Meu Talento Se Chama Gerador

Capítulo 113

Meu Talento Se Chama Gerador

Só para manter a conversa, perguntei:

— E aí, como está indo o treinamento?

O Billion bonzinho suspirou, exasperado: — Completamente sem esperança. Você está desperdiçando essa oportunidade.

O Billion selvagem explodiu: — Patético. Cria vergonha nessa cara, mano. Que fraqueza. Digo e repito, PATÉTICO!

Cerrei os dentes com meus próprios pensamentos, me amaldiçoando em silêncio.

North me lançou um olhar.

— Você tem certeza de que está bem?

Eu ri, embora tenha saído um pouco forçado.

— Sim, estou.

Ela me entregou uma xícara, seus dedos roçando os meus por um segundo.

O Billion bonzinho murmurou.

— Ah, sim. Um momento de conexão. Saboreie-o.

O Billion selvagem bufou.

— Cara, se você não parar de pensar demais...

Mandei os dois calarem a boca e tomei um gole, concentrando-me no calor do café e na garota parada na minha frente.

Por agora, isso era o suficiente.

Ficamos em silêncio confortável, tomando nossos cafés, com a mesa de jantar entre nós.

O único som na sala era o ruído discreto do meu café. Percebi tarde demais o quão alto estava, mas antes que eu pudesse decidir se me sentiria envergonhado por isso, North falou.

— Você tem irmãos?

Tomei outro gole, balançando a cabeça.

— Não. Só eu.

O silêncio se instalou entre nós novamente.

O Billion bonzinho suspirou.

— Quem diria que chegaríamos a isso? Com um Psynapse tão alto e, ainda assim, suas habilidades de conversação são péssimas. Verdadeiramente decepcionante.

O Billion selvagem caiu na gargalhada. — Mano, por que está estressado? É só falar o que está na sua cabeça. Se ela é a sua garota, ela vai entender.

Pela primeira vez, decidi seguir o conselho do Billion selvagem.

Limpando a garganta, falei:

— Você está bonita.

O Billion selvagem deu uma cambalhota para trás, agarrou o Billion bonzinho pela gola e o socou até deixá-lo roxo, gritando: — É isso aí!

Enquanto isso, mantive meu olhar fixo em North, colocando minha caneca na mesa. Ela ainda estava com sua roupa de treinamento, roupas pretas justas, seus longos cabelos presos em um rabo de cavalo. Seus olhos castanhos encontraram os meus, ilegíveis.

Um segundo se passou. Então, em voz baixa, ela disse: — Obrigada, — antes de tomar outro gole de seu café.

Encorajado, ouvi o Billion selvagem novamente.

— Vou ficar fora por alguns dias, mas vou tentar te mandar mensagens o máximo que puder.

Ela assentiu.

— Para onde você vai?

Balancei a cabeça.

— Não sei. O Comandante não me disse.

Ela assentiu novamente.

— Ok. Você pode me mandar uma ou duas mensagens, talvez. Concentre-se mais no seu treinamento.

Ergui uma sobrancelha.

— Que tal uma chamada de vídeo?

Ela olhou para mim por cima da borda de sua caneca, então, após uma pausa, respondeu: — Talvez.

O Billion selvagem rugiu: — Que 'talvez' o quê? Diga sim ou não!

O Billion bonzinho, finalmente se recuperando da surra, ajeitou sua gravata metafórica. — Um 'talvez' é um bom progresso. Seja paciente.

Concordei com o Billion bonzinho.

Ela terminou seu café e colocou sua caneca ao lado da minha.

Então, do nada, ela perguntou:

— O que você acha do meu avô?

Pisquei, pego de surpresa. Essa era a última coisa que eu esperava que ela perguntasse.

Ainda assim, respondi honestamente.

— Eu o respeito.

Ela riu.

— Muito diplomático.

Eu sorri.

— Verdade, no entanto.

Ela inclinou a cabeça ligeiramente, me estudando.

— Sabe, a maioria das pessoas o teme ou o odeia. Você não parece sentir nenhum dos dois.

Dei de ombros.

— Ele é durão, mas justo. Ele pressiona as pessoas, mas sempre há uma razão por trás disso. E ele não perderia seu tempo com alguém que ele considerasse inútil.

Ela murmurou, batucando os dedos levemente na mesa.

— Essa é uma maneira interessante de colocar isso.

Eu sorri.

— Por quê? Você estava esperando que eu dissesse algo ruim sobre ele?

Ela balançou a cabeça.

— Não. Só curiosa para saber o que você pensava.

Olhei para suas mãos apoiadas na mesa.

— Você realmente o admira, não é?

Ela exalou suavemente.

