Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 187

Meu Talento Se Chama Gerador

[Evolução de Classe Disponível]

Concentrei meus pensamentos na opção, meu olhar fixo na tela à minha frente enquanto lia a descrição da evolução de classe.

—----------------------------------------------

[Executor Primordial – Desperto (Mítico)] : Antes da criação, havia a Essência. Antes da ordem, havia a Vontade. O Executor Primordial não apenas altera o mundo, ele entrega o COMANDO ORIGINAL. Seus inimigos não enfrentam poder. Enfrentam a lei do que deve ser.

Ganhos de Atributos por Nível: Força +5, Constituição +4, Destreza +3, Psicnálise +8

Habilidades:

[Absoluto (Ativa)]: Compreensão da Lei do Absoluto. Um comando inscrito no próprio tecido da existência. Imponha sua vontade como executor para comandar a Essência, os elementos e as leis. Escala com Controle de Psicnálise e de Essência.

[Reverter (Ativa)]: Retornar todas as coisas à sua origem. O Executor Primordial invoca o direito de desfazimento, decompondo matéria física, construções elementais e fenômenos mágicos em Essência crua e livre. Escala com Nível e Controle de Essência.

[ Halo do Executor (Passiva)]: Uma aura passiva de autoridade absoluta. A realidade se ajusta sutilmente ao seu redor, aumentando o fluxo de Essência e suprimindo o caos. Seres que desafiam o Comando Original reconhecem instintivamente você como inimigo e reagem com medo ou hostilidade.

—----------------------------------------------

Não conseguia desviar o olhar da tela enquanto analisava os detalhes. Não havia outras opções para evoluir.

Uma classe Mítica.

Três habilidades, duas ativas e uma passiva.

Um total de 20 ganhos de atributos a cada evolução.

Sinceramente, estava empolgado, até demais.

Uma classe Mítica. Nunca tinha ouvido falar de alguém possuindo uma dessas. E a descrição... envolta em mistério, algo que eu precisava entender melhor.

A Noblesse da Essência falava da origem da Essência e do Universo, afirmando que ninguém sabia qual veio primeiro. Mas essa classe, esse Executor Primordial, ia ainda mais longe, confirmando que, antes da criação, havia a Essência, e antes da ordem, havia a Vontade.

O COMANDO ORIGINAL. Essa frase ecoou na minha mente, e não pude deixar de me perguntar o que exatamente ela significava.

Esses Executors pareciam menos como wielders de poder comuns e mais como agentes de uma lei fundamental. A ideia de entregar o Comando Original parecia que eu estaria executando uma regra que existia além das próprias leis do mundo.

Então, foquei na última linha: "Inimigos do Executor enfrentam a lei do que deve ser." Parecia que não havia como desafiar esse poder.

Gostei do impacto disso.

Revisei cada uma das habilidades novamente.

[Absoluto] parecia uma combinação perfeita para o papel de um executor. Era a implementação da Lei do Absoluto, tudo ao meu redor, sob meu comando, se curvando à lei da própria existência.

[Reverter] parecia mais defensiva, quase como um desfazer de ataques. Qualquer coisa lançada contra mim, fosse física, elemental ou mágica, se desdobraria em nada. Era como a contramedida definitiva.

E então havia o [Halo do Executor], a habilidade passiva.

Não tinha certeza de quem eram os inimigos do Comando Original ou por que eles seriam meus inimigos. Mas conseguia sentir o peso dessa afirmação. Eles reconheceriam instintivamente quem eu era e reagiriam. Medo. Hostilidade. Parecia algo que eu entenderia em breve.

Apesar da incerteza quanto ao inimigo desconhecido, não podia ignorar as vantagens. O poder dessa classe era simplesmente demais para deixar passar.

Decidi aceitá-la.

Não que tivesse escolha, não havia outras opções.

Esse caminho parecia absoluto, como se tivesse sido escolhido muito antes de eu ver a tela pela primeira vez.

Meus olhos pairaram sobre a opção "Aceitar".

Olhei mais uma vez ao redor —a plataforma em ruínas, o abismo infinito, o mundo sombrio e silencioso ao meu redor.

Então, fiz minha escolha e aceitei a classe.

No instante em que aceitei, tudo ao meu redor se desfez.

A plataforma cinza rachou sob meus pés. O céu acima se quebrou como vidro estilhaçado. O abismo me puxou para baixo, mas então, eu não estava caindo.

Estava flutuando.

A escuridão me cercava, mas não era vazia. Eu estava à deriva no espaço. Espaco frio e silencioso, repleto de estrelas, detritos e rochas flutuantes. Uma vasta faixa de asteróides se estendia em todas as direções, brilhando fracamente sob a luz distante das estrelas.

E então, eu o vi.

Uma figura de pé em um dos maiores asteróides, alta e imóvel. Um manto longo e esfarrapado pendia de seus ombros, rasgado e desacamado nas pontas. Nenhuma parte de seu corpo era visível. Ele estava completamente coberto, seu rosto oculto sob um capuz profundo.

Correntes o envolviam.

