
Capítulo 835
O Ponto de Vista do Vilão
Em algum lugar na Terra, em uma região aleatória para onde Frey havia sido arremessado por Agaroth, um casulo escuro se formou... selando seu corpo. Ele havia forçado um avanço, impulsionado para o próximo estágio sob a pressão esmagadora do Rei Demônio.
Agaroth permanecia diante dele, esperando pacientemente. No entanto, sua paciência durou apenas alguns segundos, quando o casulo se rompeu e Frey avançou — energia cinza brilhando ao seu redor, muito mais densa do que antes.
Frey golpeou com tudo o que tinha, sua lâmina colidindo com Agaroth em meio a uma tempestade de poder fundido, capaz de destruir mundos. A força, por si só, poderia abalar a própria existência — contudo, o Rei Demônio não se moveu.
Nem um pouco.
Com uma mão envolta em chamas negras viscosas, Agaroth deteve a lâmina sem esforço. Sua voz ecoou ao lado dos ouvidos de Frey, clara e pesada.
"Isso não é o suficiente. Mostre-me mais."
Frey o ignorou completamente, concentrando-se apenas em sua espada. Contra Agaroth, o pensamento em si era inútil... não trazia nada além de desespero, nada além da consciência esmagadora do abismo entre eles.
Então, ele o abandonou.
Ele se tornou uma arma — nada mais que uma máquina de matar que existia apenas para lutar. Era a única maneira de se manter diante do Rei Demônio, e Agaroth entendia isso perfeitamente.
E assim, ele entrou no jogo.
Após atingir a quarta fase do SSS, o poder de Frey aumentou imensamente. Em circunstâncias normais, tal crescimento seria avassalador — mas diante de Agaroth, era insignificante.
Frey golpeava implacavelmente, sem pausas. Sem saber, ele começou a usar a energia fundida destruidora de mundos continuamente, até que ela começou a substituir a aura de buraco negro dentro de seu próprio corpo.
O Manipulador Absoluto reagiu instantaneamente, tentando assimilar as novas forças. Ele remodelou o corpo de Frey, aprimorando sua força e velocidade, adaptando-o para suportar aquele poder monstruoso.
Seu corpo Kratt respondeu com perfeição.
Enquanto isso, a aura de buraco negro e o Fogo da Alma queimavam no auge, alimentando a energia cinza. Com ela, Frey desferiu golpe após golpe, cada movimento capaz de apagar continentes.
No entanto, algo estava errado.
Quando seus ataques atingiam Agaroth, eles não o feriam. Eles nem precisavam ser bloqueados... simplesmente desapareciam no momento em que tocavam seu corpo.
Como se fossem engolidos por inteiro.
Como um buraco negro arrastando-os para o esquecimento.
Vez após vez, Frey liberava ondas de energia cinza que poderiam eclipsar o céu — apenas para serem devoradas instantaneamente. Nada restava.
O que é este corpo...?
Do que ele é feito...?
Ele está realmente vivo...?
As perguntas ecoavam profundamente no subconsciente de Frey, tornando-se mais altas a cada segundo. Quanto mais ele se aproximava, mais perdido ficava.
E a pior parte —
Este monstro era supostamente sua criação.
Agaroth havia dito isso. Outros haviam confirmado. Contudo, Frey se recusava a acreditar — ele só conseguia duvidar. Como ele poderia ter criado algo assim?
Quem neste mundo poderia?
Agaroth parou tudo, mas Frey não parou. Ele investiu novamente, seus ataques tornando-se mais desesperados, mais violentos, mais implacáveis.
Desta vez, as chamas ao redor do Rei Demônio brilharam.
A estranha aura que o envolvia — como um manto vivo — expandiu-se, crescendo infinitamente até afogar completamente a energia cinza de Frey. Aquele poder avassalador tornou-se nada mais que um ponto fraco dentro de uma escuridão sem fim.
E mais uma vez —
Frey foi arremessado para longe.
O campo de batalha se despedaçou sob eles, forçando uma mudança para outro local. Mas, como sempre, Agaroth já estava lá, esperando por ele.
Preparado.
Mas desta vez —
Ele foi interrompido.
Agaroth levantou lentamente o olhar para o céu, agora completamente dourado. Sua voz saiu baixa, mas ecoou por todo o planeta.
"Guerreiro da Seita das Sombras... retire-se."
"Eu vou te matar. Mas ainda não."
"Aproveite os poucos minutos que lhe concedi... e não interrompa minha diversão."
Foi um aviso.
Um que foi ignorado.