— Sim. Ele é rigoroso, mas sempre esteve lá para mim. Eu quero corresponder às expectativas dele.

Eu assenti.

— Então você vai.

Ela olhou para mim, seus olhos castanhos procurando algo em minha expressão.

— Você diz isso como se fosse um fato.

Dei de ombros.

— Pode ser. Tudo começa com a crença primeiro.

Seus lábios se separaram ligeiramente, indecisos entre uma resposta e o silêncio. Então, ela simplesmente sorriu.

— Você é estranhamente positivo sobre as coisas.

Dei de ombros.

— Me ajuda a dormir à noite.

Ela se recostou, cruzando os braços.

— Então eu só vou ter que provar que você está certo.

Eu sorri de canto.

— Ansioso por isso.

Então, ela falou novamente, mais suave desta vez.

— E quanto a você? O que você quer?

Bati meus dedos na mesa, pensando.

O Billion bonzinho endireitou a postura.

— Ah, aqui está uma excelente oportunidade para uma conversa significativa. Você deve expressar suas aspirações mais profundas com clareza e profundidade.

O Billion selvagem bocejou.

— Mano, é só dizer que você quer ser forte e esmagar coisas. Fácil.

Ignorei os dois por um segundo, então respondi.

— Força. Eu quero força.

Ela riu.

— Só força? Nada mais?

Pensei por um momento.

— Quero dizer, sim, há outras coisas também.

Ela se afastou da cozinha e caminhou em direção ao sofá. Eu a segui, sentando-me ao lado dela, mas deixando algum espaço entre nós.

Ela se virou para mim novamente.

— Que outras coisas?

Olhei para ela e respondi honestamente.

— Bem... eu gostaria de ter uma namorada algum dia. Uma parceira para compartilhar coisas.

Ela assobiou.

— Ohh, legal. Que tipo de garota você gosta?

O Billion selvagem começou a gritar.

— Descreva-a, descreva-a!

Tossi, mantendo minha expressão neutra.

— Alta. Olhos castanhos. Bonita. Talvez uma arqueira.

Ela olhou para mim, piscando algumas vezes, processando minhas palavras.

Eu sorri internamente.

— Te peguei.

Ela pigarreou, mudando ligeiramente de posição.

— E se você não a encontrar?

Eu ri, recostando-me no sofá.

— Então eu vou continuar buscando força.


E assim, a conversa fluiu para tópicos aleatórios, treinamento, comida, até mesmo um debate sobre se ela deveria pintar o cabelo.

Depois de uma hora, decidimos pedir algo para comer. Ela sugeriu algo novo novamente e fez o pedido para nós dois.

Enquanto esperávamos, contei a ela a história de como Steve e eu nos tornamos amigos, como nos conhecemos e como eu quase o chantageei para ter uma amizade comigo. Ela riu disso, balançando a cabeça com diversão.

Em troca, ela me contou sobre seu irmão e sua mãe. Ela mencionou que sua mãe estava planejando visitá-la em breve, mas eu poderia perder a chance de conhecê-la, já que estaria ocupado com o treinamento.

Logo, a comida chegou e colocamos os pratos na mesa. Ela me explicou cada um deles, entrando em detalhes sobre suas especialidades, e eu ouvi, certificando-me de memorizar tudo.

Então começamos a comer.

Percebi que estava observando-a mais do que meu prato, divertido com o quão animada ela ficava quando falava sobre comida.

Ela tinha esse hábito de gesticular levemente com o garfo quando ficava animada, seus olhos castanhos se iluminando enquanto ela explicava os sabores.

Eu gostava de como ela era fofa quando falava sobre comida.

Terminamos nossa comida e eu a ajudei a lavar a louça enquanto ela reclamava de como sua mãe não gostava que ela comesse tanto.

Eu ri disso, imediatamente ficando do lado dela.

— Isso é ridículo. Você deveria comer o quanto quiser. Se rebele contra ela.

Ela revirou os olhos, mas eu peguei o pequeno sorriso em seus lábios.

Quando terminamos tudo, decidi que era hora de voltar.

Estávamos perto do sofá dela, um de frente para o outro.

— Então, se cuide. Eu te mantenho informado, — eu disse.

Ela assentiu. — Sim, claro. Você também, se cuide.

Por um segundo, nenhum de nós se moveu.

O Billion selvagem cruzou os braços. — Abrace-a, mano. Faça isso.

O Billion bonzinho ajustou seus óculos. — Um aperto de mão seria apropriado.

Ignorei os dois, oferecendo a ela um pequeno sorriso em vez disso.

— Até logo, North.

Ela hesitou por um momento antes de sorrir de volta.

— Até logo, Billion.

E com isso, me virei e saí, já ansioso pela próxima vez que a veria.

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