O Ponto de Vista do Vilão

Capítulo 828

O Ponto de Vista do Vilão

Em um contraste gritante com a guerra e seus horrores, a região onde a Seita das Sombras se erguia estava estranhamente silenciosa — como se o conflito banhado em sangue nunca tivesse ocorrido naquele planeta.

Só isso já parecia estranho.

Não muito tempo atrás, os seres mais fortes da Terra podiam devastar cadeias de montanhas inteiras ao liberar seu poder total — e isso, por si só, já fora considerado surpreendente.

Mas agora… tal nível havia se tornado o requisito mínimo necessário para sequer participar da guerra.

Com o surgimento de monstros capazes de abalar continentes… e partir luas ao meio.

Um desses titãs —

Era Amon, o Hospedeiro do Pesadelo… que havia chegado como um visitante indesejado sobre as muralhas da Seita das Sombras.

O homem mascarado surgiu silenciosamente, saindo de entre os arbustos enquanto avançava lentamente em direção às imponentes muralhas escuras.

O terreno ao redor da seita estava completamente vazio — nada além de uma vasta e limpa planície pavimentada.

O que significava uma coisa.

Amon estava totalmente visível para aqueles posicionados no topo das muralhas.

Ele não atacou.

Nem se deu ao trabalho de se esconder, nem um pouco.

Não fez qualquer tentativa de ocultação.

Depois de avançar o suficiente, Amon finalmente parou, deixando uma distância considerável entre si e as muralhas.

Seus olhos carmesim se fixaram no portão enquanto ele observava calmamente a estrutura antiga… como se tivesse vindo de tão longe para um passeio, e não para uma batalha.

O Hospedeiro do Pesadelo não demonstrava intenção assassina. Nenhuma hostilidade.

Em total contraste com a Seita das Sombras, que o tratou como inimigo no momento em que colocaram os olhos nele.

Do topo das muralhas —

Um ser alto e blindado saltou.

Seu corpo inteiro estava envolto em metal negro.

À primeira vista, parecia estar usando uma armadura.

Mas, em uma inspeção mais detalhada…

Amon percebeu —

Aquilo não era uma armadura.

Era sua pele.

Uma estátua.

Um rosto imóvel e furioso, desprovido de emoção, empunhando uma foice massiva… emanando uma pressão que claramente atingira o rank SSS.

Amon sorriu levemente sob sua máscara no momento em que o viu.

"Então… foi você quem escolheram para enviar?"

"Você tem uma certa audácia, criatura singular… ao avançar para me enfrentar, apesar de entender perfeitamente que não está à minha altura."

Amon falou primeiro, tentando iniciar uma conversa.

Mas o Irritado [1] não era um ser de palavras.

[1] - *Angry* (Irritado), o nome da entidade/estátua.

Na verdade —

Ele nem sequer era capaz de falar para começo de conversa.

Então, em vez de palavras —

Ele respondeu com prontidão.

Preparando-se para a batalha.

O Irritado deu um único passo à frente —

Então, subitamente, congelou.

A estátua imponente baixou a cabeça lentamente…

Enquanto uma mão fria pressionava seu peito, impedindo-o de continuar.

Uma mão esguia.

Porém, tão incrivelmente firme que ele não conseguiu se mover nem um centímetro.

"Recue."

"Você não é capaz de lutar contra ele."

A voz pertencia a Frey, que aparecera do nada entre Amon e o Irritado — interrompendo este último em seu caminho.

Frey nem sequer deu um olhar para a estátua furiosa.

Seus olhos permaneciam fixos inteiramente no demônio à sua frente.

Em resposta ao comando de Frey, o Irritado curvou-se levemente em respeito antes de recuar imediatamente, retornando às muralhas sob a ordem de seu mestre.

E assim —

Apenas dois restaram.

Frey — que chegara instantaneamente através da manipulação espacial.

E Amon, o Hospedeiro do Pesadelo.

Cara a cara.

Frey chutou o chão levemente, estabilizando sua postura antes de expirar lentamente — seu olhar fixo em Amon com emoções distorcidas e conflitantes.

"Então é isso?"

"Este é o seu plano?"

"Atacar a seita enquanto estamos ocupados com a guerra?"

Frey falou com claro desdém, uma camada de escárnio tecida em seu tom.

"Você realmente achou que eu não poderia chegar até você só porque está do outro lado do planeta?"

Em resposta —

Amon removeu sua máscara, revelando seu rosto enquanto sorria para Frey.

"De forma alguma… Recipiente do Inominável."

"Estou plenamente ciente do que você é capaz."

