperadamente, usando chamas azuis como escudo e lâmina, seus ataques rápidos, ardentes, tentando criar distância. Ele não lutava para vencer; lutava para sobreviver.

Cada contato enviava mais calor pelo céu. Cada colisão iluminava o campo de batalha. Cada rugido dos ancestrais chamava a atenção dos demônios.

Primus e Steve continuavam pressionando seu ataque ao Fantasma. O ferimento que Steve tinha feito nas costas dele já estavam se fechando, a carne preta se retraindo e se selando como se o tempo estivesse voltando atrás.

Enviei uma mensagem mental para ambos.

'Terminem logo. O Emissário chegará em breve.'

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