Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 515

Meu Talento Se Chama Gerador

Quando entramos no primeiro corredor do palácio, avistei Primus de pé em um canto. Sua filha, Lara, estava meio escondida atrás dele, espiando curiosamente e inocentemente para nós.

— Como você está, Primus? — Perguntei com uma voz tranquila.

Seus olhos encontraram os meus, depois se desviaram para Steve, e então voltaram a mim. Aquele olhar revelou tudo. Havia now medo neles, uma diferença evidente em relação à última vez que nos encontramos.

— Estamos indo bem até agora — respondeu, forçando um sorriso tenso.

Ao meu lado, Steve murmurou baixinho: — Um demônio? Você queria que eu conhecesse um demônio?

Assenti com a cabeça.

— Sim. Steve, este é Primus Blood Reaver. E atrás dele está sua filha, Lara. E este——" indiquei para Steve—"é meu amigo, Steve."

Primus inclinou sua cabeça em direção a Steve, mas seus olhos rapidamente retornaram para mim, tensos e atentos.

— Que tal todos nós sairmos para tomar café da manhã? — Propus, tentando aliviar a tensão.

Steve apenas deu de ombros, mas Primus permaneceu em silêncio. Lara, no entanto, intervenceu, sua voz pequena ecoando no corredor: — Eu quero.

Os olhos de Primus se arregalaram ligeiramente. — Lara…

— Ei, tudo bem — eu disse com um sorriso leve. — Estou com fome também. Vamos lá.

Conectei-me novamente ao Núcleo do Mundo, procurando um lugar afastado da capital, intocado pela guerra. Minhas percepções aterrissaram numa cidade costeira chamada Cidade do Arroz. Pelo visual, parecia que estavam em meio a alguma celebração. Perfeito.

Estendi a mão, envolvi a Essência ao nosso redor e, após alguns segundos, os quatro surgiram lá do alto, acima da cidade. Lá embaixo, bandeiras coloridas tremulavam ao vento, ruas lotadas de pessoas vestidas com roupas festivas e vibrantes. O ar da manhã vibrava com risos, vozes e música.

— Bem, acho que eles ainda não ouviram as notícias — comentou Steve, observando a multidão.

— Ou talvez já tenham, e por isso estão comemorando — respondi.

Quando as pessoas perceberam nossa descida, sua atenção se fixou imediatamente em Primus e Lara. Sussurros se espalharam como fogo, olhos arregalados ao ver demônios caminhando entre eles. Ainda assim, ninguém ousou se mexer contra nós.

Ignorei as olhadas e conduzi o grupo até um restaurante com uma placa de madeira polida chamada Senns. O guarda na porta ficou rígido ao nos ver, mas rapidamente fez uma reverência e abriu a porta.

— Sejam bem-vindos, senhores… e senhora, ao Senns — disse, com uma voz cuidadosa, mas educada.

— Obrigado — assenti, guiando os demais para dentro.

Entramos e uma garçonete veio rapidamente nos cumprimentar. Ela nos levou até uma mesa perto da janela, lançando olhos rápidos para Primus e Lara. Tentava ser sutil, mas eu percebia claramente: ela não estava acostumada a ver demônios sentados para comer no meio de uma cidade humana.

Nos acomodamos e fizemos nossos pedidos. Na verdade, já não era mais café da manhã; logo a mesa ficou cheia de pratos mais próprios do almoço: peixe grelhado, arroz temperado, carnes assadas e algumas bebidas fortes. Achei que havíamos merecido; decidido a celebrar nossa vitória do nosso jeito.

Enquanto a garçonete ainda estava lá, olhei para ela e perguntei: — Então, qual é a razão da comemoração?

Ela sorriu de cortesia. — Hoje é o dia de fundação da nossa cidade.

— Ah — assenti, observando enquanto ela saía para buscar a comida.

Mas já dava para perceber que ela não tinha contado toda a verdade. Com minha percepção espalhada por toda a cidade, podia ouvir os demais. Suas vozes carregavam risos e alívio; a maioria comemorava não apenas a fundação, mas também a queda da facção Meia Lua. O clima estava mais leve do que deveria.

Steve recostou-se na cadeira e olhou para mim. — E como você conhece o Primus?

Olhei para o demônio e depois de volta para Steve. — Ele era um prisioneiro dentro da capital de Peanu. Aconteceram algumas coisas, e acabei conhecendo ele.

Steve franziu a testa, surpreso. — Guardavam um demônio preso? Um grande mestre, por acaso?

— Também havia outras raças — murmurou Primus calmamente, com voz plana.

Steve estreitou os olhos. — Hoje em dia, acho que não. A capital foi destruída.

Primus congelou, mudando a expressão. Seus olhos se arregalaram enquanto ele se inclinava para frente. — Como assim? O quê? Como aconteceu?

— Ei… vamos deixar esse assunto para depois — murmurei, colocando um pouco de comida no prato de Lara. Depois me voltei para Primus. — Por que você não me conta como acabou aqui em Peanu?

Antes que pudesse falar, Lara sussurrou baixinho, quase tremendo: — Foi por minha causa.

Olhei para ela. Seus olhos brilhavam e eu conseguia ver que ela estava à beira das lágrimas.

Primus respirou fundo e deu uma leve carícia na cabeça dela. — Não foi sua culpa — disse, depois olhou para mim. — Ela foi sequestrada. Fui atrás dela e acabei sendo capturado também. Nós fomos vendidos como escravos… e acabamos nas mãos de Saturno. Ele usou minha filha para me controlar, forçando-me a servi-lo.

Assenti lentamente, encaixando as peças. — Lembra que você disse que tinha informações sobre dois mundos demoníacos?

— Sim — confirmou com firmeza. — Os mundos de Dragos e Armus. Ambos estão aqui, na Galáxia Espiral Azul. Armus é meu planeta natal, menor e mais fraco comparado a Dragos. Já Dragos é o planeta principal para os nossos nesta galáxia. Está quase no mesmo nível dos Nagas e dos Ferans.

Steve se inclinou para frente, com curiosidade evidente. — Quantos mundos demoníacos há nesta galáxia?

— Muitos — respondeu Primus após uma pausa. — Talvez cerca de vinte. Nem todos são fortes, mas em termos de quantidade, superamos muito os Nagas e os Ferans.

Steve franziu a testa. — Então, qual é a força real do seu povo, comparado aos outros?

Primus não hesitou. — Os Nagas são os mais fortes, sem dúvida. Os Ferans vêm em segundo lugar, há anos tentam substituir os Nagas como raça dominante. Depois vêm os Elementais. São apenas dois planetas, mas a força de seus indivíduos compensa a falta de números. Depois, vêm os Áquas. E, por fim, nós, os demônios.

Eu me recostei e refleti sobre o que ele tinha dito.

Pelo que tinha lido, sempre que uma guerra era declarada contra os Eternals, geralmente os Nagas lideravam, enquanto os humanos eram colocados ao lado das raças mais fracas para aumentar a força numérica. Ouvir isso diretamente de um grande mestre demônio dava mais peso à ideia.

Steve virou o rosto para mim, com expressão afiada. — E por que você se interessa por um mundo demoníaco?

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