Frey estreitou os olhos, incapaz de ler a verdadeira intenção por trás daquelas palavras.

Mas Amon não escondeu seu propósito por muito tempo.

"Vim até aqui… na esperança de encontrar você cara a cara."

"Sem interferências."

Sua voz era calma.

Seu sorriso — gentil.

Não havia hostilidade.

Nenhuma raiva.

Nem mesmo o menor traço de intenção assassina.

Mas havia algo mais.

Algo que Frey não conseguiu definir imediatamente.

Cautelosamente, Frey respondeu.

"Se essa era a sua intenção… então você conseguiu o que queria."

Mesmo que fosse uma armadilha —

Frey estava caçando Amon desde o início.

Este desfecho era inevitável.

Frey lentamente levantou sua espada, sinalizando sua intenção de começar a luta —

Mas Amon o interrompeu.

"Antes de lutarmos até a morte…"

"Você me permitiria trocar algumas palavras com você primeiro?"

"Palavras?" Frey franziu a testa.

"Desde quando o Hospedeiro do Pesadelo… irmão mais novo de Crimson… tornou-se alguém que conversa com o oponente que deveria matar?"

"Para corrigi-lo —"

"Eu não vou te matar."

"Vou apenas contê-lo tempo suficiente para levá-lo de volta a Helmound."

"Então… você pode se considerar uma exceção."

"O único que sobreviverá a esta guerra."

Frey riu.

Uma risada arrepiante.

Uma risada cheia de hostilidade inconfundível.

"Devo agradecê-lo, então?"

"Por poupar minha vida?"

Ele riu novamente.

"Sinto muito."

"Mas não pretendo lhe conceder a mesma misericórdia."

"Vou enterrá-lo sob este chão…"

"Se sobrar algo de você que valha a pena enterrar."

"Que aterrorizante…" Amon murmurou suavemente.

Ele fechou os olhos brevemente, então deu um passo em direção a Frey — lentamente, com cautela.

"Deixe-me mostrar-lhe algo primeiro."

"Talvez… isso possa mudar sua resolução."

Um brilho carmesim escuro irrompeu do corpo de Amon, sua aura explodindo para fora.

Usando uma técnica desconhecida —

Sua aura se expandiu…

Envolvendo a ele e a Frey —

Puxando-os para um domínio estranho que alterou completamente a cena ao redor.

Frey não reagiu.

Não se defendeu.

Não se moveu.

Porque, através dos olhos do Vazio…

Ele entendeu claramente.

Isto…

Não era um ataque.

Amon puxou Frey para algo semelhante a uma simulação —

Uma simulação forjada a partir de suas próprias memórias.

Frey não entendia o que o Arquidemônio de rank onze estava tentando realizar, mas acompanhou por enquanto, movido pela curiosidade… talvez houvesse algo de valor escondido em tudo aquilo.

Ele cogitou a possibilidade de Amon estar tentando distraí-lo.

Mas os sentidos de Frey haviam se tornado aguçados demais.

A ponto de seres como Amon não poderem mais enganá-lo.

E então —

Uma cena se desenrolou diante deles.

Um planeta… morto há muito tempo.

Seu céu encharcado de carmesim, sua terra árida e sem vida.

"…Isto é Hellmond", disse Frey.

Amon assentiu.

"Estou surpreso que você tenha reconhecido, apesar de nunca ter visto antes", respondeu Amon calmamente.

O olhar de Frey permaneceu fixo no mundo desolado.

"Por que está me mostrando este lugar amaldiçoado?"

"Diga-me, Recipiente do Inominável — não… Frey Starlight."

Amon virou-se lentamente.

"Você já se perguntou… de onde vêm os demônios?"

Frey permaneceu em silêncio.

Ele não disse nada —

Incapaz de revelar nem a menor parte de informação do seu lado.

E assim, Amon respondeu por conta própria.

"A maioria dos demônios… origina-se do Primeiro Demônio — Manus."

Um sorriso leve se espalhou por seu rosto.

"Essa… é a resposta que todo ser vivo neste mundo acredita."

Frey franziu a testa ligeiramente.

"A maneira como você diz isso… sugere que não é verdade."

"Não é."

Amon respondeu imediatamente.

A testa de Frey franziu-se ainda mais.

A conversa tomara um rumo em território completamente desconhecido —

Algo que nem ele, nem mesmo o Inominável, com suas memórias atuais, compreendiam.

"…O que você quer dizer?"

"Pense nisso", disse Amon levemente.

"Se os demônios vieram de Manus… então de onde veio Manus?"

"Ele não era um demônio também?"

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