Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 140

Meu Talento Se Chama Gerador

Fiquei olhando para a tela de status.

E fiquei olhando mais um pouco.

Depois esfreguei os olhos como se tivesse sido atropelada por um caminhão de alucinações.

"…Não. Não, não, não," murmurei, apontando o dedo para o texto brilhante como se isso pudesse botá-lo na linha. "Você não acabou de renomear meu talento."

Ali, piscando como se não tivesse acabado de cometer uma falsidade ideológica de identidade:

[Gerador Nexo 1]

Afundei-se dramaticamente, batendo a testa contra meu joelho.

"Você me traiu," sussurrei para o ar vazio. "A gente tinha algo. Você e eu. Gerador. Só Gerador. Simples. Limpo. Misterioso."

Joguei os braços para cima na direção do céu — ou melhor, do interior do teto de cúpula, que era uma péssima substituição pelos céus dramáticos que eu merecia agora.

"Quem você é agora? Gerador Nexo? O que você é, um roteador?!"

Silêncio. Nem o Sistema ousou responder com um bip.

Pousei de costas e cubri o rosto com as duas mãos.

Chorei silenciosamente enquanto fixava o nome. Meu velho companheiro — Gerador — realmente tinha se ido.

Passamos por tanta coisa juntos. Minha primeira luta, minha primeira vitória, meu primeiro grito quase morrendo eletrocutada por dentro. E agora… renomeada como se fosse uma atualização de um aplicativo de segunda mão.

Mas eu tinha que seguir em frente. A vida não ligava para laços emocionais. Ela só insistia em empurrar você adiante, esteja você pronta ou não.

Então, com uma respiração profunda e o coração pesado, olhei para minha tela de status atualizada.

Era exatamente aquilo que eu esperava: o nome tinha mudado.

[Talento: Gerador Nexo – Nível 1]

O novo nome me encarava como se estivesse orgulhoso de si mesmo. Dei a ele um olhar longo e julgador.

Junto com a mudança de nome, minha Armazenagem de Essência tinha aumentado. Vinte pontos a mais, chegando a 55. Uma melhora legal, com certeza — mas isso não amenizou a dor.

Depois percebi algo mais. As habilidades que eu tinha me esforçado para conquistar — Circulação de Essência, Refinamento de Essência, e até a antiga moldagem de Essência — tinham desaparecido da lista.

No lugar delas, havia uma única habilidade nova:

[Motor de Essência – Nível 3]

Concentrei-me nela, e uma descrição simples apareceu:

[Motor de Essência]: Regula e automatiza a circulação, refinamento e conversão de Essência em estados elementais.

'Humm.

Então esse era o resultado de todas as habilidades sendo condensadas em um único sistema? Circulação, refinamento, moldagem, até a dança caótica que eu fazia meu corpo repetir — tudo foi comprimido nesta habilidade única e eficiente.

Era organizado. Eficiente. Um pouco assustador.

Não sabia se me sentia orgulhosa… ou substituída.

Então meus olhos caíram em outra coisa — algo completamente novo. Algo que não estava lá antes.

[Algema da Alma]

Piscava.

Não esperava uma atualização dessas.

A curiosidade acendeu como uma fogueira. Inclinei-me instintivamente, com os olhos bem abertos. Qualquer que fosse isso… não tinha nada a ver com armazenamento básico de Essência ou controle de energia.

Mas antes que eu pudesse conferir as outras novidades —


"Então você finalmente saiu."

Levei um susto e virei a cabeça rapidamente.

Era Arkas.

Pisquei para ele, já sentindo aquela coceira familiar nas mãos. Por um segundo, considerei seriamente dar um soco naquele velho só uma vez… por encerramento.

Mas, lá no fundo, eu sabia exatamente como aquilo terminaria: eu no chão, de cara, me perguntando onde tinha ido meu dente.

E, além disso, eu estava completamente nua. Esse velho não tinha noção de vergonha?

Ele acenou com a mão, e minhas calças voaram na direção dele. Apertei-as com pressa e me vesti rápido.

Fingindo que nada tinha acontecido, continuei a conversa.

"Pois é. Por quê? Aconteceu alguma coisa?"

Arkas olhou para mim por alguns segundos longos, como se estivesse decidindo se ia me dar uma bronca ou rir. Depois, falou.

"Nada sério. Só estava pensando se deveria ter interrompido o que quer que fosse que você estava fazendo."

Puxei a cabeça para o lado.

"Espera… você estava assistindo?"

"Não no começo," respondeu, cruzando os braços. "Mas aí você fez aquela coisa louca."

"Coisa louca?"

"Sim. Você sabe, alertar o Imperador e o Império."

Meus olhos se arregalaram como pratos de louça.

"Como?! Como você fez isso?"

Arkas sorriu, e havia um brilho nos olhos dele que me deixou com vontade de me esconder. "O rasgo no espaço," ele disse. "Na verdade, os dois. O primeiro chamou atenção, mas o segundo? Só o Imperador conseguiu perceber. Ou seja, você praticamente acendeu uma bandeira para todo o Império."

Fiquei um passo para trás, em choque.

Mas então, por razões que nem eu conseguia explicar, enchi o peito e levantei o queixo como se tivesse acabado de salvar o mundo.

"E daí? Eu só estava treinando," disse com o orgulho mais falso que consegui. "Por que todo mundo está me observando?"

Tentei agir como se isso não me incomodasse, mas, na verdade, queria mergulhar de cabeça na piscina e sumir.

Mesmo assim, se o Imperador estava assistindo, eu tinha que parecer mais do que uma criança brincando com fogo.

Eu tinha que parecer um homem. Um homem capaz.

Arkas riu só.

"Pare de. Você parece um idiota. Enfim, eu disse que você estava só treinando e que eu deixei. As coisas já se acalmaram um pouco. Mas espero uma explicação completa depois, soldado."

Assenti.

"Sim, Comandante. Na verdade, eu estava justamente indo verificar a explicação antes de você interromper rude."

Arkas fez um som de desprezo.

"Sem desculpas."

Odeei o olhar dele, resistindo à vontade de lhe dar um cabeçada.

"Então… posso continuar aqui?"

Ele olhou por um longo momento e coçou a barba.

"Você não quer voltar para sua unidade?"

Levantei uma sobrancelha. Na real, não tinha sentido fazer parte da unidade ultimamente. Não treinava regularmente. Estava evoluindo mais rápido que os outros. Honestamente, voltar pareceria uma perda de tempo.

Mas, por respeito, respondi.

"Sinto muita falta da unidade, Comandante. Mas acho que posso aproveitar melhor meu espaço e meu tempo aqui."

Arkas inclinou a cabeça.

"Espaço e tempo, hein?"

Sorrio.

"Sim, Comandante."

"Certo," disse ele. "Mais um dia. Mas depois de amanhã, quero você de volta ao acampamento. Temos coisas para conversar."

Meu sorriso caiu um pouco.

"É sobre os Ferans?"

Ele assentiu.

"Os Ferans… e mais coisas."

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