
Capítulo 536
Meu Talento Se Chama Gerador
Continuei flutuando bem acima da capital. Minha percepção se espalhou para baixo, passando pela cúpula luminosa de Essência que cobria a cidade.
Dentro da sala do trono, o Imperador de Sukra, Odin Hatake, sentava-se com a cabeça baixa, sua aura instável. Ao seu redor, estavam vários Grandes Mestres, cada um com expressões severas e vozes carregadas de inquietação.
Odin quebrou o silêncio finalmente. "Alguém já confirmou quem invadiu nosso mundo?" Sua voz estava calma, mas seus dedos batiam no descanso do braço, revelando seu irritação.
Um dos Grandes Mestres, um homem alto vestido com uma armadura dourada, avançou e se ajoelhou. Sua voz tremia levemente ao falar. "Não, Majestade. A única coisa que sabemos com certeza é que são quatro. E os Grandes Mestres que enviamos para enfrentá-los…"
Ele hesitou, olhando ao redor da sala tensa. "Todos foram capturados. Os invasores estão carregando-os como troféus, enquanto caçam outros Grandes Mestres."
Um murmúrio baixo se espalhou pelo salão. "Quatro deles, diz? Então, quem são eles? Também são Grandes Mestres?"
O homem assentiu firmemente. "Sim, Majestade. Todos os quatro demonstram poder ao nível de Grandes Mestres. Três deles parecem bestas, e a quarta… uma elfa. Mas o que é realmente estranho é a névoa vermelha que os cerca. Cada relatório diz que sua força supera o que deveria ser possível na nossa classificação."
Odin exalou lentamente, seu olhar pesado. "Já tentamos contato com os Ferans?"
Outro Grande Mestre, vestido com uma túnica azul escura, balançou a cabeça. "Enviamos mensagens por três canais, ainda sem resposta. Ou suas linhas de comunicação estão cortadas, ou estão nos ignorando."
"Se até os Ferans ficaram silenciosos… então isso é muito pior do que imaginávamos." outro Grande Mestre concordou.
"Chega," disse Odin, erguendo uma mão. "Não vamos presumir que os Ferans sumiram até que haja prova. Continuem tentando contato com eles. E enviem escoteiros em direção a essas bestas. Quero saber o que está acontecendo lá fora."
Nesse momento, as portas pesadas se abriram de vez, e um soldado entrou esbaforido, respirando com dificuldade. "Majestade!" ele berrou, fazendo uma reverência profunda. "Acabaram de chegar relatórios de todas as regiões ao redor da capital. Múltiplas zonas de aberração foram… congeladas. Completamente transformadas em gelo."
O salão explodiu em alarme enquanto os Grandes Mestres trocavam olhares preocupados. Odin se levantou lentamente, seus olhos brilhando levemente com Essência.
"Congeladas, você diz?" Sua voz ficou fria, afiada como o vento antes de uma tempestade. "Então o invasor já está bem perto."
De cima das nuvens, observei o pânico deles se espalhar pela cidade como um incêndio. Não pude deixar de esboçar um sorriso de leve satisfação. Estavam certos. Eu estava perto, mais perto do que eles poderiam imaginar.
Então, do nada, uma voz familiar ecoou na minha mente. "Foi você, garoto?" Era Dante.
"Do que?" respondi.
"Do congelamento dessas zonas de aberração," ele disse, com uma pitada de curiosidade na voz.
"Sim," eu respondi simplesmente.
Um riso profundo veio logo depois. "Fico impressionado. Seu controle de Essência está fora de série."
"Obrigado pelo elogio," eu disse, sorrindo um pouco. "Já que você está sempre agindo de modo misterioso, velhinho, tenho uma pergunta para você."
"Ah? Pode falar. Estou ouvindo," ele disse, com diversão na voz.
"Você sabe alguma coisa sobre a Runas de Gênesis?" perguntei, deixando a questão pairar no ar.
Por um momento, a linha entre nós ficou silenciosa.
"Onde você ouviu falar dela?" a voz séria de Dante soou.
"Fiz a pergunta primeiro," respondi.
Ouvi-o expirar antes de responder.
"Uma Runa de Gênesis… isso não é algo que se ouve todo dia," ele começou.
"Não é só uma marca ou algum relicário divino, garoto. É a forma do universo de escrever um novo capítulo nele próprio. Quando a existência chega a um ponto que algo novo precisa nascer, uma estrela, um reino, uma lei, até um conceito, ela se manifesta como uma Runa de Gênesis. Essa runa contém o plano, a intenção bruta de criação antes que ela assuma forma."
Ele fez uma pausa por um momento, como se estivesse se lembrando de algo distante.
"Ninguém sabe exatamente o que uma Runa de Gênesis vai se tornar. Pode gerar vida, ou destruição. É potencial puro, intocado e sem forma."
"Por isso, todo ser poderoso do cosmos busca por ela, porque quem a reivindica não possui só poder… possui o direito de definir o que vem a seguir."
"O que quer dizer com 'definir o que vem a seguir'?" perguntei, ainda sem compreender totalmente o que ele queria dizer.
Ele soltou um murmúrio suave antes de responder. "Como eu disse, ela é só um plano de criação, uma base que ainda não decidiu o que quer ser. Ou seja, se você for forte o suficiente, pode influenciá-la. Pode orientar o que ela vai virar."
Franzi um pouco a testa. "Influenciá-la como?"
"Bem," continuou ele, "se ela for virar um planeta, você pode decidir do que ela é feita, ferro, cristal, ou minerais ricos em Essência. Se ela for criar uma nova lei, você pode guiá-la para algo relacionado às leis que já conhece. Fogo, gravidade, tempo, qualquer coisa que esteja alinhada com sua vontade."
Ele fez uma pausa por um momento, sua voz ficando distante. "É uma liberdade que até Santos invejam. Tocar algo antes que ele seja criado e sussurrar o que deve se tornar."
Depois, ele riu levemente, embora com um toque de admiração. "Mas nunca vi uma na minha vida. É rara… e ao mesmo tempo, não tão rara assim."
Isso me deixou curioso. "O que você quer dizer com isso?" perguntei de novo.
Ele respondeu após uma curta pausa, com tom calmo e reflexivo. "São raras porque o universo não as cria com frequência. Na maior parte do tempo, ele simplesmente repete o que já existe, copia, refina, reutiliza seus antigos desenhos. Quando isso acontece, não há necessidade de uma Runa de Gênesis. O plano já existe."
Ele fez uma pausa, pensativo.
"Mas quando o universo decide criar algo realmente novo, algo que talvez exista, mas em uma nova edição ou completamente diferente, aí nasce uma Runa de Gênesis."
"É o momento em que a criação começa a pensar por si mesma, tentando moldar algo original. Por isso, a runa é rara, não a própria criação. O universo está sempre criando… mas verdadeira originalidade, aquela faísca de algo invisível, é o que convoca uma Runa de Gênesis à existência."