Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 138

Meu Talento Se Chama Gerador

Meu corpo tremeu com a dor que atravessava minha cabeça.

Curvei-me de joelhos, segurando meu crânio com ambas as mãos.

A dor pulsante continuava crescendo. Tentei respirar devagar e com calma, mas não adiantou. Antes que eu pudesse sequer imaginar o que estava acontecendo, uma nova descarga de dor explodiu no meu peito.

Meu coração pulsou forte, uma vez, e então parou.

Um instante de silêncio.

Então, as comportas se abriram.

Cada gota de Essência que ainda permanecia em meu núcleo emergiu como uma onda furiosa, atingindo meu coração e inundando os canais que eu havia criado.

Não parecia algo controlado ou tranquilo, era selvagem, raivoso, como uma tempestade devastando por dentro de mim.

Chamas roxas de Essência cobriam-me da cabeça aos pés, queimando sem calor, queimando sem fogo.

A visão embaçou de tanta dor e, através do zumbido nos meus ouvidos, ouvia-se um rugido, o som de água se chocando ao redor.

O balão tinha desaparecido.

E eu estava de volta ao redemoinho de água, espaço e vento. A pressão elemental se fechava, girando e rangendo como uma tempestade, com eu no centro.

Eu tentou avançar, tentou ficar de pé, mas meu corpo já não tinha força. Nem mesmo um dedo eu conseguia levantar.

E então tudo simplesmente... parou.

A água que zumbia congelou no lugar, imóvel como se o tempo tivesse paralisado. O vento cessou. A pressão do espaço desapareceu completamente.

Fiquei congelado, sem sequer respirar, enquanto uma rachadura se formava na minha frente, uma rasgadura no próprio espaço.

O espaço tinha se rompido.

Da rachadura, algo entrou. Essência. Mas não do tipo que eu estava acostumado. Não era invisível como a Essência que sempre absorvia. Essa era visível, espessa como fumaça, rodando com cor e poder.

Ela preencheu o espaço ao meu redor, movendo-se como se tivesse vontade própria.

Então, com um puxão brusco, ela avançou para dentro de mim, batendo diretamente nos canais que eu tinha criado.

Engasguei.

A Essência não seguiu minha controle, não pediu permissão. Ela dominou tudo ao seu redor e preencheu os canais com força total.

E, finalmente, as notificações começaram a surgir na minha frente.

[Habilidade Inata Adquirida]

[Circulação de Essência - Nível 1]

[Habilidade Inata Adquirida]

[Refino de Essência - Nível 1]

[Evolução de Raça Detectada]

[Requisito Nível 100 Não Concluído]

[Talento Detectado]

[Classe Lendária Detectada]

[Sinergia entre Classe e Talento Detectada]

[Habilidade Passiva Detectada]

[Requisito Nível 100 Não Concluído]

[Evolução Interrompida]

[…]

[…]

[…]

[Upgrade de Talento Detectado]

[Iniciando Upgrade de Talento…]

Após isso, mais nenhuma notificação apareceu, mas eu mal conseguia prestar atenção. A Essência que fervilhava dentro de mim estava rasgando meu corpo em pedaços.

Ela inundou cada parte de mim, atravessando violentamente os canais recém-criados, antes de convergir para o Núcleo Gerador.

Então, outra notificação soou.

[Evolução <-> Combinação de Talento Encontrada]

[Mutação do Upgrade de Talento…]

[Iniciando Upgrade de Talento…]

A tempestade selvagem de Essência dentro de mim parou de repente. Ela não sumiu, simplesmente começou a fluir suavemente, deslizando pelos canais que eu tinha criado. Senti-a se estabelecer em ritmo, enquanto começava a preencher meu núcleo como água sendo despejada em um recipiente vazio.

Foi então que aconteceu.

Outra rachadura se abriu bem na minha frente.

Fiquei paralisado.

Não era apenas uma fissura no ar, parecia que o próprio mundo tinha se aberto ao meio. Eu senti que essa era diferente da anterior. Por trás da rachadura, só havia escuridão. Sem estrelas. Sem luz. Apenas o vazio. E daquele vazio saiu algo que eu nunca tinha visto... ou sentido.

