
Capítulo 816
O Ponto de Vista do Vilão
Os dias passaram rapidamente.
Quando as pessoas vivem em tempos de guerra, perdem a noção do tempo.
Tudo acontecia em um ritmo aterrorizante, e todos podiam sentir que se aproximavam lentamente do fim.
Se houvesse uma única palavra para descrever o estado da humanidade agora, seria tensão.
Cada um deles sentia isso.
Sentiam que a batalha que viria… seria a última.
A batalha final aqui no Planeta Terra — a batalha que decidiria o destino deles.
Nunca antes a humanidade esteve tão perto da vitória.
Tudo o que precisavam fazer agora era derrotar as forças dos demônios, lideradas pelo Anfitrião dos Pesadelos, Amon, junto com os Ultras restantes que ainda o seguiam.
O moral dentro da Seita das Sombras havia melhorado muito após a tremenda vitória de Frey contra Thanatos.
Sua mera presença entre eles lhes dava esperança e força para continuar avançando, não importava o quão fracos alguns pudessem estar.
Os soldados treinavam incansavelmente.
Preparavam-se para lutar até a morte.
Eles estavam plenamente cientes de que seu papel na batalha que se aproximava seria extremamente limitado.
O resultado seria decidido pelos guerreiros de rank SSS, não por eles.
Um soldado comum morreria simplesmente com as ondas de choque produzidas pelo confronto daqueles monstros.
No entanto, os soldados sobreviventes do Império possuíam determinação suficiente para participar mesmo assim.
Alguns buscavam vingança.
Outros simplesmente queriam contribuir — mesmo que significasse matar um único soldado inimigo e ter a sensação de que fizeram algo significativo.
E alguns tinham ficado tão obcecados com o nome de Frey que estavam preparados para segui-lo direto para o inferno, se necessário.
Os antigos estudantes do Templo também estavam ativos.
Eles frequentemente interagiam com o outro herói ao lado de Frey — Snow Lionheart.
Snow sempre permanecia na linha de frente.
Ao contrário de sua contraparte mais sombria, que começara a preferir as sombras.
Desde a última guerra contra Wesker e os Ultras, Frey não havia mostrado o rosto aos seus antigos companheiros nem uma vez.
Todos se perguntavam, de tempos em tempos —
Onde ele estava?
O que ele estava fazendo?
Ninguém conseguia mais prevê-lo.
Ele começara a operar em um nível totalmente diferente… quase como se tivesse se tornado uma pessoa completamente outra.
Após a batalha com Thanatos, Frey afastou-se inteiramente da liderança, deixando-a para Gehrman e os outros campeões humanos.
Ele tratava a si mesmo como nada mais do que uma arma de guerra, preferindo operar sozinho sempre que possível.
Então, certa noite...
Enquanto a escuridão cobria a terra e a Seita das Sombras silenciava naquelas horas tardias...
Frey apareceu em um dos cantos mais escuros da Seita, vagando entre seus edifícios com as mãos enfiadas nos bolsos de seu longo casaco preto.
Suas roupas escondiam todo o seu corpo e pele.
Ele até usava luvas de couro pretas para esconder as mãos.
As únicas coisas visíveis eram seu rosto pálido e seu cabelo, que agora assumira um tom acinzentado.
Seus olhos escuros haviam ficado ainda mais sombrios.
Sombras tênues pairavam sob eles.
Sua expressão não revelava nenhuma emoção.
Estava completamente imóvel.
Completamente fria.
Ele caminhou por algum tempo até chegar a um dos edifícios mais distintos da Seita.
Sem hesitar, ele entrou.
No momento em que cruzou a entrada, ficou claro que a estrutura levava a um nível subterrâneo profundo através de uma longa escadaria descendente.
Um lugar escondido, enterrado nas sombras.
Enquanto descia as escadas, um leve sorriso apareceu no rosto de Frey.
"Esconder-se nas dobras das sombras… combina perfeitamente com ele."
Ele continuou descendo até chegar a uma porta de pedra negra.
Ao lado dela, estava sentado um homem alto de aparência estranha.
Diante da porta, havia uma enorme estátua sombria, com a expressão distorcida em fúria.