Dos céus, Fulghor desceu — seus quatro cascos golpeando o firmamento, seus olhos brilhando atrás de seu capacete. Sua presença sacudiu o mundo.
"Eu escolho a morte!!"
Seu rugido irrompeu como um cataclismo.
Ele liberou tudo... cem por cento de sua aura, uma reserva igual à de um planeta inteiro. Essa era a condição necessária para liberar sua técnica definitiva.
"Lança do Julgamento Triplo!!!"
Uma luz dourada cegante consumiu o mundo enquanto Fulghor se transformava em algo semelhante a um sol ardente — uma massa avassaladora de fogo divino dourado.
Ninguém conseguia olhar para ele.
Ninguém —
Exceto Agaroth.
Com seus olhos carmesins, o Rei Demônio encarava diretamente, imperturbável. Acima da Terra, três entidades colossais se formaram — seres de puro ouro e chama.
Eles caminhavam sobre quatro pernas, assemelhando-se a feras maciças como o próprio Fulghor — mas muito maiores. Cada uma tinha o tamanho de uma lua.
As três feras uniram seu poder e golpearam simultaneamente, visando o Rei Demônio com precisão absoluta.
A Lança do Julgamento Triplo...
A criação definitiva de Fulghor, forjada ao longo de incontáveis anos. Uma habilidade única que só podia atingir um único alvo.
E assim, apesar da explosão inimaginável que despedaçou vastas porções do planeta... Apenas um ser foi ferido.
O Rei Demônio.
Ninguém mais.
Mesmo que —
O planeta em si não tenha sobrevivido ao impacto.
O choque que se seguiu... Foi além de tudo.
Além de todos os limites.
Uma cratera maciça rasgou a Terra, deixando o planeta deformado, sua forma oval quebrada, uma porção significativa de sua massa simplesmente desaparecida.
O eco da destruição espalhou-se pelo mundo, alcançando todos os seres vivos sem exceção. Os antigos heróis humanos protegeram os soldados ao seu lado, enquanto a Seita das Sombras desviou as consequências, protegendo o que restava da humanidade.
No entanto, além disso... os tremores da devastação consumiram tudo.
Vayne... ou melhor, Wesker, observava de longe aquele golpe final e insano, com o medo evidente em seus olhos. Ele entendeu claramente — se tivesse recebido aquele golpe, provavelmente teria morrido.
"Este ataque em si é um golpe capaz de destruir mundos... o que significa que o Olho do Rei provavelmente não consegue anulá-lo...", murmurou ele.
E assim, mesmo para o Rei Demônio, usar tal método não era uma opção. Embora Wesker ainda duvidasse disso, sabendo que o Olho do Rei de Agaroth superava muito o seu, isso não importava no final.
Porque Agaroth não precisava dele, para começo de conversa.
Bem no centro da destruição, onde o dano havia atingido seu ápice, o Rei Demônio permanecia de pé. Imóvel, seu corpo irradiando uma densa e opressiva aura sombria, um sorriso largo desenhado em seu rosto.
"Esse foi um bom golpe", disse ele, elogiando genuinamente Fulghor, antes de levantar a mão e fundir cinco habilidades destruidoras de mundos de uma só vez.
"Aceite isso como uma recompensa pelo seu esforço."
Da palma de sua mão, uma energia sombria se formou, expandindo-se em menos de um segundo até engolir completamente o sol ardente de Fulghor.
Fulghor pairava no céu, encarando aquela aura com os olhos arregalados.
"A quantidade de aura que ele usou... excede cem por cento das minhas reservas?", sussurrou ele, incapaz de acreditar.
Ele sempre soube que o Rei Demônio possuía reservas maiores, mas nunca imaginou que o abismo fosse tão avassalador. O contra-ataque de Agaroth carregava um poder que o superava completamente, e ainda assim, ele não mostrava sinal de exaustão.
O ataque do Rei, uma fusão de cinco habilidades destruidoras de mundos, devorou a Lança do Julgamento Triplo completamente — junto com o próprio Fulghor — em uma trágica demonstração da vasta diferença entre eles.
A aura dourada não durou nem dez segundos antes de ser completamente engolida.
No último momento, o guerreiro da Seita das Sombras escapou da morte, queimando tudo o que tinha apenas para desviar do ataque, nem mesmo bloqueá-lo.
Aquilo, por si só, lhe custou caro — um braço, uma grande parte de seu corpo, metade de seu rosto e toda a sua aura.
E assim Fulghor caiu, como um meteoro colidindo com a Terra, seu poder completamente esgotado.
Agaroth não lhe deu atenção. Ele simplesmente se virou, sorrindo, para Frey, que já havia lançado outro ataque.