Uma pequena nuvem de fumaça branca se soltou, do tamanho de um punho fechado.

Mas no instante em que a vi, um medo tomou conta de mim. Não era pânico ou ansiedade. Era um terror primal, puro, como algo que pulsava na minha essência. Cada parte de mim, da pele ao osso, recuou por instinto.

A rachadura se fechou silenciosamente atrás da fumaça, como se nunca tivesse existido. A fumaça rodou lentamente, e então partiu numa direção direta a mim, como se tivesse vontade própria.

Meu peito se iluminou.

A tatuagem verde estampada em meu coração, a marca que recebi no dia em que acordei meu talento, ganhou vida, brilhando como brasas alimentadas pelo vento.

A fumaça branca bateu com força no meu peito e entrou no meu corpo.

Engasguei.

Dentro de mim, senti-a girando ao redor do núcleo, misturando-se com a Essência que já rodava por ali.

Então, meu coração deu um solavanco pesado.

A fumaça branca parou de se mover.

Começou a se reunir no centro do Núcleo Gerador. Cada vez mais apertada, girava sobre si mesma até se condensar em um pequeno núcleo brilhante, branco e liso, do tamanho de um globo ocular.

A tatuagem no meu peito parou de brilhar. Mas algo era diferente agora.

Um círculo se formou ao redor do desenho antigo.

As engrenagens que compunham a marca, as mesmas que tinha visto no dia em que acordei meu talento, ainda estavam lá, gravadas na minha pele, imóveis como sempre. Mas agora estavam dentro de um anel perfeito.

Limpas, nítidas e que brilhavam suavemente, como se sempre fizessem parte da tatuagem.

Justo quando o núcleo branco se formou e eu achei que tudo tinha finalmente acabado, a Essência que se acomodara dentro de mim voltou a se intensificar.

Ela saiu com força do meu peito. Minha respiração ficou presa ao ser atingido por essa enxurrada que passou por mim com uma força que fez meus membros tremerem.

Não doía como antes, mas a sensação era intensa, como fogo e relâmpagos espalhando-se sob a minha pele.

O primeiro local para onde ela se dirigiu foi minha coluna. Meu corpo se arqueou por instinto enquanto a Essência se enterrava fundo, subindo rapidamente em direção à base do meu crânio.

Acenei os dentes e deixei acontecer, sem tentar resistir.

Foi então que senti, algo se marcando na parte de trás do meu pescoço. Não era apenas uma sensação. Eu podia ouvi-lo. Um pitido suave, como engrenagens invisíveis girando, se encaixando no lugar.

Engasguei ao sentir que a sensação se dissipava, mas a Essência já se movimentava novamente.

Dessa vez, fluía em direção aos meus braços. Não parou na pele. S a','s sank into my muscles, mais fundo que os nervos. Então, bem sobre a omoplata direita, outro padrão se queimou na minha carne.

Senti que se formava: preciso, afiado, mecânico. Como a tatuagem no meu peito, mas com uma forma diferente. Uma longa arcada horizontal, com barras gravadas como dentes de uma engrenagem.

A energia continuou, serpenteando até minhas pernas, mas ao invés de gravar novamente, ela simplesmente pulsava, constante e pesada, como um batimento cardíaco, antes de subir de novo.

Então, sem aviso, a força avançou direto para o meu crânio.

Quase desmaiei.

Por um segundo, tudo que ouvi foi um zumbido.

Mas então minha visão se aguçou, as cores aprofundaram, o ar ficou mais pesado, até o crepitar suave da Essência se tornou mais nítido.

E no meio da testa, logo acima do arco das sobrancelhas, senti a pele esquentar enquanto outra marca se desenhava no lugar. Essa era sutil, como uma pequena engrenagem atrás de vidro.

Meu coração, ainda pulsando com uma luz verde suave, bateu mais uma vez.

E então... silêncio.

A Essência parou de se mover. Tudo se acalmou.

Fiquei de joelhos ali, tremendo, com a respiração ofegante. O que quer que tivesse acabado de acontecer, mudou algo fundamental. Eu podia senti-lo nos ossos.

Comentários