
Capítulo 609
Meu Talento Se Chama Gerador
A festa do Steve foi adiada até que minhas invocações concluíssem sua evolução.
O casulo continuava pulsando, a superfície se tensionando e relaxando como se estivesse respirando devagar. Luz prateada escapava pelas fissuras, ficando mais brilhante a cada instante. Eu ficava a alguns passos de distância, de braços cruzados, observando tudo balançar com mais força a cada segundo que passava. Até o trio que estava comigo acompanhava tudo com fascínio.
"Quem você acha que é mais poderoso entre os quatro?" Steve cutucou-me.
"Lyrate."
De repente, um estrondo alto ressoou.
O casulo se abriu ao meio, e uma onda de energia prateada se espalhou para fora, empurrando poeira pelo chão. O ar vibrava, e eu podia sentir uma estranha força de atração e repulsão ao mesmo tempo: polaridade. O domínio do Ragnar tentava se formar antes mesmo dele sair.
Então, o casulo explodiu.
Uma luz radiante jorrou, cegando por um instante, e uma figura alta avançou através do brilho.
Não o macaco gigante que eu conhecia até então.
Um homem.
Pele morena, imponente, músculos espessos como se fossem esculpidos. Seus cabelos longos caíam pelos ombros, ainda com um leve brilho prateado. Um escudo pesado descansava na mão direita, e ele o balançou de maneira casual, com uma força que distorcia o ar ao redor.
A energia prateada se espalhou pelo chão em uma onda, rachando a terra sob seus pés. Seu domínio se ampliou em um piscar de olhos, um escudo de força prateado surgindo lentamente, ronzando baixo. Tudo que ficava perto era empurrado para longe, depois puxado de volta, de novo empurrado — parecia que o mundo não conseguia decidir onde ele devia estar.
Ragnar riu.
"HAHAHAHA! Olha só isso!"
Olhei para sua nova forma. Ele estava alguns centímetros mais alto que eu e parecia um homem na casa dos vinte e poucos anos, vestindo uma túnica semelhante às nossas, feita de essência.
Sobrancelhas levantadas. "Não sabia que você podia se transformar."
Ele parou de balançar o clube e sorriu para mim, os dentes brilhando.
"Nem eu sabia," disse. "Mas, caramba, gosto muito mais deste corpo!"
Sua aura voltou a subir, e o chão se abriu mais fundo.
Observei sua nova forma por um bom momento. Agora ele era alguns centímetros mais alto que eu, ombros largos, musculoso, parecendo um homem na meia-idade. Mesmo a túnica que vestia vibrava com padrões prateados sutis, tecidos de essência, igual aos nossos.
O Ragnar tinha evoluído — de todas as formas possíveis.
"Claro que ia passar por uma transformação," disse Primus, aproximando-se dele, círculando-o como se estivesse inspecionando uma besta rara. "Você é um Feran, afinal."
"Feran? Ah, não, não eu," Ragnar bufou, girando o pescoço como se estivesse testando seu novo corpo. "Sou diferente."
Ele deu um passo em minha direção, e o chão tremeu um pouco sob os pés dele. A força prateada ao seu redor tinha se acalmado, mas ainda permanecia.
"Obrigados," ele disse de repente, olhando diretamente nos meus olhos. "Por me puxar durante a prova. Aquilo... pareceu o fim pra mim. Como se eu não fosse voltar se você não tivesse interferido."
Balancei a cabeça. "Não precisa agradecer. Você é meu amigo."
Sua expressão suavizou por um instante antes dele sorrir orgulhosamente de novo.
"Então," eu perguntei, "quer ver o Knight e o Silver?"
Ragnar riu baixinho. "Claro. Vamos lá. Quero ver no que eles vão virar. Se eu acabei assim, esses dois melhor não fazer papel de bobo."
Primus levantou uma sobrancelha. "Conhecendo o Knight? Ele provavelmente vai sair ainda mais dramático que você."
Ragnar bufou. "Impossível."
