Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 361

Meu Talento Se Chama Gerador

[Perspectiva de Arkas]

Reparei um golpe com minha tridente, faíscas voaram enquanto a lâmina do Grande Mestre inimigo riscou sua lâmina. Estávamos envolvidos numa troca de golpes brutal há um tempo — eu, Pedro e mais um de nossa equipe segurando dois do lado dos Holts. O céu acima rachava de poder, mas pude sentir algo se mover.

Algo maior.

Girei ligeiramente, na meia-voz, exatamente a tempo de vê-lo… Billion.

Ele se levantava lentamente acima do campo de batalha, asas esticadas, corpo reluzindo com pura eletricidade. Envolvia-o como uma tempestade feita de carne. Seus cabelos estavam selvagens, carregados de energia, e seus olhos, aqueles olhos afiados e atentos, estavam fixos no mundo lá embaixo.

Ele ergueu ambos os braços. Duros martelos de trovão apareceram em suas mãos, girando com eletricidade violeta, pulsando com Essência. Quando surgiram, o ar ficou mais pesado. Até os Grandes Mestres perto de mim fizeram uma pausa.

E o garoto não parou por aí.

Ele juntou os martelos, fundiu-os numa só e investiu mais poder. Senti a essência tremer, o próprio espaço ondular em resposta. Acima dele, as nuvens torciam de medo. O martelo cresceu. Cem metros. Duzentos. Três. A coisa era enorme, vibrando com energia, maior do que qualquer coisa que eu já tinha visto alguém usar assim, e essa pessoa nem tinha vinte anos completos.

E lá estava ele, apenas um menino para a maioria de nós, segurando aquilo como se fosse nada.

Soldados de ambos os lados olhavam para cima. Podia ver suas expressões — espanto, confusão, terror. Até os Mestres Holt ficaram petrificados. Alguns se viraram e começaram a correr.

Então Billion se moveu.

Sem movimentos exagerados. Sem expressão no rosto.

Ele simplesmente girou.

O martelo caiu como o juízo de um deus. O ar gritou. Trovões rolavam em ondas. E então veio o impacto.

Um clarão cegante preencheu o céu. Raios explodiram em todas as direções. O chão se partiu. O campo de batalha tremeu sob nossos pés. Ouvi os gritos antes que fossem silenciados—então, nada além do rugido da destruição. A onda de choque atravessou o campo, levantando poeira e corpos no ar. Uma cratera se formou instantaneamente, engolindo equipes inteiras.

Tive que cobrir o rosto com o braço só para manter os olhos abertos.

Quando a luz diminuiu, só havia silêncio.

O martelo tinha desaparecido. O campo abaixo? Uma ruína fumegante. Milhares de inimigos foram apagados com aquele único golpe.

Pedro pairava ao meu lado, balançando a cabeça.

"Aquele garoto," ele murmurou, "é coisa de outro mundo."

Não falei imediatamente. Ainda observava Billion. Ele não tinha se movido após o golpe. Apenas flutuava, com a eletricidade ainda vibrando suavemente ao seu redor, como se não quisesse largar.

"Ele já não é mais um menino," finalmente pronunciei. "Ele é um carrasco."

O Grande Mestre Holt à minha frente tinha perdido a vontade de lutar. Olhou para baixo, então percebi que a luz nos olhos dele tinha ficado opaca.

[Perspectiva de Soldado Holt aleatório]

Eu era apenas um soldado das forças Holt. Nada de Mestre, nada de especial. Treinei duro por anos para lutar com uma lâmina, aprender habilidades simples o suficiente para manter minha posição. Nunca quis morrer numa guerra, mas sabia do risco.

Este campo de batalha, aquilo que víamos, não tinha nada a ver com o que eu esperava. Estávamos numa clareira aberta na beira de uma base destruída. Pedras rachadas, fogueiras ainda queimando em paredes destruídas, e o chão repleto de corpos.

Ao meu redor, meus companheiros — homens fortes que treinavam comigo — avançavam, gritando gritos de guerra, com o rosto firme de quem já passou dos limites. Eu os segui, com o escudo erguido, olhos fixos nos inimigos à frente.

O Grande Mestre do Império permanecia firme. Chamas azuis, espinhos de gelo, rajadas de raios, enviavam ondas de poder contra nós.

Nossa formação tremeu. Tirei o escudo e contra-atacei com uma rajada de estilhaços de terra, mas parecia inútil contra o bombardeio deles. Corpos começaram a cair de ambos os lados. Perdi a conta de quantos tinha eliminado. Procurei não pensar nisso.

E então, do nada, veio algo que não fazia parte de nenhum treino ou história que eu tinha ouvido.

Começou com uma rachadura luminosa no céu, quase rápida demais para ver. Um relâmpago violeta riscou o ar acima de nós. A princípio, achei que fosse um raio vindo das nuvens, mas logo percebi que não vinha de cima. Era do chão, viajando baixo e rápido, como… como uma lâmina.

Ela cortou nossas linhas. Em um instante, ouvi gritos. Então, corpos no chão com buracos completamente atravessando tórax ou costas. Nenhuma fumaça, nenhum sangue. Só espaço vazio onde carne e armadura tinham sido.