Elas se arrastavam sobre seu manto como seres vivos, enroscando-se firmemente ao redor de seus braços, peito e pescoço. Algumas arrastavam atrás dele, outras flutuavam ao seu lado. Pareciam antigas, enferrujadas em certos pontos, brilhando fracamente em outros. Eu não sabia se estavam prendendo-o ou protegendo-o.

Sua presença era... estranha. Como se ele existisse e não existisse ao mesmo tempo. Sentia que era uma ofensa olhar para aquela criatura.

E então veio o exército.

A escuridão ao seu redor mudou, então se encheu de luz e movimento.

Uma força enorme de seres emergiu do lado oposto do cinturão de asteróides. Navios em forma de lâminas. Criaturas montando bestas. Dragões rugindo e voando em hordas. Guerreiros com asas. Demônios e raças que eu nunca tinha lido antes. Todos avançando em sua direção.

Milhões deles.

De todas as raças. Todos os tamanhos. Todos os poderes. Alguns queimando com fogo. Outros carregando armas do tamanho de torres. Alguns parecendo tempestades ambulantes.

O homem não se moveu. Simplesmente ergueu uma mão.

O espaço chegou ao seu limite. A realidade vacilou. E o poder respondeu a ele.

A primeira onda de inimigos avançou, barulhenta, caótica, selvagem. Ele não disse palavra alguma. Não fez nada. Mas as correntes ao seu redor se moveram.

E a lei foi pronunciada, não em palavras, mas na própria essência da realidade.

Absoluto.

De repente, tudo no céu congelou.

Todos os seres alados, naves voadoras e criaturas flutuantes pararam no ar.

Então, caíram.

A lei tinha mudado.

O céu não era mais deles para voar. Não permitia mais que flutuassem. Era como se o próprio universo tivesse decidido: Você vai cair.

E caíram.

Todos eles se espremendo contra os asteróides abaixo, esmagando rochas, quebrando ossos, desmantelando formações. Dezena de mortos instantaneamente. Os demais, confusos e assustados, tentaram fugir ou se proteger.

Esse foi seu primeiro movimento.

Depois veio a segunda onda.

Eles atacaram todos juntos.

Lanças em chamas. Lâminas de gravidade comprimida. Ventos uivantes mais cortantes que o aço. Chicotes de relâmpagos.

Flechas de cristal brilhando com veneno. Estrelas congeladas arremessadas como bolas de canhão. Meteoros envoltos em fogo. Espadas feitas de pura vibração sonora. Até leis distorcidas — ciclos de tempo, fraturas no espaço, ilusões, ataques mentais — tudo lançado contra ele num turbilhão de destruição.

Cada conceito de ataque, cada elemento, cada lei, eles usaram tudo.

O céu ficou ofuscante.

E ele permaneceu ali, imóvel.

Mais uma vez, elevou a mão.

Reverter.

E o universo ouviu.

O caos não explodiu. Ele se desfez.

Todo o ataque, tudo que foi lançado contra ele, brilhou, torceu e se quebrou.

Meteoros gigantes se transformaram em névoa clara.

Tempestades de fogo se transformaram em chuva inofensiva.

Ciclos de tempo se fragmentaram em fagulhas.

Leis sombrias se desfizeram em pó cinza.

Leis quebraram. O espaço se dobrou. A energia voltou ao silêncio.

Em segundos, a tempestade virou uma dança lenta de gotas brilhantes flutuando ao seu redor como neve.

Ele permaneceu imóvel.

Então, algo mudou.

Uma luz suave começou a brilhar atrás de sua cabeça encapuzada. Um círculo perfeito de energia cristalina—um halo—formou-se. Pulsa, lento e constante, como um batimento cardíaco.

Imediatamente, toda a tropa parou.

Alguns recuaram.

Outros gritaram.

Alguns simplesmente congelaram, armas escorregando de suas mãos.

Reconheceram-no.

Não como um homem. Nem mesmo como um monstro.

Como algo mais. Algo esquecido. Algo que não deveria existir.

Então, alguns enlouqueceram.

Partiram atirando com tudo que tinham. A insanidade brilhava em seus olhos. O medo virou fúria.

E mesmo assim, ele não se mexeu.

Apenas levantou sua mão mais uma vez.

Desta vez, murmurou alguma coisa.

Eu ouvi.

"Direito de Existir."

Quando as palavras saíram de sua boca, o mundo reagiu.

Como se uma fagulha tivesse sido acesa.

Um por um, então dez, depois centenas, milhares—os inimigos explodiram.

Não com som, mas como fogos de artifício no espaço. Clarões intensos de cor. Faíscas de Essência.

Não gritaram.

Simplesmente cessaram.

Todos eles, independentemente da força, raça ou poder, foram apagados. Seu próprio direito de existir havia sido negado.

E tudo isso sem que ele desse um passo sequer.

As correntes arrastavam-se atrás dele.

O halo queimava suavemente.

E ao seu redor, o silêncio retornou.

Então a visão aconteceu.

Eu caí de joelhos, a respiração presa na garganta. A imagem dele ficou gravada na minha mente.

Não sei quem era. Ou se realmente era real. Mas a mensagem ficou clara.

Esse era o Primordial Executor.

E agora… eu segui o mesmo caminho.

Comentários