Dei uma risada e bati as mãos. O espaço se dobrou ao nosso redor, e, no instante seguinte, os quatro sumiram do topo da montanha e reapareceram num trecho aberto de terra. O vento mudou ao chegarmos, e bem na nossa frente Silver estava terminando sua evolução.
"É muito prático. Gostei desse jeito de viajar," North comentou, observando ao redor.
"Pois é, eu também," respondi, coçando o queixo. "Mas ainda não consigo pular de um planeta para outro."
Steve e Primus escarneceram juntos. "Exibido," resmungaram em uníssono.
Ragnar franziu a testa e cruzou os braços. "Por que a minha evolução foi a primeira a terminar?"
"Não se preocupe," eu disse. "Aceleraram a sua. Eu coloquei um pouco mais de essência no seu casulo."
Ragnar piscou, depois assentiu como se aquilo fizesse todo sentido.
O corpo enorme de Silver jazia à nossa frente, olhos fechados, completamente imóvel. Lâminas de vento rodopiavam ao seu redor, lentamente no começo, ganhando velocidade a cada respiração. Logo, o ar uivava enquanto um tornado se formava ao seu redor. Sua cor ia do verde ao marrom, o vento e o som se misturando em um só domínio.
"Então esse é seu domínio," murmurei, observando com atenção. "Vento e som."
O tornado se apertou, encolhendo pouco a pouco até colapsar para dentro, a essência se encaixando com precisão.
Um menino flutuava alguns centímetros acima do chão.
Silver agora era magro e alto, quase na minha altura, com pele clara e cabelo prateado curto. Duas pares de asas cinzentas se estendiam de suas costas, levemente salpicadas de névoa carmesim. Entre elas, penas vermelhas piscavam, intercalando luz com sombra.
Seus olhos varreram todos nós até fixarem em Ragnar.
"Sou eu, Ragnar?" Silver perguntou.
"Haha, sim, sou eu! Mas você é realmente Silver? Cadê toda aquela musculatura? Por que ficou magro agora?"
Silver tocou o chão e desapareceu num piscar de olhos. Um instante depois, reapareceu na nossa frente com uma velocidade inacreditável.
"Magro?" repetiu. "Perfeito! Sabe o difícil que foi conseguir essa forma?"
"Fraco," Ragnar respondeu com uma risada de desprezo.
Silver ignorou completamente e olhou para o resto de nós. "Estou bem, né? Certo?" Ajustou a túnica. "Fala alguma coisa."
Inclinei a cabeça, sem dizer nada. Steve e Primus fizeram o mesmo, com os lábios se mexendo, como se tentassem segurar a risada.
O sorriso de Silver foi lentamente se apagando. "É ruim? É ruim, né? Não me diga que ficou ruim. Não posso mudar agora—"
Todos caímos na risada.
"Está bom," disse North, cruzando os braços enquanto o observava. "Você pode parar de entrar em pânico."
Silver soltou um suspiro dramático, de alívio.
"Nada de engraçado. Nada mesmo," ele falou apontando para o rosto. "Tenho memória dizendo que pássaros precisam ficar bonitos após a transformação. Aumenta nossa chance de evoluir mais."
"O quê?" perguntei, realmente surpreso. "Desde quando aparência ajuda na evolução?"
Ele deu de ombros, totalmente sério. "Não sei ao certo. Mas a memória parecia 100% verdadeira. Não estou mentindo."
Fiquei olhando pra ele por um instante, depois apenas assenti lentamente. "Sei..."
Silver continuou mexendo no cabelo, verificando se permanecia no lugar.
"Então," perguntei, "você se sente mais forte?"
Seu rosto brincalhão desapareceu imediatamente, e ele assentiu. "Sim. Bastante."
"Ótimo." Dei um tapinha no ombro dele. "Vamos ver o Knight."
Levantei a mão, o espaço se curvou ao redor de nós, e, num piscar, os quatro sumiram de perto da entrada de uma grande caverna no lado oposto do domínio isolado.
Um ruído baixo ecoou de dentro.