A figura sentada ergueu lentamente a cabeça em direção a Frey, encarando-o com aqueles olhos semelhantes a vidro.
Então, ele se curvou levemente.
"Bem-vindo, meu lorde. Perdoe-me — eu não esperava sua presença."
Era Adir, o quarto membro da Seita das Sombras.
Ele demonstrava profundo respeito por Frey.
Ao ver isso, Frey deu um sorriso irônico.
"Erga a cabeça. Eu não sou seu Lorde."
"Seu respeito seria apenas desperdiçado com alguém como eu."
"Mesmo que você seja apenas um receptáculo, Frey Starlight", respondeu Adir com firmeza, recusando-se a mudar sua postura.
"Isso não muda o fato de que você é tudo o que resta do nosso lorde."
"Por favor, não se incomode com a forma como o tratamos."
Frey o estudou por um momento.
Então ele assentiu.
"Faça como quiser. É uma escolha sua."
Ele desviou sua atenção para a porta.
"Como ele está?"
Havia um interesse genuíno na voz de Frey.
Adir respondeu imediatamente, virando a cabeça em direção à porta também.
"Ele está bem. No entanto, não posso dizer se ele estará pronto para a próxima batalha — não importa quão rápido tenha sido seu progresso."
"Está tudo bem se ele não estiver pronto", respondeu Frey calmamente.
"Ele não precisa lutar."
Então ele acrescentou baixinho:
"Eu não quero ser forçado a usá-lo também."
Frey estreitou os olhos levemente, encarando o espaço vazio à sua frente com uma expressão que carregava um estranho vazio.
Adir observou-o por um tempo antes de falar novamente.
"Alguns podem tratá-lo como nada além de um receptáculo..."
"Mas você possui os mesmos olhos agora, como sabe."
Frey riu baixinho.
"Então isso significa que estou começando a me transformar em uma máquina sem emoções."
Ele deu um passo à frente e empurrou a porta.
"E duvido que esse seja um destino que eu prefira."
Ele entrou sem se preocupar em pedir permissão a Adir e Angry, que guardavam a entrada.
Nenhum dos dois tentou impedi-lo.
E mesmo que tivessem tentado, não teriam conseguido — a diferença de poder entre eles era simplesmente grande demais.
Após Frey desaparecer lá dentro, Adir ergueu seu longo braço e olhou para ele em silêncio.
Seu receptáculo estava na pior condição em que já estivera desde sua batalha contra Wesker.
Tão danificado que ele não seria capaz de lutar novamente até que fosse reparado.
O único em um estado semelhante era Gehrman, que havia se esforçado demais durante a última batalha.
A Seita das Sombras sentiria a falta de ambos na batalha que se aproximava, o que custaria uma parte significativa de sua força de combate. O único que ainda mantinha seu poder total era Fulghor.
Ao contrário dos outros, Fulghor nunca havia morrido — ele mantinha seu corpo original.
Ele era um dos poucos que havia seguido o Sem Nome por vontade própria, sem nunca ter sido ressuscitado por ele.
A próxima batalha dependeria de apenas um pequeno número de guerreiros de elite, e talvez o mais importante entre eles fosse Frey, que provavelmente seria colocado em confronto direto com o oponente mais forte do outro lado.
"Será uma batalha difícil…" murmurou Adir para si mesmo.
Enquanto isso, Angry permanecia em silêncio, como de costume.
Ambos aguardavam o próximo conflito com profunda tensão e inquietação.
Frey, por outro lado, continuou indo mais fundo.
Diante dele, um vasto espaço vazio foi revelado.
Toda uma área subterrânea estendia-se diante dele, espalhada com flores azuis brilhantes e outras que reluziam em um vermelho carmesim profundo.
Era um lugar estranho e surreal, que o fez parar por um momento, surpreso, imaginando como tais flores poderiam crescer sob a terra.
Mas sua atenção rapidamente mudou para a figura sentada à distância, no centro da câmara.
Um jovem — com a idade de Frey.
Cabelos pretos.
E visivelmente mais magro do que o próprio Frey.
Alguém que ele não via há bastante tempo.