"Cuidado!" gritou Zuri ao meu lado.

Girei minha espada às cegas. Nada ali. Meu coração acelerou. Tentei gritar para Rolan, mas minha boca ficou seca.

Todos congelamos.

E ela continuou.

Mais um raio riscou o céu, seguido de mais gritos. Homens caíram em grupos. Eu recuei tropeçando, com o escudo na mão, mas o braço tremia demais para levantá-lo.

Um trovão retumbou no ar. Outro relâmpago. Dessa vez, passou bem na minha frente, a poucos centímetros do meu rosto, quente e crepitante.

Fui lançado para trás pelo impacto da força bruta.

O mundo ficou turvo ao meu redor — poeira, fumaça, luz. Ouvi uma voz gritando "Formem filas!", mas não conseguia entender o significado. Só conseguia ver aquele relâmpago, sentir o medo.

Pois então o céu escureceu ainda mais. As nuvens se acumularam acima, como se o mundo tivesse engolido o sol.

Olhei para cima.

E o vi.

Ele flutuava a centenas de pés do chão, com asas abertas como um anjo caído. Seu corpo era pura eletricidade, veias brancas-azuladas correndo por sua pele. Seus cabelos eriçados, brilhando. Mesmo na altura, senti a eletricidade estática, o calor.

Ele segurava dois martelos. A princípio, eram armas normais, envoltas em relâmpagos. Então ele os levantou juntos acima da cabeça, e eu vi eles começarem a se fundir.

Uma voz interior disse: Corra.

Mas eu estava hipnotizado. O martelo começou a crescer.

Cem pés. Depois duzentos. Trezentos.

Caí de joelhos.

Ao meu redor, os soldados do nosso exército pararam. Habilidades congelaram no ar. Escudos pairaram abertos. Ninguém se mexeu. O céu parecia se apertar ao redor daquela massa brilhante de Essência.

Então ele se moveu com graça e bateu o martelo.

Num instante, aquele martelo de trovão virou uma tempestade. Raios brancos dispararam dele. Luminoso mais que o próprio sol. Sombra que projetava no chão maior que nosso acampamento.

Assisti ao seu queda.

Naquele momento, o mundo se rasgou.

O som foi pior que qualquer grito de batalha. Rasgou meu peito. O chão sob meus pés se levou, desapareceu, e fogo e escombros explodiram como fontes. A onda de choque atingiu minhas costas, me lançado para frente, e jogou-me fora como uma boneca quebrada.

Lembro de voar — só um instante, girando pelo ar. Meu escudo caiu. Minha espada escorregou da mão.

Depois, atingi o chão.

Quente. Frio. Dor.

Meus ossos tremeram dentro de mim. Engasguei, tentando respirar. Olhei para minha mão. Ela tinha desaparecido. Queimada. Nada além de cinzas.

Tentei gritar. Acima de mim, os relâmpagos sumiram do ar, mas o brilho daquele golpe de martelo persistia. O fogo se apagou. A poeira passou. O silêncio se instalou.

Fiquei ali, com os olhos arregalados. O mundo ao meu redor não tremia mais, tinha acabado.

Movi minha cabeça levemente. Vi os corpos caídos em poças de luz ou de poeira negra.

Senti minha vida escapando. Sem medo agora. Apenas uma calma fria.

Meu corpo não se mexia. Não podia. Uma sensação de calor se espalhava lentamente pelo meu peito.

Algo estava quebrado. Tudo estava destruído.

Deitei na terra arruinada, olhando para o céu que já não tinha sol. Apenas rachaduras nas nuvens por onde a luz tentava passar. Minha espada desapareceu. Meu braço também, talvez. Não conseguia sentir. Minha perna direita deu um espasmo uma vez, depois parou.

Lembrei quando começou esta guerra. Acreditei que nossos mestres eram mais fortes, nossas raízes mais profundas, nosso legado inabalável.

Mas ninguém mencionou que um menino envolto em eletricidade viria despencar como um julgamento divino. Ninguém nos alertou que a morte viria com a face de algo jovem, intacto pelo tempo, sem cicatrizes.

Tudo acabou quando aquele martelo caiu.

Eu não gritei. Nem rezei. Só observei sua descida, mais devagar do que deveria, como se o mundo quisesse que compreendêssemos.

A explosão foi luz. E depois silêncio. Minhas orelhas nunca mais voltaram ao normal.

Meus homens, aqueles que estavam comigo, desapareceram. Não mortos, nem feridos. Simplesmente… sumiram. Como giz apagado de um quadro.

E eu?

Ainda estou aqui.

Quase inexistente.

Meu corpo se recusou a se levantar. Meu peito estava molhado, talvez de sangue. Eu tossei uma vez e algo espesso saiu dos meus lábios.

Era o fim.

Mas eu não estava com raiva.

Ele era mais forte. Só isso. Mais forte de maneiras que eu não consigo imaginar. Não só por poder. Presença. Propósito.

Até agora, sentia sua Essência percorrendo o campo de batalha como uma brisa. Afiada. Fria. Definitiva.

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